A amizade: sugestão de pauta Beatles e Rolling Stones
">Reparem nas sapatilhas do George: me disse o Bebeto, o maior beatlemaníaco que conheço, que a gravaçao é de 1969, eles recém-chegavam da India, devia ser roupa de lá.
Aproveitei pra perguntar o nome do negão tecladista, que não conhecia, ele me contou e já esqueci. .
(O nome é Billy Preston, e ele morreu em 2006,leiam nos comentários).
Outra coisa que reparei: prestem atenção ao magrinho de óculos que aparece, em certo momento, junto à mesa de som, mais para o final.
"É o Mick Jaegger?????", estranhei.
"É ele", disse o Bebeto.
Sempre pensei que as duas maiores bandas de rock do mundo fossem concorrentes, brigados, não tivessem relações.
Nada disso, disse o Bebeto. Maior camaradagem. E contou um monte de histórias de gravações e tal, que já esqueci tudo. Seria bom o Bebeto aparecer e esclarecer essas histórias, que meus neurônios andam meio fracos.
Que linda essa gravação, hein?
Então me ocorreu, para quem se interessar, sem cobrar royalties, que este vídeo pode ser um gancho para uma linda matéria sobre a amizade. Especialmente para a TV.
Gente dessa qualidade, no topo do mundo, não rivalizava.
Ao contrário: ajudavam-se, trocavam idéias, davam palpites uns para os outros.
Mas eram gente como John, Paul, George, Ringo, Mick, Keith, Watts,Taylor (substituído por Woods em 74).
Recebi do Bebeto este outro video super, os roqueiros todos devem conhecer demais, mas eu, não tão iniciada nessas maravilhas, desconhecia.
John e Mick conversam enquanto John come -- com hashi? -- e falam sobre os Dirty Mac, uma banda formada pelo Beatle para se apresentar apenas no festival Rock and Roll Circus, dos Rolling Stones, em 1968.
Mick começa chamando John de Winston e diz "Welcome to the show"
(yeah, seu nome é John Winston Lennon) e depois os Dirty Mac tocam Yer Blues, da dupla eterna Lennon e McCartney, do Álbum Branco.
E o que signiifca Yer?Ronaldo Antonelli, que no meio de sua numerosa lista de expertises, ( que começou com a de roqueiro) tem a de tradutor, me explicou assim:
Yer tem vários significados, todos ligados a gíria ou calão. À primeira vista, em se tratando dos Beatles, se pensaria num termo do slang, que é o calão ou gíria "oficial" e já antiga do submundo de Londres e outras cidades portuárias (Liverpool, Southampton etc.), no qual é uma corruptela de yes.
Essa acepção, porém, não bate com o espírito da letra da canção, que não tem nada de afirmativo, muito pelo contrário. Então o mais provável é que se trate de uma gíria do sul dos EUA, usada especialmente pelos negros, já que é um blues. E nesse caso yer é uma corruptela de your, assim como ye é uma corruptela de you."
Então, tks, tá explicado.
A banda era formada apenas por John na guitarra base e vocal, Eric Clapton, irreconhecível garoto, do Cream, na guitarra solo, Keith Richards assumindo o baixo e na bateria Mitch Mitchell, do Jimmy Hendrix Experience.
Do DVD Rolling Stones- Rock and Roll Circus, 1968, êta ano esse!!!!
quarta-feira, março 18, 2009
Despejo do Parque Cocaia Alguma coisa está fora da ordem, muita coisa
Recebi do Henrique Yasuda, filho da minha amiga Aurora, este relato. É incrível! Na década de 1980, eu fiz parte de uma turma que militava na região Sul de São Paulo e fazíamos o Jornal da Periferia. O problema habitacional já era grave. A situação só piorou. Mas fico feliz que existam garotos como o Henrique, com essa visão clara e consciência das coisas. Um beijo, Henrique! Seguem o texto dele e o vídeo que colocou na net. Atualizado em 20 de março, com entrevista de moradora
Bom, para contextualizar, eu faço trabalho no Nucleo de Práticas Jurídicas da PUC-SP, que é mantido pela Faculdade de Direito. Temos um convênio com a Defensoria Publica do Estado de S.Paulo, da qual recebemos casos que envolvem a questao da regularização fundiária em toda a cidade de S.Paulo.
