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terça-feira, fevereiro 02, 2010
Dois de fevereiro, dia de Iemanjá, Odó Iyá !
Do meu amigo Jorge, jornalista e editor que viveu em Portugal:
Beth,
É de um poeta português muito conhecido, que escreveu o poema depois de ter tido uns problemas cardíacos. Ele não conhecia nada do sincretismo brasileiro, e ficou espantado depois que a Maria Bethânia gravou o poema.
Se não estou errado, é de 1998.
Mas lê só para veres como é belíssimo, não foi no dia 2 de fevereiro, mas todo dia é dia de poesia.
*Senhora das Tempestades* _de Manuel Alegre
Senhora das tempestades e dos mistérios originais
quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo
trazes o terramoto a assombração as conjunções fatais
e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo.
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
há uma lua do avesso quando chegas
crepúsculos carregados de presságios e o lamento
dos que morrem nos naufrágios Senhora das vozes negras.
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
nasce uma estrela cadente de chegares
e há um poema escrito em página nenhuma
quando caminhas sobre as águas Senhora dos sete mares.
Conjugação de fogo e luz e no entanto eclipse
trazes a linha magnética da minha vida Senhora da minha morte
teu nome escreve-se na areia e é uma palavra que só Deus disse
quando tu chegas começa a música Senhora do vento norte.
Escreverei para ti o poema mais triste
Senhora dos cabelos de alga onde se escondem as divindades
quando me tocas há um país que não existe
e um anjo poisa-me nos ombros Senhora das Tempestades.
Senhora do sol do sul com que me cegas
a terra toda treme nos meus músculos
consonância dissonância Senhoras das vozes negras
coroada de todos os crepúsculos.
Senhora da vida que passa e do sentido trágico
do rio das vogais Senhora da litúrgia
sibilação das consoantes com seu absurdo mágico
de que não fica senão a breve música.
Senhora do poema e da oculta fórmula da escrita
alquimia de sons Senhora do vento norte
que trazes a palavra nunca dita
Senhora da minha vida Senhora da minha morte.
Senhora dos pés de cabra e dos parágrafos proibidos
que te disfarças de metáfora e de soprar marítimo
Senhora que me dóis em todos os sentidos
como um ritmo só ritmo como um ritmo.
Batem as sílabas da noite na oclusão das coronárias
Senhora da circulação que mata e ressuscita
trazes o mar a chuva as procelárias
batem as sílabas da noite e és tu a voz que dita.
Batem os sons os signos os sinais
trazes a festa e a despedida Senhora dos instantes
fica o sentido trágico do rio das vogais
o mágico passar das consoantes.
Senhora nua deitada sobre o branco
com tua rosa-dos-ventos e teu cruzeiro do sul
nascem faunos com tridentes no teu flanco
Senhora de branco deitada no azul.
Senhora das águas transbordantes no cais de súbito vazio
Senhora dos navegantes com teu astrolábio e tua errância
teu rosto de sereia à proa de um navio
tudo em ti é partida tudo em ti é distância.
Senhora da hora solitária do entardecer
ninguém sabe se chegas como graça ou como estigma
onde tu moras começa o acontecer
tudo em ti é surpresa Senhora do grande enigma.
Tudo em ti é perder Senhora quantas vezes
Setembro te levou para as metrópoles excessivas
batem as sílabas do tempo no rolar dos meses
tudo em ti é retorno Senhora das marés vivas.
Senhora do vento com teu cavalo cor de acaso
tua ternura e teu chicote sobre a tristeza e a agonia
galopas no meu sangue com teu cateter chamado Pégaso
e vais de vaso em vaso Senhora da arritmia.
Tudo em ti é magia e tensão extrema
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
batem as sílabas da noite no coração do poema
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.
Tudo em ti é milagre Senhora da energia
quando tu chegas a terra treme e dançam as divindades
batem as sílabas da noite e tudo é uma alquimia
ao som do nome que só Deus sabe Senhoras das tempestades.
(Senhora das tempestades, Publicações Dom Quixote,Lisboa, 1998 P. 25.
