quinta-feira, março 15, 2012

Um ano de terremoto no Japão: Taiko em SP

No domingo, imperdivel. "Encontro de Ritmos Japão – Brasil: Wadaiko Sho + Meninos do Morumbi" Espetáculo de percussão em agradecimento ao apoio às vítimas do terremoto, que aconteceu em março de 2011 no Japão 18 de março de 2012 (domingo), às 11h00 Gratuito: Os ingressos poderão ser retirados a partir de 13 de março na bilheteria do Teatro Gazeta, entre 14h e 20h, com limite de até 2 ingressos por pessoa. Duração: 1h10

14 anos sem Tim Maia, chama o síndico, que falta ele faz!

quarta-feira, março 14, 2012

Gente pelada não é crime

IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA Não sei quando isso começou, mas eu soube esta semana que o Facebook está bloqueando as contas de quem tenha fotos de gente pelada, sejam elas artísticas, familiares ou de qualquer outra natureza. As vítimas dessa ação de censura recebem um comunicado informando que o Facebook tem “uma política rígida contra o compartilhamento de conteúdo pornográfico e impõe limitações à exibição de nudez”. Fica a impressão, pela frase, que Mark Zuckerberg e seus funcionários acham que nudez e pornografia são coisas parecidas. Alguém tem de explicar a eles que não são. Na verdade, é uma desgraça que ainda tenhamos que discutir esse tipo de assunto. A esta altura do século 21, deveríamos estar livres da ideia de que o corpo humano é uma coisa pecaminosa ou ofensiva, cuja visão deve ser proibida. Esse é um tabu tão antiquado, tão desprovido de utilidade ética, que custa acreditar que ainda seja defendido e praticado – muito menos imposto a gente adulta como proibição. Quem cresceu nos anos 1970, como eu, carrega a impressão irremovível de que o avanço civilizatório é medido, entre outras coisas, pela liberdade de exibir o corpo humano. Quanto mais retrógrada a cultura, quanto mais opressivo o regime, quanto mais ignorante o sujeito, maior a preocupação em impedir a visão de peitos, bundas e pintos – ao vivo ou de qualquer outra forma. Li outro dia o romance de uma escritora colombiana (Heróis Demais, da Laura Restrepo), em que há uma passagem reveladora sobre a sanguinária e carola ditadura argentina. Uma moça caminha pelas ruas de Buenos Aires no verão, com uma saia semitransparente, e é parada aos berros por um sujeito qualquer. Um fascista, claro. Ele a chama de prostituta e diz a ela que vá “receber seus clientes em casa”, em vez de ficar se exibindo. A moça sobe no ônibus chorando. O contrário disso é a Europa, onde as pessoas lidam com a nudez de forma natural. Na primeira vez que eu estive na Alemanha, acho que foi em 1986, fui passear na beira de um rio em Munique e vi que estava todo mundo pelado, aproveitando o sol de verão. No sul de Portugal e da Espanha, onde os europeus do Norte vão pegar praia, acontece a mesma coisa: eles tiram a roupa com a maior naturalidade. Jovens e velhos. Também são capazes de sentar juntos numa sauna, homens e mulheres, porque não se ofendem com a visão do corpo do outro – e nem a consideram um convite automático para fazer sexo. No planeta Zuckerberg, acontecem as duas confusões: há pessoas que se ofendem com a nudez dos outros e há os que consideram (talvez sejam os mesmos) que mostrar o corpo é o mesmo que convidar para transar. Por isso a nudez no Facebook vira crime e tem de ser proibida. É um caso clássico em que a pornografia está nos olhos e na mente de quem vê. Nós sabemos exatamente como é isso no Brasil. Os trogloditas que ofendem as meninas nos ônibus de São Paulo, por estarem com saias (que eles acham) curtas, também acreditam que mulher com as pernas de fora está querendo sexo. Como eles se excitam e talvez se ofendam com isso, agridem. Não passa pela cabeça desses homens instruídos e inteligentes que a piriguete pode estar apenas querendo se sentir bonita – e que isso é um direito dela. saiba mais Palavras são inúteis Uma paixão de ônibus Mulheres apaixonadas O que tem o bumbum da Scarlett? Aqui, agora, de todo coração Elas contam para todo mundo? Por favor, me surpreenda! Nas praias do Rio de Janeiro, quando os garotões atacam as meninas que fazem top less, praticam o mesmo moralismo explícito: se está com o peito de fora, é vagabunda, então eu posso tratar da forma que quiser, inclusive xingando e atirando areia. Eu, francamente, não consigo imaginar como alguém se acha no direito de praticar uma violência dessas. Se o sujeito está tão transtornado pela visão de um par de seios que precisa tomar alguma providência, se atire na água fria ou vista a bermuda e vá embora. Impor ao outro os seus imperativos morais ou o seu desconforto sexual não deveria ser uma opção. Mas é. Vale o mesmo para o Facebook. A sede da empresa está instalada num país que trata esquizofrenicamente com as liberdades pessoais. Há lugares como Nova York ou Los Angeles onde tudo é permitido. Há outros lugares, dominados por religiosos, onde não se pode nada, nem usar biquíni na piscina. Parece que Zuckerberg resolveu atender prioritariamente ao grande sertão da Idade Média – e censurar todos os demais. É uma pena que nós, que nada temos a ver com isso, tenhamos que sofrer as consequências das guerras culturais americanas. A política antidrogas converteu-se num banho de sangue sem vencedores em larga medida porque “proibição & repressão” é o modo como os religiosos americanos lidam com a questão desde os anos 1920 - e os Estados Unidos são o pais mais influente do mundo. Agora a sua influência se faz sentir, esquizofrenicamente, na internet. Com dois comandos no teclado, qualquer pessoa, adulta ou não, pode ter acesso a rios de pornografia barra pesada, boa parte dela em inglês, produzida nos Estados Unidos. Mas, se a mesma pessoa postar um nu artístico ou pessoal na sua página privada do Facebook, corre o risco de ter sua conta invadida, censurada e até tirada do ar definitivamente. Eu não entendo isso - e suspeito que o Mark Zuckerberg não seria capaz de explicar.

