sexta-feira, março 06, 2009
Do Rogério Furtado, repórter de muita e muita estrada nas quebradas do jornalismo, e que hoje vive nos sertões das Minas Gerais. Labutou na Folha por um bom tempo.:
“Na Barão de Limeira acontecia de tudo. O jornal, por exemplo, "matou" um jogador de futebol "por constricção da vulva, algo dificilmente recuperável".
Um sujeito morou durante bom tempo (talvez anos, não sei) no banheiro da redação, até que fosse descoberto pelo Boris Casoy; um fotógrafo morreu dentro da Agência Folhas em consequência de um disparo acidental de revólver; um contínuo foi esmagado pelo velho elevador pantográfico que ficava perto da entrada da Agência Folhas... E por aí afora... Tudo isso passou despercebido para a maioria, em um contexto que me parece típico das redações: todo mundo fica acompanhando o que vai pelo mundo e não tem tempo (ou interesse) de olhar o que se passa "dentro de casa".”
É mesmo, Rogério.
Contam que nos Diários Associados, um senhor, durante anos, diariamente chegava, sentava, abria a mesa com aquela máquina de escrever dentro e se punha a trabalhar. Também recebia pessoas.
Todo o mundo achava que era um jornalista.
Mas não.
Descobriu-se, um dia, que ele apenas encontrara um escritório gratuito pra despachar.
Imagino quantas dessas histórias rolaram pelas varias redações, cadê o pessoal pra contar aqui?
quinta-feira, março 05, 2009
Reveillon 2000 no Estadão
e o bug do milênio
Alguém pode imaginar a delícia de passar o reveillon num plantão de redação? Especialmente aquele reveillon, ímpar, o da passagem do milênio, que na verdade seria em 2001, mas foi mundialmente acordado para 2000.
Então, imaginem a alegria da redação do Estadão, comandada por nada menos que o futuro assassino da namorada, (meses mais tarde), o elemento Pimenta Neves. Buñuel teria prato cheio, Fellini então...Mas as chanchadas da Atlândida seriam ideais.
A redação estava toda convocada- e mesmo os que fizeram plantão no Natal ficariam de sobreaviso, para qualqer tragédia, porque pintaria o tal bug do milênio, que segundo as previsões mais catastróficas, iria desregular todos os computadores do mundo.
Caos planetário!
Nosso karma foi bem pesado. Primeiro, tivemos de participar de um jantar, lá no restaurante do prédio da Marginal, ao lado do próprio elemento Pimenta. Não só os jornalistas, mas também os trabalhadores da gráfica foram convidados para o restaurante classe A.
Disse o elemento: “Eu que convidei. Sou um déspota esclarecido!”
Depois dessa indigestão, seguiu-se, mais tarde, na redação, um malfadado sorteio. A redação, munida de copos de plástico, se me lembro, preenchidos por um duvidosíssimo champanhe, teve de formar um círculo em torno do elemento para aguardar o sorteio de umas passagens, acho que para Paris.E só eram sorteados fotógrafos.
O elemento diretor ficava cada vez mais fulo, naturalmente porque não considerava fotógrafos como jornalistas.
“Não paro enquanto não sortear um jornalista”, bradava. “E se não sair, pago do meu bolso”.
Até que saiu, e nos livramos daquela segunda cena dantesca. Daí o jornal ia fechando, o bug não houve, mas o plantão ainda não havia se encerrado, tem mais.
Na editoria de Geral, uma repórter bonitinha acabava seu plantão e se arrumou toda para - sortuda- ir pro reveillon dela. Postados numa linha diagonal,o elemento diretor, o subeditor de Geral, Antonio Gaspar, e a garota. O elemento de frente para o Gaspar, e este de costas para a menina, todos de pé.
Quando o elemento viu a repórter, seus olhos brilharam, cúpidos - como diria a literatura pornô-erótica bem adequada ao seu nível. Ele abriu os braços e foi de encontro a ela, mas o Gaspar estava no meio, e achou, não entendendo nada, que a confraternização era com ele. Abraçaram-se, e a menina foi embora, na boa.
Alguns minutos depois que o elemento saiu de cena, a editoria toda gargalhou sem parar.
Assim se encerrou o milênio no Estadão.
Jamais imaginaríamos o que o próximo nos reservava.
A manchete feita pelo elemento era bem ruim, tinhas umas três linhas das quais não me lembro e se encerrava assim: “E bug foi um fiasco”.
segunda-feira, março 02, 2009
La vida es sueño
Sou notívaga, a vida inteira saí das redações tarde da noite e não conseguia dormir, arrastando correntes, até me acalmar e pegar no sono.