Manuel Alegre,1936. Manuel de Melo Duarte Alegre nasceu em 1936 em Águeda. Estudou na Faculdade de Direito de Coimbra onde fundou o CITAC (Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra) e participou no TEUC (Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra). Voz inconformada e inconformista destacou-se em vários géneros literários mas é na poesia que o seu nome é bem conhecido.
Bengaladas bem dadas
Mas não é mesmo inqualificável essa gente que rouba vagas de idosos e deficientes? Muito bem fez a Regina Helena de Paiva Ramos , deu nas cartas do jornal.
No filme Tomates verdes fritos, a maravilhosa atriz passa pelo mesmo problema. Duas garotas dizem que ela é velha e entram no supermercado. Ela diz: "mas o meu seguro é maior do que o de vocês.Towandaaaaa"!
E bate várias vezes no carro das peruas.
"Aconteceu há alguns dias: estava saindo da vaga de idosos de um shopping de São Paulo quando um carro estacionou numa vaga de deficientes e dele sairam dois alegres jovens de cerca de 17 ou 18 anos. Parei perto e perguntei se não tinham vergonha de ocupar vagas de deficientes. Um deles riu na minha cara depois de me chamar de velha, acrescentando adjetivos impróprios para publicação. Não esperei para reagir. Saí do meu carro com a minha bengala - estou usando bengala provisoriamente, enquanto me refaço de uma cirurgia para colocação de prótese no joelho - e dei uma bengalada no que estava mais próximo de mim, enquanto o outro fugia. Refeita do aborrecimento, com o coração saindo pela boca de tanta raiva - o que certamente faz mal aos meus 78 anos! -, comecei a pensar e desejaria repartir minhas reflexões com os leitores do Estadão. Rapazes como esses - que ocupam vagas de deficientes físicos e xingam uma velhinha indefesa (reconheço que nem tanto, afinal, eu tinha a minha bengala...), certamente, se eleitos para qualquer cargo - vereador, deputado, senador ou presidente -, farão exatamente aquilo que temos visto: receberão gordos pacotes de dinheiro sem sequer se levantarem do sofá, enfiarão dinheiro na cueca, no bolso, na bolsa, nas meias, e tudo com a maior naturalidade do mundo! É de pequeno que se torce o pepino. Se a educação não começa em casa, dentro da família, não é mais tarde - lá na Assembleia ou no Congresso - que irão se corrigir. Farão o que aprenderam - ou o que não aprenderam - em casa. Só há um caminho certo para o combate à corrupção e à safadeza e esse começa numa educaçãozinha básica em casa, com introdução de valores éticos e cívicos. Como não é isso que tem acontecido neste país, preparemo-nos para uma desgraça total. Quase ninguém educa os filhos como deveria. São preparados para vencer a todo custo, doa a quem doer. O negócio é tentar enricar. Há casos até em que os filhos são elogiados pelos pais como verdadeiros "Ronaldinhos". Dá no que dá. Finalmente, acho que não vou mais abandonar minha bengala, mesmo quando a prótese não me exigir isso. Se essa gentinha não recebe educação em casa, certamente receberá minhas bengaladas. Neste caso acertei no ombro, da próxima vez prometo acertar na cabeça."
Regina Helena de Paiva Ramos
No filme Tomates verdes fritos, a maravilhosa atriz passa pelo mesmo problema. Duas garotas dizem que ela é velha e entram no supermercado. Ela diz: "mas o meu seguro é maior do que o de vocês.Towandaaaaa"!
E bate várias vezes no carro das peruas.
