sábado, agosto 16, 2008

Las Causas



Jorge Luis Borges


Los ponientes y las generaciones.

Los días y ninguno fue el primero.

La frescura del agua en la garganta

De Adán. El ordenado Paraíso.

El ojo descifrando la tiniebla.

El amor de los lobos en el alba.

La palabra. El hexámetro. El espejo.

La Torre de Babel y la soberbia.

La luna que miraban los caldeos.

Las arenas innúmeras del Ganges.

Chuag-Tzu y la mariposa que lo sueña.

Las manzanas de oro de las islas.

Los pasos del errante laberinto.

El infinito lienzo de Penélope.

El tiempo circular de los estoicos.

La moneda en la boca del que ha muerto.

El peso de la espada en la balanza.

Cada gota de agua en la clepsidra.

Las águilas, los fastos, las legiones.

César en la mañana de Farsalia.

La sombra de las cruces en la tierra.

El ajedrez y el álgebra del persa.

Los rostros de las largas migraciones.

La conquista de reinos por la espada.

La brújula incesante. El mar abierto.

El eco del reloj en la memoria.

El rey ajusticiado por el hacha.

El polvo incalculable que fue ejércitos.

La voz del ruiseñor en Dinamarca.

La escrupulosa línea del calígrafo.

El rostro del suicida en el espejo.

El naipe del tahúr. El oro ávido.

Las formas de la nube en el desierto.

Cada arabesco del calidoscopio.

Cada remordimiento y cada lágrima.

Se precisaron todas esas cosas

Para que nuestras manos se encontraran.

quinta-feira, agosto 14, 2008

quarta-feira, agosto 06, 2008

Novo rico transforma Hotel Gloria em "Milionaire"

A indigencia mental e a ganancia campeiam a mais não poder na terrinha.
Pois nao é que o Eike Batista, aquele que quer ser o mais rico do Brasil e recentemente caiu nas malhas da PF( leia posts anteriores, com direito a nome na coleiraq da ex-mulher-- comprou o belo Hotel Gloria do Rio e demitiu todos os velhos funcionários que eram a historia do lugar?

Diz que vai se chamar "Milionaire" agora.

quinta-feira, julho 31, 2008

Vexame no Recôncavo

Candidato (PT-PCdoB-PSB-PV) grita rejeitando foto em terreiro de candomblé

Na Bahia, candidato evangleico (PT-PCdoB-PSB-PV) vai vestido de preto ao terreiro e dá vexame


Vítor Rocha, do A TARDE, 28/07/2008


Evangélico convicto, o candidato petista à Prefeitura de Salvador, Walter Pinheiro, visitou, na noite de sábado, o Terreiro Maroió Lage, mais conhecido como Terreiro do Alaketo, em Luiz Anselmo, e se negou a ser fotografado dentro do templo religioso do Candomblé. Acompanhado da vice na chapa, a deputada Lídice da Mata (PSB), Pinheiro foi ao local a convite da vereadora Olívia Santanta (PCdoB), candidata à reeleição e integrante da coligação. Ele não participou da Festa de Nanã, celebrada na mesma noite, e apenas ouviu demandas da mãe-de-santo Jojó, sucessora de Mãe Olga no terreiro. Mãe Jojó reivindicou obras de retenção de encostas para a redondeza.

Depois do papo com a ialorixá, Pinheiro saiu do templo na mira do repórter fotográfico de A TARDE e, percebendo a situação, deu as costas, bradando que não queria ser fotografado dentro do local. “Não quero, peça ao fotógrafo para parar. Assim ele pode forjar uma situação que não existe”, reivindicou o candidato à reportagem, ressaltando que não se incomodava de ser fotografado fora do templo e que não estava ali participando da manifestação religiosa, mas apenas cumprindo agenda de candidato.

