terça-feira, outubro 10, 2006

Revista Piauí

Ainda não li, mas soube que foi lançada um nova revista de cultura no país, pelo João Moreira Salles e Editora Abril Chama-se "Piauí", ninguém sabe explicar por que, acharam um nome legal, sofisticado, talvez, chic, coisa assim. A tiragem é de 20 mil exemplares.
Disse o diretor de redação, ou editor, que será um misto de New Yorker com reportagens. E poderá colaborar gente de qualquer ideologia,"desde Stalin ao pessoal da propriedade". Desde que escreva bem e seja divertido, legalzinho, entende?

By the way, como diz essa gente, freqüento sempre o blog do grande Mario Bortolotto e dia desses havia um recadinho lá, de uma moça Mônica. Houve uma grande discussão em cima do texto do Mirisola, que fora censurado na Zero Hora, e era sobre a tal Flip de Paraty. O cara acabou com tudo e todos, inclusive com o patrocínio do Unibanco e parece que essa foi a causa de sua desgraça, eu creio. Censuraram. O Bortolotto publicou, o Uol abriu e encheu de gente de fora, que não costuma freqüentar o blog. Essa mocinha, então, disse que o Bortolotto deveria conhecer o Moreira Salles, gente finissima, e que para a revista dele , a tal "Piaui, a gente trabalha até de graça... "
Bortolotto respondeu, citando Rô Rô, que não quer conhecer ninguém, já conhece gente demais.....
Bom, vai daí que eu não posso ver gente falando que trabalha de graça pra qualquer órgão de imprensa, especialmente para revista de filho bem intencionado de banqueiro, e entrei dizendo que ao que consta, a direção da revista, composta por dois jornalistas famosos, não o faz de graça, essas pessoas não fazem caridade. Por que o resto, menos cotado, teria de fazer?
Soube também que na tal feira de Paraty a futura " Piaui" fez um workshop com a meninada jornalista, e escolheu 6 para um estágio de dois meses lá. Eu, que sou jornalista há pelo menos 30 anos e conheço as manhas todas, pergunto:
1- Por que contratar estagiários? Hoje o mercado faz isso para aviltar os salários dos profissionais e explorar esses estudantes. Tanto que vão rodiziar, o contrato foi por dois meses...Estagiários, sabemos, ganham cerca de 300,00 por mês, em geral.
2- Por que estagiários se há muitos excelentes jornalistas profissionais no mercado?
Dirão que é porque não querem gente viciada, eu conheço essa e nem me dou ao trabalho de argumentar, tá na cara o que eles querem.
O Brasil precisa de publicações culturais, claro. Mas com essas tendências iniciais, não sei não.
Não estou confiando que algo bom possa sair de uma direção de redação que diz que vale só o escrever bem.
Gostaria de saber se eles publicarão um lindo e bem escrito texto a favor da eugenia, ou da utilização de negros africanos pobres para as experiências das multinacionais farmacêuticas. De nada duvido. Se for estético...
Só sei que quando o Antonio Candido lançou o Suplemento Literário, ele enviou um projeto aos donos do Estadão propondo pagamentos tres vezes maiores que os dos mercado para os colaboradores. Mas existe um abismo entre o Suplemento Literário e a Piauí. Vou tentar ler.
De qualquer forma, recomendo uma ótima revista de artes que existe no mercado há um ano, a Bien'art, da Fundação Bienal de São Paulo. Fala de artes plásticas, arquietura, design, cinema, teatro, etc. É séria e bela.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Que falta ele faz!