Poesia para quem precisa 2: a poesia é para comer

Vou postar de novo esse lindo video do livro A poesia é para comer, onde tem um poema meu. Muito delicado. E o livro organizado pela Ana Vidal é lindo. Lembrança mais que apropriada no nosso Dia Nacional da Poesia.

Poesia para quem precisa, Dia Nacional da Poesia

The Lamb-William Blake, por Patti Smith

terça-feira, março 13, 2012

Ariel Palacios escreve no Estadão sobre a censura e cita Facebook

“O despertar da criada”, obra que gerou grande ziquezira em terras portenhas Artigo do correspondete do Estadao na Argentina Ariel Palacis, 12/3/2012 http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/o-despertar-da-criada-um-nu-cujo-pecado-era-nao-ser-mitologico-e-de-bonus-track-um-nu-kirchnerista/ “O despertar da criada”, ou, como foi conhecido por seu nome em francês, “Le lever de la bonne”, quadro de 1887, foi pintado pelo argentino Eduardo Sívori (1847-1918). A obra foi enviada o Salão de Paris daquele ano. Ali, na França da Belle Époque, onde a sensualidade começava a aflorar, deixando de lado os tempos vitorianos que imperavam na Europa, o quadro de Sívori – que mostrava uma criada nua acordando em sua prosaica cama no quarto de doméstica – não teve repercussão significativa. Mas, ao voltar à Buenos Aires, o Despertar da criada provocou um ciclópeo escândalo. O motivo da polêmica não era o nu em si, já que a imagem de mulheres e homens nus era comum nos quadros da época. O fato que incomodava de verdade a sociedade local era a imagem de uma mulher pobre, nua, morena. E não o nu de mulheres loiras, com as formas dos cânones de beleza da época, ambientado em um cenário de mitologia greco-romana ou alegorias. A outra alternativa para os pintores do século XIX era o de ambientar seus nus em um lugar exótico, por exemplo, o Império Otomano. Desta forma, Jean Auguste Dominique Ingres (1780-1867) fez “Le bain turc”, que mostra uma miríade de jovens totalmente nuas (bom, algumas tem uns colares) em uma sauna de um harém na distante Constantinopla. No caso de Sívori e sua criada, o nu ocupa quase todo o quadro. Ela está sentada em uma cama, em um quarto simples, sem decoração. É apenas o relato pictórico de uma mulher – uma doméstica – que, dona de fartos seios, está a ponto de levantar da cama, mas antes disso, coloca suas meias nos pés com calos. Sívori, ao voltar de Paris, mostrou seu quadro na Sociedade de Estímulo das Belas Artes. “Pornografia” foi o adjetivo mais disparado contra a obra. O quadro causou tal celeuma que os organizadores da exibição tiveram que mostrar o Despertar da criada a portas fechadas. Sequer seu nome em francês – língua da moda na época – ajudou a amainar o impacto causado. A obra – um dos principais quadros do Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires – é atualmente vista com freqüência pelos estudantes das escolas primárias. Por qual motivo falar sobre o “Despertar da criada” hoje? Há tempos queria contar a história deste quadro. Mas, aproveitei a ocasião de que esta segunda-feira é o Dia da Livre Expressão do Nu, movimento que surgiu no Facebook ( http://www.facebook.com/events/353069764… ). O movimento protesta contra a censura peculiar existente contra alguns nus, inclusive o de “Origem do mundo”, de Gustave Coubert (mais detalhes sobre esta obra, aqui ).

