domingo, dezembro 26, 2010

Qualquer esforço neste tempo sombrio tem grande mérito espiritual





Sempre vou ler meu amigo Rui Sá, historiador, ex- sindicalista das grandes épocas, astrólogo, espiritualista. Encontro lá Baudelaire, que eu tanto li este ano e conheci mais, grande influência dos surrealistas. E a estes fui estudar por causa de Roberto Piva, poeta que se foi este ano, e que me envolveu de uma forma ineplicável. Ano de acontecimentos incríveis!

Sintonia de poetas e de amigos, existe coisa melhor? Reproduzo aqui o final der um texto recente do Rui e faço minhas as palavras dele:

"Voltar a Baudelaire, abrir as “Flores do Mal” e procurar:

Ô douleur! Ô douleur!

Les Temps mange la vie,

Et l’obscur Ennemi qui nos ronge le coeur,

Du sang qui nous perdons crôit e se fortifie!

Cento e cinquenta anos depois, o livro continua atualíssimo. Uma bela edição bilíngue foi feita pela Nova Fronteira, com tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira. A agitação sem meta, a impiedade da grande massa citadina, o tédio, a difusão dos jogos de azar e a drogadição, tudo isto já está lá, expresso de forma magistral.

(..) Qualquer esforço neste tempo sombrio tem grande mérito espiritual, é o que nos garante a doutrina védica ou a cristã, no livro das Revelações. Não importa se o objeto é uma comédia na TV, Baudelaire ou as diamantinas parábolas de Jesus, o importante é a atividade de Buddhi, a divina Sabedoria."

A todos boas festas e votos de um 2011 em paz interior e com saúde razoável"


Até o começo de janeiro.

sábado, dezembro 25, 2010

Noite estrelada



Música de Don McLean

sexta-feira, dezembro 24, 2010

O que fazer com o que a gente lê

Como ler romances, por Thomas C. Forster . Eu sempre fiz faço isso que ele recomenda, uso para a minha vida


“Uma lei para todos que leem: apropriem-se dos romances que estiverem lendo. (Poemas, também. Também contos, ensaios, peças de teatro – você entendeu.) Não quero dizer compre um exemplar, embora por razões auto evidentes e de interesse próprio, eu não seja contra isso. Quero dizer tomar posse psicológica e intelectual dessas obras. Torná-las suas. Você não é um aluno assustado pedindo mais mingau…. É uma pessoa adulta tendo uma conversa com outra. Que vocês dois nunca tenham se encontrado e que o outro possa estar morto é irrelevante. Ainda assim é uma conversa, um encontro de mentes e imaginações, e a sua importa tanto quanto a do escritor.”
Do blog de Maria Jose Silveira

terça-feira, dezembro 21, 2010

domingo, dezembro 19, 2010

Feminismo:leia sem preconceito



Rose Marie Muraro - física e economista, feminista histórica




Rose Marie Muraro - A palestra deve ter perto de dez anos, mas é bem atual


“Leia sem preconceito”. Esta frase apresentava o jornal Brasil Mulher, em fins da década de 1970, em um cartaz para ser afixado nas bancas de jornal. Tratava-se de um jornal alternativo, que tinha à frente Terezinha Zerbini, do Movimento Feminino pela Anistia, feito por jornalistas e militantes de esquerda, ex-presas políticas.
O cartaz foi feito porque os jornaleiros não expunham o “Brasil Mulher”: o que seria aquilo? Um jornal falando de mulher, mas sem loiras e gostosas na capa? Muito esquisito. Não era um jornal que se dizia feminista, feminista era o "Nós Mulheres". Mas tratava dos mesmíssimos assuntos: aborto, falta de creche, violência doméstica, direitos reprodutivos, aborto e sexualidade, a vida das mulheres na periferia das urbes, no campo, falava de democracia - ainda estávamos na ditadura. Havia também alguns colaboradores homens.
Um trecho do primeiro editorial do "Brasil Mulher", de 9 de outubro      1975.
“Não desejamos nos amparar nas diferenças biológicas para desfrutar de pequenos favores masculinos, ao mesmo tempo que o Estado, constituído de forma masculina, deixa-nos um lugar só comparado ao que é destinado por incapacidade de participação ao débil mental.
(...) Queremos falar dos problemas que são comuns a todas as mulheres do mundo. Queremos falar também das soluções encontradas aqui e em lugares distantes; no entanto queremos discuti-las em função de nossa realidade brasileira e latino-americana.
(...) Queremos usar a inteligência, informação e conhecimentos em função da igualdade e, desde já a propomos, como equidade entre homens e mulheres de qualquer latitude."

Hoje o mundo mudou, tudo mudou. Mas a essência dos problemas da condição feminina continua a mesma, e a incompreensão sobre, aparentemente até aumentou. Com a afluência da sociedade de consumo, do culto ao corpo, tudo piorou. Entretanto, a mais difícil e longa das lutas continua, com uma nova geração de bravas (os) lutadoras (es). Enfrentando e renovando velhíssimas discussões – que já queríamos ultrapassadas no século 21, e colocando outras.
Foram tantas as conquistas, e especialmente no século passado, que as filhas deste século, na maioria, nem se dão conta: já nasceram com muitas coisas mudadas para melhor. Mas muitas continuam a ser assassinadas por maridos, amantes, namorados que não se conformam com o fim das relações (vide famoso caso Pimenta Neves, homicida condenado e em liberdade), continuam os espancamentos, e a situação da mulher no Oriente Médio vai mal, e a disparidade salarial ,etc.
Este blog, no ar desde março de 2006, muitas vezes fala sobre a condição feminina. E, como sua autora é jornalista, se detém em aspectos da profissão. Hoje, cerca de 50% das redações correspondem a funcionárias do sexo feminino. Portanto, muito mudou desde início dos 1970, quando mulheres ainda eram proibidas de trabalhar na redação do Estadão, por exemplo. Elas começaram a entrar, a se formar nas universidades, a mudar o perfil da profissão. Hoje, entretanto, a velha mídia impressa conta com muito menos de um terço de mulheres como colunistas dos assuntos considerados masculinos: política e economia.
E atenção: aqui não digo que mulher no poder significa um mundo melhor. Depende, é claro, do nível de consciência e de ética da mulher. De que adiantam Tatchers num mundo como o nosso? Mulheres torturadoras do exército norte-americano no Iraque? Articulistas alinhadas ao pensamento arcaico?
Mas é claro que mulheres com outro ponto de vista sobre a vida e sobre a sobrevivência da espécie, sobre o consumismo, sobre alternativas de gestão. Enfim, mulheres com uma nova consciência, aí sim, fazem a diferença.
Então por que, no século 21, com tanto “progresso”, continuam poucas mulheres na política, na economia, na liderança dos movimentos mundiais? E nas Artes: na música erudita, nas bandas de rock e de blues, etc .etc. “Até o século 20, entendia-se por que não havia mulheres de destaque em todos os setores. Mas hoje?”, argumenta um amigo que se considera dos mais feministas.
O papo veio a propósito da coletiva de Lula aos chamados “blogueiros progressistas” -- a nova e importante frente que tem contado pontos preciosos na defesa da liberdade de expressão e na denúncia da manipulação das notícias pela imprensa tradicional.
Havia mais de uma dezena de blogueiros, foram convidadas quatro blogueiras e apenas uma compareceu via internet. Mas, comparecendo ou não, inicialmente, fiquei pensando: a proporção de 4 para 10 deve ser creditada , claro, à menor participação política da mulher também na Internet. Como comentou o grande Laerte, não sei se exatamente nessa entrevista linkada: “As pessoas estranham que tem pouca mulher na política e fazendo charge, cartum, humor de um modo geral. Isso tudo tem um motivo. Elas estão sendo ensinadas desde pequenas. Não tem nenhum motivo real que impeça elas de fazer qualquer coisa que um homem faz”.

