domingo, janeiro 16, 2011

Novidades 2011 na telinha

Mais manipulado. Fui só eu que notei ? Não, amigos também notaram. O "jornalismo" da globo executa novas instruções: agora, nas tragédias ( em algumas? em determinadas? ) o repórter pode se comover, chorar e abraçar a vítima que está sendo "entrevistada".
A reporter sonia bridi abraçou uma senhora antes mesmo de ela cair em prantos. Outra, a que substitui fatima bernardes, e me esqueço o nome, faz o tradicional jogo de tentar levar às lagrimas uma entrevistada. Uma garota de 15 anos, que a mesma globo deu a sorte de encontrar em meio a destroços e levar à maternidade. Lá nasceu o bebê, bem e com saúde, e lá estava atenta a representante global para a indefectivel pergunta: "O que você espera para o futuro dele?" A mãe responde: "Que ele seja feliz, claro". A representante global insiste: " Mas como pensar em futuro?"
Coisas que enjoam o estômago . Como outro repórter, enfiando suas bem fornidas botas no lamaçal, atras da história do pedreiro que perdeu a familia toda e imediatamente tornou-se um voluntário do resgate. Emocionante, sem dúvida, mas não havia clima para choro no que o homem falou na ultima tomada. Mesmo assim, o representante global agarrou o homem e abraçou e nao vi se chorou tambem.

Terão adicionais por choro incluídos nos olerites? Quer dizer, os que têm olerites?

Que passa, minha gente? Exemplos de não objetividade assim são vistos sempre no programa de Caco Barcelos, Profissão Reporter, com os jovens jornalistas se comovendo diante das misérias que retratam. Ali, conduzidos por um cara que sempre me pareceu honesto e competente,achei válido. Afinal, jornalista não é uma coisa amorfa, e jornalista tem lado, é isso o que sempre pensei.

Mas o que estão pretendendo agora no noticiário da tragédia serrana?É permitido solidarizar-se, imaginem! Continuarão se banhando em lágrimas e dando falsos abraços - eu hein, que Medo!-- conforme ordena a pauta, para manipular mais ainda os ingênuos espectadores? Era o que faltava. Novidades na telinha em 2011. Quousque tandem?



sábado, janeiro 15, 2011

Teresópolis, day after, por Ana Lagoa

Foto Ana Lagoa, céu azul querendo aparecer em Terê


Conheci a bela regiao serrana do Rio de Janeiro-quase-Minas Gerais neste fim de ano, lá, na casa da minha amiga Ana Lagoa, jornalista que se retirou do Rio e da profissão para morar em Teresópolis, ou Terê.

Chovia quando estive lá, em meio àquela belissima paisagem da Serra dos Ógãos, do Dedo de Deus. Mas ainda nao tanto. Aqui um relato da Ana sobre a situação em Terê, que tirei do seu Facebook:

Como já disse por telefone, os tais arrastões no centro da cidade não existiram. Uma louca foi comprar um celular, saiu da loja, deixou o celular sobre o balcão,ele sumiu (óbvio!) e depois voltou gritando que tinha sido roubada. Essa atitude gerou uma reação em cadeia, até policia armada correndo rolou na Calçada da Fama. Lojas fecharam, pânico geral, afinal, nós aqui não temos o hábito dos arrastões, certo? E o fato, este, mais aquela indecência que alguns motoqueiros fizeram em Friburgo, nos mostram o quanto os humanos podem ser imbecis e o quanto é delicado o emocional das pessoas em tempos extremos. Teve roubo, sim, mas de casas semi-destruidas. Alguns pontos do lamaçal estão com policiamento, outros ainda não, e em outros há vigilância de grupos de moradores. Bem, assim que os taxistas que conheço (eles formam uma rede de relacionamento da maior importância, mesmo em tempos de alegria) confirmaram que a vida seguia seu rumo na cidade, desci para almoçar no Atma. O Atma é o melhor restaurante natural organico e vegan que já conheci. Mãe, tia, filha, genro, todos dedicados a produzir um almoço lindo, equillibrado, tudo com muito amor. Liguei antes, claro, confirmei que estava aberto, avisei Luiza que não havia arrastões e tomei o ônibus do meio-dia, que em dez minutos me deixou em frente ao ABC (mercadão tipo Sendas, acho que é do mesmo grupo). No Shopping Varzea, pouco movimento, mas a Bel - minha ex-vizinha - estava trabalhando e tinha chegado da tentativa de entrar na Vila Rita, onde uma pessoa da familia estava ilhada. Ela me falou de um homem de lá, que estava há seis horas na mata abrindo a trilha para os bombeiros. Outro aprendizado: só os moradores da região sabem que caminhos seguir nessas matas. Os bombeiros dependem de pessoas assim para chegar a determinados lugares. Bel estava sem água em casa - ela mora no centro. Na mesa ao lado, uma jovem estava flutuando, ligando para pessoas, em busca de uma casa. A dela foi condenada e ela desceu, com marido e o filhinho. Ficou ali, vagando, falando no celular e tinha aquele olhar que se repete a cada pessoa com quem cruzo nessas andanças pelas ruas. Luiza chegou, abalada e cançada, mas almoçamos, choramos pelas nossas montanhas e pelas pessoas, depois fomos ao banco. Na Delfim Moreira, estava fora do ar o bendito sistema. Rotina, né? Mas na Reta, estava aberto, funcionando e com pouca gente. A fila dos menos de 60 andou mais que a outra, dos mais de 60. Tudo rápido. Aí fomos procurar um radinho a pilha pra Luiza. O meu ia na mochila, já que agora não desgrudo dele, esse valente e útil objeto, meio de comunicação invencível. Ela teve que se contentar com um meio helokit, lilás, imitando um microsistema, mas bem pequeno. Coisa de chinês, claro! Na hora sintonizamos a campeã de cidadania e jornalismo - a Rádio Terê. Luiza voltou pra casa, e olha que ela está entre o Caleme e a Posse, e ia ter que contornar o Corte da Barra, que está fechado, porque aquelas lindas pedras podem cair. É um lugar parecido com o corte do Cantagalo, só que pequeno, cheio de plantas, muito diferente, sdempre que passo por ali, acho que é uma colônia de duendes que mora entre as pedras. Eles devem ter ido de férias, para a Finlândia. E depois da ponte do Caleme, ela tem que passar naquele pedaço de estrada que só tem espaço para um veículo, pois a estrada foi comida pelo rio há uns dois anos. A obra começou há um ano e o povo acha que as amarras de ferro é que ainda estão segurando o restando do asfalto. Dizem que a prefeitura não pagou a empreiteira, por isso a obra parou. Dali pra frente, muitos condomínios de moradores já estão vazios, muita gente deixou as casas, com medo do rio. E depois é a Posse, ou ex-Posse.Luiza queria ir ver o que restou da Fazenda da Paz, onde fica (ou ficava) a casa de um grande amigo nosso, mas consegui convencê-la de que seria uma loucura. Bem, enquanto ela ia encarar a aventura para Imbui, fui ao mercadinho, comprei alfaces, ovo caipira e muita fruta. Na porta, um senhor moreno, valise na mão, contava como havia descido do Espanhol. Mas tinha perdido tudo. E novamente aquele olhar... Peguei o taxi e subi. Com o taxista em si, tudo bem. Mas ele também tinha aquele olhar. A lama destruiu completamente a casa da irmã, que há alguns anos vinha pagando a CEF. Jurei pra ele que tinha seguro e que o nome dela e o contrato estavam no sistema da CEF. Havia uma esperança. Será? Nessa saida fiz umas fotos. Da área da cidade que está inteira. Um repórter de O Globo quis me entrevistar, por isso, mas eu sai fora e dei umas dicas de pauta para ele correr atrás. Só pude pensar nesse momento como era bom não ser mais repórter. Em casa, enquanto as nuvens se reagrupavam em formação cerrada para um novo ataque, os helicópteros saiam da Reta e iam para a BR 116, rumo Albuquerque. Muitos, indo e vindo, cortando o vale, sobre a Comary. Fiz meu taichi, olhando para a alta montanha e implorando que ela não nos odeie tanto pelas bobagens que fazemos. Nem todos são maus. Mas ela não sabe disso. Reage como sabe, como pode, como Gaia.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Salvar o Belas Artes

O cine, em 1971



Será que dá? O mínimo seria algum mecenas que não sabe mais onde jogar a grana aparecer e patrocinar, porque o prefeitura , nada, só quer saber de dar porrada em artista de rua na Paulista.
Mundo injusto e doente. Li no fim de semana num jornal impresso que "ricos" turistas das praias de Florianópolis estão incomodados com os "menos ricos", que não frequentam bares privês e não pagam R$ 20 mil por uma consumaçãeo. Os menos ricos levam a Veuve Cliquot de casa, que compraram por R$ 280,00.

Num país de tantos ricos, numa cidade de São Paulo de tantos altos PIBs, deixar-se esvair a memória é coisa mesmo de elite econômica brega e ignorante.

