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sábado, fevereiro 19, 2011
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
La Aurora, de Lorca
La Aurora
La aurora de Nueva York tiene
cuatro columnas de cieno
y un huracán de negras palomas
que chapotean las aguas podridas.
La aurora de Nueva York gime
por las inmensas escaleras
buscando entre las aristas
nardos de angustia dibujada.
La aurora llega y nadie la recibe en su boca
porque allí no hay mañana ni esperanza posible.
A veces las monedas en enjambres furiosos
taladran y devoran abandonados niños.
Los primeros que salen comprenden con sus
huesos que no habrá paraíso ni amores deshojados;
saben que van al cieno de números y leyes,
a los juegos sin arte, a sudores sin fruto.
La luz es sepultada por cadenas y ruidos
en impúdico reto de ciencia sin raíces.
Por los barrios hay gentes que vacilan insomnes
como recién salidas de un naufragio de sangre.
Federico García Lorca
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Dois poemas de Alípio Freire
Reinações na Academia
Dos Diálogos com Paulo Arantes e
Beth Lorenzotti
Um dia defenderei tese de Doutorado
em algum Departamento de Filosofia.
O título será:
A Física Quântica e os Orixás
A orientadora professora Narizinho:
graduação na USP
doutorado na Sorbonne
NB
Há pouco tempo
com bolsa paga pelo contribuinte
uma moça defendeu seu DOC
na área da Comunicação
O título e assunto da tese:
Cartografia da Solidão.
Foi aprovada com Nota Dez e Louvor
(a corporação não deixa por menos).
Dos Diálogos com Paulo Arantes e
Beth Lorenzotti
Um dia defenderei tese de Doutorado
em algum Departamento de Filosofia.
O título será:
A Física Quântica e os Orixás
A orientadora professora Narizinho:
graduação na USP
doutorado na Sorbonne
NB
Há pouco tempo
com bolsa paga pelo contribuinte
uma moça defendeu seu DOC
na área da Comunicação
O título e assunto da tese:
Cartografia da Solidão.
Foi aprovada com Nota Dez e Louvor
(a corporação não deixa por menos).
domingo, fevereiro 13, 2011
sábado, fevereiro 05, 2011
They shoot horses, don't they? Agora, com patrocínio da Knorr
Liguei a TV na sexta -feira à noite e não conseguia mudar o canal, pasma, perplexa, sei lá o que. Homens e mulheres vestidos de frango e ensacados por um plástico transparente suavam dentro de um forno- eram indicados por telespectadores para entrar e sair-- e quem ficasse mais horas nessa porra de prova ganhava nao sei o quê. No início, um desenho de um olho alertava:"Crianças! Não façam isso em casa, não ponham a cabeça dentro de saco plástico!"
(Bom, isso era depois das 22 horas. Imaginem hoje que brincadeira boa pra criançada).
Comentei com um amigo e ele perguntou:"O patrocínio era do campo de concentração Spandau ou da Knorr?"Acertou na mosca: Knorr.
Era isso aqui, segundo a net
Foram 9h30 de competição.
Vestidos de frangos e "ensacados", os BBBs precisaram entrar em um forno cenográfico. O público podia interferir totalmente na prova escolhendo qual grupo (Azul, Laranja, Vermelho e Verde) deveria assar no local, por meio do site oficial do programa. Quando um barulho era emitido, o time que tivesse dentro do forno deveria sair para que a outra equipe entrasse. Se o público escolhesse a mesma, ela deve deixar o forno e depois retornar novamente.
E foi assim até o fim. Por volta de 8h45, restavam Jaqueline, Talula e Adriana. A loira acabou desistindo, pois já sentia muito cansaço e tremor nas mãos.
Poucos minutos depois, Talula, chorando, disse que abria mão da liderança por Jaqueline e também deixou a prova.
"Eu ia ficar até o final. Você merece, amiga", declarou, tirando a fantasia.
Vestidos de frangos e "ensacados", os BBBs precisaram entrar em um forno cenográfico. O público podia interferir totalmente na prova escolhendo qual grupo (Azul, Laranja, Vermelho e Verde) deveria assar no local, por meio do site oficial do programa. Quando um barulho era emitido, o time que tivesse dentro do forno deveria sair para que a outra equipe entrasse. Se o público escolhesse a mesma, ela deve deixar o forno e depois retornar novamente.
E foi assim até o fim. Por volta de 8h45, restavam Jaqueline, Talula e Adriana. A loira acabou desistindo, pois já sentia muito cansaço e tremor nas mãos.
Poucos minutos depois, Talula, chorando, disse que abria mão da liderança por Jaqueline e também deixou a prova.
"Eu ia ficar até o final. Você merece, amiga", declarou, tirando a fantasia.
terça-feira, fevereiro 01, 2011
O sambista/cientista Paulo Vanzolini e a melhor profissão do mundo

É a melhor profissão do mundo o jornalismo (às vezes), acrescento parenteses à tese do García Márquez. Ao menos quando a gente vai conhecer quem nunca conheceria. De que outra forma eu passaria uma tarde em uma vila simples do Cambuci, com Paulo Vanzolini, nosso grande cientista/ sambista paulista?
