segunda-feira, janeiro 25, 2010

Paulicéia desvairada, desde sempre

Mário de Andrade, uma das perfeitas traduções desta cidade que já tanto amei, e hoje tento recuperar este amor, mas...

Quando eu morrer


Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

Ronda, do paulista Vanzolini, pelo baiano


E pelo magnifico carioca, com seus elásticos enrolados nas mãos...

domingo, janeiro 24, 2010

Homens que amam as mulheres

"As que simplesmente vemos nas ruas, as que se não saíssem transformariam todas as ruas em passagens sem vida"

Para o Capitão Pepe, um homem que sempre amou, ama e amará as mulheres, e que escreveu esse lindo comentário aqui embaixo no filme do Truffaut:


"E é possível deixar de amar as mulheres? Começa cedo, com as mães e não termina nunca. Morrerei desejando que, após queimado, minhas cinzas sejam usadas por uma fábrica de talco. Amamos as irmãs (biológicas e "adotadas"). Amamos as filhas (biológicas e "adotadas"). Amamos as amigas (eternas e passageiras), amamos pela vida inteira algumas amantes e por um instante, mas tórrido, as de um momento. Amamos as inalcançáveis nas telas, as que apenas passam. Nós amamos vocês quando as desejamos e quando não nos passa pela cabeça tê-las em uma cama. Nos as adoramos como corpos deliciosos, mas também as adoramos como seres maravilhosos"
Cap Pepe


Não sei se os homens hoje amam tanto as mulheres, com exceção do Captain, do moço aí embaixo, de alguns poucos que conheço. Paulo Francis, de quem eu não gostava, disse uma vez uma frase que nunca esqueci: "Eu sou do tempo em que os homens amavam as mulheres".

"Mais amor, por favor", diz a mais recente pichação nos muros paulistanos.
Homens, não tenham medo das mulheres. O que acontece hoje em dia de histórias desse tipo é incrível, correriam páginas interminaveis de internet com depoimentos das minas de todas as idades.

Não é o caso do intrépido Capitão Pepe, um dos últimos a viver pelo amor das mulheres. Nunca sei se é cria dos pagos do Rio Grande ou se apenas cresceu lá, há muitos anos é aquerenciado em São Paulo. Dia desses um amigo gaúcho fez uma incrivel canção para ele, falando de chinas e de redes. Sua história, já disse que vou escrever um dia, e ele permitiu, sem citar nomes, claro, muito menos o dele.
Mas será impossível reproduzi-la fielmente. O Capitão é único.

Oigale, my Captain, acho que essse homem sensível aqui embaixo traduz um pouco o seu sentimento sobre as mulheres inalcançáveis das telas. Ele, tão apaixonado pelas atrizes, casou com uma, namorou sabe lá quantas, páreo pra ti,talvez?Cantou tantas e mais Beatriz.

"Ela faz cinema" eu acho que é para a mulher dentro e fora da tela, que afinal não é preciso estar na tela grande pra fazer cinema, certo? Besos y gracias.


1- Ela faz cinema


2- As atrizes

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Jornalismo e propaganda, tudo a ver

Dia desses me deparei com o site da Anhembi-Morumbi, anunciando um MBA,
Especialização em Comunicação Jornalística e Publicitária. Diz lá, cândida e impunemente:

"As barreiras que separam a publicidade do jornalismo estão cada vez mais tênues. Ao mesmo tempo, os processos de produção, edição, veiculação e consumo de conteúdos jornalísticos e publicitários passaram por intensa reconfiguração nos últimos anos, já que as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (NTICs) operam hoje em escala global.
Por isso, a especialização em Comunicação Jornalística e Publicitária foi desenvolvida para oferecer a possibilidade de situar o profissional nesse universo, ao mesmo tempo em que oferece suporte para a criação nesse campo

Diferenciais
Um curso inédito ao relacionar a discussão da convergência de dois temas em comunicação antagônicos em sua constituição: o jornalismo e a publicidade;

Programa
Módulo 1: Fundamentação Teórica

Convergência das mídias: Panorama de comunicaçãoLógica produtiva das empresas em ComunicaçãoPublicidade e Propaganda: convergências.Convergência das mídias e mercado de trabalho.Jornalismo e Publicidade: convergência "