Mas a coisa não era bem assim. Existem várias mulheres na blogosfera, e há muitos anos, com blogs feministas ou não, que participaram ativamente da campanha eleitoral, e pela esquerda. Estariam, então, incluídas no chamado rol dos “blogueiros progressistas”, de alguma forma.
Eu estive na primeira reunião nacional desse movimento. Havia muitas mulheres participando, ouvindo, debatendo. Mas poucas tão famosas quando os jornalistas líderes da blogosfera. Ninguém está negando o papel importante deles na nova mídia. Apenas constatando que Laerte tem razão, que ainda há poucas liderando os vários setores da vida humana.
Mas agora concluí: as que surgem e se firmam na internet, mesmo fazendo política, não a fazem da maneira tradicional. A política institucional- que está caindo de podre e pelas tabelas –não é a única via de gestão da humanidade. Acho que por isso essas mulheres blogueiras não foram convidadas para a coletiva histórica: não são consideradas blogueiras “políticas”. Eu mesma, que navego bastante, fiquei conhecendo vários interessantes blogs dessas mulheres agora.
Política se faz de várias formas, e não apenas institucionalmente, nos partidos, graças aos deuses e deusas. Há movimentos, centenas de milhares deles espalhados pelo mundo: que, sim, pressionam os chamados representantes nas chamadas democracias representativas que tão pouco representam. Até agora, não pode ser de outra forma, mas quem disse que as coisas não podem mudar?
E quem pode mudar todas as coisas?
Recentemente fiz parte da banca de TCC (trabalho de conclusão de curso) de Jornalismo, na PUC-SP. A formanda Gabriela Moncau escreveu o excelente livro “A Segunda Luta- O feminismo e as organizações de esquerda no Brasil”. Que interroga por que, ainda no século 21, a questão é vista, ainda, pela esquerda, como uma luta secundária.
Sempre houve grandes dificuldades, ao longo da História recente, na relação entre esquerda e movimento feminista. Mesmo, e especialmente, sendo suas representantes sempre alinhadas à esquerda. Torço para que o trabalho seja publicado, é bastante esclarecedor. Gabi contou que, quando entrevistou a feminista histórica Rose Marie Muraro, que vocês podem conhecer nos vídeos acima, e falou sobre o tema de sua pesquisa, ela exclamou: “Mas ainda está assim?!!”
Pois é, ainda. Eu até tive vontade de dizer a Gabi, moça inteligente, militante bem intencionada da esquerda: ”Sai dessa, é uma luta muito inglória”. Mas, pensei, ainda bem que ela e milhares de Gabis existem e persistem pelo mundo afora, passando pra frente a eterna bandeira. Sorte da humanidade.
Acompanhei uma extensa discussão pro e antifeminista em alguns blogs desde a semana passada. Os mal entendidos bem e mal intencionados, a incompreensão sobre o feminismo e suas várias correntes, agressões a feministas por serem agressivas e “radicais” -- de minha parte, eu sempre gostei dos radicais, vão à raiz e se não fossem os muitos radicais da grande História e da História cotidiana, estaríamos estacionados bem mais atrás do que estamos. Machistas masculinos e femininos em bloco contra feministas e contra homens que as defendem. Isso tudo significa que as discussões no campo do gênero estão bem mal na sociedade como um todo, e num recorte especial, naquele setor considerado mais esclarecido e politizado.
Não é novidade.
Novidade, é, sim, o assunto ser debatido amplamente pela internet. Se nos anos 70 estava restrito a pequenos jornais e à militância de grupos de esquerda, no século 21 começa a ocupar o espaço virtual, que é absolutamente mais amplo. Entretanto,a qualidade é outra. É melíflua a rede, no sentido de fluir, mas nela ninguém está obrigado a arrematar, concluir, avançar.
Acho, por isso, um pensamento meio mágico falar-se em “construção do conhecimento” em blogs. Informação é uma coisa, conhecimento é outra.De qualquer forma, está posta uma discussão, e é nova na chamada “nova blogosfera”.

Por isso, não me aprece que se queira instaurar (como diziam no tempo da ditadura) a cizânia dentro do movimento dos meninos blogueiros progressistas com essa discussão. E, em conseqüência, que por trás dela haveria objetivos inconfessáveis e gente agindo nas sombras.
O que existe, apenas, é um dado novo para muitos: o movimento feminista não morreu, não é anacrônico, superado, como querem muitos (as).Se assim fosse, não teria despertado tantas paixões. O objeto de sua luta persiste e insiste porque as causas igualmente persistem e insistem.
A rede vem provar que nem os jornalistas detêm o domínio dos blogs, nem os acadêmicos. Ela é de todos, não é de ninguém.A internet não tem controle. Uma visão mais abrangente detectará que muitos outros blogs, feitos por mulheres, não necessariamente lidando com a política institucional, estão, sim, fazendo política, e das mais necessárias.


sexta-feira, dezembro 17, 2010

Da série "Mundo metido a limpinho "-2



Foi na Avenida Paulista. A Freetura Produções fez a foto e o texto.

"Excelente atuação da Polícia Militar, sob o comando do prefeito Kassab. Parabéns! Vejam este marginal fortemente armado com uma guitarra STRATOCASTER equipada com um HUMBUCKER e dois singles e um mini amplificador de 10 watts de potência! Ele andava pela Avenida Paulista espalhando cultura e boa música, centenas de pessoas foram obrigadas a abrir um sorriso mediante as notas musicais e expressões praticadas por este verdadeiro meliante!
Mas a polícia agiu rapidamente e com muita perícia. Deram uma resposta rápida à sociedade! Com um golpe certeiro e sem disparar nenhum tiro, a nossa eficiente polícia conseguiu imobilizar e desarmar esta verdadeira ameaça que rondava as ruas de São Paulo. Eu acho que os policiais e o prefeito Kassab deveriam ser homenageados por essa eficiência toda! E gostaria que, vocês, seguidores da Freetura Produções, fossem os primeiros a prestar estas homenagens".

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Bom dia , Babilônia

“Há trezentos anos, pelo menos, a ditadura da utilidade é unha e carne com o lucrocentrismo de toda essa nossa civilização. E o princípio da utilidade corrompe todos os setores da vida, nos fazendo crer que a própria vida tem que dar lucro. Vida é o dom dos deuses, para ser saboreada intensamente até que a bomba de nêutrons ou o vazamento da usina nuclear nos separe deste pedaço de carne pulsante, único bem de que temos certeza.” (Paulo Leminski)

Do blog Espelunca

domingo, dezembro 12, 2010

O mundo chato dos sachês

Do blog do Mario Bortolloto, um desabafo que eu e muita gente assina embaixo. Mundo idiota, asseptico, metido a politicamente correto, medicalizado e paradoxalmente, um mundo onde ocorrem as piores sujeiras que se tem notícia na história, concordam?
Contei pro Pedrão Martinelli, alem de grande reporter fotográfico brasileiro, grande gourmet, que sempre critica as coisas pela mesma via, e ele disse: "E os chapeiros das padocas fazendo sanduba de luva e aquelas toucas que não respiram, feitas de material sintético, petróleo? Ontem fui comer um sanduba na minha padaria aqui do lado e o cara estava sem luva. Acho que tá começando uma revolução. Eu vou apoiar."


Depois leio no mesmo blog do Bortolotto que o prefeito de Londrina, terra dele, proibiu bancas de revista na cidade, porque os bandidos se escondem atrás delas.É pra rir?


"Primeiro proibiram os vinagretes. Já fiquei injuriado com isso. Como é possível comer um autêntico pastel de feira sem vinagrete? Alegaram que não era higiênico. Puta que pariu. Eu como churrasco grego há séculos, e não abro mão do suco "di balde", sim, porque é assim que aquele suco vem, num balde que o cara despeja lá dentro. Já vi várias vezes eles fazerem isso. E vou dizer pra vocês: nunca passei mal. Já comi carne de carneiro em uma cantina tradicional do Bixiga e frequentei o Vespasiano durante três dias. Ontem resolvi fazer um dos troços que mais gosto de fazer quando estou em Londrina. Comer cachorro quente. É sem dúvida o melhor cachorro quente do país. Chamei minha filha e fomos lá desfrutar desse prazer inenarrável e insubstituivel. Mas não tem mais bisnaga, caralho. Tão ligados nas bisnagas de maionese, catchup e mostarda? Não existem mais. Segundo a prefeitura, elas são anti-higiênicas. Então agora a gente não pode mais fazer toda aquela meleca maravilhosa. Dependemos dos malditos sachês que nem sempre a gente consegue abrir, e se nossas mãos estiverem suadas, pode esquecer. Já havia abandonado o pastel. Agora estou dizendo adeus também aos dogs de Londrina. Querem acabar com todo o nosso prazer. E não é de hoje. Isso está acontecendo aos poucos e sorrateiramente. Logo só iremos fazer o que eles querem, e do jeito que eles querem. Mundo chato pra caralho".

quinta-feira, dezembro 09, 2010

A favor do Wiki Leaks

https://secure.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?rc=fb

Este é o endereço do abaixo-assinado que pede o fim da perseguição ao WikiLeaks, com este texto.