Poderia nunca ter falado com ele, não é mesmo? Então, às vezes esta é a melhor profissão do mundo, não é colegas? Quanta gente fina se conhece ( mas também, quanto sujeito/a nefasto/a, enfim, nada é perfeito)
Vanzolini autor de maravilhas como Ronda , Volta por Cima, Capoeira do Arnaldo, Cuitelinho, a engraçadesima Juizo Final, etc e etc e etc.
Ele é casado com Ana Bernardo, filha do Arturzinho, dos Demônios da Garoa, que já se foi.
Ronda- que tempos são estes!!- é escrito assim HONDA no Youtube e também por muitas pessoas que pedem, em guardanapos, para Ana cantar, nos bares- Ana é ótima cantora.
Foi gravada por mero acaso pela Inezita Barroso, amiga do Vanzolini e de sua primeira mulher, em 1953. Ela convidou a amiga para assistir à sua primeira gravação de Marvada Pinga.
Paulo foi junto. Chegando lá, precisava de outra música para o lado B. Inezita nao sabia que disco tinha lado B, gargalha Vanzolini. Então, como eu estava ali mesmo e podia autorizar resolveu: "Bom, só se eu gravar Ronda". E foi.
Mas ele nunca ligou muito pra essa música, conta o compositor. Gravada por muitos, teve a versao definitiva com Marcia, cantora paulista bissexta de voz quente e macia, em 1977.
Compôs quando ele frequentava a zona, boêmio jovem. Imaginou uma mulher que rondava os bares atrás do amante. Quem diria que Ronda seria o hino de São Paulo, retomado por Sampa, do baiano?
E Volta por Cima? Sucesso nacional com Noite Ilustrada. "Desse samba, todo mundo dá ênfase à volta por cima. Mas esquece o" reconhece a queda", o mais importante", diz Vanzolini.
Família paterna oriundi de Pesaro, na região de Marche, a mesma dos meus avós, perto de Macerata, a terra do meu avô paterno que nao conheci. O pai dele, professor de engenharia da Poli. De quem herdou a veia poética? Ele acha que desse avô de Pesaro, que traduziu Lucrécio.
Cientista premiado da Zoologia, reconhecido internacionalmente, disse que nao tem muitos sambas, uns 60, o que é pouco pra um sambista de rua.
Samba toma muito tempo para compor e ele nao tinha tanto. E tem reconhecimento?
"Conheceu Geraldo Filme? Ele dizia que sambista de rua morre sem glória..."
Lawrence Ferlinghetti
O poeta beat, editor e dono da livraria mais interessante do mundo, City Lights, ainda viva
Você consegue imaginar Shelley numa oficina literária?
Can you imagine Shelley attending a poetry workshop?
Poesia desconstrói o poder. Poesia absoluta desconstrói absolutamente.
Poetry deconstructs power. Absolute poetry deconstructs absolutely
Um poema ainda é uma batida na porta do desconhecido.
A poem is still a knockon a door of the unknown.
Você consegue imaginar Shelley numa oficina literária?
Can you imagine Shelley attending a poetry workshop?
Poesia desconstrói o poder. Poesia absoluta desconstrói absolutamente.
Poetry deconstructs power. Absolute poetry deconstructs absolutely
Um poema ainda é uma batida na porta do desconhecido.
A poem is still a knockon a door of the unknown.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Lembrando Mandela
Abdullah Ibrahim visita a ilha onde Nelson Mandela esteve preso durante 27 anos.
A musica era proibida na prisao.Uma vez, um advogado conseguiu tocar um disco de Abdullah,bloqueou a portas da sala de controle e, pelos alto-falantes, Mandela ouviu o primeiro som de música em décadas. A vida, às vezes, parece ficção.
Tirei essa maravilha do lindo site do desenhista portugues Fernão Campos
sábado, janeiro 29, 2011
Lá se foi Oderfla
Recebi esse texto do meu amigo Victor Passos, lá dos altos de Santa Tereza (RJ), sobre um amigo dele que se foi, nao conheci, mas ele sempre citava esse inesquecivel nome Oderfla- Alfredo ao contrário. Evoé Oderfla!
Ah, nada como a palavra pra ser nosso escudo. Mas pena que o Victor nunca apostou na escrita literária -- cronica, poesia, etc,-- que ele faz muito bem e fica só coçando a vasta barriga sentado nos bares de Santa, aposentado de tantos decadas de jornalismo," um carrapato a serviço do fato". Toma tento, garoto!
Lá se foi o Fla-Fla, meu maestro, meu guru nos altos de Santa Teresa, meu conselheiro. Aquele moreno-mulato! Baixinho, cabelo e barba cerrada. Aquele mouro! Falava rente ao meu nariz e em voz alta, exacerbando seus conceitos, suas verdades...
Lá se foi meu velho, meu mestre de cerimônias. Aquele gaiato! Foi ele que escancarou as portas de sua casa numa festa de fim de ano, onde conheci minha segunda mulher. E onde ouvia a sua música, aos goles de suas “confusões de laranja”. Ou de pera, uva, maracujá, de não sei que lá...
