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sexta-feira, julho 09, 2010
quarta-feira, julho 07, 2010
segunda-feira, julho 05, 2010
Depois de tudo

Por detrás de cada pedra
Por detrás de cada homem
Por detrás de cada sombra
O vento traz-me o teu rosto
(Roberto Piva)
Acho que todos que estávamos no dia 6 de março no evento para juntar fundos para o tratamento do Piva devíamos isso a ele, de alguma forma. Pensei nisso lendo o texto do blog do dramaturgo, que sequer conhecia o poeta, mas muitas vezes o viu e leu.
Eu também não o conhecia, só daqui, dali,deste, daquele bar, de vista. Anos , séculos atrás. O dramaturgo diz que foi sua primeira noite de vinho, depois de tudo que lhe aconteceu, e que se arrastava com dificuldade. Eu vi.
Ele declamou o poema de Paranóia (1963)-Boletim do mundo mágico- e do meu lado o professor Boris Schnaiderman e a mulher dele, professora Jerusa Pires, generosa gente amante da poesia, gostaram do que ouviram. E olha que o professor Boris, do alto dos seus mais de 90, deve até ter visto o próprio Maiakovski declamando. O grande poeta morreu em 1925 e o professor ucraniano chegou ao Brasil em 1930...
Noite meio encantada, porque logo que chego encontro na porta meu velho amigo de adolescência e companheiro de rodadas de poesia, quando estudávamos no inesquecível colégio estadual da zona norte de Sampa. Então, o Edson ainda ama a poesia, como a amávamos desde crianças, eu pensei, feliz. Querem coisa mais incrível num mundo desses?A namorada do Edson, depois mãe de suas filhas, Lucila, também nossa querida companheira de rodadas de poesia, já tinha partido há uns 10 anos.Saudades, sempre. Ela estaria lá também naquela noite, se é que não estava. E Boris Schnaiderman havia sido seu professor na USP, lembramos...Noite encantada, porque muitos fios se juntavam.
O poeta da Paranóia nos reunia. A alma da poesia vagando entre doidos (as) de pedra y loucos varridos (as). Eterna tribo sempre, e claro, como iria faltar o Marsicano tocando Coltrane y etc. na cítara?
Bortolotto havia se salvado milagrosamente.Leio no seu blog que, naquela noite, chegando em casa, sentiu que estava de volta. Definitivamente. Ou provisoriamente. E algum de nós sabe?
O casal Schnaiderman foi cumprimentá-lo pela declamação.
Meu ex-colega do colégio saiu no meio do evento, como fez a vida inteira- deu um tchau rapidinho, anotou meu telefone e desde então me manda emails engraçados e/ou comoventes.
Muitas apresentações depois, dei carona para o casal russo/baiano, que por outras vias meio encantadas havia conhecido meses antes, e até tomado um chá da tarde no apartamento-bliblioteca deles. (Um belo homem este, com seus olhos azuis tranquilos, onde se vê o amor e o cuidado pela mulher. Que sorte a deles.)
A noite estava suave, sim. Me despedi deles, olhei para a lua, respirei: às vezes, mesmo por motivos graves e tristes, a vida tece fios dourados enredando pessoas especiais, fora do tempo, a sincronicidade, um átimo de encanto.
domingo, julho 04, 2010
Para que existe o poeta?
De uma entrevista com Roberto Piva:
FW - Num dos últimos poemas do Paranóia, você diz: "eu quero a destruição de tudo o que é frágil"...
RP - Mas sabemos que não é nada frágil aquilo cuja destruição eu desejo. A poesia é que é frágil, é uma forma de abrir brechas na realidade; como o Baudelaire, o Artaud, o Gottfried Benn e o Georg Trakl abriram. Mas não impediram Auschwitz. O poeta não existe para impedir essas coisas. O poeta existe para impedir que as pessoas parem de sonhar.
---
Do jornalista e escritor Ronaldo Antonelli
O poeta existe para que algo não precise responder a pergunta "para quê?".
FW - Num dos últimos poemas do Paranóia, você diz: "eu quero a destruição de tudo o que é frágil"...
RP - Mas sabemos que não é nada frágil aquilo cuja destruição eu desejo. A poesia é que é frágil, é uma forma de abrir brechas na realidade; como o Baudelaire, o Artaud, o Gottfried Benn e o Georg Trakl abriram. Mas não impediram Auschwitz. O poeta não existe para impedir essas coisas. O poeta existe para impedir que as pessoas parem de sonhar.
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Do jornalista e escritor Ronaldo Antonelli
O poeta existe para que algo não precise responder a pergunta "para quê?".
Caminhante, não há caminho: a morte de Piva

Reproduzo aqui o texto do ator e dramagurgo Mario Bortolotto sobre a morte de Piva, um de nossos maiores poetas, ontem em São Paulo.
E que, por viver em um país que nunca respeitou nem grandes poetas, nem idosos--em geral gente sem recursos, que nunca viveu em função de lucro-- sofreu um verdadeiro calvário em busca de internação, até ser acolhido no Incor, via alguns médicos que se comoveram.
Ao menos teve , quero crer, uma morte digna e sem dor, estava em coma induzido há algum tempo.