Mãe Jojó havia autorizado fotografias do interior do templo enquanto a festa não começava. Quando chegou ao local, acompanhado de assessores, o candidato também causou frisson. “Vixe! Ele veio de preto”, cochichou Olívia Santana, para si mesma. Ele vestia uma camisa pólo listrada nas cores azul e preta. O espanto se deu porque a cor preta bloqueia energias, na compreensão dos adeptos do candomblé, e normalmente é evitada nos terreiros.

segunda-feira, julho 28, 2008

Só pra mulheres





Lila (Merryl Streep e Ann (Vanessa Redgrave), ao entardecer


l







"Mas que filme enjoadinho", foi o comentário de um senhor à saida de "Ao Entardecer".Aliás, era um jornalista que eu conheci um dia.
As senhoras que estavam com ele riram amarelo.
Não é mesmo filme pra homem. Dos tradicionais, ao menos.
Produção germano-americana ( tem mesmo uma cara de filme europeu), baseado no livro de uma mulher (Susan Minot) com roteiro dela e de Michael Cunningham e dirigido pelo hungaro Lajos Koltai.
Elenco de atrizes soberbas : Vanessa Redgrave, Merryl Streep, Glen Close, Nina Colette, Clare Danes e as filhas : de Vanessa, Nastasha Richardson e de Merryl , Mamie Gummer (dir.).


Ann está morrendo e , entre delirios, lembra -se da coisa mais importante de sua vida, há 50 anos: Harris, que conhece no casamento da amiga Lila.
Casou-se duas vezes, teve duas filhas, foi cantora. Mas, conta para a enfermeira, foi casada mesmo durante 40 anos com Harris, só que nunca estavam juntos. E a enfermeira: "Assim, dá certo"...
É um filme sobre o amor, a amizade e a morte- grandes temas da vida humana.
A amiga Lila vai visitar Ann porque sabe de sua doneça. Ann lembra de Harris, que as duas , e mais o então namorado de Ann e irmão de Lila- amaram.
Se os desastres da vida tivessem sido contornados, Ann teria se casado com ele? E se?
"Fizemoso o que tinhamos de fazer", diz Lila. "Eu tive tres filhas, voce teve duas, e cantou no meu casamento".
Ann parece , então, se confortar.
No fim, diz o filme, só o que é mais importante na nossa vida vem à mente. O amor por Harris era o mais importante para Ann.

O Caso Dantas e o habeas corpus da ONU



Do Terra Magazine

Márcia Novaes Guedes*

O episódio envolvendo o Sr. Daniel Valente Dantas e os demais investigados na operação Satiagraha acendeu o debate sobre o estado policial, as liberdades individuais, a falência do sistema penal/prisional, mas fechou os olhos para a mais recente condenação do país pela ONU em matéria de direitos humanos, expondo nossa fraca constitucionalidade.

Na Revisão Periódica Universal sobre Direitos Humanos, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que é feita com base em dados coletados pelos próprios representantes da instituição e 22 organizações não governamentais (Ongs), o Brasil foi mais uma vez reprovado! O governo não cumpriu o prazo dado, a partir de 2005, de resolver as expulsões dos índios de suas terras; as execuções extrajudiciais de pessoas; a tortura nas prisões; a superlotação dos cárceres e a inumana condição dos presidiários. A perversa concentração de renda, que deixa na miséria 50 milhões de brasileiros e nos torna um dos cinco países mais desiguais do mundo, foi igualmente condenada.

A ONU revelou, ainda, que no Brasil são assassinadas 50 mil pessoas por ano, e dentre as vítimas preferenciais estão os jovens pobres e negros com idade entre 15 e 19 anos. Quanto à tortura, o relatório revela o que todos sabemos: é uma prática generalizada nas delegacias e prisões para obter confissões, com a tolerância de muitos juizes, que a definem como mero "abuso de poder" (Carta Capital, 05/03/08). A Constituição - perfumaria rara nas prateleiras das delegacias - define a tortura como crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia, e assegura aos presos o respeito à integridade física e moral.

