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quinta-feira, abril 09, 2009

Buon giorno, Federico

Amarcord


Dançando na névoa





O pavão

quarta-feira, abril 08, 2009

Sicilia!

O amolador de facas

A jornada de um escritor que retorna à Sicília, na Itália, para reencontrar a mãe após 15 anos. Nessa viagem, ele não apenas revive palavras, pessoas, lugares, sons, sensações e odores dos seus sete anos, como também compreenderá a si mesmo. Direção de Danièle Huilet e Jean-Marie Straub.


sexta-feira, abril 03, 2009

Vittorio Gassman. Profumo di Donna. 1974.

Al Pacino. Scent of a Woman. 1992


segunda-feira, março 23, 2009

Sexo, paixões e cinema

Perdas e Danos-1992
Ultimo Tango em Paris- 1972


“A beleza de um corpo nu só o sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia”.

A frase é de Fernando Pessoa, na pele de Bernardo Soares, no Livro do Desassossego, um dos meus de cabeceira.

Pensei nela sobre um post que li hoje sobre sexo no cinema, nesta vasta teia mundial.

As pessoas falavam sobre a banalização, e isso acontece no cinema, na TV, em qualquer mídia da imagem.

Então, citaram alguns filmes onde essas cenas não estão lá apenas para preencher espaços obrigatórios em função de $$$$.

Como O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima (1976) , O Piano (1993) da neozelandesa Jane Campion. E me lembrei de outros: O Último Tango em Paris (1972), de Bertolucci, e Perdas e Danos (Damage,1992), de Louis Malle. Além de outro de Bertolucci, La Luna (1979).

Todos tratam de relações destrutivas, de paixão sem limites, de carne e de alma.

Procurei o blog do Luiz Carlos Merten, do Estadão, que considero um crítico sério e competente, e li lá, sobre O Último Tango:

“No começo dos anos 70, não foi só a ditadura militar brasileira que se assustou com a cena da manteiga. Fui procurar nos arquivos do 'Estado' e encontrei uma reportagem de 1976, dia 5 de fevereiro, procedente de Roma, dizendo que as cópias do filme haviam sido inceradas no dia anterior, por uma decisão inapelável do Tribunal Superior de Justiça da Itália, que considerou a obra de Bertolucci perniciosa. Apenas três cópias foram salvas e depositadas na Cinemateca Nacional Italiana para documentar 'a evolução técnica e artística da cinematografia no país'. Em 1976, a Itália estava em guerra contra o terrorismo e a Máfia, mas - incrível! - o sexo parecia mais assustador do que a violência”.

No Último Tango,Marlon Brando e a desconhecida Maria Schneider.Em Damage, Jeremy Irons e Juliette Binoche. Em La Luna, Jill Clayburgh e Matthew Barry . Em O Império dos Sentidos, Elko Matsuda (Sada) e Kitisan (Tatsuya Fuji).

Volto ao Merten:

“Oshima havia sido um dos alvos preferidos da censura dos militares. A abordagem de sexo e morte de ‘O Império dos Sentidos’ provocou um terremoto nas casernas. Havia coisa pior por vir, mas o País estava mudando quando Oshima adentrou justamente as casernas. ‘Furyo –(1983) Merry Christmas Mr. Lawrence’ oferece uma súmula do trabalho do diretor. Aparentemente, é um filme de guerra, que se passa num campo de concentração japonês na ilha de Java, em 1942. A guerra e a violência são intrínsecos ao filme, mas os temas são outros. O sexo como elemento de destruição, os rituais que aproximam/separam duas culturas. Oshima fala de Oriente e Ocidente, de Japão e Inglaterra. Tudo gira em torno da conceitualização da morte. Para os ingleses, importa a vida. Para os japoneses, a vida só importa como preparação para a morte, à qual dará sentido. O filme possui basicamente quatro personagens. Ruichi Sakamoto, como o militar que comanda o campo, e Takeshi Kitano, seu auxiliar. No outro extremo, David Bowie, como o comandante inglês, e Bill Conti, como Mr. Lawrence, o único que fala japonês e, portanto, vira intérprete. Mais do que o idioma, Lawrence vira uma peça decisiva porque ele entende a cabeça de Yonoi, o personagem de Sakamoto. Lembro-me, e espero não estar mentindo, que na época Oshima ressaltava que o homossexualismo não era, mas havia virado um tabu na sociedade japonesa a partir da era Meiji, quando o Japão se militarizou. Uma das primeiras coisas que os militares fizeram foi reprimir esse lado da sexualidade. O livro em que ele se baseou para fazer ’Furyo’, literalmente ‘Prisioneiro de Guerra’, não faz nenhuma referência a homossexualismo, mas Oshima transformou a relação entre os personagens numa ligação homossexual. Sakamoto e Bowie são deuses que vivem sua história de confronto e paixão sob o olhar de homens comuns, seus comandados, e que são divididos pela guerra. Toda a arquitetura dramática converge para esse beijo que David Bowie dá em Sakamoto, quando ele ameaça matar o chefe dos prisioneiros ingleses e que é uma coisa tão devastadora que destabiliza o herói japonês, implodindo todo um ritual de representação do poder montado entre ambos”.