"Aconteceu há alguns dias: estava saindo da vaga de idosos de um shopping de São Paulo quando um carro estacionou numa vaga de deficientes e dele sairam dois alegres jovens de cerca de 17 ou 18 anos. Parei perto e perguntei se não tinham vergonha de ocupar vagas de deficientes. Um deles riu na minha cara depois de me chamar de velha, acrescentando adjetivos impróprios para publicação. Não esperei para reagir. Saí do meu carro com a minha bengala - estou usando bengala provisoriamente, enquanto me refaço de uma cirurgia para colocação de prótese no joelho - e dei uma bengalada no que estava mais próximo de mim, enquanto o outro fugia. Refeita do aborrecimento, com o coração saindo pela boca de tanta raiva - o que certamente faz mal aos meus 78 anos! -, comecei a pensar e desejaria repartir minhas reflexões com os leitores do Estadão. Rapazes como esses - que ocupam vagas de deficientes físicos e xingam uma velhinha indefesa (reconheço que nem tanto, afinal, eu tinha a minha bengala...), certamente, se eleitos para qualquer cargo - vereador, deputado, senador ou presidente -, farão exatamente aquilo que temos visto: receberão gordos pacotes de dinheiro sem sequer se levantarem do sofá, enfiarão dinheiro na cueca, no bolso, na bolsa, nas meias, e tudo com a maior naturalidade do mundo! É de pequeno que se torce o pepino. Se a educação não começa em casa, dentro da família, não é mais tarde - lá na Assembleia ou no Congresso - que irão se corrigir. Farão o que aprenderam - ou o que não aprenderam - em casa. Só há um caminho certo para o combate à corrupção e à safadeza e esse começa numa educaçãozinha básica em casa, com introdução de valores éticos e cívicos. Como não é isso que tem acontecido neste país, preparemo-nos para uma desgraça total. Quase ninguém educa os filhos como deveria. São preparados para vencer a todo custo, doa a quem doer. O negócio é tentar enricar. Há casos até em que os filhos são elogiados pelos pais como verdadeiros "Ronaldinhos". Dá no que dá. Finalmente, acho que não vou mais abandonar minha bengala, mesmo quando a prótese não me exigir isso. Se essa gentinha não recebe educação em casa, certamente receberá minhas bengaladas. Neste caso acertei no ombro, da próxima vez prometo acertar na cabeça."
Regina Helena de Paiva Ramos
domingo, janeiro 31, 2010
Em queda livre
Após telefonema de uma amiga, que assistia pela TV Brasil uma entrevista com Octavio Frias Filho sobre um livro que, acho, ele publicou tempinho atrás, "Queda Livre", resolvi pesquisar do que se tratava. Ela também não tinha entendido. Fiquei mais em dúvida ainda.
E principalmente não entendemos porque a TV Brasil, que é do governo federal- infelizmente não pega aqui em casa-, faria tal entrevista. Alguém tem ideia? Cartas para a redação, que aqui a gente publica...
Do site da livraria Cultura:
Companhia das Letras
R$ 49,50
'Queda livre' compõe-se de sete textos que narram o que Otavio Frias Filho chama de 'investigações participativas' - mergulhos em experiências radicais ou, nas palavras do próprio autor, 'descidas até os círculos do inferno pessoal'. Nesses ensaios de risco, Frias conjuga a objetividade jornalística de cada investigação com uma voz narrativa extremamente pessoal, de distanciamento e humor cáustico. Entre suas experiências estão saltar de pára-quedas, tomar o chá alucinógeno da seita Santo Daime na Amazônia, viajar num submarino, participar como ator do teatro de José Celso Martinez Corrêa, peregrinar pelo caminho de Santiago, explorar o mundo do sexo transgressivo e aproximar-se do suicídio.
E principalmente não entendemos porque a TV Brasil, que é do governo federal- infelizmente não pega aqui em casa-, faria tal entrevista. Alguém tem ideia? Cartas para a redação, que aqui a gente publica...