Na Defensoria Pública, existe um Nucleo de Habitação e Urbanismo, que tem a finalidade de "defender" causas coletivas, de comunidades que possuem algum problema com relação a documentacao do imóvel, ou em alguns casos mais críticos, que estão com alguma ordem judicial vigente, ordens como: reintegração de posse, despejo e por ai vai.
O Parque Cocaia é uma comunidade que se enquadra tanto no problema da documentação, como na questão crítica. Lá, as familias moram há mais de 20 anos na região, que fica na Zona sul da cidade, à beira da represa Billings. A Billings, assim como a Guarapiranga, estão passando por um processo denominado Progama de Manaciais.
Este programa tem o objetivo de recuperar as áreas à beira das represas, porém eles estão recuperando apenas as partes ocupadas por populações de baixa renda, enquanto os "marajás" do outro lado da represa, vao continuar no mesmo lugar.
O mais estranho disso tudo, é o peso da lei, para os pobres a lei tem o peso da saída imediata, para os ricos, a saída é lenta e gradual, enfim."
terça-feira, março 17, 2009
Notícias do jornalismo carioca: O DIA vira tablóide
Há alguns dias meu amigo do Rio, Victor Passos, mandou este texto, preocupado com seus colegas que lá trabalham e com nova retração no mercado.A mudança seria neste domingo, 15. Assim como aconteceu com o Jornal do Brasil, pífia lembrança do que foi.
Não sei se O DIA já virou tablóide, mas a história é esta:
No dia 15, O DIA, onde trabalhei sete anos e quatro meses, vai virar tablóide. É uma pena ver o jornal se descaracterizar outra vez. Sim, porque a última reformulação gráfica ali realizada não funcionou e o jornal ainda abriu mão de uma logomarca forte, aquele O DIA em letras negras sobre fundo amarelo.
É verdade que à época do projeto, Ary Carvalho, o dono, já não estava mais entre nós. Se vivo fosse, talvez não permitisse tal mudança. Afinal, o velho jornalista empresário tinha a amarga experiência de anos atrás, quando tentando levantar a Última Hora carioca, contratou uma redação de respeito e de uma hora pra outra mudou tudo no jornal, inclusive o azul do logotipo. Resultado: o jornal despencou de vez.
Mas comO DIA, anos depois, o "Dr Ary", como era conhecido entre os funcionários. agiu diferente. Comproujornal em 1984 e durante dois anos e tanto não fez qualquer alteração no produto. Dedicou-se a sanear a empresa e suas finanças. Só em 1987, ele arregimentou novamente uma redação de peso que reformulou todo o projeto editorial, abandonando o sensacionalismo do "espreme e sai sangue", sem deixar de ser um jornal popular. O DIA não perdeu os leitores antigos e ainda conquistou novos.
Em 1992, o "Dr Ary" acertou de novo, investiu US$ 40 milhões para construir um moderno parque gráfico e, em seguida o jornal passou a ser impresso em cores. Aumentou a circulação e chegou a vender num domingo um milhão de exemplares.Mas quando tudo parecia ouro sobre azul o "Dr Ary" resolveu mudar e começou a errar.
O dono de O DIA sempre sonhou em ter um jornal mais classudo, tipo o que fora o JB. Consta que já tinha até um esboço de projeto nesse sentido. Contratou uma consultoria que alertou para os riscos do mercado naquela ocasião, a saber: o possível desaparecimento do Jornal do Brasil e o fato de O Globo já ter um projeto de jornal popular engatilhado.
Não sei qual foi a leitura que o "Dr Ary" fez da consultoria, mas o fato é que ele decidiu que O DIA passaria a disputar leitores com O Globo e começou a mudar o jornal. Trocou o comando da redação, que dois anos mais tarde ia fustigá-lo, chefiando a concorrência.
O poder de fogo do império global, como era de se esperar, era maior e agiu mais rápido. Em 1998 criou o EXTRA, que absorveu vários profissionais de O DIA e, em pouco tempo tomou-lhe a dianteira. O "Dr Ary" morreu sem realizar seu sonho de jornal classe A/B e vendo a sua "galinha dos ovos de ouro" definhar a cada dia na circulação.