Gosto de escrever à noite, gosto da calma. E sempre me sinto na companhia de vários amigos que conheço, mesmo longe, além dos inúmeros que desconheço, mas se estão na sintonia da arte e da poesia, estão na minha sintonia.
Pensando em alguns desses angelus escrevi:
La vida es sueño
Quantos de nós
noite alta
A desfolhar fibra por fibra
estes nossos corações
Mundo em erupção e nós
(Abençoada teimosia)
A desvendar:
A poesia
Observando um antúrio
Alípio Freire
Para Elizabeth Lorenzotti
Inflorescência
– o antúrio
o copo-de-leite
o filodendro
Infrutescência
– o caju
Inhumanescência
– a essência humana.
Ainda bem que só acredito
em estágios e processos
Mutantes.
PS
Tudo muda
nem sempre para melhor
(Mas que custa um grão de sal de esperança?)
A música
Cyro Bittencourt
http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewProfile&friendID=209739822
A fotografia
Pedro Martinelli
“Nas minhas contas, percebo que meus sonhos nascem no arquivo de todos os momentos únicos que não consegui fotografar. O sonho é a foto que não pode ser mostrada, que não foi feita mas foi enxergada pelo fotógrafo.
O pé na estrada é como esperar a próxima dobrada da curva de um rio, é virar uma esquina e perder o fôlego com uma cena simples do cotidiano, um nada, tão nada que parece sonho.”
www.pedromartinelli.com.br/blog

A colagem
Tide Hellmeister
“Tudo é imagem, tudo é colagem"
repetiu, a última vez
na exposição de Natal.
Notívago maior,nunca dormia à noite:a trabalhar incessantemente
"A arte salva", eu concordava
Este angelus noturno não está mais lá -
Barão de Campinas, de onde se ouvia o apito da Folha
("Fui ali e já volto")
Olho para o céu
aqui, lá,
a mão do Tide?
sua tesourinha
sua cola, seu pincel
seu mágico olho e sua compaixão por todos nós Filhos de Deus
a próxima exposição
que faria, que fará, que faremos.
domingo, março 01, 2009
Por quem os sinos dobram?
Wesley Duke Lee
Egipciana
Óleo sobre fotografia de Otto Stupakoff, com aplicação de buril
O poeta rebelde hoje esquenta ao sol das 11 horas
No Parque da Água Branca
O poeta da cidade - ácido, lírico, transverso
Livro numa mão, firme
A outra, trêmula
Mas ainda aprecia os rapazes
E acha que as moças, cada vez mais, estão parecidas com eles
Por isso, até começa a gostar delas
(Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes a tarde
de São Paulo como um desejo espetacular tão
dopado de coragem
marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti
assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem)
Seu amigo, o artista plástico do primeiro hapenning desta cidade
Não reconhece mais o mundo
Quando o visitei, anos atrás
Figura de brilhos e fulgores
Mostrou uma mesa cheia de coisas empoeiradas
Não permitia que a limpassem:
“Para marcar a passagem do tempo”
Mostrou também um mural repleto de fotos da sua vida:
“Para não me esquecer”
“Ele dói e brilha”, escrevi, emprestado verso de Veloso sobre o homem velho
Na parede a frase, quase no teto:
“Entusiasmo-Pleno de Deus”
Só hoje fui atrás da etmologia
Pleno de entusiasmo, então, aquele velho homem belo
Uma enfermeira o acompanha, ele sorri
São Paulo, 28 de fevereiro, noite alta
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Os revisores : Histórias das redações- 5
Tide Hellmeister
Bons tempos em que os jornais tinham revisores. Jamais sairia uma chamada de capa de grande jornal escrita assim:
EXCESSÃO, como vi algumas vezes, e recentemente.
E tantas barbaridades, incontáveis, cotidianas.
Graciliano Ramos foi revisor do Correio da Manhã na década de 40.
Mas no fim do século passado, com a informatização e a economia, dançaram os revisores.
O amigo Gabriel Arcanjo, que começou e durante muito tempo exerceu a revisão em vários jornais e revistas, conta umas histórinhas exemplares:
“Uma vez saiu publicado, na lista de promovidos das Forças Armadas, na Folha, em corpinho pequeno, ´almirantes de esquerda´, em vez de esquadra. Os hómi queriam a cabeça de todo mundo...