No momento, tem mais de 310 mil assinaturas. É incrivel como aumentam, e vêm de todo o mundo.

A campanha agressiva de intimidação contra o WikiLeaks é errada, perigosa e compromete o Estado de Direito. Políticos importantes dos EUA chegaram ao extremo de chamar o WikiLeaks de uma organização terrorista, sugerindo o assassinato da sua equipe e pedindo para empresas boicotarem o site.
O futuro da liberdade de imprensa e Internet está em jogo. Vamos nos manifestar urgentemente para garantir que governos e empresas ajam com cautela e por vias legais, sem escalar a briga. Assine a petição contra a perseguição -- vamos conseguir 1 milhão de vozes esta semana!

quarta-feira, dezembro 08, 2010

segunda-feira, dezembro 06, 2010

"A poesia revela este mundo; cria outro"



Poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola, une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Ideia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular e minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirme que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!
do Blog de Rubens Jardim

Fim de domingo

Pra animar, Charlie Parker, porque marilia gabriela e roberto justus na tevê, quem merece?

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Dreamin

Mário de Sá-Carneiro

O poeta, por Almada Negreiros



Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o Outro.

Lisboa, fevereiro de 1914
Estes versos do grande poeta português, que se suicidou aos 26, grande amigo de Pessoa -- que lhe dedicou um belissimo poema, sobre a amizade --, parei para ler, encantada, numa estação de metrô, não me lembro qual.
As pessoas correndo, será que alguém , como eu, pára pra ler poesia em meio aos desvãos da metrópole?Acho que sim.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Construtora Exto- 2, noite de quinta

A inominável construtora, nao satisfeita por enlouquecer os moradores da rua Caiowáa o dia inteiro, à noite faz descarregamento de materiais, em enormes - e naturalmente barulhentos- caminhões.
Colocarei aqui, todos os dias, os acontecimentos, porque a pesquisa Exto no Google está ficando ótima, como todos esses posts de reclamações.

Woody Allen e a descida aos infernos

Desconstruindo Harry

"Sétimo andar, mídia, desculpe mas todos os lugares estão tomados".

Ele só se esqueceu da Construtora Exto.

Quinta é dia de Exto contra moradores da Caiowá: das 7h30 às 19 horas/Atualizada

Ou quarta ou quinta-feira, os caminhões de cimento da Engemax, a serviço da Construtora Exto, chegam às 7h30 da manha e só saem quando sabe Deus.
Enquanto isso, o barulho é infernal.

E às 17h50, quando já foram embora os ene caminhões da Engemax, e a vizinhança pensa que mais um tormento acabou, ao menos hoje, o outro caminhão, acoplado aos iniciais, inicia seus roncos acho que para expulsar o resto de cimento e , assim, aproveita a Exto para enlamear a rua, que depois, será lavada mal e porcamente.

A baderna terminou às 19 horas, exatamente 9 horas e meia depois que começou.

Outro problema é o trânsito, em rua de mão dupla, atravancado várias vezes por um segundo caminhão, esperando o primeiro sair.

Como é terra de ninguém, nem CET, nem qualquer fiscalização da assim chamada prefeitura paulistana jamais apareceu.

Na era da nanotecnologia, da engenharia genética, da reprodução assistida, da comunicação instantânea, é impossível que não se tenha chegado a uma nova solução para substituir antediluvianos caminhões misturadores de cimento e o processo de transfusão para a obra.
Certamente em outros países isso já mudou. Quem sabe aqui mesmo, mas deve ser mais caro...

Mas é de se pensar em uma ação judicial contra a Exto, por obstrução do direito ao trabalho e ao estudo.
Bom, agora vou trabalhar...

segunda-feira, novembro 29, 2010

Outro tempo

Letra de Paulo Cesar Pinheiro, voz de Moyseis Marques

sábado, novembro 27, 2010

Rio de Janeiro, 2010








Complexo do Alemão-Rio de Janeiro






É fato que podem matar, mas a reposição é farta e barata. E como ao que tudo indica, a linha do consumo é fato e está aí pra ficar, desde os princípios do século 20, desde os príncípios do tempo, quando o homem inventou a civilização e o vício, o paraíso e o inferno.


Trecho de artigo de Liu Sai Yam

Nego Dito: rock and rush em São Paulo

sexta-feira, novembro 26, 2010

Luis Trimano, um dos nossos maiores ilustradores


Foto:Tizulo Shiraiwa
Tenho a maior admiração por este grande artista, o grande mestre de uma geração de ilustradores brasileiros nos anos 1970. No seu blog, assim se apresenta:

O propósito deste blog é o de mostrar o trabalho do ilustrador,independente das regras impostas pelo mercado,nas quatro disciplinas praticadas por mim, em diferentes momentos e veículos: A Caricatura na Imprensa,A Ilustração na Imprensa,A Ilustração Editorial e O Poema Ilustrado. Também são mostradas modalidades diferentes das mesmas propostas como: Montagens das exposições e a revalorização do painel mural, através das técnicas de reprodução digital em baner.

--
Nasci em Buenos Aires em 1943, onde estudei artes plásticas e ilustração. Fiz a primeira exposição individual em 1964, ilustrando "Poemas de la pampa seca", de Juan Ricardo Nervi. Entre 1960 e 1968, fiz 4 exposições individuais e uma retrospectiva em Buenos Aires. Vim para São Paulo em 1968, onde trabalhei como caricaturista e ilustrador dos principais jornais diários e da imprensa alternativa. Em 1974 mudei para o Rio de Janeiro. Meus trabalhos mais importantes estão reunidos no livro "Trimano, Desenhos e Ilustrações, Editora Relume Dumará, 1997.


Geração beat

quinta-feira, novembro 25, 2010

Feira do livro da USP

cheíssima, como todos os anos. um delírio, parece liquidação de moda feminina, com briga e tudo.
fila para entrar no estande da cia das letras. eu? imagina.

Fernando Pessoa

Às vezes, em sonho triste, aos meus desejos existe longinquamente um país, onde ser feliz consiste apenas em ser feliz.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Mais um caminhão da Exto

As 17h52 acaba de chegar o enésimo caminhão de cimento da EXTO, apitando qual louco, pois hoje em dia eles têem apito na ré. Até encaixar no outro caminhao, demora.

Há também em frente um ônibus de excursão, que trouxe zilhares de pessoas para um escritório de produção televisiva, dizem que do SBT.

A Rua Caiowaa parece um circo. A CET jamais apareceu por aqui. Só resta a polícia, que tantas ocorrências tem a atender...


Chamarei a polícia em breve. A noite vai ser longa por aqui.

Exto bate recorde de barulho

Qause 16 horas e os misturadores de cimento continuam com seu barulho ensurdecedor, desde a manhã de hoje.


Haverá algum cronograma decente nesta obra?

Estará a Exto concorrendo a alguma olimpíada? Só se for de incompetência e desrespeito.

Cartas para a redação.

Construtora Exto continua a desrespeitar o sossego dos moradores

Rezar e fazer promessa é a única saída.A tal Construtora Exto, que constrói desde o início do ano um prédio comercial na rua Caiowaa, e mandou às favas o sossego diurno e noturno dos oradores, só com reza brava.Porque as leis sao desrespeitadas nesta cidade desgovernada e tudo bem, não há a quem recorrer.

Agora mesmo, desde a manhã, e já são 14 horas- aguentamos o barulho insuportável do caminhao de cimento.

Rezar pra que acabe logo a maldita construção, é a única coisa que podemos fazer. Depois de reclamações até no Estadão, e varias diretamente para a responsável pelo atendimento ao cliente. Não sou cliente, mas esse SAC da Exto atua como o da maioria das empresas atrasadas deste país: não leva em conta a pessoa que reclama, apenas defende o patrão. Na última vez, convidaram para que os visitasse. Ora, minha senhora, não tenho o mínimo interesse de conhecer a empresa, nem tempo. Queremos soluções.


Ana, vizinha de suplício, perdi seu telefone, passando por aqui deixe o seu ou ligue para mim.

terça-feira, novembro 23, 2010

segunda-feira, novembro 22, 2010

Blackbird

A arte da enganação

Gostaria de saber até quando certas pessoas, especialmente certas pessoas públicas, de variados setores -- e não só na política -- continuarão enganando a todos o tempo todo.

Enganam porque são talentosas na enganação?