Após a sua morte, sua filha Gigi, no comando da empresa, mudou o projeto gráfico do jornal (que não funcionou) e lançou o Meia Hora com o objetivo de concorrer com o EXTRA. O Meia Hora realmente emplacou, é um dos jornais que mais vendem no Brasil, mas foi um tiro no pé, pois "canibalizou" os leitores de O DIA.
Agora vem o tablóide, nova mudança para diminuir os custos de papel,enfrentar a crise e deter as quedas de circulação e de receita publicitária. Sei não, temo pelo emprego dos meus colegas que lá estão e por nova retração no mercado de trabalho. Torço para estar errado.
segunda-feira, março 16, 2009
Os sonhos mais lindos
(Atualizado em 17/3)
Desde sábado ouço Elis. Ontem 16, coloquei essa lindíssima interpretação. Só hoje lembrei/soube que é data de seu aniversário. Soube também da morte de Clodovil, no mesmo dia do nascimento de sua musa. Minha mãe gostava muito dele. Eu também. Ríamos demais com ele. À parte suas opiniões iconoclastas sobre tudo, era um esteta: na agulha, na cozinha, nos arranjos de flores que fazia nas tardes, nas artes em geral, que promovia. E levava artistas brasileiros para se apesentarem ao vivo, coisa rara. Minha mãe dizia assim:"Tomara que ele não fale mal de ninguém agora, nesse novo programa, pra não ser demitido". ahahahahahah Mas ele falava, e dançava sempre. E a Rede TV e a Bandeirantes que me lembre - ele sempre repetia - deviam $$ a ele. Agora não precisarão pagar. Não tinha medo de nada, eu o ouvi falar um dia, não tinha medo da morte. E também disse que a única pessoa que amou na vida foi sua mãe. Filho adotivo. Deus guarde Clodovil e Elis.
sexta-feira, março 13, 2009
Trinta anos esta noite
Reproduções Sindicato dos Bancários de São Paulo- Fotos Jesus Carlos
Foto arquivo pessoal da Tita
Fulvio Abramo e Tita Dias, quando ela ganhou a primeira eleição para vereadora pelo PT, em 1988.
Fulvio ( irmão de Cláudio, tio de Perseu) : grande jornalista, bravo lutador, homem de bem
Trinta anos esta noite
A Historia do Sindicato dos Bancários mudou a partir de 12 de março de 1979
A festa foi no belíssimo prédio Martinelli, onde funciona o Sindicato dos Bancários de São Paulo. Há 30 anos, quando foi eleita a primeira diretoria que tirou a entidade das mãos dos pelegos -- dentro da histórica construção do novo movimento sindical, que desembocou em grandes lutas na década de 80, e já vinha de um processo iniciado em meados da década de 1970 – o endereço era Rua São Bento, 356, décimo nono andar.
Foi lá que os conheci: Rui, Tita, Luizinho, Gush, Augusto, Gilmar, Edson, Ademar, Washington, Vitor, Acy e quantos mais da nova diretoria. Genésio, Terezinha e dezenas, centenas de militantes de bancos particulares e estatais.Jesus Carlos fotógrafo,Valdeci jornalista, Mila e Alice secretárias, Silvia socióloga, Antonio, diagramador- poeta de Belém, apaixonado pelos concretistas, depois substituído pelo garoto Arnaldo, que aprendeu a profissão lá, Eton ilustrador, Douglas, advogado, dr. Sady, advogado que já partiu,Serginho, do Dieese.
E os meninos do teatro de rua, maravilhosa atividade cultural: Cachoeira,Renato, e mais o Jorginho Odara, o mais talentoso, na minha opinião, que também já partiu.
Quantos! Muitas vezes encontro com bancários daquela época fervilhante pela cidade, eles me reconhecem, eu lembro de seus rostos, mas não dos nomes: como lembrar de tanta gente?
Foi a experiência mais forte e importante que tive, ao longo da minha vida jornalística. O Suplemento Diário da Folha Bancária, que completará 30 anos em 2010, era uma folhinha tamanho ofício, frente e verso. Na frente, reproduções de notícias do jornal relativas ao setor bancário, atrás, denúncias sobre condições de trabalho dos bancários. Datilografadas, diagramadas de manhã cedinho, rodavam numa pequena impressora pilotada pelo seu Jairo. Coisa quase manual.
