terça-feira, dezembro 13, 2011

Jockey full of bourbon

Cidades


 Tenho assistido a esse programa ótimo da Rede Minas.Mas perdi este com Marcelo Mirisola, recuperei na página dele no Facebook. Sempre boas as suas entrevistas.E entre as coisas interessantes que disse, pincei pra mim esta: nascido e criado em SP, onde tem a maioria dos amigos, diz que a cidade o manda embora. Já o Rio o acompanha, especialmente a cidade antiga..
Eu também sinto o mesmo sobre SP, onde tenho a maioria dos meus amigos, mas a cidade me expulsava. Precisava de um lugar que me acolhesse, e achei nas Minas onde me criei.É Freud? Deve ser.Engraçado, desde que me mudei, em agosto, só faço ir pro Rio e pra Sampa.
Cidades, lugares deste mundo.Tantas.Cada uma um pedaço de nós.Só precisamos encontrar a nossa.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Invasões bárbaras



Konstantinos Kaváfis

À ESPERA DOS BÁRBAROS

Tradução: José Paulo Paes

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?
Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo
e de coroa solene se assentou
em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso imperador conta saudar
o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe
um pergaminho no qual estão escritos
muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores
usam togas de púrpura, bordadas,
e pulseiras com grandes ametistas
e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos
de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,
tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores
derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje
e aborrecem arengas, eloqüências.

Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm
e gente recém-chegada das fronteiras
diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! eles eram uma solução.

[Antes de 1911]


• Konstantinos Kaváfis
In Poesia Moderna da Grécia
Seleção, tradução direta do grego, prefácio,
textos críticos e notas de José Paulo Paes
Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1986


Poema e texto extraídos de:
http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet064.htm

sábado, dezembro 10, 2011

Si tu vois ma mère

José James



Ele estreou há dois anos, com "The dreamer", e foi saudado como o cantor e compositor que melhor traduziu o jazz para a geração hip hop.Hoje com 30 anos, morando em Nova York, mas criado em Minneapolis, ele cresceu nos anos 1990, como muitos garotos de sua geração nos Estados Unidos, ouvindo hip-hop. Até que, por volta dos 14 anos, foi sequestrado por uma gravação de "Take the A-train"o standard jazzístico do compositor e arranjador Billy Strayhorn, que, a partir do início dos anos 40, virou o prefixo da orquestra de Duke Ellington. "Até então, eu nunca tinha ouvido o som das big bands. Todo o jazz que conhecia era muito confuso, e eu não o entendia", contou ele numa entrevista recente.


James entendeu e correu atrás do tempo perdido, passando pela obra de mestres como Duke Ellington, Charlie Parker, Miles Davis, Billie Holiday... Até chegar a outra revelação, o saxofonista John Coltrane . "Quando ouvi aquele tema, 'Equinox', eu me apaixonei por ele. A música de Coltrane virou uma obsessão".

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Mo Toledo

Ganhei este belo trabalho do Mo, que tem a quem puxar.

Diego Rivera, 125 anos


quarta-feira, dezembro 07, 2011

Mario de Andrade

(Mário de Andrade, 1933 - Resposta ao Inquérito sobre Mim para Macaulay).


‎"Escrevo meus livros só nas horas vagas de minhas outras ocupações. No Brasil ainda é raro o escritor que pode viver dos seus próprios livros. Me dedico por isso ao jornalismo e ao professorado, que são ocupações sempre de ordem intelectual, e me conservam dentro da minha realidade primeira que é a arte. (...). Não tenho nenhum cacoete nem característica quando escrevo, a não ser, encostar de vez em quando a testa no metal da máquina de escrever, e sentir-lhe o friozinho. Também, às vezes, quando o escrito sai com lentidão, acaricio a máquina com a mão direita, como quem passa a mão num cavalo para amansá-lo. Tenho procurado me consertar desse animismo exagerado, mas não consigo"