Facebook não respeita leis brasileiras

O Facebook deixou passar o dia pela Livre Expressão do Nu, que contou com 1.800 participantes ( contra a censura a imagens como esta, a Venus de Ticiano, por ex.), e hoje começou a bloquear vários. As postagens eram acompanhadas do seguinte texto, pra estrangeiro ver "This postage of an artistic nude is part of a movement to rule out cultural Censorship in Facebook. Censorship goes against the constitution of my country. If Facebook operates here in Brazil it should respect its laws. - Article 5. IX. of the Brazilian constitution is clear: “expression of intelectual, artistic, scientific and communication content is free, independently of censorship or licence”. - Article 220 is even more clear: “manifestation of thought, creation, expression and information, under any form, process or means will not undergo restriction according to this Constitution”. -- § 2- It is forbidden any type of censorship of political, ideological and artistic nature." O poeta, ensaista, tradutor, professor Claudio Willer conta a mensagem que recebeu de uma das coordenadoras do movimento, escritora e jornalista Célia Musili: Willer, amanheci bloqueada, querem que eu remova todas as fotos "indecentes" que publiquei, ou seja, fotos de nus. Eis a mensagem que recebi: Para manter a sua conta ativa, remova todas as fotos que contenham nudez ou apelo sexual. Marque a caixa ao lado de cada foto que deve ser removida. Se conseguir avisar os amigos no meu mural , agradeço. Por favor, coloque a mensagem deles de bloqueio e a seguinte mensagem minha: "A censura do Facebook exige que eu remova do meu perfil fotos de nudez que, na minha concepção, são fotos de valor artístico. Participei do movimento pela Livre Expressão do Nu, um movimento estético do qual me orgulho, uma guerrilha cultural. Na minha opinião, o pedido para que eu remova as fotos - condição sem a qual meu perfil não será desbloqueado - fere um dos meus direitos fundamentais: o de escolha. Não faço questão de estar integrada ao Facebook, a não ser para realizar meu trabalho, divulgar meus textos e fazer amigos. No mais, não aceito a política totalitária de uma rede social que se diz aberta e democrática. Remover minhas fotos neste momento, me parece um pacto com um politicamente correto tacanho, anacrônico e discutível. Não posso concordar em deletar obras de Michelângelo, François Boucher, Tintoretto, Mapplethorpe, John Collier ,Marcs Quinn, David Hamilton e outros expoentes da pintura e da fotografia. O que o Facebook pratica com seus usuários fere a ética e se chama ABUSO DE PODER. Pode ser que um dia volte à rede por outras razões. No momento não me interessa porque não vou pagar penitências à Cyber Inquisição. Se mais pessoas se recusassem a serem "politicamente corretas", o FB seria obrigado a rever suas regras, em vez de se tornar cada vez mais ABUSIVO e intransigente. Agradeço aos amigos e aos 1800 participantes da manifestação pela Livre Expressão do Nu." (Célia Musilli)

segunda-feira, março 12, 2012

Foto Pedro Martinelli

O reporter fotográfico Pedro Martinelli, querido amigo e colega de redação inesquecivel, foi o primeiro, no início da decada de 70, a fotografar os Paraná, indios gigantes. Esta foto saiu na primeira página de O Globo. Postei tambem no Facebook no dia da Livre Expressão do Nu.