Eram imediatamente distribuídas por diretores e militantes nas agências. Tinham retorno imediato: bancários ligavam, mandavam denúncias, e o Bradesco era o campeão delas.
Interação quase tão rápida como hoje proporciona esta internet.
Começou com menos de mil exemplares, foi aumentando a tiragem, aumentando, 2 mil, 3 mil,10 mil!! E chegou acreditem, a 100 mil, na época da intervenção, quando o bravo sindicato continuou, paralelamente, publicando, como aconteceu com os metalúrgicos de São Bernardo, em situação idêntica.
Ontem peguei nas mãos um exemplar, bonito, bem impresso, colorido: edição de 12, 13 e 16 de março: número 5.187!!!!!
Nunca briguei tanto, com tantos militantes de tantas correntes: nossa missão era preservar o equilíbrio das tendências no boletim e no jornal principal, a Folha Bancária, tradicional órgão do Sindicato, mensal.
Cada grupo de banco fazia seu jornal, e eram tantos. Estes, nós apenas revisávamos, editávamos e imprimíamos.
Assembléias rumorosas,(eu já estava acostumada com as dos jornalistas, igualmente exaltadas, mas mais comportadinhas) logo que cheguei fui cobrir uma e não acreditei: dois diretores tinham subido em cima da mesa, aos berros, e eu pensei: "Mas onde é que eu fui amarrar minha égua?"
rsrsrsrs
Libelu, Partidão, Convergência, sei lá mais que tendência, e independentes.
Ontem, no simpático Café dos Bancários, depois de discursos emocionados, bem humorados, tristes, contundentes, eu os reencontrei pra conversar e tomar cerveja. A trilha ideal seria a de Renato Teixeira:
Sentimental eu fico
Quando pouso na mesa de um bar
Eu sou
Um lobo cansado, carente
De cerveja, e velhos amigos.
Na costura da minha vida
Mais um ponto
No arremate do sorriso mais um nó
Encontrar velhos amigos é bom, encontrar velhos companheiros não tem preço.
Um dia eu conto mais. Um grande beijo para todos os que estavam e os que não estavam lá – mas só para aqueles que continuam do nosso lado.
E um beijo intergaláctico para Julinho de Grammont, o maior jornalista que nossa imprensa sindical já teve.
As matérias a seguir foram retiradas do site do Sindicato
http://www.spbancarios.com.br/index.asp
30 anos da retomada: "O Sindicato ganhou vida"
A retomada do Sindicato dos Bancários pela categoria em plena ditadura militar completa 30 anos, mas o bancário Genésio dos Santos Ferreira não se esquece da emoção que tomou conta dos trabalhadores nos dias que se seguiram à histórica eleição de 1979. "Foi uma grande festa, pela primeira vez eu vi o nosso Sindicato cheio de bancários. O clima de otimismo tomou conta da categoria, que não estava acostumada a encontrar dirigentes sindicais na porta do banco, com megafone na mão, lutando por melhores condições de trabalho. O sindicalista passou a ser de carne e osso e os bancários finalmente puderam se sentir representados. O Sindicato ganhou vida, uma novidade para todos, inclusive para os novos diretores", recorda.
Genésio era funcionário do Banco do Brasil desde 1974, mas só decidiu se sindicalizar seis meses antes das eleições de 79 para poder votar. "Era o prazo máximo. Eu não me sindicalizei nem um minuto antes para não dar um tostão para aquela diretoria que não me representava. Só me filiei para poder votar", conta o bancário, com orgulho.
Naqueles difíceis anos de ditadura, qualquer manifestação era rapidamente reprimida com violência pela polícia militar. A censura e todos os outros instrumentos de coerção do governo, entretanto, só serviam para estimular a luta dos brasileiros pela redemocratização do país, segundo Genésio. "Muitos de nós, bancários, já participávamos do movimento estudantil. Entrar para a luta no Sindicato era mais um passo contra a ditadura. Todo esse caldo servia como estimulante para trabalharmos sempre em coletivo. Antes mesmo da retomada do Sindicato, invadíamos a entidade para nos reunir, seja para discutir questões do trabalho ou organizar a luta política. Depois que retomamos o Sindicato, fazíamos reuniões no domingo à tarde que juntava mais de duzentos bancários”, lembra, destacando que o número de filiados ao Sindicato cresceu rapidamente após as eleições de 79.