Do site da livraria Cultura:
Companhia das Letras
R$ 49,50
'Queda livre' compõe-se de sete textos que narram o que Otavio Frias Filho chama de 'investigações participativas' - mergulhos em experiências radicais ou, nas palavras do próprio autor, 'descidas até os círculos do inferno pessoal'. Nesses ensaios de risco, Frias conjuga a objetividade jornalística de cada investigação com uma voz narrativa extremamente pessoal, de distanciamento e humor cáustico. Entre suas experiências estão saltar de pára-quedas, tomar o chá alucinógeno da seita Santo Daime na Amazônia, viajar num submarino, participar como ator do teatro de José Celso Martinez Corrêa, peregrinar pelo caminho de Santiago, explorar o mundo do sexo transgressivo e aproximar-se do suicídio.
sábado, janeiro 30, 2010
Futuros colegas e mais
Deu na coluna social
1-O presidente da RedeTV!, Amílcare Dalevo Jr., e sua mulher, Daniela Albuquerque, colam grau em jornalismo, na noite de hoje, na Universidade Anhembi Morumbi
(Monica Bergamo, Ilustrada, Curto Circuito/Folha de SP, 28/01/2010).
2-Deu na internet
Curso de jornalismo online
Curso Jornalismo 24 Horas
Curso 100% Online por Apenas R$40. Receba o seu Certificado em Casa!
Velocidade, tempo-real, hipertexto, interatividade, convergência de mídias...
Essas são as principais características e tendências do jornalismo na internet que você vai conhecer e dominar no Curso de Jornalismo On-line.
Vai também saber que é possível compatibilizá-las com a redação de um bom texto, correto, atraente, para conquistar a atenção do leitor e tornar-se um Cyber Repórter de sucesso.
* Também vai aprender a produzir uma publicação digital e a ganhar dinheiro no ramo de Jornalismo On-line;
Com o apoio de professores, com exemplos práticos e exercícios, este é um curso ideal tanto para quem quer completar sua formação de Jornalismo, como para quem ainda não se decidiu pela carreira e quer conhecer melhor esta profissão tão promissora.
Valor do curso completo:
R$ 40,00
SEM MENSALIDADES
Pré-Requisitos: Nenhum
Carga Horária: 45 horas
1-O presidente da RedeTV!, Amílcare Dalevo Jr., e sua mulher, Daniela Albuquerque, colam grau em jornalismo, na noite de hoje, na Universidade Anhembi Morumbi
(Monica Bergamo, Ilustrada, Curto Circuito/Folha de SP, 28/01/2010).
2-Deu na internet
Curso de jornalismo online
Curso Jornalismo 24 Horas
Curso 100% Online por Apenas R$40. Receba o seu Certificado em Casa!
Velocidade, tempo-real, hipertexto, interatividade, convergência de mídias...
Essas são as principais características e tendências do jornalismo na internet que você vai conhecer e dominar no Curso de Jornalismo On-line.
Vai também saber que é possível compatibilizá-las com a redação de um bom texto, correto, atraente, para conquistar a atenção do leitor e tornar-se um Cyber Repórter de sucesso.
* Também vai aprender a produzir uma publicação digital e a ganhar dinheiro no ramo de Jornalismo On-line;
Com o apoio de professores, com exemplos práticos e exercícios, este é um curso ideal tanto para quem quer completar sua formação de Jornalismo, como para quem ainda não se decidiu pela carreira e quer conhecer melhor esta profissão tão promissora.
Valor do curso completo:
R$ 40,00
SEM MENSALIDADES
Pré-Requisitos: Nenhum
Carga Horária: 45 horas
sexta-feira, janeiro 29, 2010
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Maiakóvski e os tempos difíceis
Os tempos estão duros
para o artista.
Mas, dizei-me,
anêmicos e anões, os grandes,
onde,
em que ocasião, escolheram
uma estrada batida?
General
da força humana
- Verbo -marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás, e o vento
no passado
só desfaça um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.
(Trecho de A Serguei Iessiênin, poema de 1926
Tradução Haroldo de Campos)
para o artista.
Mas, dizei-me,
anêmicos e anões, os grandes,
onde,
em que ocasião, escolheram
uma estrada batida?
General
da força humana
- Verbo -marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás, e o vento
no passado
só desfaça um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.
(Trecho de A Serguei Iessiênin, poema de 1926
Tradução Haroldo de Campos)
quarta-feira, janeiro 27, 2010
O poeta Roberto Piva está internado e precisa de ajuda
Acabo de ir ao blog do Bortolotto e leio isto aí embaixo.
