domingo, maio 16, 2010

sábado, maio 15, 2010

sexta-feira, maio 14, 2010

O Joelma, o QG tucano em SP e a demissão na Abril


1- Celso Lungaretti escreveu interessante texto lembrando o edifício Joelma em chamas, em 1974, do qual pessoas se atiravam feito passarinhos. O laudo dos bombeitros constatou que havia somente uma escada comum (não de segurança,), não havia sistema de alarme nem qualquer sinalização para abandono e controle de pânico. Diz Celso:"Sobreviventes revelaram que sequer sabiam como chegar à tal escada comum, era praticamente escondida para que todos fossem obrigados a utilizar o elevador. A obsessão por mantê-los sempre controlados."
179 mortos e 300 feridos.
E continua: " Enfim, saltando para o presente, em tudo e por tudo o Joelma é mesmo o local escrito nas estrelas para abrigar o comitê de campanha 2010 de Geraldo Alckmin e José Serra.De nada adianta terem mudado seu nome para Edifício Praça da Bandeira.Nem a ridícula mobilização de influências políticas para que fosse trocado o número do prédio, de 184 para 182, a fim de evitar que os algarismos somassem 13.O mau agouro é outro: estarem ocupando um espaço amaldiçoado pelas almas penadas de quem foi imolado no altar do L-U-C-R-O ".

2- Esta semana a Editora Abril demitiu o editor-assistente da revista National Geographic Brasil Felipe Milanez, pelas críticas em seu Twitter contra a revista veja, da mesma editora, a respeito da reportagem “A farra da antropologia oportunista", sobre delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. A mesma que reproduz delcarações do antropólogo Viveiros de Castro, que não foi entrevistado, conforme denunciado por ele.
" A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima , disse Felipe". Segundo o Portal Imprensa, Matthew Shirts, disse: "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão".
Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".
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Lembrei imediatamente de Decio de Almeida Prado, que entre 1956 e 1967 exerceu a mesma função no Suplemento Literário do Estadão. Em depoimento para o meu livro "Que falta ele faz!", o professor Antonio Candido contou uma história exemplar.
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" Houve um momento -- (...) que o doutor Julio conversou com o Décio sobre um colaborador comunista que talvez valesse a pena não colaborar. O Décio disse, “não sei se é comunista, mas o fato é que não transparece nos artigos, é um grande crítico. Mas se o senhor achar necessário que ele não colabore mais, eu aceito e nesse caso apresento minha demissão”.
O dr. Julio disse: “Não Décio, está encerrado o assunto”.

Mudou o mundo e mudaram os jornalistas. Não só não se fazem mais liberais como antigamente. Não há a mais remota hipótese de algum redator-chefe se comportar como Décio, frente a uma decisão de quem "paga o salário".

Shirts disse que fez o que devia fazer exercendo a função. Décio de Almeida Prado fez o oposto, coerente com seus princípios.O que pensaria Shirts sobre Décio? Não sei. Sei o que pensa Antonio Candido: "Ele era um ser de exceção".

quinta-feira, maio 13, 2010

Vivendo e aprendendo a não jogar - A Era Dunga e a chacina do sonho

i Yam

Este texto foi publicado no Portal do Nassif por Zezita via de Regra, alter ego de Liu Sai Yam.

Continuo não entendendo de futebol, mas nem precisa, pra entender do que Zezita fala.