A coordenadora é Mestre em Hospitalidade pela mesma universidade, seja lá o que isso signifique.
Ontem, li que Roberto Civita revelou que vai financiar, ainda este ano, a criação de uma escola de jornalismo em nível de pós-graduação, se bem entendi ( ou não) . A parceria está sendo montada com a Escola Superior de Propaganda e Marketing.
Será destinada a jornalistas "no meio de sua vida profissional", com dez anos de experiência, para prepará-los para a segunda parte de suas carreiras. “"Vou dar dinheiro para esse curso, montar a escola, não só para o pessoal da Abril, mas para o Brasil inteiro", disse. Ele foi pessoalmente ver como fazem "as melhores escolas do mundo": "Peguei dois professores da ESPM e fomos para os Estados Unidos visitar as quatro melhores faculdades de Jornalismo de nível de pós-graduação. Fazer perguntas, ver como é estruturado, currículo, professores, quanto custa e quanto cobram, as bolsas, enfim, o funcionamento da escola. Conhecemos, pelo menos, 60, 70 pessoas, dos reitores até os professores e os alunos. O que aprendemos, tanto para o curso como para ajudar a pensar, foi extraordinário. E eu me diverti como não fazia havia muito tempo. Foi melhor do que tirar férias... Se conseguirmos, abriremos no segundo semestre de 2010 ou no primeiro de 2011. Vai se chamar Escola Superior de Jornalismo ou algo assim".

Ou algo assim. Também soube que o Curso Abril, até agora destinado a estudantes de jornalismo, anunciou que qualquer universitário de qualquer tipo de profissão pode concorrer a uma vaga no Curso e na redação, na esteira da decisão do STF sobre a extinção do diploma.

Não entendi. Com zilhões de faculdades de jornalismo em SãoPaulo e no Brasil, mais uma.
E seguindo a idéia brilhante da Anhembi. Por que Civita não emprega seu $$$$ numa doação para a USP, por exemplo, aperfeiçoar a combalida pós em jornalismo, incentivar a pesquisa, como seus pares norteamericanos fazem?

Gostei muito dos comentários em blogs, antecipando a futura composição do corpo docente e a grade curricular.

Grade

Relativismo ético I e II
Distorções epistemológicas I, II e III
Introdução à marcenaria (para poder fazer cara-de-pau)
Prestidigitação
Introdução ao sofisma
Panorama da metodologia goebbeliana
Análise histórica do III Reich
Línguas estrangeiras (portunhol e embromation de preferência)
Introdução às artes cênicas (para poder representar o papel de justiceiro indignado)
TCC deve ser uma resenha prática dos filmes “A montanha dos sete abutres (Ace in the hole)” e “Mera coincidência (Wag the dog)”.


Reitor: Roberto Civitta
Diretora de RH: Lúcia Hippolito
Coordenador: Euripedes Alcantara
Professor de Ética Profissional: Diogo Mainardi
Sociologia Política: Renaldo Azevedo
Professor Convidado: Boris Casoy
Professor Convidado: Carlos Alberto Sardenberg
Professor Convidado: José Neumane Pinto
Professor Convidado: Alexandre Garcia
Professor Convidado: Ives Gandra Martins
Professor Convidado: Merval Pereira
Professora Convidada: Dora Kramer
Professora Convidada: Miriam Leitão
Professora Convidada: Eliane Cantanhede
Professora Convidada: Luciana Lobo
Professor Convidado: Gilmar Mendes
Patrono: Daniel Dantas

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Dia de São Sebastião do Rio de Janeiro

Trecho do texto de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, cidadão carioca, na contracapa de Urubu.

"Dia velho, as asas aquecidas, o Jereba mergulha na piscina. Pé de serra, fim de baixada onde começa a ladeira e os contrafortes azulam na distância, o Jereba sobe na chaminé do dia. Urubupeba. As rêmiges das asas púmbleas, prata velha fosca, dedos de mão apalpando o vento, adivinhado tendências. Urubu Mestre. As grandes asas expandidas cavalgam as bolhas de ar quente emergentes da ravina. Tolo papagaio, tola pipa boiando no ar, não-querente, não desejo navegante, à deriva, à bubuia - pois sim! - preguiçoso atento dormindo na perna do vento. Esse sabe o que há de vir. Aquário do céu.
Teu canto imita o vento. Hisss... As asas agora curtas, sobraçando trilhos de ar, pacote negro compacto, bico cravado no vento, velocidade feita letal, muro de azul aço abstrato - e adeus viola que o mundo é meu.
Nas lentes dos olhos, a águia oculta y entrabas e salias por las cordilleras sin pasaporte. Urubu procurador. Urubu Achador. Que sabes do alto o que se esconde no chão da mata virgem e dos muitos perfumes que sobem do mundo.
Eterno vigia de um tempo imperecível. Guardião de dois absurdos.
Nos vetustos paredões de pedra, esculpidos pela millennia, dorme de perfil um urubu.
A vida era por um momento.
Não era dada. Era emprestada.
Tudo é testamento".