Estudos revelam que o racismo é uma variante fundamental na compreensão do sistema penal brasileiro e no projeto genocida do estado. Segundo a professora/pesquisadora da UnB Ana Luiza Pinheiro Flauzina, "o sistema penal se presta mais ao controle dos indivíduos e dos grupos estigmatizados do que propriamente à prevenção/repressão dos atos infracionais. A morte é mesmo o produto por excelência da movimentação dos sistemas penais latino-americanos". Por isso, "o discurso da falência do sistema penal é falso, ele funciona e muito bem"! Mas, revelar essa relação promíscua entre racismo e sistema penal bate na resistência de vários grupos da "intelectualidade branca" - adverte a estudiosa (http://www.irohin.org.br). Como diz um certo João, que este ano faz 100 anos, "quem mói no as'pro não fantasêia".

Relembrando o caso. A apuração dos fatos envolvendo o banco Oportunity e o Sr. Daniel Valente Dantas muito se deve ao jornalismo investigativo de Bob Fernandes. O inquérito policial corre há quatro anos e é acompanhado e fiscalizado por um Procurador da República. A prisão temporária, decretada pelo juiz Fausto de Sanctis, teve suporte na Lei 7.960/89. Respeitáveis juristas afirmam que essa lei criou uma espécie de prisão para averiguações e seu verdadeiro objetivo é obrigar o investigado a confessar ou delatar. Ante a previsão legal da prisão preventiva, temporária seria inconstitucional. Certo, mas cabe ao STF o controle direto de constitucionalidade das leis. E a Lei 7.960/1989 segue incólume.

A segunda ordem de prisão foi dada ante a suposta tentativa de prepostos do investigado de subornar um delegado da Polícia Federal. A prisão preventiva visa garantir a instrução (colheita das provas) e a aplicação da lei penal. Sobre o poder do Sr. Dantas, o jornalista Mino Carta escreveu: ao inquirir uma autoridade da República porque não revelava o disco rígido do computador apreendido em seu escritório, respondeu-lhe: "se revelado, cai a República"! (Carta Capital, 16/07/08). Desse medo não padeceram os Juízes da Instrução Criminal da Itália durante a Operação Mãos Limpas.

O juiz Wálter Fanganiello Maierovitch, afirmou que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) foi ignorada, a instância atropelada e a Corte transformada numa UTI (Carta Capital, 16/07/08). Não é aceitável que a jurisprudência se cristalize e resista à emergência do direito e a expansão do sentimento de justiça. Direito é linguagem, e cabe ao intérprete atribuir sentido à norma. Essa interpretação não é arbitrária, conforme o gosto e conhecimento do aplicador. O processo hermenêutico exige uma pré-compreensão, que passa pelo "constitucionalismo paradigmático", o qual se nutre da paz e dos direitos humanos, colunas da democracia. Em direito, quem pode o mais pode o menos. Direitos fundamentais da pessoa humana gozam da qualidade de infinitude, portanto, quando ameaçadas as garantias das liberdades individuais, o atropelo de instâncias parece irrelevante, afinal, "homo sacer"!

Ocorre que na fila da UTI para ser socorridos se encontram amontoados, como resíduos sólidos, milhares de homens (igualmente "sacri") que se matam e matam uns aos outros numa guerra hobbesiana por falta de espaço físico indispensável para permanecerem presos. Recentemente, um Juiz que decidiu não compactuar com a "conspiração do silêncio" e aplicou o art. 5o, inciso XLIX da Constituição da República, foi duramente criticado pela mídia.