Ou porque as pessoas querem mesmo ser enganadas?

Respostas para a redação.

There will be an answer, let it be: Macca em SP

Paul McCartney

Abra os olhos e diga ah!


Noite de lua cheia, e mais Macca, demais

domingo, novembro 21, 2010

Paul, 68

Paris, 1933 e

Brassai (Gyula Halasz)Prostitute at angle of Rue de la Reynie and Rue QuincampoixFrom "Paris by Night"1933
Brassai (Gyula Halasz)Backstage at the Folies-Bergere1933



Minor White
Warehouse Area, San Francisco1949




sábado, novembro 20, 2010

O cinema argentino é o maior

Já viram O segredo dos teus olhos?
Acabo de ver Dos Hermanos, de um diretor de 37 anos. Delicadeza, sensibilidade, simplicidade, emoção. Vida cotidiana. Dores da família , e também alguma delícia.
Já começa com uma reunião de condominio- é genio.
O cinema argentino dá de 10 nesse aqui de tropas de elite e tudo o mais. O único que gostei nos últimos tempos foi a recriação de Cinco Vezes Favela, por moradores favelados com ajuda de cineastas. Mas Cinco Vezes Favela já tem história. O resto o que é? Com exceção de Ugo Giorgetti, que está para lançar um filme sobre o cotidiano na ditadura, e deve ser ótimo, como tudo o que faz.



Dos hermanos (2010)
Direção: Daniel Burman
Roteiro: Daniel Burman e Sergio Dubcovsky, baseado no romance "Villa Laura", de Sergio Dubcovsky
Atores: Graciela Borges e Antonio Gasalla

O beat e sua visão de mundo

"Tudo me pertence, porque eu sou pobre"

Jack Keoruac, em Visões de Cody (L&PM, 2009)

Agora, pergunto se esse escritor merece que sua obra mais famosa, On The Road, seja filmada por banqueiro junior cineasta.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Coleman Hawkins, ou The Bean




Um dos preferidos do pessoal da beat generation.

Sutra Zen

quarta-feira, novembro 17, 2010

William Blake

No ano passado estive em uma exposição sobre William Blake, no Petit Palis, em Paris. Chamava-se O gênio visionário do romantismo inglês, com sua grande poesia e pintura, e também o filme Dead Man, de Jim Jarmush, que eu não conhecia.Grande filme.

Com Johnny Depp, conta a jornada física e espiritual de William Blake, homem que passa por situações tragicômicas no Velho Oeste após acidentalmente matar o filho de um figurão. Ferido, recebe a ajuda do estranho índio Nobody, que acredita ser ele o poeta homônimo do século 19.



segunda-feira, novembro 15, 2010

"Elas querem é biscoito?":anotações para um revival do glorioso Teatro de Revista

Por ordem de entrada :Virginia Lane,Carmen Miranda,As Frenéticas, Jorge Benjor, Rita Lee,mais elenco do fantástico "Tem Bububu no Bobobó", Ankito, Mara Rúbia, Colé, Gracinda Freire, entre outros.



Virginia Lane, a Vedete do Brasil. "Sassaricando" .Cena do filme Tudo Azul,1952, dirigido por Moacyr Fenelon.
A Vedete do Brasil se retira e, por uma escadaria em forma de ferradura, descem duas vedetes vestidas apenas com dois pares de maracas -- cada uma por um dos braços da escadaria, ao som de "Soy loco por ti América". Param e ficam dançando em volta de um grupo de pessoas discutindo, dentro de um enorme computador. Ouvem, curiosas, enquanto continuam a dançar:
-Intelectual considerado de esquerda:
Não tenho problema nenhum em declarar que dificilmente exista alguém mais ateu que eu. Mas reconheça-se a importância da TV Record para o equilíbrio de forças no Brasil de hoje, com excelentes jornalistas como Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna. Fundamentais.
-Claque do intelectual considerado de esquerda:
BRAVO ! BRAVO ! BRAVO !
-Voz discordante 1:
Prefiro, ao mesmo tempo em que elogio os jornalistas citados, manter um pé atrás. Não duvidaria nada , tendo em vista o passado do Bispo, que ele fosse capaz de usar os mesmos expedientes da Globo.

Intelectual considerado de esquerda, de agora em diante identificado pelas iniciais ICE:
Difícil saber, porque "ser uma nova Globo" incluiria apoiar um golpe de estado, juntar-se ilegalmente ao capital estrangeiro, esconder e fomentar a tortura durante 15 anos, apresentar um comício das Diretas como se fosse aniversáriode SP, editar criminosamente um vídeo final de campanha presidencial, esconder o maior acidente aéreo da história do país e tentar transformar uma bolinha de papel em projétil, entre otras cositas más.
-Voz discordante 1:
Bem, para que a Record fizesse tudo isso, se exigiriam muitos anos de poder e monopólio. Mas a questão me parece outra: se oferecêssemos tais condições ao bispo, será que ele se indignaria com a indecência de tal proposta?Acho difícil acreditar que a Record esteja promovendo um bom jornalismo em nome da ética e de ideais progressistas; parece haver, isso sim, uma tentativa de fazer um contraponto à Globo.
- ICE
O .fato é que, no jornalismo da Record, MST não vira bandido, telejornal não vira propaganda eleitoral da direita e bolinha de papel não vira projétil. Se a intenção é fazer contraponto ao jornalismo da Globo, seduzir o leitor, promover a ética ou dominar o mundo diz muito pouco sobre o fato. Interessa-me o fato.
-Voz discordante 1
Eu considero as ações promovidas pela Igreja deles tão inescrupulosas quanto o jornalismo golpista da Globo...


-Voz discordante 2
O problema é que a origem do dinheiro da Record não é santa, assim como a da Globo, e não adianta querer encobrir. Não gosto da filosofia dos fins que justificam os meios.Nao gosto desse tipo perigoso de pragmatismo.Concordo que os jornalistas citados são profissionais competentes, mas só começaram a criticar a Globo após sairem de lá. Assim como não tocam em qualquer escândalo proveniente da Record.E não publicam comentários desse tipo nos seus blogs: tenho um amigo que falou o que estou falando no blog de um deles e não foi publicado. Não dá pra esquercer dos sacos de dinheiro arrecadados pelos tais bispos no Maracanã anos atrás, assim como das malas de dinheiro que um deputado deles levava, em outro escândalo. O apresentador do telejornal deles argumentou defendeu dizendo que eram notas pequenas, e o deputado tinha de carregar na mala mesmo...

Vedetes com as maracas começam a cantar , acompanhando a entrada triunfal de
ninguém menos que a PEQUENA NOTÁVEL, Carmen Miranda, senhoras e senhores!


Voz discordante 1

Não esqueço o evento que fizeram em 21 de abril no Rio de Janeiro, paralisando tudo.Informaram as autoridades que haveria 100 mil pessoas e houve 2 milhoes.O Rio ficou atravancado. E em pleno dia de São Jorge guerreiro. Li no jornal no dia seguinte que um funcionário da Prefeitura era da Igreja, e foi um dos responsáveis pelo furdunço. Desculpe, mas não vou defender as ações desses detentores desta concessão só para me contrapor à Globo. E só porque eles apoiam Lula. Minha ética não permite.

Cortinas se fecham e abrem em seguida, e uma vedete entra carregando uma placa onde está escrito: Passadas 21 horas. Madrugada.

- Voz discordante 1
Mas, após 21 horas, o silêncio aqui é retumbante. Só posso concluir que quem cala consente,ou os companheiros não querem meter a mão em cumbuca.

ICE
Existe uma terceira possibilidade, as pessoas escolhem em quais polêmicas querem entrar. Algumas não valem a pena. Mas tenho a dizer que a Constituição garante o direito de livre e pacífica associação nas ruas. Lamento que esse princípio constitucional lhe cause incômodo. Quanto à não publicação de comentários discordantes nos blogs dos jornalistas citados, eu sugiro que você teste por si mesma, ao invés de por ouvir falar. Pra quem quer dar lições de ética, não fica muito bem fazer acusação baseado em fato relatado por segunda mão.
Voz discordante 1
Olhem só, silêncio retumbante de dias quebrado finalmente. E de maneira bem grosseira para um professor tão incensado. Não está acostumado com discordâncias à esquerda? Pelo que vejo, em todos os seus meios via net, encontra sempre a unanimidade.Que chato não? Continue defendendo os bispos e sua demonstração de poder pelo Brasil afora, assim igualmente concordará com sua lavagem de dinheiro. Ser ou não ateu abolutamente, nada tem a ver com esta discussão. Mesmo porque, esta não é uma discussão sobre RELIGIAO, mas sobre PODER. Eu prefiro nadar contra a maré da unanimidade. Isso nunca trouxe frutos aproveitáveis, só puxação de saco intelectual.
-ICE:
Nunca ouvi falar em você, não sei quem você é. E é absolutamente legal e legítimo, caso você não saiba, que um funcionário de uma prefeitura seja membro de uma Igreja!