"Suplemento Literário- Que falta ele faz!" é o título do meu livro que será lançado até o fim do ano em co-edição pela Imprensa Oficial e Intercom. É a história da vida e da morte do Suplemento Literário do Estadão, marco do jornalismo cultural, projetado por Antonio Candido e dirigido por Décio de Almeida Prado, de 1956 a 1967. Lá escreviam de Drummond e Bandeira a Amado e Ligya, ilustravam de Lizzarraga a Di Cavalcanti e os leitores eram brindados com grandes críticas de literatura, numa publicação artística e literária, autônoma e independente.
Foi minha tese de mestrado defendida em 2002 na ECA-USP, orientada pelo querido professor, amigo e companheiro de tantas lutas sindicais- que não pode comparecer à banca- Jair Borin, de saudosa memória.
Terá projeto gráfico do grande artista gráfico e mestre da colagem, outro amigo querido, Tide Hellmeister, e prefácio do professor Antonio Candido.
Ontem dia 8, domingo, o Estadão fez um suplemento especial, o Cultural, comemorando os 50 anos do primeiro número. Uma edição muito linda! Fiquei muito feliz e recomendo: a edição e o meu futuro livro.Vai ficar lindo, acreditem!

sábado, setembro 30, 2006

John, Janis e Jimmy











No dia 9 de outubro John Lennon faria 66 anos. É mais um desta geração que fez da sua vida a sua arte.
Ele, como Hendrix e Joplin, para só citar dois, agiram de acordo com o que pensaram: eram coerentes.E íntegros, isto é, inteiros, não fragmentados.



O mundo quebra gente assim, e os dizimou. Dois por overdose, um por asassinato.



Eles perderam muitas batalhas, mas ganharam a grande guerra:tornaram-se eternos!







segunda-feira, setembro 25, 2006

Vincent vive!







Viandeiro vindicante
Violeta vindimada
Vidente visceral

Vincent vive

domingo, setembro 24, 2006

A corte do pavão misterioso












Foto Luiz Carlos

No parque da Água Branca, num fim de semana em Sampa, o rapaz que tirou a foto e mais meia dúzia de nós assistímos ao grandioso espetáculo da natureza: a corte do pavão, e as pavoas,observem no canto direito, ciscando, fazendo de conta que nem notavam. Pedi a foto, achei que o anônimo fotógrafo nem se lembraria. Mas hoje chegou.
Que presente esse, no centro de Sampa, quem imaginaria?

sábado, setembro 23, 2006

O que amas de verdade

O artigo abaixo eu escrevi para os meninos do século 21, no site do Cedom, Colégio Estadual Doutor Octávio Mendes, onde estudei no século 20.
http://www.cedom.net/.