O "habeas corpus" da ONU. O Sr. Dantas não tem apenas um batalhão de mil advogados vigilantes ao mais leve deslize das autoridades quanto a seus sagrados direitos, mas revelou ter mais poder do que a ONU! Sua prisão desencadeou um profundo mal-estar na República, ao qual se seguiu um "concertamento" entre os Poderes, Judiciário e Executivo. Doravante, para a garantia das liberdades individuais dos "investigados criminalmente", a Constituição e o ordenamento jurídico em vigor não serão suficientes. Dentre as providências sugeridas encontra-se a dilatação do conceito de "abuso de poder"; limitação ao poder de investigação dos delegados da PF (Folha de São Paulo, on line, 22/07/07); a desobediência do Juiz de 1º grau, e a introdução no ordenamento do "Crime Contra as Prerrogativas dos Advogados". Mas, quanto à gigantesca "petição de habeas corpus" da ONU nenhuma palavra! A jurisdição é inerte e ao Organismo Internacional, ao qual o país está acreditado, desde 1948, falta legitimidade! A Bastilha que espere!

Não se recusa a reconhecer o inegável: o crescimento do estado policial, que se tornou mais evidente com o neoliberalismo e a ruptura entre poder e política, minando as garantias sociais. No Brasil, a polícia forte para os fracos e fraca para os fortes sempre foi a regra, desde a Abolição! Desse lodo se nutre tanto a crônica policial jornalística quanto a música popular brasileira de Noel Rosa a Chico Buarque de Holanda. Portanto, tentar associar a investigação policial e a firme atuação judicial na apuração e condenação dos crimes do colarinho-branco à violação de direitos humanos, como sinal a pôr em risco as liberdades individuais do brasileiro comum, é mais um enxerto plantado pela razão cínica para ocultar o óbvio.

Seguramente, a abertura do disco rígido do computador do Sr. Dantas poderia fazer cair a República, mas no sentido profetizado por Raymundo Faoro e revelado numa entrevista ao jornalista Mino Carta: "No Brasil, a elite encaminhou as coisas para ser elite, desprezando o povo e assim pensa que se moderniza: desprezando ou não sabendo que a chamada modernização passa pela destruição dela própria. A única maneira de essa elite encontrar uma racionalidade é deixar de ser elite e tornar-se cidadã". (Isto É, Senhor, 22/01/1992).

Essa racionalidade cidadã passa pelo cumprimento dos compromissos ajustados com a ONU, sob a indispensável interveniência do STF, guardião precípuo da Constituição Federal. A lógica genocida vai ceder à media que os cárceres passarem a receber hóspedes ilustres, os graúdos, cujo poder estremece a República. Até lá, a sociedade civil, frustrada, segue rindo-se com o adágio recolhido do dialeto siciliano: Giustizia, stava scritto su un portone e ci credette un minchione!


Márcia Novaes Guedes é juíza do trabalho em Guanambi (BA), doutora pela Universidade de Roma e professora de Direito Constitucional.

sábado, julho 26, 2008

Babaji


Mahavatar Babaji - e porque há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que pode supor nossa vã filosofia- é o grande Cristo Yogi.
No dia 26 de julho de 1920 apareceu para Paramahansa Yogananda em Calcutá.
Yogananda estava se preparando, angustiado, para partir para a América do Norte.
Babaji ( Reverendo pai, paizinho) é uma encarnação da divindade, naquele país de tantas divindades e homens santos.
Dizem que vive nos Himalaias, que sua forma é eternamente jovem.
A quem chamar, Babaji atenderá, diz Yogananda.
Om Babaji.

quarta-feira, julho 16, 2008

O jornalista e a ética do marceneiro

“Minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista - não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão… O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito”.