-Voz discordante 1
Calma professor, que feio perder o eixo. Voce tem o direito de opinar, não de distorcer imaginando coisas que ocorreram naquele dia no Rio.E você nao sabe mesmo o que é liberdade de expressão, me consta que: manifestações do leitor devem ser publicadas e respondidas. Não é o que ocorre na grande imprensa, estamos cansados de saber.Por que os blogueiros independentes repetiriam? Um abraço e fique calminho, seja zen.
Entram , resplandescentes, As Frenéticas .


ICE
CRESÇA E APAREÇA. Faça um blog com 50.000 acessos diários, centenas de comentários, e aí depois dite regras. Muito fácil publicar e responder tudo num blog que está às moscas, como o seu!
Voz discordante 1
Vou encerrar: se um intelectual não polemiza com outra pessoa não em função das ideias opostas à sua, mas apenas porque não sabe quem a pessoa é, não há como. Não está acostumado ao debate franco. É legitimo que um funcionário da Prefeitura pertença à Igreja. Não é legitimo que use dessa prerrogativa para prejudicar a população e defender os interesses da Igreja. Isso está na Constituição e se chama prevaricação.
O mundo é feito de diversidade. Não basta pregar sua defesa, tente exercitar
ICE
Informe-se sobre: 1) ...Direito de ir e vir nas ruas. 2) Direito de cada blogueiro publicar o que quiser em seu próprio blog. 3) Direito de cada funcionário público pertencer à religião que quiser. 4) Direito de seguidores de qualquer religião irem às ruas.
Voz discordante 1
Tsc, tsc, melhor parar professor, está muito fora do eixo. Faz questao de ser desentendido, só posso concluir.
ICE
Mostre onde a Constituição proíbe que um funcionário de prefeitura pertença a uma igreja que organizou uma manifestação pública e pacífica. Repito: leia a Constituição. Qual foi o uso de cargo público em benefício próprio?
Voz discordante 1 :
Eu redisse e tredisse que a Constituição proibe usar cargo público em benefício póprio. Mas que lamentável, defender tão ardorosamente tipos que construíram um império com dinheiro dos pobres iludidos.
Entra Jorge Benjor, aliás devoto fiel de São Jorge de Ogum


ICE
Qual foi o uso de cargo público em benefício próprio? Nome do funcionário e qual foi o uso que ele fez do cargo?"
Voz discordante 1
Um momentinho que vou buscar no meu blog e nos jornais do dia. Mas acho você um tanto policialesco...
ICE
POLICIALESCO? Você faz uma acusação sem provar e eu sou policialesco? Olha, chega. Isso aqui é trollagem da pior categoria. Tchau pra você."
Entrada triunfal de Rita Lee Jones


Coro de 10 vedetes vestidas apenas com suas maracas cercam o ICE, que deleta a voz discordante. Ela desaparece da tela do computador e nunca mais poderá vê-lo.
Cena final, como todos os artistas no palco e mais:




O grand finale de "Bububu no Bobobó", que revive os anos dourados do Teatro de Revista no Brasil. Ankito, Mara Rúbia, Colé, Gracinda Freire, entre outros. Filme dirigido por Marcos Farias em 1980.



domingo, novembro 14, 2010

Carta ao pai

Escrita por Marina Gonçalves Garrote, 15 anos, obra de ficção para a aula de teatro do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.
Marina diz que ama de paixão Clarice Lispector.


Querido Pai,
Não há como por em palavras o quanto é difícil escrever esta carta, principalmente devido à distância que se criou entre nós. Distância entre nós mesmos, e entre o que já fomos um dia. Ainda mais difícil que isso é não te culpar por essa distância, não dirigir a você toda minha mágoa, meu ódio, meus choros engasgados, e, quando minhas mãos não querem parar de tremer, quando eu me abraço no escuro tentando me proteger do que me devora por dentro, o culpado, criador desta distância é você. Em uma de nossas raras conversas, eu, cigarro aceso nas mãos, você, olhos cansados e insones, confessou que uma relação amorosa só funciona enquanto a outra pessoa o faz bem. No momento, mais pelo cansaço e pela ressaca tardia de sexta à noite, suas palavras não fizeram sentido algum, não tinham qualquer propósito. Foi ao chegar em casa, com minha mãe solitária como todas as noites, fingindo-me um sorriso para me consolar, que as palavras se juntaram e o sentido veio à superfície. Você estava tentando justificar porque as abandonara. Porque deixou-se ser passado de mão em mão, em meio a um corredor de mulheres amarguradas, violentadas, vazias, meras sombras de ser há muito mutilado, desprovido de qualquer sombra de identidade. Confesso que não apenas desprezei cada uma delas, como também cresci em meio às minhas manipulações e mentiras, em uma tentativa de afastar aquele bando de mulheres de você. Elas chegavam mascaradas, no baile do que você tanto chama de amor, sorriam o tempo todo, e você sorria também. Em algum momento, sem qualquer motivo passível de ser o causador, as máscaras começavam a rachar. Todas, exceto uma. A sua. E o artista, ao contemplar sua obra, aquelas tristes mulheres, de estilo quase surrealista, miseráveis, aquela obra cheia de humor negro, fugia assustado. Aquilo não podia ser amor, simplesmente não era, não o fazia bem. Elas não mereciam amor, apenas desprezo, aqueles seres de interiores horríveis, apenas visíveis após a queda das máscaras, pernas, braços, seios, corações distorcidos. Aquilo não se encaixava no que você desejava. E era aí, então, que você sentava para a tradicional conversa, na mesma mesa de canto, da nossa padaria favorita. Falava para duas crianças, sobre a complexidade das relações adultas, que estavam muito fora do alcance daquelas pessoinhas, rechonchudas, de aparência. Pessoinhas que, depois de tantas reviravoltas, haviam aprendido muito sobre o teatro da vida. O seu teatro. Elas aprenderam a fingir também, a manipular os outros e a si próprias. E mesmo com todas as mentiras, todas as mulheres partidas, nada disso era grave para mim. Você ainda era meu herói, em um pedestal reluzente, um mártir com o qual o destino teimava em ser cruel, o fazia perder empregos o tempo inteiro, rodar pelas cidades sem dinheiro suficiente para nos pagar uma comida, sem qualquer saída.
Eu nunca tinha entendido como seu amor se transformava tão rapidamente em ódio. Até o dia em que tirei minha máscara, já gasta, muito velha. Nunca me arrependi tanto de ter feito algo como o que fiz naquele dia. Porque, assim que eu tirei minha máscara, você viu em minhas faces, de traços cada vez mais femininos, o reflexo do que você mais temia. Fragmentos da mulher original estavam lá, a primeira do baile, a mais odiada, de mais horrendo interior. A minha mãe. A partir daí, ando sobre rochas, tentando não sentir o horror que é não mais fazê-lo feliz. O passado é apagado a cada queda, a cada rompante de choro, a trágica verdade pulsando cada vez mais em mim, lutando para sair, para que eu grite. Eu fico quieta.
O silêncio me traz pesadelos, me ensurdece, e cada vez as imagens são piores. A insônia, demônio rastejante que sempre te atormentou, agora me faz companhia. Morro um pouco mais a cada noite mal dormida, a cada levantar súbito, abraçando a mim mesma para aprisionar o que tanto quer sair, o que me devora, me tortura, lentamente me consumindo.
A morte agora é próxima, Pai, e você sabe. A última vez na qual nos vimos, nem mais um sorriso você tentou fingir, nem mais forças você teve para me abraçar.
Eu, sinceramente, espero que algum dia, eu possa te perdoar, pela criação do maldito abismo para o qual sou arrastada a cada manhã, abismo sobre o qual tentei construir uma ponte, uma identidade, um ser, e não esse fragmento de mentiras que teima em botar as últimas palavras que você talvez leia em um guardando imundo, em um bar qualquer.
Eu te amo, Pai.
Maria Antonieta.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Jack Kerouac para Charlie Parker: "Suspenda o exílio/ meu e de todo o mundo"

Belo poema do Jack. Me informa agora Claudio Willer que está em Mexico City Blues.
E me envia um trechinho traduzido:


Charley Parker, perdoa-me –
Perdoa-me por não responder a seus olhos –
Por não haver indicado
O que você poderia divisar –
Charley Parker, reze por mim –
Reze por mim e por todos
No Nirvana de seu cérebro
Onde você se esconde, indulgente e enorme,
Não mais Charley Parker
Porém o secreto indizível nome
Que carrega consigo o mérito
Não para ser mensurado daqui
Para cima, para baixo, para o leste, para oeste –
- Charley Parker, suspenda o exílio,
meu, e de todo o mundo


Achei alguns trechos na net, aqui vão, quando encontrar todo postarei, vale a pena.
Charlie Parker, diz Kerouac, parecia um Buda.
Ele era um Buda. O budismo diz que todos podemos ser Budas.
Certamente Kerouac foi um Buda também, por paradoxal que possa parecer. Mas as aparências enganam.

