quarta-feira, julho 13, 2011

Dia do rock



A cara do século 20, 21, etc

domingo, julho 10, 2011

"Não estou à venda, menina"- Saudades de Itamar Assumpção





Daquele instante em diante, documentário da série Icnonoclássicos, direção Rogério Velloso, produção Itaú Cultural, de graça no Espaço Unibanco da rua Augusta, SP.


"Olha, eu tenho que dizer uma coisa, lá do fundo do meu coração pra vocês : você parece que não sei, diz tanta coisa que eu vou te contar, pensando bem, cala-te boca, parece que bebe"

Você sai emocionado do cinema. (Já passou, antes, a propaganda débil mental da cocacola, falando do bem contra o mal, citando o Brasil e com fundo musical de criancinhas americanas cantando).
Ali está a vida de um artista, com maiúscula, que virou maldito porque nas prateleiras classificatórias do mercado, não tinha classificação. E podia ter tocado no rádio, sim. Do Paraná vem muita gente boa para São Paulo, ele veio de Tietê e conheceu Arrigo Barnabé, também de lá.
Mas por que você não faz sucesso? Perguntavam.
Gravadoras queriam que ele cantasse samba, ou ponto de macumba. Festival com a música Sabor de Veneno: sabor de que? gritava para o público. De merda, o publico respondia, centenas, adorando.
Eu o imagino hoje, sempre íntegro e radical, sem concessões. Continuaria não pisando no programa da xuxa, do faustão, do marido da angélica, etc. Diz Alice Ruiz: "Sabe as concessões que todo o mundo faz? A gente faz? Ele não fazia".

Era difícil ser Itamar Assumpção, o Nego Dito do Beleléu. Sorte nossa e da nossa música. "Daqui a 50 anos vou estar na história da música brasileira, ou vou ser apenas mais um?"

E morava na Penha, zona leste de SP, bairro de classe média baixa, então. Nenhum artista mora lá, muito menos alguém de vanguarda. Na sua casa, a viúva mostra as plantas, o ninho de passarinho, e diz que ele cultivava orquideas para dar pros outros. Mas quando estava ficando mal, largou, e ela imagina a dor que isso foi para ele. E também lembra que o nome da banda Isca de Polícia não foi gratuito. Itamar era sempre assediado pela polícia, uma vez foi preso porque estava com um gravador, e era negão.

O fino jornalista Gilberto Nascimento foi seu vizinho. Também poucos jornalistas moram por lá, onde eu sempre ia visitar a prima Odete, torcedora fanática do Curintia e que fazia uma bela paella, receita do marido espanhol. Odete jamais soube de Itamar.

Que admirava o elegante Ataufo Alves, gravou um CD com músicas dele. E Cartola. E Macalé, e Roberto Carlos, Adoniram e Jorge Ben e Tim Maia, etc.Miles Davis e Bob Marley.

Com 54 anos, e um câncer, e tanta mágoa, o Nego Dito dançou. Seu último show, no CCBB, com as Orquídeas do Brasil( ele acabou sendo acompanhando só por mulheres. Por que? "Porque achei que os homens não iam mais dar conta", responde).

Um belo show, lembra a viúva. Ele sentado, magrinho, braços fininhos. Não deu mole para a doença, que o fazia chorar de dor.

Não era um flor, era um gênio difícil de lidar, acho que só no palco, não em casa, rapaz de família, que gostava de asssitir de tarde Mulheres em desfile, na TV Gazeta, e novelas.
A filhas Anelis e Serena, o musicólogo Luis Tatit, a cantora Suzana Sales, o músico e jornalista Luiz Chagas, Arrigo Barnabé e outros que não conheço reconstroem a figura do artista, com amor. Enquanto fazem café em suas cozinhas que não são planejadas.

Eu sinto tê-lo descoberto tarde. E penso por que os maravilhosos iconoclastas se vão tão cedo: será para ficar para sempre?

A rua Augusta é um corredor de gente que sobre e desce, de piratas vendendo CDs, banquinhas de bijoux. O cinema, mesmo de graça, não está cheio. Mas as pessoas saem silenciosas.
Saio tambem silenciosa, mas com o coração aquecido e um travo na boca. Uma amiga de Itamar, comadre, madrinha de sua filha Serena, lembra quando ele foi recebido tão bem na Alemanha, surpreso com o reconheciam seu trabalho ali, e não no Brasil. "Lá não existe esse Holocausto por que o artista passa no Brasil", ela diz.

Será sempre assim? Os que não se dobram ao sistema sempre serão devorados e só reconhecidos na posteridade?
O relógio da Avenida Paulista marca 20 graus. Semana passada marcava 6. Passo pelo cine Belas Artes destruído, pelo bar Riviera, à venda. Ruínas na cidade.

Mas eu sei que eles não venceram. Apesar de tudo.Não é o dono do imóvel do Belas Artes que ficará em qualquer história, a não ser aquela da infâmia.
E nessa, não estaremos nós, nem Itamar.
Mas acontece, como dizia Hemingway, que o mundo quebra os mais sensíveis.

PS. O Itaú Cultural patrocina esses docs ( haverá mais alguns: Leminski, Sganzerla, Zé Celso Martinez Correia) mas não teço louvores. Não fazem mais do que um quinquilesimo bilionesimo da obrigação que têm com o povo brasileiro, que agiotam há décadas, com lucros estratosféricos.

quarta-feira, julho 06, 2011

sábado, julho 02, 2011

quinta-feira, junho 23, 2011

Memórias da Casa Maldita



Não, não. Esta é a casa da dona Yayá, mulher muito rica do século passado, e louca. Virou, finalmente, centro cultural, tempos atrás.