Aquele curandeiro! Misto de coleguinha e músico, tocava seus tantãs, seus atabaques, tumbadoras, bongôs, toda sua percussão. Aquele batuqueiro!Comparava as mulheres, seu grau de beleza, pelo tamanho das igrejas. Havia as capelinhas, as catedrais e as basílicas!!!
Meu efêmero companheiro de trabalho, das noitadas saudosas no Pardelas, ou do “Bar delas”, como preferia. Ou ainda no Adolfo, dividindo o exíguo espaço com os bondes e com os biriteiros, que imploravam cerveja ou cachaça e o velho lá dentro, nem aí: “Aqui todo mundo tem que esperar”...
Então chegava aquela figura tonitruante. E comandava pra dentro do balcão: Adolfo, abre isso aqui! E logo depois a porta se abria. Entrava e ficava um tempo ajudando o velho a atender a sua distinta freguesia, enquanto tomava uma birita e pegava um maço de cigarros. Depois saía para expandir sua verborragia...
Aquele periodista! Quanta história pra contar. Era como na música do Chico: “um pouco jogado fora, um pouco sábio demais”. Vasco doente, se não me traem os buracos da memória. Solidário com os desvalidos, com os desgarrados, com os desempregados, com os bêbados, os mendigos, as damas da noite...
Pois é. Lá se foi meu camarada. Há muito não o via, ignorava o seu paradeiro. Sumiu de Santa. Deixou o Curvelo.“Tudo na vida é passageiro menos o condutor e motorneiro”. Perguntava por onde andava, se por aqui ainda estava, agora sei, partiu desta e levou consigo seu aforismo recorrente...
“Quem não morre não vê Deus”.
Saravá!
Evoé!
ST, 28-29/01/11
victor passos
Oderfla Silva Almeida, Alfredo ao contrário, jornalista e músico, 75 anos.Morreu sábado, 22/01/11, depois de sofrer as sequelas de um AVC. A mão de Deus levou. Vai ter furdúncio no céu.
Ah, nada como a palavra pra ser nosso escudo. Mas pena que o Victor nunca apostou na escrita literária -- cronica, poesia, etc,-- que ele faz muito bem e fica só coçando a vasta barriga sentado nos bares de Santa, aposentado de tantos decadas de jornalismo," um carrapato a serviço do fato". Toma tento, garoto!
Lá se foi o Fla-Fla, meu maestro, meu guru nos altos de Santa Teresa, meu conselheiro. Aquele moreno-mulato! Baixinho, cabelo e barba cerrada. Aquele mouro! Falava rente ao meu nariz e em voz alta, exacerbando seus conceitos, suas verdades...
Lá se foi meu velho, meu mestre de cerimônias. Aquele gaiato! Foi ele que escancarou as portas de sua casa numa festa de fim de ano, onde conheci minha segunda mulher. E onde ouvia a sua música, aos goles de suas “confusões de laranja”. Ou de pera, uva, maracujá, de não sei que lá...
Aquele curandeiro! Misto de coleguinha e músico, tocava seus tantãs, seus atabaques, tumbadoras, bongôs, toda sua percussão. Aquele batuqueiro!Comparava as mulheres, seu grau de beleza, pelo tamanho das igrejas. Havia as capelinhas, as catedrais e as basílicas!!!
Meu efêmero companheiro de trabalho, das noitadas saudosas no Pardelas, ou do “Bar delas”, como preferia. Ou ainda no Adolfo, dividindo o exíguo espaço com os bondes e com os biriteiros, que imploravam cerveja ou cachaça e o velho lá dentro, nem aí: “Aqui todo mundo tem que esperar”...
Então chegava aquela figura tonitruante. E comandava pra dentro do balcão: Adolfo, abre isso aqui! E logo depois a porta se abria. Entrava e ficava um tempo ajudando o velho a atender a sua distinta freguesia, enquanto tomava uma birita e pegava um maço de cigarros. Depois saía para expandir sua verborragia...
Aquele periodista! Quanta história pra contar. Era como na música do Chico: “um pouco jogado fora, um pouco sábio demais”. Vasco doente, se não me traem os buracos da memória. Solidário com os desvalidos, com os desgarrados, com os desempregados, com os bêbados, os mendigos, as damas da noite...
Pois é. Lá se foi meu camarada. Há muito não o via, ignorava o seu paradeiro. Sumiu de Santa. Deixou o Curvelo.“Tudo na vida é passageiro menos o condutor e motorneiro”. Perguntava por onde andava, se por aqui ainda estava, agora sei, partiu desta e levou consigo seu aforismo recorrente...
“Quem não morre não vê Deus”.
Saravá!
Evoé!
ST, 28-29/01/11
victor passos
Oderfla Silva Almeida, Alfredo ao contrário, jornalista e músico, 75 anos.Morreu sábado, 22/01/11, depois de sofrer as sequelas de um AVC. A mão de Deus levou. Vai ter furdúncio no céu.
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