Mas o que está acontecendo contra dramaturgos - Bortolotto, lembram, levou três tiros de assaltantes, ficou entre a vida e a morte e está se recuperando- poetas, jornalistas decentes?
Piva na enfermaria, meu amigo em Brasilia em outra, esperando até domigo por uma cirurgia de emergência no fêmur.
O mundo não trata bem os do Bem, especialmente o Brasil. Os artistas, sempre desamparados, meu amigo jornalista, que foi preso politico nos anos de chumbo, traz sequelas nas pernas da tortura na Cadeira do Dragão. Como Piva, ele não tem grana e nem plano de saúde.
Roberto Piva foi professor da escola pública. Suas obras completas estão reunidas em três volumes pela editora Globo: "Um Estrangeiro na Legião", "Mala na Mão & e Asas Pretas" e "Estranhos Sinais de Saturno". Recentemente, o livro "Paranoia" (1963) foi reeditado pelo Instituto Moreira Salles.
Quem puder ajudar o Piva, assino embaixo do que diz o Bortolotto.
"O grande poeta Roberto Piva está internado. Ele tá no HC. Piva não tem plano de saúde. Tá na enfermaria na companhia de outros pacientes. Alguns são evangélicos e rezam a noite inteira, ali onde tem também uma tv ligada (e com certeza não é na Tv Cultura e nem no People and Arts). Piva ainda deve permanecer no hospital por algumas semanas. E se tem uma coisa que eu aprendi com o meu acidente e minha convalescença é que vida no hospital é estação no inferno. Piva ainda deve passar por uma cirurgia da próstata e um cateterismo, segundo informa meu amigo Pinduca (o poeta Ademir Assunção) no blog dele. Piva tem 73 anos de poesia e vida experimental e sofre de Mal de Parkinson. Se me permitem, vou quase que parafrasear o poeta Allen Ginsberg em seu brilhante prefácio para a obra de Gregory Corso e dizer que Roberto Piva é talvez (na minha opinião ele é) o maior poeta brasileiro vivo e nesse momento está internado num hospital público em São Paulo precisando de auxílio. Todo tipo de auxílio é bem vindo. Quem puder ajudar com grana que ele vai precisar e não é pouco, depositem na conta que eu tô transcrevendo aí embaixo. Também peguei o número no blog do Pinduca que é altamente confíavel.
http://zonabranca.blog.uol.com.br/
Roberto Lopes Piva
Banco: Itau
Agência: 0036
Conta: 20592-0
CPF: 565.802.828/00 "
------------------------------
Postei aqui em março de 2009 esta poesia para Piva e Wesley Duke Lee, um poeta e um artista plástico maior deste país. Sempre foram amigos, e Wesley ilustrou com fotos o clássico "Paranóia", de Piva.
Por quem os sinos dobram?
Para Roberto Piva
e
Wesley Duke Lee
O poeta rebelde hoje esquenta ao sol das 11 horas
No Parque da Água Branca
Livro numa mão, firme
A outra, trêmula
O poeta da cidade - ácido, lírico, transverso
Mas ainda aprecia os rapazes
E acha que as moças, cada vez mais, estão parecidas com eles
Por isso, até começa a gostar delas
("Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes a tarde de São Paulo como um desejo espetacular tão dopado de coragem marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem")
Seu amigo, o artista plástico do primeiro hapenning desta cidade
Não reconhece mais o mundo
Quando o visitei, anos atrás
Figura de brilhos e fulgores -
Mostrou-me uma mesa cheia de coisas empoeiradas:
Não permitia que a limpassem
“Para marcar a passagem do tempo”
Mostrou-me também um mural repleto de fotos da sua vida: “Para não me esquecer”
“Ele dói e brilha”, escrevi na matéria, emprestado verso de Veloso sobre o homem velho
Na parede a frase, quase no teto:
“Entusiasmo-Pleno de Deus”
Só hoje fui atrás da etmologia
Do Grego:entu: DEUS,
iasmo: Cheio
Pleno de entusiasmo o velho homem belo
Uma enfermeira o acompanha, ele sorri
São Paulo, 28 de fevereiro, noite alta
Mas o que está acontecendo contra dramaturgos - Bortolotto, lembram, levou três tiros de assaltantes, ficou entre a vida e a morte e está se recuperando- poetas, jornalistas decentes?
