domingo, janeiro 31, 2010

Em queda livre

Após telefonema de uma amiga, que assistia pela TV Brasil uma entrevista com Octavio Frias Filho sobre um livro que, acho, ele publicou tempinho atrás, "Queda Livre", resolvi pesquisar do que se tratava. Ela também não tinha entendido. Fiquei mais em dúvida ainda.
E principalmente não entendemos porque a TV Brasil, que é do governo federal- infelizmente não pega aqui em casa-, faria tal entrevista. Alguém tem ideia? Cartas para a redação, que aqui a gente publica...

Do site da livraria Cultura:

Companhia das Letras
R$ 49,50

'Queda livre' compõe-se de sete textos que narram o que Otavio Frias Filho chama de 'investigações participativas' - mergulhos em experiências radicais ou, nas palavras do próprio autor, 'descidas até os círculos do inferno pessoal'. Nesses ensaios de risco, Frias conjuga a objetividade jornalística de cada investigação com uma voz narrativa extremamente pessoal, de distanciamento e humor cáustico. Entre suas experiências estão saltar de pára-quedas, tomar o chá alucinógeno da seita Santo Daime na Amazônia, viajar num submarino, participar como ator do teatro de José Celso Martinez Corrêa, peregrinar pelo caminho de Santiago, explorar o mundo do sexo transgressivo e aproximar-se do suicídio.

sábado, janeiro 30, 2010

Futuros colegas e mais

Deu na coluna social
1-O presidente da RedeTV!, Amílcare Dalevo Jr., e sua mulher, Daniela Albuquerque, colam grau em jornalismo, na noite de hoje, na Universidade Anhembi Morumbi
(Monica Bergamo, Ilustrada, Curto Circuito/Folha de SP, 28/01/2010).

2-Deu na internet

Curso de jornalismo online
Curso Jornalismo 24 Horas
Curso 100% Online por Apenas R$40. Receba o seu Certificado em Casa!

Velocidade, tempo-real, hipertexto, interatividade, convergência de mídias...

Essas são as principais características e tendências do jornalismo na internet que você vai conhecer e dominar no Curso de Jornalismo On-line.

Vai também saber que é possível compatibilizá-las com a redação de um bom texto, correto, atraente, para conquistar a atenção do leitor e tornar-se um Cyber Repórter de sucesso.

* Também vai aprender a produzir uma publicação digital e a ganhar dinheiro no ramo de Jornalismo On-line;

Com o apoio de professores, com exemplos práticos e exercícios, este é um curso ideal tanto para quem quer completar sua formação de Jornalismo, como para quem ainda não se decidiu pela carreira e quer conhecer melhor esta profissão tão promissora.


Valor do curso completo:

R$ 40,00

SEM MENSALIDADES

Pré-Requisitos: Nenhum

Carga Horária: 45 horas

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Chuvarada boa




Ryuichi Sakamoto-Rain

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Maiakóvski e os tempos difíceis

Os tempos estão duros
para o artista.
Mas, dizei-me,
anêmicos e anões, os grandes,
onde,
em que ocasião, escolheram
uma estrada batida?
General
da força humana
- Verbo -marche!
Que o tempo
cuspa balas
para trás, e o vento
no passado
só desfaça um maço de cabelos.
Para o júbilo
o planeta está imaturo.
É preciso
arrancar alegria
ao futuro.
Nesta vida
morrer não é difícil.
O difícil
é a vida e seu ofício.

(Trecho de A Serguei Iessiênin, poema de 1926
Tradução Haroldo de Campos)

quarta-feira, janeiro 27, 2010

O poeta Roberto Piva está internado e precisa de ajuda

Acabo de ir ao blog do Bortolotto e leio isto aí embaixo.
Mas o que está acontecendo contra dramaturgos - Bortolotto, lembram, levou três tiros de assaltantes, ficou entre a vida e a morte e está se recuperando- poetas, jornalistas decentes?
Piva na enfermaria, meu amigo em Brasilia em outra, esperando até domigo por uma cirurgia de emergência no fêmur.
O mundo não trata bem os do Bem, especialmente o Brasil. Os artistas, sempre desamparados, meu amigo jornalista, que foi preso politico nos anos de chumbo, traz sequelas nas pernas da tortura na Cadeira do Dragão. Como Piva, ele não tem grana e nem plano de saúde.
Roberto Piva foi professor da escola pública. Suas obras completas estão reunidas em três volumes pela editora Globo: "Um Estrangeiro na Legião", "Mala na Mão & e Asas Pretas" e "Estranhos Sinais de Saturno". Recentemente, o livro "Paranoia" (1963) foi reeditado pelo Instituto Moreira Salles.