Charley Parker Looked like Buddha
Charley Parker, who recently died
Laughing at a juggler on the TV
after weeks of strain and sickness,
was called the Perfect Musician.
And his expression on his face
Was as calm, beautiful, and profound
As the image of the Buddha
Represented in the East, the lidded eyes,
The expression that says "All is Well"
- This was what Charley Parker
Said when he played, All is Well.
You had the feeling of early-in-the-morning
Like a hermit's joy, or like
the perfect cry
Of some wild gang at a jam session
"Wail, Wop" - Charley burst
His lungs to reach the speed
Of what the speedsters wanted
And what they wanted
Was his Eternal Slowdown.
A great musician and a great
creator of forms
That ultimately find expression
In mores and what have you.

Musically as important as Beethoven…(....)


(....) 'Charlie Parker, pray for me - /Pray for me and everybody/:
'In the Nirvanas of your brain
………/'
Charlie Parker, lay the bane,/off me, and every body/.'

Charley Parker, suspenda o exílio, meu, e de todo o mundo. Isso é puro budismo mahayana. Que não apenas eu, mas todos, possamos sair do exílio da ilusão. É muito bonito.


Contribuição luxuosíssima do china, que lembrou essa pérola no comentário

McLaren clássico, Vizinhos

quarta-feira, novembro 10, 2010

Chico lê Leite Derramado



eu gostei muito desse livro, o meu é capa cor de laranja, a cor do vestido de Matilde, tem um perfume machadiano esse livro..

domingo, novembro 07, 2010

Pelo telefone, com o professor Antonio Candido

Sempre penso nele, e de vez em quando fico mesmo com saudades e telefono. Ele sempre atende. E sempre esqueço de ligar um gravador, porque qualquer conversa descompromissada com Antonio Candido, essa reserva moral e intelectual do país, 92 anos, é tão rica que merece.
Comentamos sobre as eleições, e o professor disse que está contente com o resultado.
Disse que lamenta que seja o último de sua turma de amigos, o único a testemunhar esta grande mudança no país, os resultados da política do governo Lula de combate à miséria. "Sou realmente o último e lamento que meus amigos, mortos, que participaram da luta socialista (o professor foi um dos fundadores do Partidos Socialista em SP ) não tenham tido a oportunidade de viver isso".
Quando fez sua tese de doutorado Os parceiros do Rio Bonito, sobre o homem do campo, viajou certa vez para o Nordeste e lá esteve em uma região onde as pessoas passavam a vida inteira sem tocar em dinheiro: " O comerciante recebia mandioca e frango em troca, por exemplo, de um corte de tecido. E agora a Bolsa Familia, que muitos chamam de esmola , essa quantia que para muitos é pequena, o que são pouco mais de R$ 100? Com essa quantia se movimenta uma economia local, e em vez de trocas por mandioca e frango, o comerciante recebe dinheiro, pode fazer mais encomendas à industria, a indústria pode investir mais".
A distribuição de renda se faz sem revolução.
Para o professor, o Brasil hoje é como um trem. "Se a pessoa caminha a pé, ou de bicicleta, ou de automóvel, pode parar no caminho lá de Aguaí para visitar um amigo, ir a Espirito Santo do Pinhal...Mas se estiver em um trem, não pode se desviar do caminho. O Brasil agora é como um trem que não pode sair dos trilhos".

***

Comentei com o professor a onda de preconceito contra nordestinos pós eleição. Ele se lembrou de ter ficado impressionado com uma declaração de Leonel Brizola, certa vez, na Fiesp ( Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). "Perguntaram a ele como se sentia em São Paulo e ele respondeu: Não me sinto na capital de São Paulo, mas na capital econômica do Brasil, construída pelo esforço de todos". E quem construiu São Paulo, senão tantos nordestinos? E quem construiu Brasília?
Disse que, quando veio de Poços de Caldas (MG) pra São Paulo, em 1936, pouco mais de três anos após a revolução paulista, sentiu preconceito contra mineiros e gaúchos. Disse também que, se para alguma coisa serve sua carreira ( modestíssimo o professor), ela também se deve à sua migração de Minas para São Paulo. O professor, como tantos de nós, também é um migrante.

***
No meu mural, desde 2008 está pregado um trecho de seu discurso ao receber o prêmio Intelectual do Ano, no dia 20 de agosto. Eu sempre me refiro a ele nesta Babel e vou citar mais uma vez. Contei ao professor que ele está lá, no meu mural, porque sempre leio, para não perder a esperança.Ele dá sua risadinha.
Eu me despeço agradecendo, porque sempre que falo com o professor, fico feliz por poder ouvir homem de ideias tão límpidas, tão lúcidas, e de vida tão cheia de coerência. E me emociono, como agora. O professor não dá mais entrevistas, mas isto não é uma entrevista e sei que não ficará bravo.Eu precisava contar esse papo para os amigos desta Babel.

***

Devo ser de fato tão antiquado, que venho sendo definido em algumas instâncias como "ilustrado", devidamente entre aspas, e como alguém preso a uma visão de tipo teleológico da história e do pensamento. Devo esclarecer que, ao contrário do que se poderia pensar, considero esta restrição um elogio. Ela quer dizer que me mantenho fiel à tradição do humanismo ocidental definida a partir do século XVIII, segundo a qual o homem é um ser capaz de aperfeiçoamento, e que a sociedade pode e deve definir metas para melhorar as condições sociais e econômicas, tendo como horizonte a conquista do máximo possível de igualdade social e econômica e de harmonia nas relações. O tempo presente parece duvidar e mesmo negar essa possibilidade, e há em geral pouca fé nas utopias. Mas o que importa não é que os alvos ideais sejam ou não atingíveis concretamente na sua sonhada integridade. O essencial é que nos disponhamos a agir como se pudéssemos alcançá-los, porque isso pode impedir ou ao menos atenuar o afloramento do que há de pior em nós e em nossa sociedade. E é o que favorece a introdução, mesmo parcial, mesmo insatisfatória, de medidas humanizadoras em meio a recuos e malogros. Do contrário, poderíamos cair nas concepções negativistas, segundo as quais a existência é uma agitação aleatória em meio a trevas sem alvorada.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Esse cara no Prêmio Jabuti



JLDiorio/O Estado de S. Paulo

quarta-feira, novembro 03, 2010

Fascismo à brasileira



Xenofobia não é mesmo o termo correto. Significa ódio ao que é estrangeiro.

Trata-se de racismo.

Mas pelo que se sabe a OAB /PE está tomando providências contra Mayara Petruso, uma estudante de Direito. E os outros? Os outros talvez saibam agora que ainda existem leis.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Xenofobia na rede.Tem mais



Xenofobia na rede

Este aqui embaixo sumiu, a mocinha Mayara Petruso - estudante de Direito - apagou tudo e ironizou. Entre as pessoas que ela segue estão aqueles inomináveis apresentadores do CQC, cujas ideias não são muito diferentes.






A cara muita feia de alguns brasileiros…
@andreacamara “retuitou” …
Lamentável obscurantismo sectário RT @bluebusbr: A xenofobia no Twitter contra os nordestinos e o que diz a lei de 1989


Xenofobia no Twitter contra nordestinos ( neste link há varios outros)


A Lei nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989, em seu artigo 1º (com a redação determinada pela Lei nº 9.459, de 13 de março de 1997), diz que “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Portanto, claramente, os delitos tipificados por esta lei englobam a conduta de segregar estrangeiros, que vem a ser delito inafiançável e imprescritível (Constituição da República, artigo 5º, inciso XLII).
A justiça deveria ir atrás desses péssimos brasileiros! Espero que vá!
Cybercrimes? Report!

sábado, outubro 30, 2010

Brasileirinho, com o china

Mulheres de fibra

No blog da Zezé tem outras 12.
Aqui

Deixei para hoje, último dia da campanha, a declaração emocionada e festiva de Rose Nogueira, jornalista, presa quando o filho tinha apenas um mês. Hoje é avó de uma neta.