Mesmo com essa vontade toda de lutar pela liberdade, organizar as greves de 1978, 79 e 80 não foi fácil. Os bancos privados demitiam quem participasse do movimento e o governo reprimia os grevistas com violência. "Fazer greve significava certamente apanhar da polícia. Não tinha erro", garante.
Preso por acaso – Em 1980, os trabalhadores do ABC, liderados por um jovem metalúrgico chamado Luiz Inácio Lula da Silva, construíram uma grande greve, que estimulou uma série de paralisações em todo o país. Sindicatos, igreja e outras entidades ou pessoas que queriam o fim da ditadura criaram um fundo para ajudar os grevistas, principalmente com alimentação.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo entrou nesta corrente de solidariedade e organizou uma manifestação em frente ao prédio do Banco do Brasil na avenida São João, onde Genésio trabalhava. Além de apoiar a greve do ABC, os bancários de São Paulo também coletavam fundos. A grande atração da manifestação foi a disputa de partidas de xadrez, com o campeão Herbert Carvalho. Genésio saiu do banco já no final da mobilização e desafiou o campeão para uma partida.
"Estava entretido com o jogo quando a polícia chegou e me levou preso, juntamente com o enxadrista e com o diretor do Sindicato, Luiz Gushiken. Ficamos detidos por cinco dias por causa do movimento de solidariedade dos bancários. O problema é que o único movimento que eu estava fazendo naquela hora era com as pedras do xadrez. No fim, acabei na cadeia, mas posso dizer que não perdi aquela partida do enxadrista campeão, até porque a polícia me levou antes que acabássemos", recorda.
30 anos da retomada: o início da grande virada
No final dos anos de 1970, a ditadura militar não conseguia mais segurar a luta pela liberdade que tomava conta do Brasil. As greves que explodiam principalmente no ABC paulista criavam um novo sindicalismo, que lutava pela redemocratização do país e contra a estrutura sindical autoritária imposta pela ditadura. Foi neste contexto que os bancários de São Paulo fizeram história há exatos 30 anos, quando, em 2 de fevereiro de 1979, um grupo de jovens funcionários dos bancos – entre eles Augusto Campos, Luiz Gushiken, Gilmar Carneiro e João Vaccari Neto, que assumiriam a presidência do Sindicato posteriormente – conseguiu o que parecia impossível: vencer uma eleição que recolocou o Sindicato na luta pelos direitos da categoria e por uma sociedade mais justa e democrática. A posse foi no dia 12 de março daquele ano.
A eleição acabou sendo um marco na história dos trabalhadores brasileiros e foi fundamental, por exemplo, para a criação da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, quatro anos mais tarde. As muitas vitórias conquistadas pela categoria de lá para cá não apagam aquele difícil começo, por conta da forte repressão dos militares e da falta de estrutura de mobilização do Sindicato, que contava apenas com uma máquina offset pequena para rodar boletins e um megafone.
Nesses trinta anos, o Sindicato cresceu e se estruturou. Criou subsedes regionais que se espalharam pela cidade e aproximaram ainda mais a entidade dos bancários. A pequena e arcaica máquina offset deu lugar a uma das mais modernas e importantes gráficas do país, a Bangraf. Já em seu primeiro mandato, o número de sindicalizados saltou de 26 mil, em 1979, para 46 mil em 1981. Os bancários também ganharam um centro de formação que investe na educação dos profissionais. Além disso, a partir de 79, o Sindicato passou a atuar mais voltado para a sociedade, investindo em políticas públicas que favorecem todo o Brasil.
Repressão e recessão – “Não havia liberdade nenhuma, a repressão era extremamente violenta”, lembra o diretor do Sindicato à época, Gilmar Carneiro, que foi preso por quinze vezes e alvo de dossiês com mais de mil páginas no Arquivo Nacional e na Delegacia Especializada de Ordem Política e Social de São Paulo, a Deops. “A falta de liberdade era grave, mas nem acho que seja o maior dos problemas. O país passava por uma grave crise econômica, havia um forte arrocho salarial, o desemprego era alto e a inflação descontrolada. Essa combinação era pior que a falta de liberdade e dos direitos humanos do ponto de vista da mobilização. A economia era o maior empecilho”, conta.