Piva na enfermaria, meu amigo em Brasilia em outra, esperando até domigo por uma cirurgia de emergência no fêmur.
O mundo não trata bem os do Bem, especialmente o Brasil. Os artistas, sempre desamparados, meu amigo jornalista, que foi preso politico nos anos de chumbo, traz sequelas nas pernas da tortura na Cadeira do Dragão. Como Piva, ele não tem grana e nem plano de saúde.
Roberto Piva foi professor da escola pública. Suas obras completas estão reunidas em três volumes pela editora Globo: "Um Estrangeiro na Legião", "Mala na Mão & e Asas Pretas" e "Estranhos Sinais de Saturno". Recentemente, o livro "Paranoia" (1963) foi reeditado pelo Instituto Moreira Salles.
Quem puder ajudar o Piva, assino embaixo do que diz o Bortolotto.
"O grande poeta Roberto Piva está internado. Ele tá no HC. Piva não tem plano de saúde. Tá na enfermaria na companhia de outros pacientes. Alguns são evangélicos e rezam a noite inteira, ali onde tem também uma tv ligada (e com certeza não é na Tv Cultura e nem no People and Arts). Piva ainda deve permanecer no hospital por algumas semanas. E se tem uma coisa que eu aprendi com o meu acidente e minha convalescença é que vida no hospital é estação no inferno. Piva ainda deve passar por uma cirurgia da próstata e um cateterismo, segundo informa meu amigo Pinduca (o poeta Ademir Assunção) no blog dele. Piva tem 73 anos de poesia e vida experimental e sofre de Mal de Parkinson. Se me permitem, vou quase que parafrasear o poeta Allen Ginsberg em seu brilhante prefácio para a obra de Gregory Corso e dizer que Roberto Piva é talvez (na minha opinião ele é) o maior poeta brasileiro vivo e nesse momento está internado num hospital público em São Paulo precisando de auxílio. Todo tipo de auxílio é bem vindo. Quem puder ajudar com grana que ele vai precisar e não é pouco, depositem na conta que eu tô transcrevendo aí embaixo. Também peguei o número no blog do Pinduca que é altamente confíavel.
http://zonabranca.blog.uol.com.br/
Roberto Lopes Piva
Banco: Itau
Agência: 0036
Conta: 20592-0
CPF: 565.802.828/00 "
------------------------------
Postei aqui em março de 2009 esta poesia para Piva e Wesley Duke Lee, um poeta e um artista plástico maior deste país. Sempre foram amigos, e Wesley ilustrou com fotos o clássico "Paranóia", de Piva.
Por quem os sinos dobram?
Para Roberto Piva
e
Wesley Duke Lee
O poeta rebelde hoje esquenta ao sol das 11 horas
No Parque da Água Branca
Livro numa mão, firme
A outra, trêmula
O poeta da cidade - ácido, lírico, transverso
Mas ainda aprecia os rapazes
E acha que as moças, cada vez mais, estão parecidas com eles
Por isso, até começa a gostar delas
("Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes a tarde de São Paulo como um desejo espetacular tão dopado de coragem marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem")
Seu amigo, o artista plástico do primeiro hapenning desta cidade
Não reconhece mais o mundo
Quando o visitei, anos atrás
Figura de brilhos e fulgores -
Mostrou-me uma mesa cheia de coisas empoeiradas:
Não permitia que a limpassem
“Para marcar a passagem do tempo”
Mostrou-me também um mural repleto de fotos da sua vida: “Para não me esquecer”
“Ele dói e brilha”, escrevi na matéria, emprestado verso de Veloso sobre o homem velho
Na parede a frase, quase no teto:
“Entusiasmo-Pleno de Deus”
Só hoje fui atrás da etmologia
Do Grego:entu: DEUS,
iasmo: Cheio
Pleno de entusiasmo o velho homem belo
Uma enfermeira o acompanha, ele sorri
São Paulo, 28 de fevereiro, noite alta
terça-feira, janeiro 26, 2010
Brava gente
Brava Gente, um tributo de Tide Hellmeister
Certa vez perguntaram a Federico Fellini por que ele escolhia personagens e figurantes tão esdrúxulos para os seus filmes. Ele mesmo contou, em uma entrevista, quem fez a pergunta: uma senhora, dentro de um carro, usando um tapa-olho e com um mico no ombro.