Quem puder ajudar o Piva, assino embaixo do que diz o Bortolotto.


"O grande poeta Roberto Piva está internado. Ele tá no HC. Piva não tem plano de saúde. Tá na enfermaria na companhia de outros pacientes. Alguns são evangélicos e rezam a noite inteira, ali onde tem também uma tv ligada (e com certeza não é na Tv Cultura e nem no People and Arts). Piva ainda deve permanecer no hospital por algumas semanas. E se tem uma coisa que eu aprendi com o meu acidente e minha convalescença é que vida no hospital é estação no inferno. Piva ainda deve passar por uma cirurgia da próstata e um cateterismo, segundo informa meu amigo Pinduca (o poeta Ademir Assunção) no blog dele. Piva tem 73 anos de poesia e vida experimental e sofre de Mal de Parkinson. Se me permitem, vou quase que parafrasear o poeta Allen Ginsberg em seu brilhante prefácio para a obra de Gregory Corso e dizer que Roberto Piva é talvez (na minha opinião ele é) o maior poeta brasileiro vivo e nesse momento está internado num hospital público em São Paulo precisando de auxílio. Todo tipo de auxílio é bem vindo. Quem puder ajudar com grana que ele vai precisar e não é pouco, depositem na conta que eu tô transcrevendo aí embaixo. Também peguei o número no blog do Pinduca que é altamente confíavel.
http://zonabranca.blog.uol.com.br/

Roberto Lopes Piva
Banco: Itau

Agência: 0036

Conta: 20592-0

CPF: 565.802.828/00 "
------------------------------

Postei aqui em março de 2009 esta poesia para Piva e Wesley Duke Lee, um poeta e um artista plástico maior deste país. Sempre foram amigos, e Wesley ilustrou com fotos o clássico "Paranóia", de Piva.


Por quem os sinos dobram?


Para Roberto Piva
e
Wesley Duke Lee

O poeta rebelde hoje esquenta ao sol das 11 horas
No Parque da Água Branca
Livro numa mão, firme
A outra, trêmula
O poeta da cidade - ácido, lírico, transverso
Mas ainda aprecia os rapazes
E acha que as moças, cada vez mais, estão parecidas com eles
Por isso, até começa a gostar delas
("Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes a tarde de São Paulo como um desejo espetacular tão dopado de coragem marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem")

Seu amigo, o artista plástico do primeiro hapenning desta cidade
Não reconhece mais o mundo
Quando o visitei, anos atrás
Figura de brilhos e fulgores -
Mostrou-me uma mesa cheia de coisas empoeiradas:
Não permitia que a limpassem
“Para marcar a passagem do tempo”

Mostrou-me também um mural repleto de fotos da sua vida: “Para não me esquecer”
“Ele dói e brilha”, escrevi na matéria, emprestado verso de Veloso sobre o homem velho

Na parede a frase, quase no teto:

“Entusiasmo-Pleno de Deus”

Só hoje fui atrás da etmologia
Do Grego:entu: DEUS,
iasmo: Cheio

Pleno de entusiasmo o velho homem belo


Uma enfermeira o acompanha, ele sorri



São Paulo, 28 de fevereiro, noite alta





terça-feira, janeiro 26, 2010

Brava gente

Exposição Brava Gente, do meu queridissimo Tide Hellmeister, chegando a Sampa, dia 30, na Caixa Cultural da Sé, depois de percorrer algumas capitais. Imperdivel para quem aprecia a beleza, a criatividade, o surrealismo, a grande arte da colagem e outras mais.

