sexta-feira, fevereiro 26, 2010

André Breton



Do Manifesto Surrealista- 1924


"Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação."
---------

"Só o que me exalta ainda é a única palavra, liberdade. Eu a considero apropriada para manter, indefinidamente, o velho fanatismo humano. Atende, sem dúvida, à minha única aspiração legítima. Entre tantos infortúnios por nós herdados, deve-se admitir que a maior liberdade de espírito nos foi concedida. Devemos cuidar de não fazer mau uso dela.
Reduzir a imaginação à servidão, fosse mesmo o caso de ganhar o que vulgarmente se chama a felicidade, é rejeitar o que haja, no fundo de si, de suprema justiça.
Só a imaginação me dá contas do que pode ser, e é bastante para suspender por um instante a interdição terrível; é bastante também para que eu me entregue a ela, sem receio de me enganar ( como se fosse possível enganar-se mais ainda ).
Onde começa ela a ficar nociva, e onde se detém a confiança do espírito? Para o espírito, a possibilidade de errar não é, antes, a contingência do bem?

7 comentários:

Fernando J. Pimenta disse...

Hmmm... agora fiquei curioso para ler André Breton.

jo fevereiro disse...

Gênios! Breton e sua turma acabaram de vez com os limites da arte. Belíssima postagem, Beth.

: disse...

Gregório Macedo disse:

Com que, então, viver é saber correr o risco...

Elizabeth disse...

Fernando, não perca. Estou lendo um pequeno livro dele Arcano 17, belissimo.
Jô e Gregório, é isso aí. Sempre amei os surrealistas, eles não faziam distinção entre Vida e Arte.
Bjs

Tania Mendes disse...

Amiga, li Max Jacob e Breton ( manifesto do Surrealismo)aos 18 anos! não acho que tenha entendido tudo naquela época, e nem que isso tenha sido um grande feito, mas ele me abalou e é a ele a quem devo correr feito louca à procura do l´amour fou. Li depois Rimbaud e Beaudelaire. Hoje, relendo me dou conta de que valeu ah, sim: encontrei o amor louco, le plus pur, le plus rare. durou pouco, como era de se esperar, mas valeu.encontrei o gosto da ventura e da aventura. Por isso até hoje acho que nem sou tão '' normal''....

Tereza disse...

"Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação."


Por mim Alteza, podemos hastear loucura e imaginação a mastro inteiro.
O medo que podemos ter é de outras coisas, não da loucura...
Ou nem esse : não passarão..

Elizabeth disse...

Sim, Tereza, não passarão.

E Tania, que belo caminho literário o seu hein, só podia dar nessa amiga querida, e que bom, nada normal.

kkk
beijos às duas