sexta-feira, abril 01, 2011

De Drummond para Hilda Hilst


Recebi do jornalista Gutemberg Medeiros, que foi amigo de Hilda, a bela.



"Prezada,boa tarde. Segue poema de Drummond para Hilda e foto dela da época, para ter ideia de para quem ele escrevia. Ela foi muito fotografada nos anos 50 e começo dos 60, por ser uma das figuras mais destacadas da alta sociedade paulistana. Como era comum, fez muitas fotos posadas em estúdio para colunas sociais dos jornais paulistanos, como Folha da Manhã. Com seus vestidos de griffe (das grandes maisons francesas) e jóias.

Em outro extremo, fotos super cleans explorando a sua beleza, como esta. Depois, menos como escritora. Mas, ainda sim, com boa fortuna iconográfica. Como você sabe, beleza põe mesa em revistas e jornais. Este poema foi enviado pelo poeta para a poeta em carta datada de 31/12/1952. Ele com 50 anos e ela com 22. Em 1991, ela achou em seus baús este material e o disponibilizou ao Alcino Leite, que o publicou no então caderno "Letras" da Folha. Quando ela ia ao Rio de janeiro, ambos papeavam pelo calçadão da praia em Ipanema. Grande abraço,Gutemberg

Foto Fernando Lemos



Abro a "Folha da Manhã"

Por entre espécies grãfinas,

emerge de musselinas

Hilda, estrela Aldebarã.


Tanto vestido assinado


cobre e recobre de vez


sua preclara nudez.


Me sinto mui pertubado


Hilda girando em boates


Hilda fazendo chacrinha,

Hilda dos outros, não minha...

(Coração que tanto bates!)


Mas chega o Natal e chama

à ordem Hilda: não vês?

que nesses teus giroflês?

esqueces quem tanto te ama?



Então Hilda, que é sabi(I)da

usa sua arma secreta:

um beijo em Morse ao poeta



Mas não me tapeias, Hilda


Esclareçamos o assunto:

Nada de beijo postal.

No Distrito Federal,

o beijo é na boca - e junto.



Carlos Drummond de Andrade - 1952

Chque & Besta, um ótimo artigo

Da escritora Marcia Denser, no Congresso em Foco Chique & Besta “Vive-se uma vida feita unicamente de ‘efeitos especiais’, uma vida literalmente ‘sem causa’, ‘sem essência’,’“sem sentido’”

sexta-feira, março 25, 2011

Poetas na sauna




Allen Ginsberg, Philip Whalen, novelist William S. Burroughs, swimming pool area, Varsity Apartments, Boulder, Colorado, July l976.
Copyright 2001Gordon Ball

Allen Ginsberg

O poeta beat Allen Ginsberg e Peter Orlovsky,New Year's l977, New York City.
Fpto Gordon Ball

terça-feira, março 22, 2011

sábado, março 19, 2011

Beatniks tupinikins

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1654354-17665,00-BEATNIKS+FAZEM+POESIA+LIRICA+COM+DOSES+DE+SURREALISMO.html

Poesia,Bethânia e superfaturamento

Do blog do Ricardo Soares

Yes, o Brasil precisa de poesia até porque os atos poéticos não se multiplicam e somos um país de rimas pobres. Yes, o Brasil precisa de poesia porque nossos dirigentes são pouco poéticos e até pouco afeitos a leitura transformando lirismo em empreiteiras e empreitadas desenvolvimentistas. Yes, o Brasil precisa de poesia porque poesia é sensibilidade, é doação , é dedo no coração mais que na mente. Yes, o Brasil precisa de poesia seja em blog, em livro, em jornal e muito mais no rádio e na televisão assolados por rios de sangue e tiros. Yes, o Brasil precisa de poesia porque mesmo os cultos desaprenderam de ouvi-la , senti-la , escutá-la. O Brasil precisa de mais discussões poéticas, de menos fascismo e mais coisas fáceis, de mais senso de humor, picardia, ironia, poesia .
Toda grande poesia pode ser muitas vezes desagradável como dizia o grande poeta e cronista Paulo Mendes Campos quando se referia sobretudo ao Fernando Pessoa, um dos poetas preferidos da Maria Bethânia que essa semana ficou no foco das atenções justamente por causa da poesia. Aliás de uma discussão periférica à poesia. Bethânia, artista de talento, ama poesia. E achou legitimo ( também acho) chamar alguns amigos seus igualmente talentosos para fazer um blog que divulga e propaga poesia. Louvável. O que não é louvável é o preço absurdo que ela e seus amigos pleiteiam para a empreita : 1 milhão e 300 mil reais. Nada poético.
Em consequência disso a polêmica explodiu nas redes sociais e na internet. E teve gente talentosa defendendo o indefensável como o cineasta Jorge Furtado, o Hermano Viana, que participaria da boca livre e outros. Um articulista bobalhão da Folha de S.Paulo chegou a comparar hoje que toda essa balbúrdia em torno do assunto tem a ver com "direita cultural" ou macartismo. É impressionante como um fato simples possa provocar tanta estultice. Nada tem a ver com macartismo a condenação de superfaturamento por uma ação cultural. As pessoas confundem alhos com bugalhos. No caso desse articulista e outros "folhetes" até se explica porque o marketing deles é justamente desafinar o coro dos contentes não por convicção mas por ação marqueteira mesmo. Criam personagens para si próprios como faz há anos outro bobalhão inofensivo como Diogo Mainardi que gravita em outra órbita.
Hermano Viana, aqui citado, diz em artigo que toda essa discussão prova que precisamos mais do que nunca de poesia. Isso eu não discuto porque discuti nesse blog várias vezes como as pessoas não gostam, não entendem e nâo lêem poesia. Mas querer aliar discussão sobre superfaturamento cultural a poesia não é de bom tom Hermano. Poeticamente todos vocês envolvidos no processo desse blog superfaturado poderiam ter concebido versos mais doces...

quinta-feira, março 17, 2011

terça-feira, março 15, 2011

Se oriente, rapaz

Shizen

Naturalidade Aprendi muito com os japoneses, desde a infância. Há alguns anos, estudei budismo Shin no Higashi Honganji, templo do budismo japonês na avenida do Cursino, em São Paulo.
Maravilhosa e delicada visão de mundo. Devo muito à terra do sol nascente, a humanidade deve muito, aliás, a essa grande filosofia, arte, estética, ética.

Penso neles, penso no Buda Amida, da Luz Imensurável.