segunda-feira, maio 31, 2010

As revelações da Folha

Governo espionou críticos mesmo após fim da ditadura
Documentos liberados após 25 anos de sigilo revelam alvos na gestão Sarney
Entre os investigados estão o PT, os sem-terra, sindicatos, grupelhos de esquerda e membros de entidades como OAB


Sobre esta matéria publicada hoje na Folha de S. Paulo, recebi comentário de um amigo:

"Embora seja importante fazer circular a notícia (sobretudo entre os mais jovens), nada há de novo ou surpreendente, é assunto requentado e nada acrecenta do que deveria acrescentar.
Qualquer um que haja pedido seu habeas data e outros documentos desse tipo em Brasília, encontra informações como essas".

Também notei a frase "grupelhos de esquerda", no olho do texto do jornal: exatamente igual à redação usada em relatórios policiais desse tipo.

domingo, maio 30, 2010

Sobre Mephistos

Mephisto, do diretor István Szabó, com Klaus Maria Brandauer (1981).
Na Alemanha de 1930, o ator Hendrik Höfgen importa-se mais com sua ascensão do que com política,e então vende sua alma ao diabo. Começa a interpretar peças de propaganda nazista para o Reich, e logo acaba se transformando no mais popular ator da Alemanha.

Sempre que, no cotidiano, sei de casos de gente que tem preço, eu me lembro de Mephisto. Muitos e cada vez mais, têm preço: preço altissimo, médio, mixuruca. Em $$$ e em poder. Mas a verdade é que todos pagamos o preço: por ter e por não ter preço.

Lembrei desse grande filme mais uma vez a propósito de comentários na blogosfera sobre a atriz Fernanda Torres. 1- fazendo propaganda da "nova" Folha de S. Paulo.
2- escrevendo crônica para o mesmo jornal, dizendo que o político tem o dom de iludir.Uma análise rasteira, bem ao nível da despolitização mediana que nos cerca.
Um amigo, de excelente memória, me lembra que a mãe de Torres, Fernanda Montenegro, foi a responsável por um abaixo-assinado, na época da eleição de Collor, de pretenso desagravo a outra atriz, Marilia Pera, que fora vaiada por petistas em uma passeata. Pera declarara seu apoio a Collor.
E que o pretenso desagravo na verdade encobria um velado apoio àquele senhor , depois defenestrado.
Não está em questão o valor artístico dessas senhoras, mas a ética, tão pisoteada e cada vez mais por tantos setores, nowadays.

A mãe pode ser vista em inúmeras propagandas, desde a indústria de remédios até qualquer coisa. A filha, seguindo o exemplo, faz comercial de banco, que me lembre, e agora estréia a publicidade televisiva da "nova" Folha de S. Paulo. Além de inciar sua colaboração com o mesmo órgão.

A industria de remédios é apontada por aquele norte-americano que criou os Doutores da Alegria, como a praga mais devastadora de todas as indústrias (temo que ele tenha se esquecido da indústria de armamentos). Os bancos, todos sabemos, são os campeões de reclamação de qualquer Procon do país.E têm os lucros mais exorbitantes de todo o mundo, os brasileiros. E estão na Justiça há anos com o argumento que não vendem produtos e portanto, não podem ser enquadrados nas leis de defesa do consumidor...

Lembrei-me também de Paulo Autran, que não fazia publicidade alguma, e disse que colocava o preço altíssimo, para desistirem logo.

O que significa um ator conhecido ceder sua imagem para vender produtos do mercado?
Sobrevivência? Não, esse é o problema da maiorias dos atores e artistas em geral deste país, não de quem tem emprego fixo e bem remunerado na TV Globo.

Não me lembro de ter visto Glauber Rocha jamais fazendo anúncios, ou Plínio Marcos, ou Ester Goes, Renato Borghi, Gianfrancesco Guarnieri, Zé Celso Martinez Correia, Chico Buarque, Elis Regina. Alguns que me ocorrem.

Esses dias, li uma carta que Leo Lama, um dos filhos, escreveu na época da morte de Plinio Marcos. Um trecho:
Mas A novela era na Tupi. A Tupi faliu. Meu pai foi fazer novela na Rede Globo: "Bandeira 2". Mas a Globo é no Rio, o Rio tem praia, ele cabulava as gravações e ia pra praia: "Novela é chato pra caralho, porra! O direito da gente coçar o saco é sagrado.", ele dizia. Ele ia pra praia e lá ficava indignado porque naquela época a Globo não punha negros nas novelas e quando punha era nos papéis de escravo ou mordomo. Meu pai escreveu no jornal "A Última Hora" do Samuel Wainer, onde ele trabalhava, que a Globo botou a Sônia Braga dois meses tomando sol pra ficar escura, em vez de chamar uma mulata pra fazer "Gabriela". A Globo não gostou. Os "poderosos" da Rede Globo não gostaram. Fizeram ameaças, juraram de morte. Em fim, a Globo não dava mais. Quando ele tava por lá, ele bem que quis escrever novela. Afinal, eu queria dinheiro pra comprar tênis, disco, guitarra. Mas novela de puta, cafetão e cigano sem dente? Não, novela de puta, cafetão e cigano sem dente não dá. Se fosse cigano com dente, musculoso e mau ator, aí dava. Agora, cigano sem dente, pobre e fudido, não dá. Então não dá. "Na televisão brasileira, artista estrangeiro morto trabalha mais do que artista brasileiro vivo."