Filmes viscerais, assisti a todos, em suas diversas épocas. Revi alguns.

Assitimos ao Tango em uma sessão na casa de amigos que voltavam da França e trouxeram escondido na bagagem. Jamais me esqueci do filme, de Brando, de Schneider, da belíssima trilha sonora de Gato Barbieri. E, claro, não tinha pra vender. Anos mais tarde, ao passar pelo aeroporto de Recife, ouvi aquela maravilha no ar e comprei. Um LP, tenho até hoje.

Saí de todas essas sessões algo diferente do que havia entrado.

Não eram as cenas de sexo o motor de minha perturbação, mas a reflexão sobre a dor da existência, das paixões nunca saciadas, porque paixões.

Isto é cinema.



segunda-feira, julho 28, 2008

Só pra mulheres





Lila (Merryl Streep e Ann (Vanessa Redgrave), ao entardecer


l







"Mas que filme enjoadinho", foi o comentário de um senhor à saida de "Ao Entardecer".Aliás, era um jornalista que eu conheci um dia.
As senhoras que estavam com ele riram amarelo.
Não é mesmo filme pra homem. Dos tradicionais, ao menos.
Produção germano-americana ( tem mesmo uma cara de filme europeu), baseado no livro de uma mulher (Susan Minot) com roteiro dela e de Michael Cunningham e dirigido pelo hungaro Lajos Koltai.
Elenco de atrizes soberbas : Vanessa Redgrave, Merryl Streep, Glen Close, Nina Colette, Clare Danes e as filhas : de Vanessa, Nastasha Richardson e de Merryl , Mamie Gummer (dir.).


Ann está morrendo e , entre delirios, lembra -se da coisa mais importante de sua vida, há 50 anos: Harris, que conhece no casamento da amiga Lila.
Casou-se duas vezes, teve duas filhas, foi cantora. Mas, conta para a enfermeira, foi casada mesmo durante 40 anos com Harris, só que nunca estavam juntos. E a enfermeira: "Assim, dá certo"...
É um filme sobre o amor, a amizade e a morte- grandes temas da vida humana.
A amiga Lila vai visitar Ann porque sabe de sua doneça. Ann lembra de Harris, que as duas , e mais o então namorado de Ann e irmão de Lila- amaram.
Se os desastres da vida tivessem sido contornados, Ann teria se casado com ele? E se?
"Fizemoso o que tinhamos de fazer", diz Lila. "Eu tive tres filhas, voce teve duas, e cantou no meu casamento".
Ann parece , então, se confortar.
No fim, diz o filme, só o que é mais importante na nossa vida vem à mente. O amor por Harris era o mais importante para Ann.

domingo, maio 07, 2006

Estrela Solitária



O astro de cinema decadente larga a filmagem e sai pelo árido interior norte-americano.Volta para casa, encontra a mãe, que não vê há 30 anos. Vai em busca de um possivel filho, que deve ter a mesma idade e nunca conheceu.
É coisa de Wim Wenders e de Sam Shepard, coisa fina. De chorar, de pensar.
"Nada mudou", diz um empoado agente de seguros, que parte em busca do ator decadente e que precisa voltar às filmagens, proque empenharam muita grana nele e romper contrato lá é coisa séria. Algema o ator e na viagem comenta: "guerra do Peloponeso, Inquisição, conquista do México....." desfia uma série de merdas em que a raça humana tem se metido ao longo dos séculos para concluir isso: somos a mesma coisa, não aprendemos, não mudamos.
Anos atrás li uma noticia de jornal com o titulo do mais recente filme de Wenders "Der Himmel über Berlin". Escrevi na hora um poema com o mesmo título, sem saber do que se tratava, um poema que ninguém gosta, só eu, uma especie de soneto que nunca havia feito (http://www.secrel.com.br/jpoesia/elorenzotti.html)
Quando a obra de arte bate com a gente, parece que temos almas semelhantes, o criador e nós, espectadores. É esse o caso.Os alemães são incriveis, me diz uma amiga, eles foram os primeiros a traduzir a filosofia oriental( veja-se o I Ching com prefácio de Jung e tradução de Richard Wilhelm).
Asas do Desejo, o céu de Berlim, é sobre dois anjos que ficam escutando nosso pensamentos, sabendo de nossas tragédias e alegrias, mas nada podem fazer. Um deles quer ser humano e acaba concretizando o desejo. Quer sentir. A segunda parte é Tão longe, tão perto. Outro anjo cai na Terra.
De anjos e de homens, de estrelas solitárias, road moveis pelo árido, somos nós ali.
Na Estrela, uma menina joga as cinzas da mãe morta sobre a cidade em meio ao deserto. A imagem é linda e comovente. No fim, todos vamos procurar a origem, não é?
Nosso criador, nossos criadores. A família, para uns imprescindível, para outros não.
Um belo filme.