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Numa matéria sobre novos limites de financiamento do BNH, um revisor anotou, de brincadeira, ao lado da prova: ´com isso aí não dá pra comprar nem um barraco´; o linotipista, muito sacana, colocou como emenda e saiu publicado... Parece que deu até demissão.
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Num anúncio fúnebre do Estadão, saiu ´é com prazer que notificamos a morte de...´, em vez de é com pesar.
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O Estadão tinha o maior cuidado com algumas páginas: a do Editorial e a dos turfes. No mínimo, eram feitas umas três revisões de prova, mais uma da página pronta. E vira e mexe aparecia, num dos páreos, o cavalo REVISOR. Comentário geral na sala: só pode ser animal dos Mesquita...
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O Ventura, portuga dos bons, era da elite de revisores do Estadão, e sempre que consultado, dava a opinião dele. Quando alguém contestava, dizendo que o dicionário registrava algo contrário ao que ele dizia, o portuga era categórico: ´pois o dicionário está errado; eles são vurros...´
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O mesmo Ventura, depois que o Estadão foi pra Marginal, era da turma que saía de madrugada, quase dia clareando. Na volta, descia do ônibus ali na Consolação e batia ponto no Mutamba, pra uma bagaceira. Num dia, em vez de de continuar indo pra casa, ali perto, voltou pra Consolação, pegou o Samar( o ônibus que o jornal colocava pra transportar funcionários) que estava no ponto e voltou pro jornal. Passou pela portaria, pelos corredores, elevador... Estranhou que não tinha ninguém na Revisão e lá ficou... pegou no sono...até que alguém se lembrou de acordá-lo.
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Mas a melhor do portuga foi quando decidiu, de vez, parar com as bagaceiras de fim de expediente. Numa madrugada daquelas, passou firme e forte em frente ao Mutamba e não entrou... continuou mais uns passos e, já sobre o viaduto comentou consigo mesmo: ´és um forte; mereces uma comemoração... voltou pro Mutamba; e começou tudo de novo...
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Diário do Grande ABC, a meu ver, tem a legenda imbatível da Imprensa nacional. Era comum visitantes mais ou menos ilustres serem recebidos pela Diretoria e posarem pra fotos. Não me lembro os personagens, mas numa das salas vip tinha na parede a foto do governador. E calhou de sairem na foto um dos diretores do jornal, o visitante e, na parede, Quércia. Adivinha se a legenda não ficou: ´fulano’, Quércia e ´cicrano...´
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Numa outra legenda, atento e abnegado montador de fotolito deu aquela colaborada com a Revisão, que havia, segundo ele, deixado passar um pastel na legenda. Era época do ministro Euclides Quandt de Oiveira, mas o olhar atento do rapaz se fixou só naquela palavra estranha; não teve dúvida e emendou para Quando... e ainda correu pra avisar os colegas no dia seguinte: ´quebrei um galhão de vocês´...
Histórias das redações-4: Cascolac x João

Foto Cascolac, 19 de agosto de 1971
Na foto, perfeita, como se tivesse sido tirada ontem, João Gilberto e Tião Motorista nos estúdios da TV Tupi em 1971, quando os baianos voltaram do exilio.
Eles foram lá gravar um programa histórico, que infelizmente se perdeu nos desvãos e incêndios da TV Tupi. Soube por um amigo, que soube pelo Alvaro Moya, que existe o áudio desse programa na TV Cultura.
Imaginem a imprensa toda lá.
Imaginem Caetano, Gal Costa, João Gilberto jogando ping-pong a tarde toda, sem resolverem fazer o programa. Imaginem a imprensa toda esperando - e olhem que não havia esses prazos rígidos de fechamento que temos hoje.
Mas o que não se pode imaginar é que, pelos Diários Associados, estava o fotógrafo Cascolac. Nunca se soube seu nome verdadeiro, só o apelido. Diz o Zé Eduardo, então chefe de reportagem, que até o próprio Cascolac deve ter se esquecido do nome.
Negro alto, reluzente, Cascolac era setorista no Deic- Departamento de Investigações Criminais de São Paulo. (Na época havia jornalistas destacados para cobrir determinados setores - aeroporto, polícia, exército, etc. E não se esqueçam de que em 1971 o Brasil vivia sob o ditador militar Garrastazu Médici.)