A seleção de Dunga é reedição da corrente pra frente, da “coerência” careta e do “comprometimento” fascista. Só se compromete quem não pensa, e Dunga, à semelhança do novo admirável mundo novo, é refratário aos que pensam criativamente.Nem se trata de criticar escalação, inclusão ou exclusão de nomes, mas o discurso nitidamente patriótico nacionalista beirando ao fascismo, descarregando todo o jargão auto-ajuda mesclado à fidelidade pitbull, à obediência cega e ao conformismo tático de linha militarista. Pátria, família e comprometimento. Cegueira bitolada de milícias direitistas e chacinadores de outsiders.
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Será por mera coincidência que no mesmo dia em que Dunga (representando a autoridade constituída de situações constituídas mediante a medíocre qualificação “winner”) proferia o seu discurso de retorno aos anos 1970, seis sem-tetos tenham sido mortos a tiros debaixo de um viaduto em São Paulo? Não estavam comprometidos com uma sociedade ordeiramente desenvolvimentista e vencedora, que aufere láureas de gringos mundo afora, mas não sabe lidar com seu próprio povo.
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E ai das vozes discordantes, imediatamente tachados de voluntaristas, irrealistas, indigestos, individualistas, putanheiros, firulentos desobedientes de táticas do ferrolho, preferindo a derrota debaixo de trágica alegria e dolorido sonho à vitória cinzenta dos conservadores, os eternos winners. Brasil tem condições de montar 10 seleções, todos com chances reais de abocanhar a malfadada copa. Tinha uma chance de selecionar arte/alegria estruturada sobre descompromisso, irresponsabilidade e prazer. A partir da escalação inicial de Dunga, optou pela Solange da lentidão gradual, do reacionarismo fanático e da chapa-branquice.
Si zouzou fuera Maradona, jugaría/viviría como Maradona...

quarta-feira, maio 12, 2010

O goleiro Barbosa: Muito mais de onze fraturas


A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou do Brasil a conquista do título, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto. Não entendo nada de futebol, mas me fascinam alguns personagens. Especialmente os heróis do fracasso, como diz um amigo escritor, que também tem esse fraco.
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Pra ele doía muito mais que fratura. Meu amigão, colega do grupo escolar. Saudade das peladas, eu era lateral direito, ele goleiro.Parecia um gato, o camarada! Mudou pra São Paulo, trabalhava numa firma lavando vidro e lá mesmo, jogando na fábrica, foi contratado pelo Ypiranga, por volta de 1940. Ele era do 1921, o senhor faz as contas, tinha 19 anos.
No 1943, o Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas, daí o Domingos da Guia indicou ele pro Vasco em 44, em 45 já estava no escrete brasileiro. Mas naquele 16 de julho de 50, contra o Uruguai...
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Os olhos do velho amigo, de 84 anos, se apertam.
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“Conta seu Mané”. (Eu tinha viajado a Campinas para entrevistar o amigo do goleiro para um jornal do interior do Rio.)
Tá aqui, vou ler no livro o que ele mesmo contou:“O Ghiggia avançou, eu vislumbrei o centro da área com três carrascos babando, à espera da bola. O Bigode vem atrás do Ghiggia, Juvenal tenta fazer a cobertura, mas na entrada da área só tem eles, ninguém da defesa, se ele centra não tem como pegar, é gol na certa, fico esperando Ghiggia centrar, dou um passo à frente, porque ele com certeza vai fazer a mesma jogada do primeiro gol, ele sente que eu estou fora, embora viesse de cabeça baixa como touro miúra, mete o peito do pé na bola e ainda toco nela, crente e que foi para escanteio, afinal foi um chute mascado, bateu no gramado, subiu e desceu, eu dou um passo lateral e salto para a esquerda com todo o impulso que... quando senti o estádio em silêncio total tomei coragem, olhei para trás e vi a bola de couro marrom lá dentro..."
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Ele me dizia, moço, que o silêncio acompanhava ele a vida inteira. Aqueles 200 mil torcedores calados. Que parecia a eternidade, e quando morresse não ia sentir diferença... Barbosa era um lorde. Parece que chorava pra dentro. Jamais esqueceu de uma senhora que parou ele na rua e disse pra filha:” É esse aí que traiu o Brasil” .
Mas o negrão não podia se emocionar. Dizia que queria ficar vivo, e que o sentimento mal conduzido acaba com uma pessoa. Pois então ele não carregou por 50 anos aquele silêncio? E não foi chamado no Maracanã, quando trocaram as balizas e deram pra ele, pra fazer churrasco daquelas traves onde ele se desgraçou?
Jogou até 62, quando sofreu uma lesão na virilha pelo Bonsucesso, estádio do Campo Grande. Não eram os 200 mil do Maracanã, mas uns 600, em silêncio. Aquele silêncio profundo, mas dessa vez diferente, ele contou.
“Mané, mesmo com aquela baita dor eu fiquei feliz, porque era uma coisa de respeito, de sentimento mesmo, coisa da alma”.
“Não chora, seu Mané, a vida é assim”, digo. ”E depois?”
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Bom, muita falta de dinheiro. Morreu esquecido, na Cidade Ocian, no dia 7 de julho de 2000. Fui me despedir. Sabe moço, naquele tempo ninguém usava luva. E goleiro machuca muito as mãos. Ele já tinha me contado uma vez: onze fraturas. As mãos dele, quebradinhas, cruzadas sobre o peito. Eu chorei muito, não sou como ele que chorava pra dentro, sou um manteiga derretida.