Brilho nos olhos. Sabe como? Quando você quer muito algo, quando você conquista isso, quando você sente o coração batendo de felicidade, pura felicidade.
E por que muitas vezes os nossos olhos brilham, mas aquilo está muito longe, distante, impossível mesmo? E a gente pensa: não dá! A gente acha que não dá, porque tudo que está em volta parece que existe pra dizer que não dá.
Pois eu li uma vez um lindo livro de um grande professor de mitologia chamado Joseph Campbell. Ele participou da criação do roteiro de “Guerra nas Estrelas”, que todos nós conhecemos e adoramos, dirigido por George Lucas, e o ajudou na trilha do mito do herói. Lembra de Luke Skywalker, do mestre Jedi, em luta contra o lado da sombra, o Darth Vader?
Pois então, é ele, Joseph Campbell, também autor do livro “O Poder do Mito”, que conta a seguinte historinha:
“Antes de me casar, eu costumava sair para comer em restaurantes da cidade, tanto no almoço como no jantar. Quinta-feira à noite era folga das empregadas em Bronville, de modo que muitas famílias saíam para comer fora. Uma bela noite, eu estava em meu restaurante favorito e, na mesa ao lado havia um pai, uma mãe e um menino magrinho de uns 12 anos de idade. O pai disse ao menino:” Tome o seu suco de tomate”. E o menino respondeu: “Não quero”. O pai insistiu, com voz mais alta: “Tome o seu suco de tomate”. A mãe interveio: “Não o obrigue a fazer o que ele não quer”. O pai olhou para a mulher e disse: “Ele não pode levar a vida fazendo o que quer... eu nunca fiz nada do que quis, em toda a minha vida”. Esse é o homem que nunca perseguiu a sua bem-aventurança.(...) Eu sempre recomendo aos meus alunos: vão aonde o seu corpo e a sua alma desejam. Quando você sentir que é por aí, mantenha-se firme no caminho, e não deixe ninguém desviá-lo dele”.
Esse livro e essa história, entre as muitas que há no livro, foram muito importantes na minha vida. Pois eu sempre acreditei e acredito que nós nascemos para a felicidade, e para conquistá-la, devemos proceder de maneira a fazer o que é bom não apenas para nós, mas para a nossa comunidade. Não nascemos para consumir coisas, não nascemos para seguir uma profissão que nos torne ricos e/ou famosos, não estamos estudando apenas e tão somente para fazer um vestibular. Estudamos para conhecer coisas novas e importantes para a nossa vida, para o nosso dia-a-dia, para as coisas pequenas do cotidiano, muito mais especiais que as grandes, pois delas é feita a nossa vida.
E a vida é muito maior do que consumo, celebridade, televisão, embora tudo isso faça parte dela, e a gente precisa ter conhecimento e discernimento para poder escolher. Embora, é claro, principalmente precisamos sobreviver, os tempos estão muito difíceis, não temos idéia de qual será nosso futuro. Tantas interrogações...
Mas o que fazer, então? Negar a felicidade em prol da sobrevivência, e transformar-se naquele pai da historinha acima, que nunca fez o que queria na vida? Ou fazer só o que você quer, sem ligar para os outros, para o próximo?
Não é assim, existe uma saída.Você não pode sair do sistema da sociedade em que vive, tem de seguir uma profissão com a qual possa se sustentar, e à sua futura família. Mas por isso vai negar os seus desejos mais íntimos?Aquela voz que, se você apurar bem o ouvido, vai ouvir lá dentro, dizendo qual é a sua vocação, para que é que você está neste mundo?
É esta, como diz o professor Campbell, a sua bem-aventurança, o caminho que você deve seguir para tornar-se o que verdadeiramente você é.
Então, quando conseguir o silêncio suficiente para ouvir a sua própria voz interior, você saberá. Não o seu professor, não seus pais, amigos, irmãos, namorados (as), não a TV, não a internet, nem eu! Só você.
Eu digo porque já comprovei isso. Desde os 12, 13 anos de idade queria ser jornalista. Vinda de família pobre, a universidade era um sonho meio distante, e a profissão parecia ser algo inalcançável para uma menina da periferia da zona norte de São Paulo. Meu pai queria que eu fosse secretária, ele trabalhava em um escritório e me levou lá, certa vez, para fazer um estágio, eu já tinha uns 17 anos. Foi a pior semana da minha vida até então, na maquininha de cálculos, dentro de uma sala. Acho que meu pai começou a entender.
Eu não desisti, e graças ao excelente ensino que tive no Cedom, entrei na USP em dois cursos: Jornalismo e História.Fui a primeira universitária da família. Comecei logo a fazer estágio em jornais, e tive de largar o segundo curso. Não foi nada fácil, porque naquela época jornalismo era uma profissão masculina. Então, uma mulher tinha de provar que era uma excelente profissional, e a gente passava mesmo por provas de fogo: aos 19 anos trabalhei na reportagem policial, via gente morta, tinha de entrevistar as famílias, a polícia etc. Uma barra pesada, com se dizia na época! Mas consegui, e fui passando para outras áreas da reportagem: educação, saúde, cidades, etc.
Fui aprovada em um teste no jornal “O Estado de S. Paulo”, mas o editor veio me dizer que, infelizmente, ainda não admitiam mulheres. Era 1972 e começavam a sair das universidades as primeiras turmas de jornalistas. Alguns meses depois - eu já trabalhava no jornal O Globo- o editor me chamou, dizendo que agora sim, já se admitiam mulheres na redação do maior jornal do país. Mas eu preferi ficar onde estava.
Durante minha carreira, ainda algumas vezes enfrentei, eu e outras profissionais, esse preconceito. Hoje, na classe de pós-graduação em jornalismo da PUC na qual dou aulas, dos 40 alunos, 38 são mulheres...
Não posso imaginar outra profissão para mim a não ser esta, de escrever, de contar histórias, de ouvir o outro. De, às vezes, contribuir para melhorar a sociedade em que vivo.
Não foi fácil e continua não sendo fácil: o mercado na imprensa escrita, na TV, no rádio, se estreita cada vez mais. Entretanto, há outras mídias, como por exemplo, e cito apenas uma, os blogs. Nos Estados Unidos vários jornalistas independentes foram contratados por grandes jornais a partir de sua performance nos blogs. Uma outra comunicação é possível, e a imprensa comunitária também está aí para provar.
Bem, mas sobre jornalismo eu escreveria uma enciclopédia. Eu vim mesmo aqui só para dizer que é verdade essa história de perseguir sua bem-aventurança. E ter valores, projetos, objetivos que não são medidos por dinheiro, por posse de coisas, por celebridade, pelo poder. Tudo isso é passageiro. Só fica a sua verdade, aquela de dentro de você. Aliás, diz o poeta Ezra Pound – e a poesia serve, e muito, para a nossa vida : “O que amas de verdade permanece, o resto é escória
O que amas de verdade não te será arrancado”.
Então, persiga a sua bem-aventurança e não tenha medo porque, como diz Joseph Campbell, e como estou aqui para comprovar, “as portas se abrirão, lá onde você não sabia que havia portas”.
Boa sorte!