Mas a conjuntura política era extremamente favorável, afirma Deli Soares que, em 79, trabalhava no Banco do Brasil. “A categoria estava repleta de pessoas que também integravam o movimento estudantil e que queria uma direção que enfrentasse a ditadura e os banqueiros, que brigasse pela anistia, pela volta das eleições diretas”, diz.
O início e a consolidação – A primeira greve comandada pela nova diretoria, em 1979, consolidou a nova proposta de sindicalismo, mas também acirrou as perseguições por parte do governo, resultando no afastamento de quatro dirigentes e no enquadramento de outros dezesseis na Lei de Greve e um na Lei de Segurança Nacional. O novo sindicalismo pautava a luta da categoria por melhores salários e condições dignas de trabalho, aliada ao movimento constante de reivindicações gerais da sociedade: anistia, eleições diretas, constituinte. Um ano antes, em 1978, os bancários já haviam encampado uma greve, que permitiu a vitória nas eleições da entidade. Essas duas greves serviram de aprendizado para consolidar uma organização no local de trabalho que permitiu a histórica greve nacional de 1985 – movimento de massa que foi resgatado na greve da categoria do ano passado.
A relação com os bancos – “A ditadura estimula as pessoas a serem grosseiras. E os bancos, aliados do Estado e dos militares, endureciam nas relações com os bancários e com o Sindicato. O Itaú contratava espiões profissionais para infiltrá-los em nossas reuniões. O banco chegou a contratar funcionários da polícia de repressão portuguesa. O Bradesco fazia o que queria com as leis. Era muito complicado, mas o fato de os bancários serem uma grande categoria, mais de 1 milhão na época, a mobilização era mais fácil. Hoje temos 600 mil bancários a menos, 600 mil empregos que foram precarizados pelos bancos”, comenta Gilmar.
Muita coisa mudou, outras nem tanto – Para Gilmar, muita coisa mudou de lá para cá. Outras nem tanto. “Por exemplo, em 1979 formamos uma comissão para pedir o apoio do presidente do Senado. Quem era? José Sarney, que também era presidente da Arena, o partido da ditadura. Engraçado como muita coisa não muda. Mas as próprias pessoas mudam, hoje o Sarney transita tranqüilamente pela esquerda.
Outras pessoas, como o atual vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, foram para a direita. Ele lutou lado a lado com os bancários na época, inclusive o comitê eleitoral da nossa chapa de oposição ficava no prédio de propriedade dele”, conta.
A vitória da oposição nas eleições que ocorreram entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro de 1979 e as primeiras greves que os bancários encamparam em plena ditadura militar foram os embriões que formaram o que o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região é hoje, uma das maiores e mais fortes entidades representativas dos trabalhadores do mundo. Todas as conquistas que a categoria garantiu nas últimas décadas só foram possíveis graças à luta daqueles que, em plena ditadura, decidiram desafiar os militares e construir um novo país.
quarta-feira, março 11, 2009
Um minuto para as
Sociais do ato contra a “ditabranda”
Ou
Repórter fotográfico sofre
Atualizada em 17 de março
O bravo e belo Pictura Pixel, lá de Barcelona, também republicou hoje
A vida do repórter fotográfico não está mole não, conta o amigo Jesus Carlos, de larga estrada no fotojornalismo.
Jesus Carlos é um grande e persistente retratista das manifestações, embates, movimentos sociais desde a década de 1970, e do povo invisível, os excluídos deste nosso país.
Pois o Jesus estava fotografando o ato na frente da Folha no sábado, e pensou em vender seu trabalho para o jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, onde tanto militamos, durante tantos anos.
Afinal, o Jesus vive disso.
Do outro lado da linha responderam:
“Não, dois diretores nossos já fotografaram, então a gente não precisa”.
As fotos foram feitas pelos diretores Martim Vieira, da diretoria regional de Piracicaba, e André Freire, da diretoria regionaldo Vale do Paraíba.
Mesmo que eles sejam fotógrafos, o que não se sabe, não poderiam tirar o lugar remunerado de um fotógrafo profissional em um jornal do próprio Sindicato, que deveria existir - como já aconteceu, há muitos anos atrás, mas esta é uma longínqua lembrança, infelizmente - para defender o exercício da profissão, a dignidade profissional.
Se o próprio jornal do Sindicato dos Jornalistas age assim, imaginem o que rola por aí.