O jornalista Cláudio Abramo gostava muito de marcenaria. E deixou esta mensagem simples, clara, translúcida, lúcida, que nunca é demais lembrar.
Concordo integralmente.
Por isso, quando entidades ligadas aos jornalistas tentam criar códigos de ética, dou de ombros.
Nos anos 70, quando os sindicatos voltaram para as mãos dos trabalhadores que, então, tinham carteira assinada e trabalho nas redações, um outro grande jornalista, Perseu Abramo, aliás sobrinho de Cláudio, coordenou uma Comissão de Ética no então atuante Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.
Foi um trabalho sério.
Naquela época, entretanto, plena ditadura, sabia-se o que era correto, o que era condenável, onde estávamos e contra o que e quem lutávamos. Por militar em um sindicato que era o centro fervilhante da luta pelas liberdades democráticas, não se recebia flores, ao contrário. Não estávamos lá para nos locupletar, para ganhar benesses, subir na carreira, etc , etc. Ao contrário: corríamos muitos riscos.
No entanto, estávamos lá porque acreditávamos naquilo por que lutávamos.
Vão dizer: que jargões antigos, que coisa mais antiga. É sim, galera, que coisa mais antiga essa.
Mas é História, e é bom aprender um pouco com ela.

Sobre os últimos acontecimentos da chamada Operação Satiagraha, com relatórios da Polícia Federal denunciando o envolvimento de jornalistas com Daniel Dantas e sua caterva, vi alguns comentários na rede de pessoas perguntando se as entidades dos jornalistas tomariam alguma providência.
Bem, pensei, se fosse na época da Comissão de Ética do Perseu, acho que haveria, sim, grandes discussões e tomadas de posição.
Mas hoje, quando os sindicatos e as entidades “representativas” dos jornalistas não diferem nada dos que estavam no poder antes dos anos 70, e que eram chamados de “pelegos” ( aquela peça entre o cavalo e o cavaleiro, que amortece o baque) , nada será feito. Porque os sindicalistas de hoje só viajam em aviões com passagens pagas pelo imposto sindical contra o qual muitos lutavam, e querem se perpetuar no poder, como os pelegos queriam.

Lembrei, então, do caso de uma jornalista, nos anos 90, que seqüestrou um bebê para provar a falta de segurança em uma maternidade de Brasília.
Ora, cometer um crime para fazer uma denúncia me pareceu o começo do fim da minha profissão. Escrevi um artigo: “Devemos temer os jornalistas”,acrescentando um novo personagem à enorme lista de temores que os cidadãos enfrentam.
O então representante de Federação Nacional dos Jornalistas ( Fenaj), do qual não me lembro o nome, me disse que “ela não teve intenção”. Tampouco seus chefes, que permitiram a execução do crime e a publicação de seu relato.
Não sei o que aconteceu com a jornalista, sei que ela foi defendida por sua federação e seu sindicato. Por sua corporação. Quanto aos pais do bebê, também não sei de nada. Tudo ficou por isso mesmo.

Entre as tantas histórias que envolvem jornalistas e falta de ética, esta foi a que me acorreu à memória agora, nesta geléia geral brasileira.

Porque também li na internet um artigo de um jornalista afirmando que, para a globosfera, “jornalista defendendo jornalista só pode ser corporativismo”. (Sim, a blogosfera está revoltada com os jornalistas.)

Ele afirma isso a propósito das gravações de conversa entre uma repórter e um assessor de Dantas, dizendo que tinha escrito uma matéria “de encomenda” para ele. E pedia uma informação.
Diz ele que já viu coisa pior de jornalista para ficar perto da fonte. Que é condenável, mas não criminoso.

Não estou aqui para defender delegados da Polícia Federal. Também não estou aqui para apontar erros de português de delegados da PF. Ao contrário, sempre presto atenção aos erros de ortografia e de informação dos jornalistas.

Estou aqui para refletir sobre ética e jornalismo.

São incontáveis os casos de ligações perigosas entre jornalistas e fontes.

Da década de 1980 para cá- a chamada “década perdida” – houve muitas transformações na profissão. A informatização trouxe a redução de vagas, as mudanças político-econômico-sociais do país e do mundo se abateram sobre este segmento, como sobre todos os outros, e do seu lado mais trevoso surgiu um corolário de conseqüências perigosas.
Entre elas, agravou-se questão da ética.
Como dizia Cláudio Abramo, não existem duas éticas, a pessoal e a profissional.
Neurologistas dizem que a partir dos 15 anos o indivíduo tem maturidade mínima para conviver com a sociedade. Eu, leiga, acho que seja antes.