Na internet rola um abaixo-assinado, até o momento com quase 8 mil assinaturas, protestando contra o fechamento:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/7873

E aqui, reproduzo o e-mail do meu amigo Edson Motta:

Não são apenas as pessoas que morrem
os cinemas também nos deixam um dia
esse parece ser o trágico destino de uma das mais
tradicionais salas de SP (uma não, seis salas!):
o Belas Artes
às vésperas de ser transformado numa
horrorosa filial da Igreja Universal
ou qualquer outra merda evangélica
o Belas Artes está agonizando
Nesta segunda-feira (na sessão das 15h)
fui lá levar meu "apoio" e assinei um
belo manifesto pelo não fechamento
e dei até entrevista pra tv sobre o assunto
Curiosamente, o cinema estava lotado
mais curioso ainda: o filme que assisti
fala de uma árvore como metáfora para
uma família que perdeu o pai
e as crianças...
...insistem que o espírito encarnou nos galhos
ou seja, um filme que fala de morte e renascimento
Bem, este e-mail é para convidá-los
a comparecer ao BA antes que acabe, no final do mês.
Acho que seria bem criativo comparecer em
horário alternativo (como, aliás, eu faço sempre),
tipo sessão das 14 ou das 17 no máximo
Por que? Porque nos finais de semana e mesmo à noite
sempre haverá algum público, certo?
E o momento é de levar nosso apoio em horas incertas!
Afinal, ir ao cemitério no Dia de Finados é o óbvio,
homenagem é quando vamos num dia inesperado
Portanto, nesse início de ano, faltem uma tarde no trabalho
e venham prestigiar o nobre cinema
o Belas Artes merece essa homenagem
Além do mais, não adianta trabalhar, trabalhar, trabalhar
um dia todos morreremos (como as árvores ou os cinemas)
e nada levaremos para o lado de lá
lembrem-se sempre das sábias palavras de outro vagabundo
que como eu perambulava pela cidade,
o genial Plínio Marcos, que gostava de avisar:
"Ainda não inventaram caixão de defunto com gavetas!"
bobagem guardar dinheiro
melhor, muito melhor, gastar com filmes!!!!

domingo, janeiro 09, 2011

Carta a um amigo, sobre as mudanças na capital, por Liu Sai Yam



Entonces, às novidades 2011, Luís Liu Hermê nessa prosa de observatório: aqui na terra não tão mais nem jogando futebol, e uma novidade (velhidade, na verdade), caríssimo Hermê-san, que imagino que deverá ter dar a mesma pontada que nos dá e vamos te dizer só de sadismo: o Belas Artes vai fechar. Kaput, babau, adiós pampa mía. Zezé uma vez na vida fez algo que valeu uma prenda e deu orgulho à família (dentre incontáveis decepções); uma medalhinha chinfrim onde vinha escrito “Honra ao Mérito”; no primário(?), de alguma redação boboca sobre assunto “importante” (tudo era importante nos tempos que não voltam mais...) e foi de busão monobloco fretado com monte de cdf pro cine Trianon (avô do Belas Artes) levar um lero com... quem? Guarda Carlos, o Vigilante Rodoviário, quaquá! e seu (dele) Rin-Tin-Tin nacionalizado, o Bala. O importante é que emoções vivemos, non? Aí o vigilante chega pra zezé e “Parabéns, muito prazer, etc.”, e uma fessôra: “Faz uma pergunta pro Sr. Carlos”; e zezé formula a brilhante (metafísica, Nunes...) indagação: “Seu revólver atira de verdade?”. E o cara faz hehehe, passa a mão na cabeleira de zezé e se contém em não dar um tiro na cara de zezé pra provar que a bagaça atirava de verdade. Dúvida renitente, pô, até agora é enigma...

Consolação com Paulista, mano Hermê, em frente ao Riviera e Ponto Quatro, esquina mítica onde ocorreram comícios bebaços, derrubada da ditadura a cada noite, artistas de todas as artes e estilos, estranhamentos entre hippies aliens e maoístas hard core, o primeiro cara a sair andando pelado na Consolação (strike, moda em 1973), rompimentos amorosos em altos barracos e com direito a porrada na cara (mulher emancipada apanhava, sim, e também batia pra caraio), e aqueles (eram dois, a Sala 1 e a Sala 2) cartazões na fachada anunciando “O Ano Passado em Marienbad” e “Z”. Depois (antes) vieram “Morte em Veneza”, “Cria Cuervos”, “Via Láctea”, “Gritos e Sussurros”... em cópias decentes, visíveis e legíveis pros afeitos em cineclubes clandestinos dos finais dos 60’ (zezé até hoje não sabe qual a faccia do Alexander Nevski, simplesmente porque a cara do russo nas cópias 16 mm era sempre um borrão surrealista) se sentarem e se deleitarem (entendendo tuuuuudo e explicando tuuuuudo pra gatinha do lado que tava era entendendo porra nenhuma de porque Liv Ulman falava sem parar, de frente e de perfil).