And by the way, suppose I give you this rose and you give me a kiss

Ministro pede esclarecimentos sobre PM em ato

No Estadão
Ministro questiona PMs em ato
●●●O ministro em exercício de Direitos Humanos,
Rogério Sottili, pediu esclarecimentos ao secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, sobre a presença de policiais militares em ato de apoio ao Programa de Direitos Humanos,realizado na semana passada na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Segundo Rose Nogueira,
Integrante do Grupo Tortura Nunca Mais e da
Diretoria do sindicato, dois policias chegaram a entrar no auditório onde se realizava o ato.“
Alegaram que cumpriam ordens superiores, mas não disseram de onde vinham”,
disse ela. O secretário paulista informou ontem,por meio de sua assessoria, que encaminhou o pedido de esclarecimento aos responsáveis
pela áreade segurança e aguarda as respostas. ● R.A.

terça-feira, janeiro 19, 2010

PM no Sindicato dos Jornalistas: novos velhos tempos?

O Movimento Nacional de Direitos Humanos marcou a data de quinta-feira, 14 de janeiro, para a realização de atos em todo o país em defesa do PNDH-3, da criação Comissão da Verdade (e de suas atribuições), e do ministro Paulo Vannuchi. No Rio, no mesmo dia 14, a exibição do documentário de Silvio Tendler sobre Carlos Marighela e um debate relativo à Comissão da Verdade (PNDH 3 ), foram interrompidos pela polícia, que pediu para que o local fosse evacuado sob a falsa ameaça de uma bomba. Foi no auditório da Caixa Cultural, à Av. Almirante Barroso, 25. Saiu uma notinha de pé de página em O Globo.





Ainda no dia 14, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo ( Rego Freitas, 530, sobreloja), transcorria o ato quando, segundo a diretora Rose Nogueira, “dois PMs entraram no auditório - invadindo mesmo - foram direto para um canto pequeno, onde fica o banheiro feminino. Corremos atrás, fotografamos e eles deram desculpas como "estamos procurando um amigo". Que amigo? Ficaram loucos? Eu estava na mesa, mas saí, fui atrás deles e um me disse: "só queremos participar da cerimônia". Respondi-lhe: "Então sente aí". Acabaram saindo e a repórter Lucia Rodrigues, da Caros Amigos, foi atrás.


Segundo relato de Lucia Rodrigues, “o soldado Ricardo Lima disse que haviam recebido um e-mail solicitando a presença da PM no local. Perguntei quem havia passado esse e-mail. Ele respondeu que o sindicato havia solicitado”.
Ela não acreditou, insistiu “ para que ele entrasse em contato com o batalhão para saber quem de fato havia mandado a polícia para ali, ele começou a tentar contato pelo rádio. Como lá em cima não tinha sinal, ele disse se poderíamos descer e eu desci com eles. No saguão, mais dois soldados. O soldado J. Ferreira que comandava os outros militares ficou nervoso porque o Ricardo Lima tava tentando ligar para o batalhão a pedido meu.”
Ela começou a questionar o superior J. Ferrreira , quer epetiu o que o outro soldado havia dito. "Mandaram um e-mail solicitando a nossa presença.". Mais uma vez eu disse que essa informação era no minímo estranha .Questionei de quem partira a ordem para que eles viessem. "Mandaram a gente vir aqui dar apoio para vocês. A gente não tem acesso, cumpre ordens."
Lucia questionou o fato de eles estarem dentro de um prédio particular e terem entrado no sindicato sem serem convidados. “Ele reconheceu que realmente era estranho e essa era a primeira vez que isso estava acontecendo. Solicitei então que ele entrasse em contato com seu superior.
Ele ligou, falou com o tenente, mas a mesma história foi repetida. Solicitei então que o tenente viesse até a rua Rego Freitas para que me dissesse pessoalmente quem havia solicitado a presença da PM. Vieram o tenente Aurimar e o aspirante da PM Flávio. "É uma determinação para o patrulhamento da área. Eu não questionei a ordem", afirmou Aurimar. Eu solicitei então que ele entrasse em contato com o seu superior para saber quem solicitou a presença deles ali. Ele disse que era impossível saber porque quem poderia responder o meu questionamento havia saído às 19h.
Respondi que assim como nos plantões médicos os policiais que assumem o turno recebem as informações do turno anterior para saber o que está rolando. Solicitei portanto, que ele entrasse em contato com o superior de seu turno, porque obviamente essa informação exisitia. Ele começou a se irritar: "Não vou gastar meus créditos. Eu como militar não vou falar". Eu disse que não estava falando para ele ligar do seu celular, mas do seu rádio. Disse que essas informações deveriam estar no computador da PM e que se a corporação não estivesse informatizada, que em algum papel a informação deveria constar.
Ele ficou mais bravo ainda. Disse que não ia mais conversar comigo e se dirigiu para o soldado afirmando: "Encerra o talão, vamos recolher". Disse que se eu quisesse mais informações que entrasse em contato com a PM (surreal, para dizer o mínimo). Pelo que os soldados haviam dito anteriomente eles pertencem ao 7º batalhão da PM, localizado na avenida Angélica, na zona oeste. Como eles haviam ido à tarde no sindicato e foram recebidos pelo diretor André, eles consideraram o André como o responsável pelo evento.
Depois conversei com o André que me contou que os recebeu em sua sala no Sindicato e inclusive deu o seu cartão para o PM que foi até o local. O André negou que o sindicato tenha solicitado a presença da PM. "O sargento veio perguntar se precisava de apoio. Foi na minha sala, dei meu cartão. Não tem e-mail nenhum", afirmou. Os quatro soldados que estiveram no prédio do Sindicato são: J. Ferreira, Ricardo Lima, Murilo e Vilares."
Segundo a jornalista Rose Nogueira, no ato na avenida Paulista, no dia 14, ao meio-dia, em frente ao escritório de representação do governo federal, “a PM interpelou nossos companheiros por duas vezes”. Um grande numero de PMs tambem foi visto, cerca de 19 horas do dia 14, na esquina da rua Rego Freitas, onde estava se realizando o ato.
O Sindicato aguarda audiência com o Secretario de Segurança Pública de São Paulo.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Tuma gastou R$ 14 mil em hotel de cowboy


