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terça-feira, janeiro 26, 2010

Brava gente

Exposição Brava Gente, do meu queridissimo Tide Hellmeister, chegando a Sampa, dia 30, na Caixa Cultural da Sé, depois de percorrer algumas capitais. Imperdivel para quem aprecia a beleza, a criatividade, o surrealismo, a grande arte da colagem e outras mais.

Brava Gente, um tributo de Tide Hellmeister

Certa vez perguntaram a Federico Fellini por que ele escolhia personagens e figurantes tão esdrúxulos para os seus filmes. Ele mesmo contou, em uma entrevista, quem fez a pergunta: uma senhora, dentro de um carro, usando um tapa-olho e com um mico no ombro.
Tide Hellmeister, um dos nossos mais importantes artistas, concordaria com Fellini, se lhe fizessem a mesma pergunta sobre os singulares personagens que compõem esta “Brava Gente”.
Somos todos nós, e de perto quem é “normal”?
Tide criou seus personagens a partir da observação do cotidiano, dos passageiros do metrô, do ônibus, dos caminhantes nas ruas. No estúdio, imaginava a história de cada um e recortava e colava e pintava seus rostos: tristes, bondosos, malandros, egoístas, avaros, generosos, abatidos, conformados, espertíssimos, tantos...
Todos com data de nascimento e de morte, as duas únicas certezas que a espécie humana possui, e a história que construíram para preencher esses espaços.
Pessoas humanas, demasiadamente humanas: Pedro, Cornélio, Julio Prosa de Jesus, Domingos, Theofilo, Gherard, Assumta, João, Benjamim, Eli Regina, Emilio, Nilo, Licurgo, Hipólito.
Pela primeira vez o homem da tesoura e do pincel, o artista gráfico que conquistou um lugar único, o homem para quem “tudo é colagem”, o artista das tantas faces, que se dizia “sem palavras”,usou da palavra: sentou e escreveu.
Montou o seu teatro com tesoura, papel, tinta e escrita, como sempre fez, aliás, mas desta vez, escreveu histórias.
Todas impregnadas de compaixão pelo semelhante, pelo irmão, por essa Brava Gente brasileira que agora é apresentada ao público sob forma de arte de grande qualidade, como sempre foi sua produção.
Logo agora, que ele avisou: “fui ali e volto já”.Nem precisa voltar, já que nunca partiu: a marca forte e bela de sua passagem sempre continuará entre nós.
Veja mais Tide em

terça-feira, janeiro 06, 2009

Longa é a arte, tão breve a vida


Tide Hellmeister por Mario Amaya

Os ventos que as vezes tiram
algo que amamos, são os
mesmos que trazem algo que
aprendemos a amar...
Por isso não devemos chorar
pelo que nos foi tirado e sim,
aprender a amar o que nos foi
dado.Pois tudo aquilo que é
realmente nosso, nunca se vai
para sempre...

Bob Marley

Uma bonita homenagem do Mario Amaya para o Tide em

sábado, outubro 14, 2006

Jantar no Filé do Moraes




Tide Hellmeister e Jô Fevereiro (de costas)






Eu sempre admirei quem sabe desenhar. Por isso, sempre me cerquei deles, os artistas.Gráficos, especialmente, por causa da minha profissão. E entre os tantos e queridos amigos, o maravilhoso mestre da colagem e da tipografia, Tide Hellmeister.
Ele fez o primeiro projeto gráfico do Jornal da Tarde, na época de Mino Carta, que o criou. Um diagramador de mão cheia, da Ultima Hora, da Gazeta Mercantil, da Editora Abril, de tantos livros de poesia do outro mestre Massao Ono, de tantos livros, de tantas ilustrações, de dezenas de milhares, sim, pois ele produz muito.
Fica lá, ouvindo a rádio Cultura FM, cortando, colando, pintando.
Acabei de jantar com ele e com outro velho e querido amigo jornalista, Vasco Nunes, no Filé do Moraes, na Praça Julio Mesquita, perto da Folha.
É pra onde ele se mudou, e do seu apê dá pra ouvir, todo dia às 18 horas, uma sirene : a Folha apitando? Mas por que? eu perguntei e o Vasco, a história da imprensa recente em pessoa, contou que isso vem da época do Cásper Líbero, da Gazeta...
Vejam só, a gente mora nesta Sampa a vida inteira e não sabe nem de um terço dela...
Quantas histórias se lembraram, velhos companheiros da Última Hora dos anos 60: com Antonio Contente, o chargista Otavio, Plinio Marcos, quanta gente interessante. E que clima cordial, quente e amigo naquela redação...
Tide , excelente cozinheiro, tem saudades de alguns pratos de antigamente nos restaurantes, sumidos completamente: arroz de Braga, dobradinha!
E vai contando: o velho dono da Editora Martins o convidou, século passado, pra fazer as capas de três livros do Jorge Amado.Passou semana, passou mês, passou um ano, Tide volta lá com as três capas. O seu Martins diz: "Mas que coincidência, sabe quem está aqui? O Jorde Amado".
Claro que já tinham saído os livros, com as eternas capas do Carybé. Tide ganhou um, com dedicatória do grande escritor: "Ao Tide, com admiração, do Jorge Amado".
Você tem o livro, Tide? pergunto, porque sei da enormidade de coisas que ele guarda na casa, no escritório. "Tenho sim, lá no sítio". Já eu duvido...
Aristides Hellmeister. Que felicidade juntar amigos assim, ele, Vasco, e eu.
As mesmas pessoas,passados tantos anos. Os amigos são o sal da Terra.
Outro dia conto mais história dos bastidores das redações que esses amigos queridos lembraram, lá nos tão ricos e dourados anos 60.
É do Tide o projeto gráfico do meu livro que sai breve, ao qual ele próprio deu o nome, bom tituleiro que é: "Suplemento Literário-Que falta ele faz!"