Mesmo quando a sociedade se esfacela, valores perdidos, paradigmas quebrados, vale-tudo instaurado, continuamos sabendo, dentro do pensamento dualista que nos guia, o que é bom e o que é ruim. Mas, dois pesos e duas medidas, lodaçais, impunidades, salve-se quem puder, lideranças mundiais enlouquecidas, pouquíssimos comportamentos louváveis – então o que fazer?

Entramos na dança também?

(Um programa de televisão faz um apresentador se passar por cego andando nas ruas e perdendo uma nota de R$ 50. Foram em maior número os transeuntes que embolsaram a nota do que os que a devolveram.)

Mas se do noticiário sobre organizações criminosas de colarinhos brancos saltam cifras estonteantes, muitos e muitos zeros, só milhões e bilhões, aplicações em paraísos fiscais, manipulação de corações e mentes, gentilmente cedidas em troca de altíssimos interesses.
Isso sem falar do mar de sangue e da guerra civil diuturna nas periferias.

Por que não entrar na dança também?

E quem dirá que não há ligação entre esse quadro tenebroso ( horrores da guerra jamais pensados por Goya?) e, por exemplo, os 22 bebês mortos na Santa Casa de Belém, ( notícia desta mesma época dos escândalos da organização criminosa de Dantas) uma média mensal considerada normal pela secretária da Saúde?

E no enterro coletivo desses bebês, caixotes lacrados a serem abertos por pais em desespero à procura do seu: “Todo mundo já achou o seu? Então vamos logo, temos de enterrar”, grita um funcionário, no comovente relato da jornalista Paula Sampaio, coração na mão, em belíssimo texto e fotos terríveis do cemitério de Tapanã,

“para onde vai todo mundo que não tem chance de construir sua própria história, o cemitério dos pobres, como dizem. E esta vai continuar sendo a morte nossa de todos os dias. Um jardim de perdas, cultivado em covas rasas. Nada mais."



E quem dirá que não há ligação entre esses crimes do colarinho branco, e por exemplo, a questão do amianto, que tem um lobby de médicos para atestar que trabalhadores expostos à substância, com os pulmões empedrados, estão bem de saúde?

Como, então, pode-se pensar em defender jornalistas citados em relatórios policiais, misturados à promiscuidade de lobistas?

Se no caso em questão, aqueles jornalistas que não fazem parte da organização criminosa ( porque esses são caso de polícia e não de discussão ética) , apenas querem “cultivar suas fontes”, vamos definitivamente parar com essa , como diz um amigo jornalista, “procissão de virgens”.

Que nunca têm intenção, que são profissionais, que estão a serviço da notícia, que jornalista é imparcial, não tem time, nem partido, nem torce por nenhum dos lados.

(Naquela década de 1970 citada acima, havia na maioria dos profissionais, um certo estranhamento com as fontes. Nada melhor, aliás, do que ficar de pé atrás do que cair nos braços do primeiro que acena com uma provável informação de cocheira, não é mesmo?
E acontecia que, com a censura empresarial e política, as notícias não publicadas na grande imprensa iam parar nos jornais alternativos, que não tinham dinheiro para pagar por ela. Mas ninguém estava pensando em dinheiro, apenas na notícia.)

Está mais do que na hora de se criar vergonha nas caras.

Não há entidades representativas dos jornalistas à altura.
Não haverá tão cedo.

Mas a ética existe, e para guiar a vida em sociedade. Não precisa ser codificada.

Ética não tem várias interpretações, como as leis.

Dizia Joseph Campbell que, para saber qual a mitologia do seu tempo, é só ler a primeira página dos jornais.