Reproduzo aqui o que o Jesus Carlos escreveu dia desses no seu blog
http://jesuscarlos-fotografias.blogspot.com
“Com os baixos salários, desemprego, a existência da pessoa jurídica nos departamentos de fotografia e a total banalização no uso da imagem na imprensa (até mesmo na imprensa sindical), só nos restar fazer fotos de risco de vida para garantir o dia-a-dia. Fotografar assalto a banco, subir o morro na hora do tiroteio e por aí vai. Só assim teremos a certeza que não haverá perigo de ter alguém com uma câmara digital qualquer ou com um celular fazendo fotos, porque aí o bicho pega. É tiro para todos os lados.
Ontem estava dando uma espiada no blog PicturaPixel, olha a informação que encontrei: CRISE GANHA FOTO DO ANO - Anthony Suau, vencedor do prêmio de Melhor Fotografia na 52ª edição do World Press Photo com um trabalho publicado ne revista Time, em março, está "há dois meses sem trabalho", revelou em declaração ao DN o fotógrafo norte-americano.”
Histórias das redações- 8
Manda esta história o querido Mouzar Benedito, mineiro, jornalista, geógrafo e escritor, o melhor contador de causos que já conheci e ainda por cima, fundador da Sosaci, a associação em defesa do Saci Pererê – brava entidade que aliás tem uma campanha para torná-lo o mascote da próxima Copa do Mundo de 2014, que será no Brasil.
Mamprim e Bete
Uma das figuras gloriosas do fotojornalismo brasileiro é (ou foi, “não está mais entre nós”, como diz o eufemismo para “morreu”) o italiano Luigi Mamprim. Na juventude, foi guerrilheiro, partisan, na Itália, lutando contra o fascismo durante a Segunda Guerra. Acho que lá pelo início da década de 1950 veio para o Brasil.
Trabalhou em várias revistas, entre elas a Realidade. Eu o conheci na redação do Guia Rural Abril, uma bela experiência que por fim foi derrotada por alguns jornalistas que resolveram fazer do Guia uma revista para grandes fazendeiros. Grande fazendeiro tem agrônomo e veterinário próprio, não precisa comprar revista sobre esses assuntos. E se precisassem, são poucos, não sustentariam uma edição de mais de cem mil exemplares.
Bom, lá estava o Mamprim, além de grande fotógrafo, grande companheiro, comunista histórico. Uns quatro ou cinco de nós almoçávamos sempre juntos num restaurante com cara de popular numa praça perto da avenida Luís Carlos Berrini. O Mamprim sempre comia um filezão quase cru, escorrendo sangue.
Mas quando viajava, o Mamprim mudava. Virava italiano de novo, principalmente quando estava em regiões nada italianas, como o Nordeste. Aí, queria comer macarrão ao pesto com pão italiano. E era uma encrenca.
Eis que veio a Bete Costa trabalhar no Guia Rural também. Uma ótima repórter. Com um detalhe: vegetariana total. Só comia vegetais e preferia uns que quase só existiam em São Paulo, como a rúcula, por exemplo.
Um dia foi mandada uma dupla fazer uma matéria na região de Irecê, oeste da Bahia, grande produtora de feijão. Hoje, Irecê produz muitas verduras, mas na época era daqueles lugares em que, se você pedia num restaurante alguma coisa com verdura, a tal coisa vinha acompanhada de tomate e batata, nada verde. Verdura lá era isso.A dupla era formada pelo Mamprim e pela Bete.
Fiquei imaginando que bicho ia dar essa viagem, a convivência entre um fotógrafo querendo comer macarrão ao pesto com pão italiano e no fim – dada a inexistência disso por lá – fazendo concessão a um filé sangrando, e uma repórter que comia rúcula e outras coisas exóticas (para a região), sem querer fazer concessões. E era uma viagem de mais de uma semana!