terça-feira, maio 11, 2010

Carl Bernstein fala o que a mídia não queria ouvir

“Devemos encorajar uma nova cultura de responsabilidade, do contrário não seremos levados a sério quando trouxermos questões relativas à liberdade de expressão” (Carl Bernstein)

Do HSLiberal

Desde 1976, quando foi lançado por Hollywood, o bom filme do diretor Alan J. Pakula é recomendado aos estudantes de Jornalismo em todas as universidades do mundo. Dustin Hoffman e Robert Redford nos papéis de Carl Bernstein e Bob Woodward, jovens repórteres do Washington Post que deflagraram a investigação jornalística que culminou com a renúncia do poderoso presidente Richard Nixon. Hoje, o mundo todo conhece os verdadeiros atores, heróis do emblemático caso de corrupção política dos EUA. Eles já percorreram por mais de uma vez milhares de auditórios a falar sobre o famoso “Caso Watergate”.

Na semana passada, fomos encontrar o veterano repórter Carl Bernstein frente a outro veterano jornalista brasileiro, Renato Machado, do “Bom dia, Brasil”, da TV Globo. Uma grande decepção para Renato: ele não ouviu uma só frase daquelas que nossa mídia esperava ouvir de Carl. Renato apostava que a manipulação temática dos organizadores de um seminário realizado no Rio, sobre Liberdade de Expressão, tivesse sensibilizado o repórter estadunidense a falar apenas de conflitos entre mídia e governos autoritários. Carl enfatizava muito mais a questão da responsabilidade profissional com a verdade. Um grande puxão de orelha no nosso jornalismo.

Carl Bernstein entende que a função fundamental do jornalista é dar aos seus leitores, ouvintes e espectadores a versão mais verdadeira possível de se obter. Ele percebe, no entanto, que atualmente estamos perdendo esse ideal de vista, substituído por uma cultura jornalística cada vez mais distante do real, da verdade. “A mídia dilapida seu único patrimônio”, costuma dizer. São preocupações que não as têm os donos da mídia e, por omissão, oportunismo ou submissão, grande parte dos jornalistas brasileiros. Daí a pouca repercussão da presença de Carl Bernstein entre nós. De grande nome de um seminário a ator coadjuvante.

Sobre a liberdade de expressão, tema do seminário para o qual foi convidado especial, o repórter do Washington Post diz temer a banalização do seu conceito. Ele diz que se não soubermos usar essa liberdade, poderemos servir aos interesses da ignorância e da tirania. Como pudemos verificar em matéria do “Bom Dia, Brasil” , o seminário representa mais uma manifestação dos donos de jornais que não querem ver a mínima menção a regulamentação do exercício da atividade jornalística. Quer-se esconder que a regulamentação, em qualquer ramo de serviços, é um processo adotado nos mais importantes países democráticos do mundo, em respeito aos interesses da sociedade.
Os donos da nossa imprensa preferem ouvir lugares comuns repetitivos, de conteúdo vazio, como a fala do ministro Ayres Britto, do STM, para quem “a liberdade de imprensa tem precedência sobre os demais direitos”. Tentam argumentar com virulentas distorções da imprensa golpista venezuelana, convenientemente convidada. Ou seja, preferem surfar nas ondas globais da nova cultura jornalística que, como diz nosso herói do “Caso Watergate”, prioriza o culto à celebridade (do veículo ou do repórter) pela fofoca, pelo sensacionalismo, pela negação da verdade, pela injúria. Em lugar do rigor da apuração, a base fundamental da atividade jornalística.