Brava Gente, um tributo de Tide Hellmeister

Certa vez perguntaram a Federico Fellini por que ele escolhia personagens e figurantes tão esdrúxulos para os seus filmes. Ele mesmo contou, em uma entrevista, quem fez a pergunta: uma senhora, dentro de um carro, usando um tapa-olho e com um mico no ombro.
Tide Hellmeister, um dos nossos mais importantes artistas, concordaria com Fellini, se lhe fizessem a mesma pergunta sobre os singulares personagens que compõem esta “Brava Gente”.
Somos todos nós, e de perto quem é “normal”?
Tide criou seus personagens a partir da observação do cotidiano, dos passageiros do metrô, do ônibus, dos caminhantes nas ruas. No estúdio, imaginava a história de cada um e recortava e colava e pintava seus rostos: tristes, bondosos, malandros, egoístas, avaros, generosos, abatidos, conformados, espertíssimos, tantos...
Todos com data de nascimento e de morte, as duas únicas certezas que a espécie humana possui, e a história que construíram para preencher esses espaços.
Pessoas humanas, demasiadamente humanas: Pedro, Cornélio, Julio Prosa de Jesus, Domingos, Theofilo, Gherard, Assumta, João, Benjamim, Eli Regina, Emilio, Nilo, Licurgo, Hipólito.
Pela primeira vez o homem da tesoura e do pincel, o artista gráfico que conquistou um lugar único, o homem para quem “tudo é colagem”, o artista das tantas faces, que se dizia “sem palavras”,usou da palavra: sentou e escreveu.
Montou o seu teatro com tesoura, papel, tinta e escrita, como sempre fez, aliás, mas desta vez, escreveu histórias.
Todas impregnadas de compaixão pelo semelhante, pelo irmão, por essa Brava Gente brasileira que agora é apresentada ao público sob forma de arte de grande qualidade, como sempre foi sua produção.
Logo agora, que ele avisou: “fui ali e volto já”.Nem precisa voltar, já que nunca partiu: a marca forte e bela de sua passagem sempre continuará entre nós.
Veja mais Tide em

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Paulicéia desvairada, desde sempre

Mário de Andrade, uma das perfeitas traduções desta cidade que já tanto amei, e hoje tento recuperar este amor, mas...

Quando eu morrer


Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

Ronda, do paulista Vanzolini, pelo baiano


E pelo magnifico carioca, com seus elásticos enrolados nas mãos...

domingo, janeiro 24, 2010

Homens que amam as mulheres

"As que simplesmente vemos nas ruas, as que se não saíssem transformariam todas as ruas em passagens sem vida"

Para o Capitão Pepe, um homem que sempre amou, ama e amará as mulheres, e que escreveu esse lindo comentário aqui embaixo no filme do Truffaut:


"E é possível deixar de amar as mulheres? Começa cedo, com as mães e não termina nunca. Morrerei desejando que, após queimado, minhas cinzas sejam usadas por uma fábrica de talco. Amamos as irmãs (biológicas e "adotadas"). Amamos as filhas (biológicas e "adotadas"). Amamos as amigas (eternas e passageiras), amamos pela vida inteira algumas amantes e por um instante, mas tórrido, as de um momento. Amamos as inalcançáveis nas telas, as que apenas passam. Nós amamos vocês quando as desejamos e quando não nos passa pela cabeça tê-las em uma cama. Nos as adoramos como corpos deliciosos, mas também as adoramos como seres maravilhosos"
Cap Pepe


Não sei se os homens hoje amam tanto as mulheres, com exceção do Captain, do moço aí embaixo, de alguns poucos que conheço. Paulo Francis, de quem eu não gostava, disse uma vez uma frase que nunca esqueci: "Eu sou do tempo em que os homens amavam as mulheres".

"Mais amor, por favor", diz a mais recente pichação nos muros paulistanos.
Homens, não tenham medo das mulheres. O que acontece hoje em dia de histórias desse tipo é incrível, correriam páginas interminaveis de internet com depoimentos das minas de todas as idades.

Não é o caso do intrépido Capitão Pepe, um dos últimos a viver pelo amor das mulheres. Nunca sei se é cria dos pagos do Rio Grande ou se apenas cresceu lá, há muitos anos é aquerenciado em São Paulo. Dia desses um amigo gaúcho fez uma incrivel canção para ele, falando de chinas e de redes. Sua história, já disse que vou escrever um dia, e ele permitiu, sem citar nomes, claro, muito menos o dele.
Mas será impossível reproduzi-la fielmente. O Capitão é único.

Oigale, my Captain, acho que essse homem sensível aqui embaixo traduz um pouco o seu sentimento sobre as mulheres inalcançáveis das telas. Ele, tão apaixonado pelas atrizes, casou com uma, namorou sabe lá quantas, páreo pra ti,talvez?Cantou tantas e mais Beatriz.

"Ela faz cinema" eu acho que é para a mulher dentro e fora da tela, que afinal não é preciso estar na tela grande pra fazer cinema, certo? Besos y gracias.


1- Ela faz cinema


2- As atrizes