Mas, por urgências da profissão, naquele 19 de agosto Cascolac foi destacado para cobrir artes & cultura. Desde a chegada dos baianos no aeroporto de Congonhas. Claro que ele, bom profissional das quebradas do mundaréu, como diria o Plínio Marcos, comportava-se frente à notícia como era seu hábito de repórter fotográfico da editoria de polícia.
Primeiro, posar para foto, todos juntos.
-Ô João Gilberto, quer por favor ficar aqui do lado do Caetano...
Que não gostaram nada, aliás.
E por acaso o Cascolac tinha alguma idéia de com quem estava falando? Vaga, quase nenhuma.
E lá vamos nós para o Alto do Sumaré, emissoras associadas do mesmo grupo dos Diários Associados, do falecido Chatô, o rei do Brasil. Empresas já iam caindo pelas tabelas, aliás.
Então, depois daquele nehem nhem nhem de jogo de ping-pong, finalmente a coisa vai começar.
João Gilberto, que já era chatésimo, começa o ensaio. Um pequeno auditório, chão de madeira.
Cascolac vem lá do fundo pisando com seus brilhantes sapatões pretos.
A diva da Bossa Nova fulmina e dispara alguma coisa como:
" Esse fotógrafo pode se por daqui pra fora. Eu não canto com barulho!!!!"
Frisson. Corações gélidos. Ranger de dentes. Eu, muito garota, fiquei morta de vergonha.
O grande Cascolac se retira, humilde.
A diva prossegue.
O programa foi editado pelo Hiroshi Fuji, então estudante da ECA USP. Ele me contou que ficou com o João Gilberto umas três horas ao lado, vendo o que cortava e não cortava.
O programa deve ter ficado bárbaro. Histórico. Mas dançou, como todos os arquivos dos extintos Diários e Emissoras Associados.
Como tanta coisa da memória deste Brasil.
O Cascolac também se foi.
Eu o encontrei muitas vezes em Perdizes, morávamos perto. Depois sumiu. E sempre brincava com ele: "Ficou rico, Cascolac?" Porque ele tinha ótima aparência e se vestia muito bem. Enquanto os fotógrafos dos Diários viviam sempre na pindaíba ( os pagamentos eternamente atrasados).
Sabe lá.
Incrivel é que eu soube, também recentemente, que o irmão do Cascolac era carcereiro do presídio Tiradentes, onde estavam os presos políticos e entre eles meu amigo, o jornalista Alipio Freire.
Que conhecia o Cascolac e um dia virou pro carcereiro e perguntou: "Você é irmão do Cascolac?"
Imaginem a cara do homem.
Mas o que eu quero dizer é, que se fosse hoje, eu viraria pro João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira e diria que, como ele, o Cascolac estava lá para trabalhar, e levava a sério seu trabalho. Que havia ficado horas esperando acabar o jogo de ping-pong baiano e agora precisava fotografar o programa para sair no jornal de amanhã, entende?
"Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?"
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Meu pai, Procópio Ferreira e o garoto Nassif

23/02/2009 - 17:33
O crooner do Quisisana
Do Portal Luís Nassif
Orquestra do Quisisana Hotel
* Adicionado por elizabeth
Anos 50, meu pai era o crooner da Orquestra do Quisisana, em Poços de Caldas, Oswaldo Lorenzotti, o magrinho no fundo, à direita. Infelizmente não sei identificar os músicos.Sentado, com as crianças, Procópio Ferreira.

Comentário
Gozado. Tem um moleque lá atrás magro como eu era, orelhudo como eu era, com o sorriso de santinho que eu tinha e a gravata borboleta que eu usava. Sei que gravata borboleta podia ser moda. Mas ser orelhudo, não. Pedi para a Elizabeth conferir a data.
A Ruivona, que andou conferindo todos os álbuns de família confirmou: com aquelas orelhas de abano, só pode ser eu.
Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Fotografia Tags relacionadas: Oswaldo Lorenzotti, Procópio Ferreira, QuisisanaEste post foi pulicado no Blog do Nassif na segunda de carnaval.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/23/o-crooner-do-quisisana/
Eu faço parte da interessante comunidade do Portal do Nassif.
A foto, eu levei pra lá porque é bonita, porque me lembra a batalha- infelizmente perdida- de meu pai pela carreira musical, lembra Poços, a querida cidade da minha infância. E ainda por cima tem lá o grande ator, referência do teatro neste país, o Procópio.
Nassif é de Poços de Caldas, e eu estava interessada em saber se ele conhecia os músicos da orquestra.
Porque só sei de um, o Querosene, mas não sei identificá-lo.