Tide Hellmeister, um dos nossos mais importantes artistas, concordaria com Fellini, se lhe fizessem a mesma pergunta sobre os singulares personagens que compõem esta “Brava Gente”.
Somos todos nós, e de perto quem é “normal”?
Tide criou seus personagens a partir da observação do cotidiano, dos passageiros do metrô, do ônibus, dos caminhantes nas ruas. No estúdio, imaginava a história de cada um e recortava e colava e pintava seus rostos: tristes, bondosos, malandros, egoístas, avaros, generosos, abatidos, conformados, espertíssimos, tantos...
Todos com data de nascimento e de morte, as duas únicas certezas que a espécie humana possui, e a história que construíram para preencher esses espaços.
Pessoas humanas, demasiadamente humanas: Pedro, Cornélio, Julio Prosa de Jesus, Domingos, Theofilo, Gherard, Assumta, João, Benjamim, Eli Regina, Emilio, Nilo, Licurgo, Hipólito.
Pela primeira vez o homem da tesoura e do pincel, o artista gráfico que conquistou um lugar único, o homem para quem “tudo é colagem”, o artista das tantas faces, que se dizia “sem palavras”,usou da palavra: sentou e escreveu.
Montou o seu teatro com tesoura, papel, tinta e escrita, como sempre fez, aliás, mas desta vez, escreveu histórias.
Todas impregnadas de compaixão pelo semelhante, pelo irmão, por essa Brava Gente brasileira que agora é apresentada ao público sob forma de arte de grande qualidade, como sempre foi sua produção.
Logo agora, que ele avisou: “fui ali e volto já”.Nem precisa voltar, já que nunca partiu: a marca forte e bela de sua passagem sempre continuará entre nós.
Veja mais Tide em
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Paulicéia desvairada, desde sempre
Mário de Andrade, uma das perfeitas traduções desta cidade que já tanto amei, e hoje tento recuperar este amor, mas...
Quando eu morrer
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
Ronda, do paulista Vanzolini, pelo baiano
E pelo magnifico carioca, com seus elásticos enrolados nas mãos...
Quando eu morrer
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
Ronda, do paulista Vanzolini, pelo baiano
E pelo magnifico carioca, com seus elásticos enrolados nas mãos...
domingo, janeiro 24, 2010
Homens que amam as mulheres
"As que simplesmente vemos nas ruas, as que se não saíssem transformariam todas as ruas em passagens sem vida"
Para o Capitão Pepe, um homem que sempre amou, ama e amará as mulheres, e que escreveu esse lindo comentário aqui embaixo no filme do Truffaut:
"E é possível deixar de amar as mulheres? Começa cedo, com as mães e não termina nunca. Morrerei desejando que, após queimado, minhas cinzas sejam usadas por uma fábrica de talco. Amamos as irmãs (biológicas e "adotadas"). Amamos as filhas (biológicas e "adotadas"). Amamos as amigas (eternas e passageiras), amamos pela vida inteira algumas amantes e por um instante, mas tórrido, as de um momento. Amamos as inalcançáveis nas telas, as que apenas passam. Nós amamos vocês quando as desejamos e quando não nos passa pela cabeça tê-las em uma cama. Nos as adoramos como corpos deliciosos, mas também as adoramos como seres maravilhosos"
Cap Pepe
Não sei se os homens hoje amam tanto as mulheres, com exceção do Captain, do moço aí embaixo, de alguns poucos que conheço. Paulo Francis, de quem eu não gostava, disse uma vez uma frase que nunca esqueci: "Eu sou do tempo em que os homens amavam as mulheres".
