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segunda-feira, março 07, 2011
domingo, março 06, 2011
Vinícius, sempre
Poética - Vinicius de Moraes
"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
Meu tempo é quando."
Vinicius foi minha paixão adolescente, desde que li "Para uma menina com uma flor". Um dia , muito tempo depois, me pautam pra entrevistar o poeta. Tive de chamar uma colega pra fazer a entrevista junto, era muito pra mim. Num apê em frente ao Mackenzie, ele estava hospedado na casa de Marilia Medalha. Umas duas da tarde, ele recém-acordado. O fotografo fez belissimas fotos dele tomando café, tenho até hoje.
Mas acho que ele acordou mesmo no fim da entrevista.
García Marquez tem razão, o jornalismo é a melhor profissão do mundo.
Às vezes, como nesta. Já o Tom, nunca me pautaram, infelizmente.
Ele era um príncipe
sábado, março 05, 2011
Um poema de Breton
Um homem e uma mulher absolutamente brancosTradução do poeta português António Ramos Rosa
Lá no fundo do guarda-sol vejo as prostitutas maravilhosas
Com trajes um pouco antiquados do lado da lanterna cor dos bosques
Levam a passear consigo um grande pedaço de papel estampado
Esse papel que não se pode ver sem que o coração se nos aperte nos andares altos de uma casa em demolição
Ou uma concha de mármore branco caída no caminho
Ou um colar dessas argolas que se confundem atrás delas nos espelhos
O grande instinto da combustão conquista as ruas onde elas caminham
Direitas como flores queimadas
Com os olhos na distância levantando um vento de pedra
Enquanto imóveis se abismam no centro da voragem
Nada se iguala para mim ao sentido do seu pensamento desligado
A frescura do regato onde os sapatinhos delas banham a sombra dos seus bicos
A realidade daqueles molhos de feno cortado onde desaparecem
Vejo os seus seios que abrem uma nesga de sol na noite profunda
E que se abaixam e se elevam a um ritmo que é a única exacta medida da vida
Vejo os seus seios que são estrelas sobre as ondas
Seios onde chove para sempre o invisível leite azul
quarta-feira, março 02, 2011
terça-feira, março 01, 2011
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Ferreira Gullar
O que eu penso sobre ele é: o poeta é maior do que o homem.
Disse uma bela frase: " A Arte existe porque a vida não basta".
Mas a mim nao convence, porque eu entendo que a vida não é separada da Arte. Talvez não tenha entendido bem, mas é o que posso oferecer.
Disse uma bela frase: " A Arte existe porque a vida não basta".
Mas a mim nao convence, porque eu entendo que a vida não é separada da Arte. Talvez não tenha entendido bem, mas é o que posso oferecer.
domingo, fevereiro 27, 2011
Vasco Oscar Nunes
Tinha mais de 70, conheci quando eu tinha 19 e era uma estagiária num jornal de noticias policiais(!). Ficamos para sempre amigos, vi sua filha nascer, travamos grandes batalhas na área sindical dos jornalistas. Sempre otimista, sempre íntegro, um homem de princípios, coisa rara, coerente, até o fim acreditando na mesma causa da justiça social e da liberdade.
Operário, jornalista, diretor de teatro em Santos, da geração de Plinio Marcos, seu amigo.
Sentirei sua falta.
Reproduzo aqui um depoimento que divulgou em 2007 por meio de sua filha,Bartira. Essa historia, ele já havia me contado, há alguns anos, na casa do querido, saudoso Tide Hellmeister, perto da redação citada.
"DELEGACIA CAMUFLADA"
Quando começou a queima de carros da "Folha de São Paulo" como reação ao apoio à repressão policial em São Paulo, a "Empresa" criou, junto à portaria na Alameda Barão de Limeira, uma Delegacia policial "camuflada", é claro, e com o aval dos donos da Empresa, porque, ao contrário, isso não ocorreria. A Delegacia era integrada por policiais civis lotados na Secretaria de Segurança Pública e comandada pelo delegado Bin, um ex-delegado aposentado do DEOPS, que morava no prédio ao lado das "Folhas". Assim, ficava sempre à disposição dos seus superiores na Empresa...
A Delegacia era bem disfarçada e seus policiais não se envoviam em questões de rotina. Os funcionários da Portaria também não se envolviam nas quesstões policiais e não se misturavam ou se ajudavam... Por determinação superior, eram dois trabalhos diferentes e que nada tinham em comum. Os empregados da Portaria não gostavam de ser confundidos com os policiais. Tinham muito medo que pudesse acontecer alguma coisa com eles por causa da sua proximidade com os policiais durante o trabalho, pois ficavam todos na bem espaçosa Portaria-Delegacia. Sempre um mínimo de três policiais trabalhavam noite e dia. Tinham muito trabalho vigiando, igualmente, funcionários e não funcionários para impedir qualquer ação contra a Empresa. Mas tudo era feito com muito cuidado, discrição e "sem dar bandeira"...