Do Congresso em Foco


E mandou a conta para o Senado.
O corregedor hospedou-se em resort de luxo em Barretos, durante a festa do Peão de Boiadeiro.

Conhecido como xerife do Senado, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) é um homem que não foge às origens. Fiel ao estilo que remete aos filmes de cowboy do velho oeste americano, Tuma passou os últimos dias de agosto num resort country que, segundo a propaganda, alia “conforto” e “rusticidade”, durante a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP), a maior do gênero no país. Rápido no gatilho, o senador sacou a conta do bolso e a atirou para o contribuinte, que pagou R$ 14.127,00 pelos três dias de hospedagem no hotel sertanejo.
A nota fiscal, registrada com o número 51093 no Portal da Transparência do Senado, está incluída nos comprovantes dos R$ 20.945,70 ressarcidos ao senador apenas naquele mês para cobrir despesas com locomoção, hotel, restaurante, combustível e lubrificante. Só esse conjunto de despesa consumiu R$ 4,5 milhões dos R$ 10,7 milhões da chamada verba indenizatória, benefício mensal de R$ 15 mil a que têm direito os parlamentares para exercerem o mandato.
Corregedor da Casa há 15 anos, Romeu Tuma é responsável por comandar as investigações sobre os deslizes éticos dos senadores. O “xerife” Tuma, apelido que ganhou quando conduzia a Polícia Federal, confirma que se hospedou no resort country, mas diz que foi à cidade para trabalhar, e não para se divertir. “Sou uma espécie de padrinho da festa. Não fui por lazer. Foi uma atividade política. Tenho muita ligação com a cidade e a festa. Vou muito ao Hospital do Câncer de lá”, disse o senador ao Congresso em Foco.

domingo, janeiro 17, 2010

Jornalismo mauricinho

Este é o título que o ator e dramaturgo Mario Bortolotto deu ao seu post comentando a atuação da Folha de S. Paulo no seu caso. Como se lembram , ele foi baleado em um teatro na Praça Roosevelt em dezembro, quase morreu mas, duro na queda, está vivo e se recupera. Mário tem muitos amigos, que se preocuparam inclusive em não transformar em show o caso quando ele estava internado na Santa Casa, e isso é o que vale.
O jornalista chama a Praça Roosevelt de "submundo", e é onde funcionam companhias de teatro, que têm feito de tudo para, com sua arte, resgatar o lugar abandonado pelo poder público.
"Submundo é a redação da Folha", diz um comentarista do
blog do Bortolotto.
Diz também que o prefeito e o governador estiveram no hospital, e que atenção especial da polícia está sendo dada ao caso. Bortoloto afirma que estava em coma quando da visitsa do governador, e que falou com o prefeito, mas não pediu nada, porque é um sujeito a quem os pais deram educação. "Que culpa eu tenho dessas visitas?" pergunta.