"Mais amor, por favor", diz a mais recente pichação nos muros paulistanos.
Homens, não tenham medo das mulheres. O que acontece hoje em dia de histórias desse tipo é incrível, correriam páginas interminaveis de internet com depoimentos das minas de todas as idades.
Não é o caso do intrépido Capitão Pepe, um dos últimos a viver pelo amor das mulheres. Nunca sei se é cria dos pagos do Rio Grande ou se apenas cresceu lá, há muitos anos é aquerenciado em São Paulo. Dia desses um amigo gaúcho fez uma incrivel canção para ele, falando de chinas e de redes. Sua história, já disse que vou escrever um dia, e ele permitiu, sem citar nomes, claro, muito menos o dele.
Mas será impossível reproduzi-la fielmente. O Capitão é único.
Oigale, my Captain, acho que essse homem sensível aqui embaixo traduz um pouco o seu sentimento sobre as mulheres inalcançáveis das telas. Ele, tão apaixonado pelas atrizes, casou com uma, namorou sabe lá quantas, páreo pra ti,talvez?Cantou tantas e mais Beatriz.
"Ela faz cinema" eu acho que é para a mulher dentro e fora da tela, que afinal não é preciso estar na tela grande pra fazer cinema, certo? Besos y gracias.
1- Ela faz cinema
2- As atrizes
Para o Capitão Pepe, um homem que sempre amou, ama e amará as mulheres, e que escreveu esse lindo comentário aqui embaixo no filme do Truffaut:
"E é possível deixar de amar as mulheres? Começa cedo, com as mães e não termina nunca. Morrerei desejando que, após queimado, minhas cinzas sejam usadas por uma fábrica de talco. Amamos as irmãs (biológicas e "adotadas"). Amamos as filhas (biológicas e "adotadas"). Amamos as amigas (eternas e passageiras), amamos pela vida inteira algumas amantes e por um instante, mas tórrido, as de um momento. Amamos as inalcançáveis nas telas, as que apenas passam. Nós amamos vocês quando as desejamos e quando não nos passa pela cabeça tê-las em uma cama. Nos as adoramos como corpos deliciosos, mas também as adoramos como seres maravilhosos"
Cap Pepe
Não sei se os homens hoje amam tanto as mulheres, com exceção do Captain, do moço aí embaixo, de alguns poucos que conheço. Paulo Francis, de quem eu não gostava, disse uma vez uma frase que nunca esqueci: "Eu sou do tempo em que os homens amavam as mulheres".
"Mais amor, por favor", diz a mais recente pichação nos muros paulistanos.
Homens, não tenham medo das mulheres. O que acontece hoje em dia de histórias desse tipo é incrível, correriam páginas interminaveis de internet com depoimentos das minas de todas as idades.
Não é o caso do intrépido Capitão Pepe, um dos últimos a viver pelo amor das mulheres. Nunca sei se é cria dos pagos do Rio Grande ou se apenas cresceu lá, há muitos anos é aquerenciado em São Paulo. Dia desses um amigo gaúcho fez uma incrivel canção para ele, falando de chinas e de redes. Sua história, já disse que vou escrever um dia, e ele permitiu, sem citar nomes, claro, muito menos o dele.
Mas será impossível reproduzi-la fielmente. O Capitão é único.
Oigale, my Captain, acho que essse homem sensível aqui embaixo traduz um pouco o seu sentimento sobre as mulheres inalcançáveis das telas. Ele, tão apaixonado pelas atrizes, casou com uma, namorou sabe lá quantas, páreo pra ti,talvez?Cantou tantas e mais Beatriz.
"Ela faz cinema" eu acho que é para a mulher dentro e fora da tela, que afinal não é preciso estar na tela grande pra fazer cinema, certo? Besos y gracias.
1- Ela faz cinema
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