quarta-feira, setembro 20, 2006

Bodegon

Foto Carlos Bertomeu

sábado, setembro 16, 2006

Namastê!

Foto Carlos Bertomeu ( foz do rio Camaquã)

Encontrei na internet um belo link de um músico indiano, Ananda Jyoti, que mora no Brasil há uns sete anos e já produziu um belo trabalho que mistura as sonoridades indiana e brasileira em lindos mantras. Tem cuica, tem viola caipira, misturados à tabla indiana, à sítara.
Mantras, você não precisa nem entender o significado das palavras, são ancestrais e servem para liberar nossas mentes de tanta bobagem que vivemos a pensar, a pensar, a pensar.
Um refresco, um rio calmo como este acima...
Om é o som primordial
Om!

segunda-feira, setembro 11, 2006

A última partida



Texto e fotos do repórter fotográfico Jesus Carlos, da Imagem Latina, velho companheiro de cobertura da imprensa sindical e social. Beleza Pura!
(Desculpem a inabilidade tecnológica da editora, na verdade as fotos devem ser vistas da última para a primeira, claro, do inicio proo fim do jogo, mas...)


"O primeiro jogo do Brasil no mundial, foi com a Croácia. No dia seguinte, encontrando com os amigos, perguntaram: Jesus, você não foi fotografar a torcida lá no Anhangabaú? Tava bem legal. Bem divertida. NÃO! Só irei fotografar na última partida. Dias depois, o Brasil volta a jogar com a Austrália. e no dia seguinte, encontro de novo os amigos e a pergunta, os comentários foram feitos de novo. Você não foi fotografar a torcida lá no Anhangabaú? Você ta perdendo. O pessoal vai todo fantasiado de verde e amarelo. Estás perdendo boas imagens. Veio o jogo com o Japão e encontro no dia seguinte com os amigos que de novo fizeram a mesma pergunta: você não fotografou a torcida no Vale do Anhangabaú? Não! Só irei fotografar na última partida. Aí o Brasil joga com as estrelas negras de Gana e no dia seguinte, veio de novo a pergunta: Jesus você não foi fotografar a torcida no Anhangabaú? Você precisa ver cara. Tem alguns que não perdem um só jogo e sempre estão lá na frente, bem perto do telão. Eles sabem que tá todo mundo da imprensa e querem sair nas primeiras páginas dos jornais, na televisão. É bem divertido e tá dando boas imagens. Você está perdendo um bom material fotográfico.
É sábado, são duas horas da tarde e penso: vou fotografar a torcida no Vale do Anhangabaú. Hoje é Brasil e França. Tenho que ir fotografar a torcida, as pessoas fantasiadas de verde e amarelo, o pessoal torcendo pelo Brasil. Não podia perder.
Era A Última Partida. "
Jesus Carlos