Esperávamos quase ansiosos a volta dos dois, para saber como se viraram. No dia do reinício do trabalho deles na redação, o Mamprim chegou primeiro. Estava sentado a uma mesa, de costas para a porta, antes de contar sobre a viagem, quando entrou a Bete bufando. Foi direto a uma mesa, pegou uma máquina de escrever e caminhou com ela erguida para largá-la na cabeça do Mamprim. Foi segurada a tempo. Mas até hoje não sei detalhes da viagem. Não contaram. Só sei que trouxeram matérias e fotos muito boas.
terça-feira, março 10, 2009
Dois poemas: Orides Fontela
Sempre volto a ela. Filha de operário e dona de casa, nascida em São João da Boa Vista (SP), formou-se em Filosofia pela USP. Trabalhou toda a vida como bibliotecária de um colégio estadual na Vila Aricanduva. Uma das nossas maiores poetas, li um dia a notícia de que havia sido despejada. A última entrevista que vi dela pela TV foi em seu apartamento, num dos prédios que ladeiam o Minhocão.
Errância
Só porque erro encontro o que não se procura
só porque erro invento o labirinto
a busca a coisa a causa da procura
só porque erro acerto: me construo.
Margem de erro: margem de liberdade.
Kant (relido)
Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim.
Toshio Kawamura emocionou
segunda-feira, março 09, 2009
Ato contra a "ditabranda" tem repercussão internacional
Los lectores obligan a un diario brasileño a reconocer su error en un editorial
Efe | Sao Paulo
Actualizado domingo 08/03/200920:23 horas
El diario 'Folha de Sao Paulo', el de mayor circulación en Brasil, reconoció su error en un editorial del 17 de febrero en el que llamó a la dictadura militar (1964-1985) "dictablanda", tras una protesta el último sábado de más de 300 personas ante la sede del periódico.
En un comunicado, el director de redacción del diario, Otavio Frías Filho, admitió que "el uso de la expresión 'ditabranda' (dictablanda) fue un error. El término tiene una connotación que choca y que no representa la gravedad del asunto. Todas las dictaduras son igualmente abominables".
Frías Filho, sin embargo, señaló que "desde el punto de vista histórico", la dictadura brasileña, "con toda su truculencia, fue menos represiva que sus congéneres argentina, uruguaya y chilena o que la dictadura cubana, de izquierda, con la cual simpatizan (los manifestantes)".
Varios lectores enviaron cartas de protesta, que fueron publicadas, y 'Folha' emitió una contrarrespuesta pidiendo igual actitud en la crítica a las dictaduras de izquierda.
Las protestas del sábado pedían que los responsables del artículo se retractaran "de rodillas" en una plaza pública y contaron con un memorando de repudio al editorial firmado por 7.000 personas, entre ellos intelectuales como el centenario arquitecto Oscar Niemeyer y el compositor y escritor Chico Buarque.
Jornalista e escritora, autora de Suplemento Literário-Que falta ele faz! : Tinhorão, o Legendário; As Dez Mil Coisas (poesia) e do e-book Jornalismo Século XXI- O modelo #mídia NINJA
VIVA BABEL
Notícias de Babel.
O título homenageia Xose Velo Mosquera, Pepe Velo, professor, poeta, revolucionário galego, que criou o lema e viveu por ele.
Sonhos de Leonardo
CRUEL
Sérgio Sampaio
Tudo cruel, tudo sistema Torre Babel, falso dilema É uma dor que não
esconde o seu papel São Carlos, morro, Borel Eu subo e nunca estou no céu
Torres
Orides Fontela
Construir torres abstratas
porém a luta é real. Sobre a luta
Nossa visão se constrói. O real
Nos doerá para sempre
CONTADOR DE ACESSOS - 06/03/2009
Páginas que revelam uma época . Autora discute legado do Suplemento Literário,
editado nos anos 50 e 60 (clique na imagem para ler)
Uma análise da relação entre imprensa e cultura. No prefácio do livro, Antonio Candido relembra
o contexto em que surgiu o Suplemento (clique na imagem)
DESPUÉS DE LA HUELGA MAGISTERIAL: ¿QUÉ?
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Sigfredo Chiroque Chunga De junio a agosto del presente año, alrededor de
un 92% de los docentes del país han participado de manera directa o
indirecta en ...
Le corbillard d'Achab le Prophète.
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Prémonition de mort civile.
Le monde moderne est une immense machine à détruire les signes.
Le voyant ne peut pas plus y vivre que le grand corps du no...
PANORAMA
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Bilhete postal triplo, circulado em 1913.
Clique nas imagens do Memória de Poços de Caldas para ampliá-las.
*"Povo que não conhece sua história está condena...