Eu já falei sobre minha familia musical, a respeito desta mesma foto, em 2006
http://vivababel.blogspot.com/2006/09/orquestra-do-quisisana-hotel.html
Mas, pela sintonia fina do mundo da fotografia, e da internet, esta que estava guardada no álbum de família há tanto, revelou mais um personagem, até agora insuspeitado: o futuro jornalista econômico, também músico, descoberto nesta segunda-feira de carnaval em Sampa, ali, sentadinho atrás do grande Procópio Ferreira, com um sorriso maroto.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Histórias das redações- 3
Foto Pedro MartinelliOnde estariam Carlos Augusto Gouveia, o Carlão (em São Paulo), ou Carlinhos, ( no Rio) e o Migué, o motorista de chapéu.
E o que teria acontecido, olhando tão desolados para a perua da sucursal paulista de O Globo?
Pedrão também não se lembra.
Mas certamente em mais uma das reportagens investigativas que o Carlão era mestre.
Já os carros de O Globo, parece que houve época em que não tinham letreiro: seria pra não levar pedrada, ou para despistar nas reportagens investigativas?
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Histórias das redações- 2

Foto Pedro Martinelli
De pé com os braços cruzados, Migué Bedé Bedé, nosso motorista da perua Rural Willys da sucursal paulista de O Globo.
Conta o Victor Passos, nosso companheiro de redação:
A cafetina prontamente me deu uma em papel timbrado da Pensão da Dona Antonieta
Fazia sentido.
Migué gostou e o Dr. Roberto pagou."
Histórias das redações 1 -- "Senta e escreve"
Foto Pedro MartinelliAí na foto a redação da sucursal paulista de O Globo, Av. Consolação, 257, 19. andar, anos 70.
Caminhando, altivo, o Fabinho, o Assis, Franciso de Assis Barbosa, caboclo potiguar, grande jornalista da área econômica, bravo que só, coração grande que só ele. Ao fundo, o repórter esportivo Cândido Garcia, também , na época da Rádio Jovem Pan.
Na frente do Assis, Etevaldo Dias.
A sucursal, que reunia uma das melhores equipes com as quais tive o prazer de trabalhar, e de ficar amiga, era chefiada pelo Cândido Cerqueira Silva, Candinho, o melhor chefe que já tive.
Estávamos todos felizes, fazendo matérias legais tanto quanto se podia - era a ditadura Médici- quando a direção geral mudou. Ou , acho que mandaram um pra preencher o cargo, já que a administração era de responsabilidade da dona Wanda e não havia ninguém acima.
Chegou do Rio um tipo baixinho, ligado ao IBC (Instituto Brasileiro do Café) egresso da turma do Filinto Muller, aquele chefe de polícia do Vargas. Logo foi apelidado de Cafezinho.
A primeira coisa que fez foi demitir o Candinho.
Nós , então, escrevemos uma carta de desagravo, que virou abaixo-assinado. Alguns souberam, por telefone, estavam viajando, e mandaram assinar.
Carlão, o Carlos Augusto Gouveia, pediu demissão.
E, um por um, todos fomos demitidos.
Desmantelou-se assim uma grande redação, o que não era a primeira vez, nem infelizmente foi a última.
Conversando com Pedro Martinelli, ele me contou- eu já não lembrava- que estava na Amazônia, com os Villas-Boas, quando chegou a mensagem por rádio do preposto do cafezinho, chamado Moura Reis: "Tá demitido"
Daí ele respondeu: "Então manda o Roberto Marinho vir aqui e pegar minhas máquinas, fotos e tralhas, que eu não vou levar".
Bom, como o trabalho do Pedrão era diretamente ligado à sede do jornal no Rio, foi desfeita a demissão.
Mas o que eu queria contar, também, era sobre o Assis.
Um dia, antes do desfecho com as demissões, chegou o tal Cafezinho, vigiando o Assis, olhando por cima dos ombros dele, que batucava na sua máquina de escrever.
(Não tem coisa pior , pelo menos eu sempre achei, pra um jornalista, que um neguinho vigiando o que você escreve, coisa típica de gente autoritária.)
"Não é assim que se escreve o abre dessa matéria", disse o pequenino.
E o Assis, vulcão em erupção:
"Então senta e escreve"
E se mandou.
Pois é, época de gente de brio.Em plena ditadura. Sinto saudades.
Especialmente do Assis, que já partiu há alguns anos.
Do Carlão e do Cândido Garcia, que também se foram.