Major Diogo, 264, Bexiga. Mas onde está? A numeração mudou, tem um banco, e uma casa demolida que virou só um terreno na cidade devastada.Dela, nem sombra.

Assombrada, como a casa de dona Yayá?

Morada de jornalistas e fotógrafos meio hippies, casa de sala enfumaçada sempre com música boa num Gradiente.

Com minhas calças vermelhas/meu casaco de general, cheio de anéis.

Oh minha hany baby.E uma bíblia cada vez menor. Javan era o hábil manuseador das folhas, logo enroladinhas e recheadas. Não, não era o DJavan, sem a letra D antes, o nome mais estranho: Javan.

Passo por lá sempre, sempre procuro. Onde ficou? Além de na memória dos que frequentavam aquela que virou casa maldita no meio das nossas tantas risadas, e saiu uma vez na manchete do jornal popular, não me lembro por que, mas imagino.

Se alguém quer matar-me de amor/ que me mate no Estácio.

Carlão Augustoi Gouvea, Djavan, Pedrão Martinelli, Victor Passos, Solano José de Souza, jornalistas/fotógrafos dos grandes jornais, todos ali pertinho, na Major Quedinho, na São Luiz.

Coisas que a gente se esquece de dizer. Frases que o vento vem às vezes me lembrar. Coisas que ficaram muito tempo por dizer, na canção do tempo não se cansam de voar. Você pega o trem azul, o sol na cabeça.

Tanta coisa na cabeça. Tanto ardor, tanta alegria, tanto medo, tanta coragem, tanta porrada.
Nada será como antes, amanhã. Que notícias me dão dos amigos? Que notícias me dão de você?

O TBC , do outro lado da calçada, fechado. Vou pesquisar e leio que:

"Desde que a Funarte comprou o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), no final de 2008, o espaço que sediou uma das maiores revoluções teatrais do país está fechado.Uma reforma foi anunciada no final de 2009 pela Funarte, que afirmou também que abriria uma licitação para preparação de um laudo técnico sobre o imóvel.O então presidente do órgão, Sérgio Mamberti, declarou que as obras estruturais seriam iniciadas em 2010. Até hoje nada aconteceu.

Depois de tanto tempo de abandono, quando não se vê nem mesmo a perspectiva de uma reforma, começam a surgir questionamentos sobre a sobrevivência do TBC. Para garantir a continuidade do lendário teatro, o fundador do Teatro Oficina, Zé Celso Martinez Correa, saiu em sua defesa.

Ele programa para junho o ciclo de peças "Dionizíacas Urbanas Antropófagas em Sampa", em que apresentará seu terceiro espetáculo dedicado à atriz Cacilda Becker".

Quase ao lado da casa de dona Yayá, o TBC também cheio de fantasmas. Antropófagos não dão mais conta, Zé Celso. Agora é tempo de vampiro.

Mas quando existia a casa maldita, não frequentavamos o TBC, quem sabe ele também estivesse fechado pra reformas? That's the question, ó Cacilda Becker! Dinheiro não/beleza pura.

Na casa maldita se reverenciava a arte: a música, o teatro, a poesia, a literatura, tudo sempre enfumaçado, em meio às pautas e às putas,- não poderia deixar de ser, afinal era uma casa de meninos. Dinheiro não/beleza pura.

Viajavam para Paraty, para o Rio e Niterói, para os rincões do país quando os jornais faziam grandes reportagens. Onde estarão os grandes textos, as belas fotos, quando ainda não havia internet? Nos arquivos dos jornais de papel, quem vai achar?

Argonautas do futuro encontrarão papel jornal amarelado?Lá o suor de quem escreveu, o olho de quem captou imagens e desenhos: denúncias, histórias leves, histórias, contadores de histórias, a vida transformada em traço e tipo e Nikon.

Onde tudo isso, esses trechos de vidas tantas , de outra era, não, não mais Belle Epoque?

Entro por vielas feias , escuras, depois de me perder na Aclimação, no Cambuci, no Glicério. Ê cidade! Onde está? Casa maldita suspensa em algum lugar do tempo, não desaparecerá da exata forma que era, porta estreita, corredor comprido, quarto, sala, quarto, quarto, cozinha, quintal. Mesmo que hoje seja: terreno baldio, agência de banco, predinho de três andares, sei lá.

Belezas são coisas acesas por dentro/ Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento










segunda-feira, junho 20, 2011

Fora do eixo

Interessantissimo artigo sobre as manifestações puxadas por redes sociais e o panorama cultural do país.
Passa Palavra

domingo, junho 19, 2011

sábado, junho 11, 2011

terça-feira, junho 07, 2011

Rimbaud, aos 21 anos



De Iluminações

BOTTOM

Sendo a realidade espinhosa demais para meu grande caráter, - eu me encontrava, contudo, em casa de Madame, como grande pássaro azul cinza erguendo-se rumo às cantoneiras do forro e arrastando a asa nas sombras do anoitecer.
Eu fui, ao pé do baldaquim sustentando suas jóias adoradas e suas obras primas físicas, um grande urso de gengivas violetas e pelo grisalho de desgosto, os olhos nos cristais e nas pratarias dos aparadores.
Tudo se fez sombra e aquário ardente. Ao amanhecer – aurora batalhadora de junho, - corri pelos campos, asno, trombeteando e brandindo minha queixa, até que as Sabinas do subúrbio viessem se jogar em meu peitoral.

domingo, junho 05, 2011