As primeiras páginas mostram um quadro terrível, mas bem revelador de que estamos em meio a um furacão, e precisamos escapar para o olho.

No centro de um ciclone tropical, chama-se olho a uma área de ventos calmos e tempo bom, onde há pouca ou nenhuma precipitação e pode-se, muitas vezes, ver o céu claro.











Dantas para presidente!

Do excelente site http://www.novae.inf.br/

Manoel Fernandes Neto
Editor


Muito mais que uma sátira, uma proposta real da revista NovaE. A idéia simboliza um Brasil sem máscaras, tão comum para encobrir fatos, intenções, movimentos sinistros e articulações de bastidores surgidos diante da prisão de admirável figura da nossa República.
Mas por que presidente?

- Dantas pode disputar eleição por uma coligação inédita que reúna PT, PSDB, PMDB e DEM, com certeza não faltarão votos na convenção dos partidos.

- Com a coligação aprovada, também não faltarão estratégias de comunicadores, apoios de diversas áreas da sociedade, principalmente aqueles setores que se acostumaram a não ter seus interesses contrariados, muito menos falta de recursos financeiros, todos eles devidamente declarados.

- Dantas eleito, enfim, um Brasil real, sem subterfúgios, diretamente a serviço do interesse de uma minoria, com apoio incontestável do congresso nacional e, principalmente, de ex-presidentes.

- Dantas seria, enfim, um presidente que saberia de todas as coisas com um nível de Inside Information nunca antes visto na história da República. Jamais diria "eu não sabia".

- Na “Era Dantas”, enfim, executivo, legislativo, judiciário viverão em harmonia, como nunca antes no Brasil, pela razão do país ter um presidente sintonizado como as mais profundas necessidades dos poderes.

- Os grandes meios de comunicação, enfim, vão poder aplaudir, uníssono, uma República construída com a “mão invisível” dos mercados.

- Com Dantas presidente, enfim, a Polícia Federal vai voltar a cuidar daqueles que nunca deveria ter deixado de lado: os desprovidos de advogados, de acesso à justiça e a harbeas corpus, além de ações na bolsa.

- Com Dantas presidente, um novo pacto social vai surgir no horizonte da Pátria, com todos os atores sociais encarando de frente um fato inconteste: Daniel Dantas é o que representa melhor o poder no Brasil e para a grande maioria quem de fato manda no Brasil.
E você? Como você visualiza Dantas presidente? Manifeste-se. Participe deste momento único

Suspeito de assaltar Mendes tem habeas negado

Deu no Terra:


Omar Jacob
Direto de Fortaleza

Depois de esperar 16 dias na prisão, o suspeito de assaltar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, teve pedido de liberdade provisória indeferido. O advogado de Jefferson Hermínio Moreira, 18 anos, entrou com pedido de liberdade provisória para libertá-lo. O processo foi indeferido na tarde de ontem na 11ª Vara Criminal do Ceará.

"Não concedi a liberdade provisória ao rapaz porque os fatos merecem uma apuração melhor", argumentou o juiz de primeira instância Eduardo Castro Neto, que responde interinamente pela 11ª Vara. "Mantê-lo livre seria um risco para sociedade", concluiu o juiz, que marcou um interrogatório para o próximo dia 24.

Moreira foi preso por roubar um cordão de ouro do pescoço do ministro Gilmar Mendes no calçadão da avenida Beira Mar, em Fortaleza, no último dia 29. Ele está detido da Casa de Custódia de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. O inquérito, elaborado pela Delegacia de Apoio ao Turista, aponta o rapaz como autor de roubo qualificado, porque teria praticado o delito com ajuda de um comparsa, ainda não identificado.
Mendes foi criticado após determinar a liberdade do banqueiro Daniel Dantas duas vezes. Dantas foi preso pela Polícia Federal na Operação Satiagraha.
Redação Terra