Vivemos em um tempo em que só podemos sentir saudades desses grandes e íntegros de se foram. E não só atores, gente de todo canto. Não se faz mais.
Porque hoje, afinal, precisam sobreviver né? Precisam ganhar $$$ para fazer suas peças idiotas, precisam trabalhar na Globo para que o público que pode pagar os altos preços das entradas vá aplaudi-los pessoalmente.

Não sei até quando tentarão enganar a todos o tempo todo. Enganam apenas os que querem ser enganados.
Não montariam Mephisto. Muito menos Pequenos Assassinatos, grande texto do cartunista Jules Feiffer, outro que me ocorre.

Mephisto

sábado, maio 29, 2010

Lá como cá: o desmentido do Chico




"O cantor brasileiro Chico Buarque quis conhecer o primeiro-ministro português José Sócrates, tendo recorrido ao próprio presidente brasileiro, Lula da Silva, para arranjar um encontro entre os dois, segundo fonte do gabinete de Sócrates". Esta foi a notícia publicada em Portugal.

Mas o colega da Outra Margem, que sigo sempre, deu a verdadeira versão


Purquá Mecê



pour quoi monsieur vous mangé les oiseaux?
mangé voulá voler
mangez aussi les petites oiseaux
tu mange tu voler
aujourd'hui j'ai mangé trois tucanos

pour quoi, monsieur, pourquoi?
mangé les tucanos?
le fleur, les animaux
travaux de nos bon dieu!


purquá mecê foi comê o passarinho?
eu quis voá, já voei, agora vô
coma também um pequeno passarinho
come que vai voá
só hoje cedo eu já comi uns três tucano

purquá, mecê, purquá?
comê o tucano?
a flor, o animá
trabalhos do senhor!

sexta-feira, maio 28, 2010

Terça Feira Trio

Cavaquinho, pandeiro e violino?

quinta-feira, maio 27, 2010

Mercearia Paraopeba, Itabirito (MG),Brasil

Que saudade, que saudade, que saudade das Minas Gerais. Ainda existem mercearias lá. E que vendem sementes de jatobá, diz o moço, muita gente não sabe o que é.Eu sei, desde criança, e tenho uma aqui na minha mesa. Semente enormee. Era bom comer o pozinho que tem dentro.

E lá ainda existe gente assim, com esse doce sotaque.

Plínio Marcos

"A poesia, a magia, a arte, as grandes sabedorias não podem habitar corações medrosos."

Galerinha à direita

“Pior que esse programa , só a TV do Lula”...

“ Lula anunciou a TV Brasil internacional, que vai passar em vários países da...África” (cara de nojo)

Estes são alguns dos comentários do Furo MTV, um programa que se diz humorístico, da emissora de mesmo nome, do Grupo Abril. Trata-se de um “jornalístico”, de meia hora, apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro, tipo assim um "humor ácido e nonsense”, seguindo a linha de "fake news shows" como o Saturday Night Live. Claro, porque tem de copiar sempre da matriz.
Dani Calabresa é uma moça de sotaque paulista e Bento Ribeiro, de sotaque carioca, é português, criado na Bahia, na Alemanha e no Rio, e filho do escritor João Ubaldo Ribeiro ( que aliás escreve no Estadão crônicas políticas do mesmo teor do programa do Bento).
Que grande interesse o público da MTV teria por política partidária, e de de tal forma manipulada? As notícias políticas são sempre sobre o presidente, “que tem quatro dedos”, e toda aquela falação preconceituosa que aparece copiada, com linguagem muderninha, da revista do mesmo grupo, a veja.
Falar palavrão, coçar o saco, fazer brincadeiras abobalhadas explícitas não faz um programa “humorístico” muderninho. Quando falta inteligência, e quando se tem uma pauta manipulatória a cumprir diariamente, o resultado só pode ser essa bobagem idiota, esse humor mal intencionado, que contribui para ampliar a vala comum dos programas humorísticos da tevê brasileira.

Esse aqui cobre a filmagem de "Lula, o filho do Brasil". Prestem atenção nas perguntinhas do jovem "repórter".

quarta-feira, maio 26, 2010

segunda-feira, maio 24, 2010

Tinhorão na estante


A biografia do Tinhorão é principalmente sobre o jornalista das décadas de 1950 e 1960 , época áurea e de grandes reformas na imprensa. A coleção chama-se Imprensa em Pauta, e Tinhorão fazia crítica de música popular. Ficou conhecidissimo e criou grandes polêmicas, até hoje no imaginário das pessoas.
Mas desde 1980 é essencialmente um historiador da cultura urbana.
Passei no fim de semana n a livraria Cultura do Shopping Bourbon, com um amigo que procurava o livro. Achamos na estante de Música.

Claro que tem relação, mas trata-se na verdade de um livro sobre jornalismo.
Ainda bem que não puseram na estante de Botânica, na seção Pragas.
O livro pode ser comprado via internet, na Cultura e Saraiva, e está nas livrarias Cultura, da Vila, (SP) da Travessa e Folha Seca, no Rio.