Dia da Livre expressão da nudez no Facebook Brasil

Marylin Monroe A campanha contra a censura no facebook, acompanhando a data marcada pela organização Repórteres sem Fronteiras pela liberdade de expressão na web é um sucesso. No momento, cerca de 1.700 pessoas participam do evento no Um dia no FB, só nus., é um sucesso pela liberdade de expressão na internet, pela Livre Expressão do Nu no Facebook.Continuamos. Juristas já estudam uma "cause", pois qualquer empresa estrangeira sediada no Brasil deve respeitar as leis do país e não impor as suas. http://www.facebook.com/events/353069764724065/ As postagens são acompanhadas do seguinte texto, pra estrangeiro ver This postage of an artistic nude is part of a movement to rule out cultural Censorship in Facebook. Censorship goes against the constitution of my country. If Facebook operates here in Brazil it should respect its laws. - Article 5. IX. of the Brazilian constitution is clear: “expression of intelectual, artistic, scientific and communication content is free, independently of censorship or licence”. - Article 220 is even more clear: “manifestation of thought, creation, expression and information, under any form, process or means will not undergo restriction according to this Constitution”. -- § 2- It is forbidden any type of censorship of political, ideological and artistic nature.

domingo, março 11, 2012

Sugestão de pauta-12 de março, Dia da Livre Expressão do Nu

12 de março, Dia da Livre Expressão do Nu Há duas semanas, teve início uma manifestação no Facebook pela livre expressão do nu que começou com um grupo de cinco pessoas e hoje reúne mais de 1200. A iniciativa é uma reação aos casos de censura exercidos pela rede social, sendo o mais conhecido o do francês que postou a tela A Origem do Mundo, de Gustave Courbet, e teve seu perfil deletado, o que gerou um processo que depois o usuário ganhou na justiça. A mesma rede social já censurou fotos de uma boneca nua e de mães amamentando filhos, chega a ser estarrecedor este moralismo exercido à revelia mesmo em países cujas Constituições garantem liberdade de expressão, como no caso do Brasil. Sabemos que a rede tem regras próprias, mas a censura deve ter limites, sabendo discernir a arte, o nu espontâneo ou de protesto da pornografia. Ao iniciar este movimento, seus integrantes começaram a ser bloqueados em série no Facebook, seis organizadores do movimento já tiveram suas contas censuradas por até 24 horas e pessoas que se manifestam a favor da movimento também são ameaçadas recebendo, até mesmo, avisos de possível bloqueio da sua conta pela rede, em caso de adesão. Nem mesmo obras da pintura clássica, como O nascimento de Vênus de Botticelli, tem escapado da fúria dos censores. Assim como obras de Matisse, Paul Devalux e fotografias de nu artístico. Além da Godiva de Salvador Dali. Nesta segunda-feira, 12 de março, o grupo envolvido nesta manifestação pretende postar em massa imagens de nus na rede social, assim como textos que embasem a sua proposta. A data marca o Dia da Livre Expressão, em consonância com uma iniciativa da organização Repórteres Sem Fronteiras. Entre os manifestantes que se uniram na rede social em torno do Dia da Livre Expressão do Nu, encontram-se professores, jornalistas, fotógrafos, artistas plásticos, escritores, poetas, sociólogos, psicanalistas, enfim, cidadãos que não aceitam ações descabidas de censura. Neste sentido, solicitamos a atenção da mídia no dia 12 de março quando nossas ações no Facebook irão representar o pensamento das pessoas que elegeram o nu como um emblema de liberdade, pela diversidade que engloba o nu de protesto, de humor, arte e erotismo. Não é possível que no século 21, pinturas renascentistas sejam encaradas como obscenas por uma rede que se pretende aberta e democrática. Será que a Santa Inquisição foi substituída pela Cyber Inquisição? Fica a pergunta. Caso tenham interesse em divulgar esta notícia, por favor, visitem a página do evento "Um dia no FB, só nus" onde expressamos nossa opinião em textos e imagens. http://www.facebook.com/events/353069764724065/ Caso tenham interesse em cobrir esta manifestação no dia 12, queiram, por gentileza, entrar também em contato conosco. Gratos, Organizadores do Dia da Livre Expressão do Nu