Quem não fosse da Empresa não percebia a presença dos policiais. Com o passar dos anos e pelo fato de nada de mais grave ter acontecido, os funcionários acabaram se acostumando com os policiais e passaram a encará-los como normais e naturais. Essa Delegacia existiu, pelo menos, até depois da Greve dos Jornalistas de 1979, quando esses policiais tiveram grande atividade fiscalizando os grevistas e os entregando aos seus chefes. Várias demissões em todos os jornais aconteceram. Esses policiais estavam diretamente ligados aos órgãos de repressão. A Delegacia tinha a ficha de todos os funcionários e vigiava, discretamente, à distância, todos os que eram suspeitos de serem de "esquerda". Os funcionários daqueles dias, sabiam da existência da Delegacia, da presença dos policiais e os temiam, daí, talvez, as poucas ocorrências que se têm notícia. Era considerada uma Delegacia "preventiva" e tinha o aval oficial da Secretaria de Segurança Pública. Sempre se fez muito silencio sobre essa Delegacia, mas os mais antigos sabem que de fato isso ocorreu e as maiores testemunhas são os próprios jornalistas que cobriam a área policial.
Filha! É claro que os atuais responsáveis pela Empresa não vão confirmar a minha narrativa e muito menos os detalhes... Possivelmente, terão desculpas e explicações para cada fato por mim narrado. Mas, tenho a consciência tranqüila de que tudo é a mais pura verdade, podendo, é claro, ter me enganado num ou noutro detalhe, mas, em linhas gerais e no seu todo, é tudo verdade, mesmo...
Filha, é isso aí!
Fui demitido da Folha da Tarde, como secretário-gráfico, porque fiz a greve de 1979. Também, ao mesmo tempo, de "A Gazeta", onde editava a pagina de "Internacional". Além da Greve, eu era muito visado por ser anistiado político, por ter sido no SJPESP delegado à FENAJ na gestão Audálio Dantas e por ter sido o criador e fundador em 1974 do MFS - Movimento de Fortalecimento do Sindicato.
Vivi e sou testemunha do que narro acima...
Operário, jornalista, diretor de teatro em Santos, da geração de Plinio Marcos, seu amigo.
Sentirei sua falta.
Reproduzo aqui um depoimento que divulgou em 2007 por meio de sua filha,Bartira. Essa historia, ele já havia me contado, há alguns anos, na casa do querido, saudoso Tide Hellmeister, perto da redação citada.
"DELEGACIA CAMUFLADA"
Quando começou a queima de carros da "Folha de São Paulo" como reação ao apoio à repressão policial em São Paulo, a "Empresa" criou, junto à portaria na Alameda Barão de Limeira, uma Delegacia policial "camuflada", é claro, e com o aval dos donos da Empresa, porque, ao contrário, isso não ocorreria. A Delegacia era integrada por policiais civis lotados na Secretaria de Segurança Pública e comandada pelo delegado Bin, um ex-delegado aposentado do DEOPS, que morava no prédio ao lado das "Folhas". Assim, ficava sempre à disposição dos seus superiores na Empresa...
A Delegacia era bem disfarçada e seus policiais não se envoviam em questões de rotina. Os funcionários da Portaria também não se envolviam nas quesstões policiais e não se misturavam ou se ajudavam... Por determinação superior, eram dois trabalhos diferentes e que nada tinham em comum. Os empregados da Portaria não gostavam de ser confundidos com os policiais. Tinham muito medo que pudesse acontecer alguma coisa com eles por causa da sua proximidade com os policiais durante o trabalho, pois ficavam todos na bem espaçosa Portaria-Delegacia. Sempre um mínimo de três policiais trabalhavam noite e dia. Tinham muito trabalho vigiando, igualmente, funcionários e não funcionários para impedir qualquer ação contra a Empresa. Mas tudo era feito com muito cuidado, discrição e "sem dar bandeira"...
Quem não fosse da Empresa não percebia a presença dos policiais. Com o passar dos anos e pelo fato de nada de mais grave ter acontecido, os funcionários acabaram se acostumando com os policiais e passaram a encará-los como normais e naturais. Essa Delegacia existiu, pelo menos, até depois da Greve dos Jornalistas de 1979, quando esses policiais tiveram grande atividade fiscalizando os grevistas e os entregando aos seus chefes. Várias demissões em todos os jornais aconteceram. Esses policiais estavam diretamente ligados aos órgãos de repressão. A Delegacia tinha a ficha de todos os funcionários e vigiava, discretamente, à distância, todos os que eram suspeitos de serem de "esquerda". Os funcionários daqueles dias, sabiam da existência da Delegacia, da presença dos policiais e os temiam, daí, talvez, as poucas ocorrências que se têm notícia. Era considerada uma Delegacia "preventiva" e tinha o aval oficial da Secretaria de Segurança Pública. Sempre se fez muito silencio sobre essa Delegacia, mas os mais antigos sabem que de fato isso ocorreu e as maiores testemunhas são os próprios jornalistas que cobriam a área policial.
Filha! É claro que os atuais responsáveis pela Empresa não vão confirmar a minha narrativa e muito menos os detalhes... Possivelmente, terão desculpas e explicações para cada fato por mim narrado. Mas, tenho a consciência tranqüila de que tudo é a mais pura verdade, podendo, é claro, ter me enganado num ou noutro detalhe, mas, em linhas gerais e no seu todo, é tudo verdade, mesmo...
Filha, é isso aí!
Fui demitido da Folha da Tarde, como secretário-gráfico, porque fiz a greve de 1979. Também, ao mesmo tempo, de "A Gazeta", onde editava a pagina de "Internacional". Além da Greve, eu era muito visado por ser anistiado político, por ter sido no SJPESP delegado à FENAJ na gestão Audálio Dantas e por ter sido o criador e fundador em 1974 do MFS - Movimento de Fortalecimento do Sindicato.
Vivi e sou testemunha do que narro acima...
sábado, fevereiro 26, 2011
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