"Eu realmente estou um pouco estarrecido com o comportamento da Folha de São Paulo no que se refere ao trágico episódio que aconteceu comigo e que já é do conhecimento de todos (pelo menos dos que freqüentam esse blog). Uma pá de jornalistas ficou no meu pé assim que saí da UTI no afã de conseguirem a primeira declaração minha sobre o ocorrido. Eu me neguei a atender quem quer que fosse por vários motivos.
Porque estava muito cansado (entendam que levei três tiros e ainda quebrei o braço esquerdo tendo que me submeter a duas cirurgias sendo que uma delas durou 9 horas – quer dizer, fiquei mesmo entre a vida e a morte e segundo me disseram, muito mais pra lá do que pra cá), entupido de remédios, o que me dificultava o pleno entendimento do que estava acontecendo e em terceiro lugar, não tinha o menor interesse que a imprensa fizesse um freak-show dessa história toda (muito dolorida pra minha família e pros meus amigos).
Não quero ser conhecido como o Dramaturgo que reagiu a um assalto e levou três tiros. Quero sim ser conhecido como o Dramaturgo que escreveu mais de 50 peças e que trabalha exaustivamente não só como escritor, mas também como diretor, ator, sonoplasta, iluminador, e que ainda encontra tempo pra cantar numa banda de rock. É pelo meu trabalho que quero ser lembrado quando estiver bebendo em algum boteco do céu, e não porque reagi a um assalto e levei três tiros.
Então não tinha o menor interesse de dar entrevista nenhuma. E evitei o máximo que pude. O jornalista Lucas Neves da Folha (Ilustrada) me procurou e eu disse pra ele esperar, que ia dar entrevista pra ele e pro Estadão no mesmo dia, sem procurar privilegiar nenhum dos dois. Afinal o Estadão tem dois jornalistas que são meus amigos e pra quem eu jamais recusaria qualquer declaração: Beth Néspoli que acompanha o meu trabalho com a maior atenção desde 1.997, inclusive às vezes fazendo críticas que eu discordo e com quem inclusive me sinto à vontade pra discutir essas criticas e o Jotabê Medeiros que é simplesmente meu amigo de juventude, de jogar futebol juntos e de namorar a melhor amiga da minha namorada. Pra vocês terem uma idéia, o Jotabê foi o primeiro cara que escreveu uma crítica de peça minha no jornal, isso quando ele era ainda estudante do curso de Comunicação Social na UEL (Universidade estadual de Londrina). Não tinha como negar entrevista pra nenhum deles.
Então combinei com o Lucas Neves que iria dar entrevista pra ele no mesmo dia que concedesse a entrevista pro Caderno 2. Esperei o Jotabê marcar o dia que ele queria, e ficou decidido que seria quarta-feira da próxima semana (dia 20/01). O Lucas se dizia pressionado pela editoria da Ilustrada que fazia questão de soltar a matéria primeiro e com exclusividade. Respondi que não tinha nada a ver com isso e que só daria a entrevista no mesmo dia do Estadão. Eu não tava interessado em dar entrevista. Ele é que tava a fim de me entrevistar.
Engraçado que quando a gente estréia alguma peça e precisa de divulgação, é o mó trampo pra conseguir uma matéria.
Aí se instaurou a fogueira das vaidades. Mauricio Stycer do Caderno Cotidiano da Folha me telefonou querendo uma entrevista. Bem, Me recusei, pedindo pra ele esperar e que talvez mais pra frente a gente pudesse conversar (eu já tava comprometido com o Lucas e o Jotabê e sequer conheço o Mauricio Stycer. Não via nenhum motivo pra dar entrevista pra ele, ainda mais na frente dos outros dois. Até concederia uma entrevista pra ele, desde que ele tivesse um pouco de paciência), o que deixou o Mauricio bem irritado.
Aí uma jornalista do Globo on line me ligou e conversou rapidamente comigo por telefone (não foi exatamente uma entrevista – respondi quatro perguntas informalmente pra ela por telefone). Foi o suficiente pro Mauricinho Stycer ficar ainda mais puto comigo (parece que ele não conseguiu falar comigo depois).
Foi aí que a Folha de São Paulo começou a me ferrar com todo o poder que eles detém. Primeiro soltaram uma matéria podre no dia 14 de janeiro (“Bortolotto faz de blog palco para falar de crime”), não assinada onde eles simplesmente copiaram trechos de textos que escrevi no blog. E qualquer estudante do primeiro ano de jornalismo sabe que excertos de um texto fora de contexto podem prejudicar e muito o real entendimento do pensamento do autor. Mas foi exatamente o que eles fizeram. No final da matéria escreveram: “Procurado pela Folha, Bortolotto não deu entrevista”.
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