IRMÃS

Éramos umas 50. Dilma era a mais alta e Carmutti, a Maria do Carmo Campelo, professora de Política da USP, tinha pouco mais de um metro e meio. Estudavam sem parar. Conversavam sem parar. Ensinavam sem parar, até que a gente aprendesse. Uma desenhava flores coloridas no bordado, a outra tecia um cachecol cheio de cores. Nenhuma das duas sabia cozinhar. As duas cantavam o Chico Mineiro. Faz 40 anos. Hoje uma mata a gente de saudade, a outra mata a gente de orgulho.

DILMA LÁ!
E Dilma aqui no coração da gente
com a gente no coração da Dilma

Piva conta história de Maiakóvski

Its only rock'n'roll but I like it



Tinha um amigo muito louco chamado Joca. Toda vez que me encontrava e/ou telefonava dizia seu slogan: "Its only rock and roll, babe, but I like it".
A última vez que vi tinha virado pastor e me convidou pro templo. Eu disse que jamé de la vie que eu iria.
Unbelievable.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Monty Phyton: Todo esperma é sagrado



Ótimo para esses dias em que o tal papa bento se mete em eleições, aborto, aids, etc.

Adoro Monty Phyton



Comediantes brasileiros tentaram copiar o Monthy Python, mas o máximo que conseguiram foi usar perucas...

quinta-feira, outubro 28, 2010

quarta-feira, outubro 27, 2010

terça-feira, outubro 26, 2010

Música e a experiência do silêncio: John Cage

No Facebook, Alberto Marsicano fez um post demais. O músico que toca cítara, discípulo de Ravi Shankar e Krishna Chakravarty, na Banaras Hindu University(bhu), lembrou Stravinki:
A música estabelece a relaçao entre o homem e tempo
( Igor Stravinski)

"Mas" , diz Marsicano, "a experimentação do silêncio foi inaugurada na música ocidental por Satie em seus acordes da Gymnopedie pontuados pelo silêncio. Cage radicalizou compondo a peça onde o silêncio é protagonista.Nao há pausa no barroco, nas igrejas nao tem espaço vazio, e Bach é um motor blessed. Mas na pintura oriental, manchas de nanquim flutuam entre espaços brancos.Na música indiana, o silencio é afinado ( eles inventaram o 0)".


Uma vez li um artista plástico oriental falando sobre a nossa arte: "vocês pintam o cheio, nós o Vazio."

Sintam a experiência do silêncio. No Youtube há 4'33" de várias formas, e também no ukelelê...






Ah, o silêncio, nunca o ouvimos, é uma civilização do ruído exterior e interior.
Silêncio a gente até teme.
Enquanto isso, nas ruas, última moda é carro caro, de ventanas abertas, espalhando pra quem nao quer nem merece ouvir, os ruídos tenebrosos de seu som.

O gênio da multidão




Trecho do documentário Born into this, de John Dullaghan , sobre a vida de Charles Bukowski, o Hank.Impressionante este homem, que responde "O amor é um cão dos infernos", ao entrevistador que afirma que, em seus livros, amor é sinonimo de sexo.Diz que ele nao entendeu nada. Este é o titulo de um de seus livros de poemas.

Impressionante sua primeira mulher, ao lado da filha, impressionantes lembranças.

Hank lembra das chibatadas do pai, desde os 6 anos de idade. Fotos de Hank com mulheres que o amaram e não o amaram. E uma "pesquisa" que fez para o livro Mulheres. Ficou famoso em vida, apareceram muitas mulheres. Na infância e juventude, tinha o rosto marcado por uma terrível acne.

Mulheres à beira do seu leito de morte, conta uma delas, parece que o amou muito.

Publicado pela L&PM desde 1979, tem milhares de leitores em todo o Brasil, diz o editor Ivan Pinheiro Machado. As novas gerações devoram os livros de Bukowski com a mesma avidez que aqueles que hoje são cinquentões consumiam na década de 70.


Neste poema, um retrato do ser mediano.Sempre atual.

Cuidado com o homem mediano, com a mulher mediana

(...)
Incapazes de criar arte
eles não entenderão arte

domingo, outubro 24, 2010

Van Gogh nos Sonhos de Kurosawa


Gênio do Oriente homenageia gênio do Ocidente.
Tanta beleza.
De arrepiar.
O mundo é belo.

Gaudi de Paraisópolis



Estevão Silva da Conceição

sábado, outubro 23, 2010

Satie e





Essa quimera, essa gárgula vigiando os altos da catedral gótica de Paris, Le Penseur de Notre Dame: acho que Rodin se inspirou nela.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Diane di Prima:"O poeta é a última pessoa que ainda diz a verdade quando ninguém mais ousa"




“I think the poet is the last person who is still speaking the truth when no one else dares to. I think the poet is the first person to begin the shaping and visioning of the new forms and the new consciousness when no one else has begun to sense it; I think these are two of the most essential human functions”
— Diane di Prima

Uma entrevista interessantissima com a poeta aqui

quinta-feira, outubro 21, 2010

Mulheres beats, sim, existiram

Havia mulheres na beat generation, nos early 50's. Eu não sabia, você sabia? Uma delas, Diane di Prima, ainda está viva e atuante: poeta e mística, tem 43 livros de poesia e prosa.


No poema Uivo, de Allen Ginsberg --


que falaram 72 horas sem parar do parque ao apê ao bar ao Hospital Bellevue ao Museu à Ponte de Brooklyn


-- o tradutor Claudio Willer explica em uma nota tratar-se de Ruth Goldemberg, amiga do grupo, a mais quieta e tímida de um grupo de moças apelidadas de "as três graças". Certo dia, em 1953, começou a falar sem parar na WashingtonSquare, Village, até 72 horas depois ser internada. Levada pela familia, nunca mais se teve notícias dela.


Não sei se era poeta, mas era uma das mulheres, poucas, que andavam com eles. E por que havia poucas mulheres? Certamente porque nos anos 50 era muito dificil uma mulher participar de um grupo tão iconoclasta, libertário, chegado nas drogas, na bebida e no sexo livre. Além disso....


Lawrence Ferlinghetti, poeta e editor entrevistado por Amy Goodman


Amy Goodman: E as mulheres? E as mulheres naquela época, as mulheres na Geração Beat, as poetisas, as escritoras?



Lawrence Ferlinghetti: Bem, quer dizer, pelo menos a metade da Geração Beat era gay. E Allen realmente temia as mulheres, pensava eu, e tendia a vê-las como se não estivessem presentes. Tenho uma amiga que foi em uma viagem com ele pelo Sudeste, e um ano depois encontrou-se com ele. Eles tinham viajados juntos neste carro com outros por vários meses e um ano mais tarde, em outra ocasião, ele olhou para ela como se não a conhecesse. É como se elas não estivessem ali para ele.
Mas havia umas poucas escritoras que conseguiram ser publicadas com os Beats, como Diane di Prima, por exemplo, e um pouco depois, Anne Waldman, que agora se impõe como chefe do Instituto Naropa, a parte do Instituto Naropa que é o instituto de poesia. Mas, geralmente, se poderia dizer que talvez –
Amy Goodman: Lembro que a entrevistei logo depois da morte de Allen Ginsberg em Nova York.
Lawrence Ferlinghetti: Oh, sim. Poderíamos dizer que, em geral, apesar de as mulheres serem ignoradas, aquelas com quem eles saíam eram ignoradas, sobretudo pelos Beats, mas, como na tragédia grega, freqüentemente eram as mulheres que determinavam o destino dos homens.


Disse Claudio Willer no excelente curso da Letras/USP que estou assiitndo sobre geração beat que um deles, não sei se Gregory Corso, ao ser perguntado, respondeu que as mulheres beats eram logo internadas pelas famílias. (Aliás, vários dos homens também.)