Depois viraram 5 salas, irmão do Sol Nascente, onde até a última fila era fila do gargarejo e tu xingava o projecionista e ele respondia da cabine te mandando pro lugar de sempre. Depois virou cine HSBC, ainda com direito a alguns Resnais, Viscontis, um “Exército Brancaleone” caido de Marte e depois filmes mais digestivos, menos políticos, de acordo com a lenta e impiedosa transformação por que foi passando a Paulista com a Consolação, que de freak foi ficando chic. Depois, HSBC, o potentado Hong Kong Shangai Banking Co. achou que gastava demais bancando telinhas de sombras chinesas pruns poucos vadios e tirou o time de campo, partindo pra entretenimento profissa via Lei Rouanet e parcerias com blockbusters off ou in-Broadway (não nos peça pra explicar a diferença..., só sabemos que ambas aceitam Visa, Master, Diners, qualquer merda assim).

Aí vem a draga, a necessidade do espaço prum shopping (que tá faltando, viu?) com estacionamento, armários de walkie-talkie (é esse o nome ainda?) na porta, vallet na porta, praça de alimentação, jogos eletrônicos, butiques e franz cafés e livrarias cultas e toda a parafernália reunindo 500 negócios em uníssono pra neguinho não precisar sujar o sapato nas calçadas limpas da kassabilândia assética e segura. Vive la civilization!

Quando voltares, vens preparado, brother, trazei vossos cartões, obedecei à fila e carimbai o ticket de estacionamento. Preparai-vos pros fried potatos e pocket lunchs orgânicos, nenhuma coxinha sebenta à vista, nenhum quebra gelo em copo americano, nenhum balcão de fórmica pra encostar a pança, nenhum umbral pra ficar olhando as saias. Nem esperai topar com Paulo Autran na fila da bilheteria, enquanto o manguaça atrás dele o homenageia na maior familiaridade: “Sou teu fã, Juca de Oliveira!”, quaquá!, brasileiras e brasileiros, zezé viu!

Já não veremos mais; e alguma coisa acontece em nuestro corazón...
Saludos, caríssimo, ainda estaremos aqui, enquanto não nos tocarem pra fora.

sábado, janeiro 08, 2011

domingo, dezembro 26, 2010

Qualquer esforço neste tempo sombrio tem grande mérito espiritual





Sempre vou ler meu amigo Rui Sá, historiador, ex- sindicalista das grandes épocas, astrólogo, espiritualista. Encontro lá Baudelaire, que eu tanto li este ano e conheci mais, grande influência dos surrealistas. E a estes fui estudar por causa de Roberto Piva, poeta que se foi este ano, e que me envolveu de uma forma ineplicável. Ano de acontecimentos incríveis!

Sintonia de poetas e de amigos, existe coisa melhor? Reproduzo aqui o final der um texto recente do Rui e faço minhas as palavras dele:

"Voltar a Baudelaire, abrir as “Flores do Mal” e procurar:

Ô douleur! Ô douleur!

Les Temps mange la vie,

Et l’obscur Ennemi qui nos ronge le coeur,

Du sang qui nous perdons crôit e se fortifie!

Cento e cinquenta anos depois, o livro continua atualíssimo. Uma bela edição bilíngue foi feita pela Nova Fronteira, com tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira. A agitação sem meta, a impiedade da grande massa citadina, o tédio, a difusão dos jogos de azar e a drogadição, tudo isto já está lá, expresso de forma magistral.

(..) Qualquer esforço neste tempo sombrio tem grande mérito espiritual, é o que nos garante a doutrina védica ou a cristã, no livro das Revelações. Não importa se o objeto é uma comédia na TV, Baudelaire ou as diamantinas parábolas de Jesus, o importante é a atividade de Buddhi, a divina Sabedoria."

A todos boas festas e votos de um 2011 em paz interior e com saúde razoável"


Até o começo de janeiro.

sábado, dezembro 25, 2010

Noite estrelada



Música de Don McLean

sexta-feira, dezembro 24, 2010

O que fazer com o que a gente lê

Como ler romances, por Thomas C. Forster . Eu sempre fiz faço isso que ele recomenda, uso para a minha vida


“Uma lei para todos que leem: apropriem-se dos romances que estiverem lendo. (Poemas, também. Também contos, ensaios, peças de teatro – você entendeu.) Não quero dizer compre um exemplar, embora por razões auto evidentes e de interesse próprio, eu não seja contra isso. Quero dizer tomar posse psicológica e intelectual dessas obras. Torná-las suas. Você não é um aluno assustado pedindo mais mingau…. É uma pessoa adulta tendo uma conversa com outra. Que vocês dois nunca tenham se encontrado e que o outro possa estar morto é irrelevante. Ainda assim é uma conversa, um encontro de mentes e imaginações, e a sua importa tanto quanto a do escritor.”
Do blog de Maria Jose Silveira

terça-feira, dezembro 21, 2010