domingo, maio 09, 2010

Lula, El País e os jovens lobos

Juan Luis Cebrián fundou o El País, em 1976, logo após a morte de Franco. De 1976 a 1988 , o jornal tornou-se o mais vendido da Espanha. Hoje Cebrián é conselheiro delegado do Grupo Prisa, dono da publicação.
O jornal é ligado à social democracia (PSOE- Partido Socialista Obrero Español) e foi a chamada lufada de ar para os espanhóis, desacostumados do jornalismo havia décadas, sob a ditadura franquista. Com as voltas que o mundo deu, El Pais virou um grande negócio, e hoje o Grupo Prisa é poderoso. Portanto, o jornal mudou.
O PSOE, criado no século 19 para representar os interesses das novas classes trabalhadoras, também mudou demais. Abandonou as teses marxistas em 1979, sob direção do então secretário-geral Felipe González, que depois seria presidente do Governo durante 13 anos. O partido então, apesar do nome, tornou-se social-democrata.
Mas socialdemocracia na Europa é como se fosse um certo tipo de esquerda aqui, eu acho. De qualquer forma, eles querem lá também eliminar as conquistas sociais, como de resto acontece em todo o mundo capitalista. Onde ainda há mais resistência é na França.
Mas voltando ao jornal, sempre tive gosto de lê-lo, muitas vezes rondava as bancas de jornais à procura, quando não havia internet.Especialmente por causa do suplemento cultural Babelia, onde ainda hoje, de vez em quando, a gente pode se deparar com um artigo de Gabriel García Marquez, entre outros grandes nomes da literatura mundial.
Hoje ainda continuo gostando do Babelia.
Estou falando do jornal a propósito da entrevista que Cebrián fez com Lula, publicada neste domingo. Não entendi exatamente por que o associa em alguns momentos a Sancho Pança, e apesar de elogiar FHC, claro, é uma entrevista de respeito, e não poderia deixar de ser, em virtude do destaque internacional de Lula.
E me lembrei também de um amigo, grande jornalista e escritor que trabalhava no El País, e se aposentou ano passado, Miguel Bayon.Eu o conheci pelo romance Santa Maria, que escreveu sobre o sequestro do navio de mesmo nome, em 1961, por um grupo de rebeldes galegos e portugueses e espanhóis, contra as ditaduras fraquista e salazarista, e que acabaram se exilando no Brasil. E cujo mentor é o patrono deste blog, Pepe Velo.
Pois eu comentava com ele a péssima situação atual do jornalismo e dos jornalistas por aqui, e segundo Bayon, lá não é diferente. Especialmente com relação à competitividade extrema. Ele me dizia que estava saindo porque agora era a hora dos “jovens lobos”.

Balzac e o jornalismo


De Ilusões Perdidas, século 19, Balzac diagnosticando o presente e antevendo o futuro. Sempre na minha cabeceira.
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Se a imprensa não existisse, seria preciso não a inventar.
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(Os homens de cérebro) são raros e esparsos (...). Raros como os verdadeiros amantes no mundo amoroso, raros como as fortunas honestas no mundo das finanças, raros como um homem puro no jornalismo.
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O jornalismo é um inferno, um abismo de iniquidades , de mentiras, de traições, que não se pode atravessar e de onde não se pode sair puro, senão protegido, como Dante, pelos louros divinos de Virgilio.
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Os proprietários de jornais são empreiteiros, e nós pedreiros. Assim é que, quanto mais medíocre for o homem, mais rapidamente subirá. Pode engolir sapos, resignar-se a tudo, lisonjear as pequenas e baixas paixões dos sultões literários, como um recém-chegado de Limoges, Heitor Merlin que se encarrega já da política num jornal de direita e que trabalha em nosso jornaleco: vi-o apanhar o chapéu que um redator-chefe deixara cair no chão. Sem fazer sombra a ninguém, o tal rapaz passará entre as ambições rivais, enquanto elas estiverem se batendo.
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(Atravessa os séculos a prática. No início deste século 21, um jornalista fazia compras para a namorada do chefe. Há décadas ele permanece na redação, sem ser atingido por qualquer corte.)
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(...) A luta há de ser sem tréguas, se tiver talento, porque sua melhor sorte será a de não o possuir”.

sábado, maio 08, 2010

Misty

Beatles, 40

8 de maio é o dia de Let it Be completar 40 anos.O último.The End

"And in the end/ the love you take/ is equal to the love you make"

Beatles Forever