Imaginem o que não era rebelar-se contra aquele mundo convencional e de moral retrógrada e política mais ainda. (Aliás, parece que retrocedemos a muito antes disso, pelo que se vive atualmente.) E penso em tantas mulheres valentes e talentosas internadas: Camile Claudel, Zelda Fitzgerald, quantas ...


Loucas? Por que teriam ficado loucas? Talvez esculpisse, uma, e escrevesse, outra, até melhor que os respectivos maridos?


Diane di Prima escapou. Sorte dela e nossa.


Aqui um poema de Diane di Prima, que encontrei por acaso no site http://www.subcultura.org/, e fiquei sabendo que foi criado por Iosif Landau, que morreu ano passado com quase 90 anos, um imigrante romeno que se tornou escritor no Brasil após se aposentar e...era um beatnik.


O site tem muitas poesias beats de lá e de cá.


Um poema de Diane, traduzido por ele:


Neves. Kerhonkson - para Alan



Esse, então, é o presente que o mundo nos deu


(você me deu)


de mansinho a neve


escondeu-se nos vazios


deitada na superfície do laguinhos


e parece com minhas esguias brancas velas


que estão na janela


e que queimarão na madrugada enquanto a neve


enche o nosso vale


nesse vazio nenhum amigo nele se perderá


ninguém de pele morena virá do México


dos campos ensolarados da Califórnia, trazendo maconha


todos perdidos agora, mortos ou silenciosos


ou destruídos pela loucura


do uivo resplandescente da nossa visão de então


e esse seu presente


-silêncio envolvendo o contorno de minha existência.


---


Creio haver referências a Kerouac ( alguém vem do México trazendo maconha) e a Ginsberg ( o uivo) e o fim deles


todos perdidos agora, mortos ou silenciosos
ou destruídos pela loucura

quarta-feira, outubro 20, 2010

Dois poemas de Roberto Piva

Objeto de minha pesquisa, o poeta roça na minha pele o tempo todo. Ontem houve um tributo a Piva no Centro Cultural São Paulo, com leituras pelos poetas Celso de Alencar e Luiz Roberto Guedes e a atriz Lizette Negreiros. Coisa fina.
Reunir gente para ouvir poesia, na metrópole-necrópole ( como dizia Piva) até que a torna mais civilizada.


À deriva no rio da existência

Abandonar tudo. conhecer praias. amores novos.
poesia em cascatas floridas com aranhas
azuladas nas samambaias.todo trabalhador é escravo. toda autoridade
é cômica. fazer da anarquia um
método & modo de vida. estradas.
bocas perfumadas. cervejas tomadas
nos acampamentos. Sonhar Alto.


Mestre Murilo Mendes

tua poesia são os sapatos de abóboras que eu calço
nestes dias de verão.
negócio de bruxas ,
o sol caía na marmita do
adolescente da lavanderia.
você veria isto com seu olhar silvestre.

um murro bem dado no vitral
que eu mais adoro.

terça-feira, outubro 19, 2010

Geraldino Brasil (1926-1996)

Olha só, eu nem sabia, quarta-feira é dia do poeta. Mas o Fernando Monteiro, grande poeta e escritor pernambucano, me mandou esse convite. Fernando escreveu recentemente o belissimo poema-longo-pauleira em homenagem a Roberto Piva "E para que ser poeta em tempos de penúria?"

O convite é o lançamento de um livro póstumo de poesia.É hoje, que pena, queria estar lá.
E me disse o poeta:
"Será como se você aqui estivesse, Beth, pisando -- com os pés tão bonitos -- sobre o tecido da noite rumorosa do rio Capibaribe."

Delicadeza, num mundo da delicadeza perdida é tão bom.


Às 19 horas, a Companhia Editora de Pernambuco estará promovendo, na Livraria Cultura (Paço Alfândega), o lançamento de A Intocável beleza do fogo, livro inédito do inesquecível Geraldino Brasil.

Fernando vai apresentar o livro, que prefacia. Você conhecia Geraldino Brasil? Eu também não, porque ninguém conhece nada de poesia do Nordeste por aqui. Parece uma cortina de ferro.
Também vao debater a situação atual da Poesia (o que será, segundo ele, "sem dúvida, uma das melhores formas de homenagearmos a memória do Autor de "A Intocável Beleza do Fogo". E o dia do poeta, na quarta).

Dois poemas de Geraldino

A derrota

A cidade não saberá do poeta no seu quarto, seu coração, sua cabeça, a tentativa do poema.
A cidade não saberá
da expressão de beleza
de que flor,
de que amor,
gerou nele.
A cidade não saberá do momento
de pesada carga de dor do homem e de Deus.

Problema de família

A família ia bem,
mas o filho mais novo.
A família ia bem,
quebra a casca do ovo.
A família ia bem,
vê a rua, olha o povo.
Um problema, surgiu
um poeta na família.

Pedras rolando em 72

domingo, outubro 17, 2010

Os óculos Oakley, o náufrago de García Márquez e o heróico salvamento dos chilenos

Do Blog Nota de Rodapé
Ricardo Viel

Em 1955, um repórter chamado Gabriel García Márquez foi escalado pelo editor do diário colombiano El Espectador para contar a incrível história de Luis Alejandro Velasco, que sobreviveu dez dias em alto mar, sem comer nem beber, depois de cair do navio em que trabalhava – outros sete marinheiros caíram no mar, mas morreram. García Márquez foi incumbido de narrar uma história que, à época, fora explorada à exaustão pelos meios colombianos. O náufrago, depois de declarado oficialmente morto (as buscas se encerraram após o quarto dia), virou herói nacional, foi beijado pela “rainha da beleza”, ficou rico com comerciais e, por fim, esquecido para sempre.
Havia algo na fantástica história que faltava ser contado: os motivos pelos quais Velasco caiu no mar. A embarcação vinha dos Estados Unidos sobrecarregada de muamba e, ao encontrar uma tempestade, acabou por entornar. Parte da carga e alguns marinheiros caíram no mar. García Márquez, depois que a história esfriara, conseguiu descobrir o real motivo do naufrágio. O Relato de um Náufrago saiu em fascículos semanais no diário e depois virou livro. Além da qualidade da narrativa, Gabo teve o mérito de expor mazelas escondidas ao recontar a história.Nesta semana, o mundo (não é exagero dizer) se comoveu com o resgate de 33 mineiros que ficaram, por 70 dias, enterrados a quase 700 metros de profundidade em uma mina nos Andes.
Com a facilidade de informação em tempo real, fomos bombardeados com a história de vida dos chilenos, que, assim como Velasco, viraram heróis. Eles também terão encontros com rainhas da beleza, farão comerciais, ganharão dinheiro e serão esquecidos.33 óculos e 40 milhões de dólaresNo entanto, há, ainda, muito a ser contado sobre o ocorrido no Deserto do Atacama.
Fatos como a “doação” de 33 óculos de sol que a Oakley fez aos mineiros. Calcula-se que a exposição gratuita que a marca teve com as imagens dos trabalhadores usando seu produto ultrapasse os 40 milhões de dólares – o custo do resgate dos 33 chilenos foi estimado em 20 milhões de dólares. O que há por trás disso? Segundo o jornal El Mundo, da Espanha, durante os trabalhos de escavação para a retirada dos mineiros foi encontrada uma grande quantidade de ouro e cobre na mina. O Chile é hoje o 15º produtor mundial de minério e pretende, até 2015, alcançar a sétima posição. Quem ficará com essa riqueza descoberta? A mina será reaberta?

Quantas minas como a San José existem no Chile e na América do Sul? Quantos mineiros vivem em situação de risco como os resgatados? É exagero imaginar que muitos trabalhadores de minas trocariam 70 dias de liberdade, a 700 metros embaixo da terra, para ganhar uma casa, 20 mil dólares, fazer propaganda, ganhar ingresso vitalício para assistir seu clube de coração, ser convidado pelo Real Madrid para ver um jogo no Santiago Bernabéu e, principalmente, nunca mais precisar viver como tatu?
O que aconteceu com aquele mineiro, desconhecido, que perdeu uma perna no dia em que os outros 33 ficaram soterrados? Vai ganhar um abraço do presidente do Chile? Vai ganhar óculos de sol da marca gringa? Vai precisar se enfiar embaixo da terra com uma perna só para sustentar a família?
Espero, e torço para, que um novo Gabriel García Márquez seja escalado para contar a história por trás dessa história dentro de alguns meses, quando tudo isso pareça só o roteiro de um filme. Por falar em filme, um canal de TV espanhol, em associação com um colombiano, já está filmando a história dos 33 mineiros.