Viva Piva Forever!
O Texto de Bortolotto
Eu não conheci Roberto Piva. Mas eu vi Roberto Piva. Várias vezes. Lendo seus poemas nos mais variados lugares. Adentrando os eventos culturais cercado por seus "pivetes" (como eram conhecidos os garotos que andavam com ele e com os quais ele dividia suas iluminações). Piva era amigo de amigos meus (Bivar, Pinduca) e teve uma noite que eu fui até à Funarte com minha velha câmera VHS e registrei um bate-papo entre ele e o grande poeta Cláudio Willer. Quando morava em Londrina, já lia Roberto Piva. Eu já o considerava o maior poeta vivo do Brasil e ele tinha aquela aura de mito marginal, do cara que não se rende e que vai até as últimas consequencias em nome de sua arte, no caso, sua poesia, do cara que dizia "só acredito em poeta experimental com vida experimental". Nos últimos anos, Piva vinha definhando por conta de sua doença que era degenerativa. Nós, do lado de cá, ficavamos torcendo por sua recuperação, mas na verdade ninguém tinha muita esperança. Meses atrás, lá no Barco, organizaram uma leitura de poemas pra ajudar a pagar o tratamento dele no hospital. Dei minha pequena contribuição lendo um poema dele acompanhado pela gaita do meu amigo Flavinho Vajman ( http://www.youtube.com/watch?v=TRQYXoBl0M0 ) E esse é o mesmo poema que li anos atrás em Londrina no programa "Estação Blues" da Rádio Universidade FM.
E aqui o próprio lendo o poema "A Piedade": http://www.youtube.com/watch?v=P2Lhaedkh48
Enquanto estou terminando de postar esse texto, Piva deve estar sendo cremado no Cemitério de Vila Alpina (o mesmo em que cremaram recentemente o meu amigo Marcos Cesana). E ele já deve estar nesse momento atazanando a vida (ou seria pós-vida?) de uma porrada de anjos em algum boteco bacana lá no céu. Acompanhado é claro de sujeitos de boa procedência poética como Vinícius de Moraes, Wally Salomão e Itamar Assumpção.
Vá em paz, excepcional (não encontro uma expressão mais adequada) Poeta.
Os drinks desfilam diante dos amigos
embriagados no tapete
Saratoga Springs
Kummel Coquetel
minhas almas estão sendo enforcadas
com intestinos de esqueletos
meus livros flutuam horrivelmente
no parapeito meu melhor amigo
brinca de profeta
no meu cérebro oito mil vagalumes
balbuciam e morrem
(Roberto Piva)
E que, por viver em um país que nunca respeitou nem grandes poetas, nem idosos--em geral gente sem recursos, que nunca viveu em função de lucro-- sofreu um verdadeiro calvário em busca de internação, até ser acolhido no Incor, via alguns médicos que se comoveram.
Ao menos teve , quero crer, uma morte digna e sem dor, estava em coma induzido há algum tempo.
Viva Piva Forever!
O Texto de Bortolotto
Eu não conheci Roberto Piva. Mas eu vi Roberto Piva. Várias vezes. Lendo seus poemas nos mais variados lugares. Adentrando os eventos culturais cercado por seus "pivetes" (como eram conhecidos os garotos que andavam com ele e com os quais ele dividia suas iluminações). Piva era amigo de amigos meus (Bivar, Pinduca) e teve uma noite que eu fui até à Funarte com minha velha câmera VHS e registrei um bate-papo entre ele e o grande poeta Cláudio Willer. Quando morava em Londrina, já lia Roberto Piva. Eu já o considerava o maior poeta vivo do Brasil e ele tinha aquela aura de mito marginal, do cara que não se rende e que vai até as últimas consequencias em nome de sua arte, no caso, sua poesia, do cara que dizia "só acredito em poeta experimental com vida experimental". Nos últimos anos, Piva vinha definhando por conta de sua doença que era degenerativa. Nós, do lado de cá, ficavamos torcendo por sua recuperação, mas na verdade ninguém tinha muita esperança. Meses atrás, lá no Barco, organizaram uma leitura de poemas pra ajudar a pagar o tratamento dele no hospital. Dei minha pequena contribuição lendo um poema dele acompanhado pela gaita do meu amigo Flavinho Vajman ( http://www.youtube.com/watch?v=TRQYXoBl0M0 ) E esse é o mesmo poema que li anos atrás em Londrina no programa "Estação Blues" da Rádio Universidade FM.
E aqui o próprio lendo o poema "A Piedade": http://www.youtube.com/watch?v=P2Lhaedkh48
Enquanto estou terminando de postar esse texto, Piva deve estar sendo cremado no Cemitério de Vila Alpina (o mesmo em que cremaram recentemente o meu amigo Marcos Cesana). E ele já deve estar nesse momento atazanando a vida (ou seria pós-vida?) de uma porrada de anjos em algum boteco bacana lá no céu. Acompanhado é claro de sujeitos de boa procedência poética como Vinícius de Moraes, Wally Salomão e Itamar Assumpção.
Vá em paz, excepcional (não encontro uma expressão mais adequada) Poeta.
Os drinks desfilam diante dos amigos
embriagados no tapete
Saratoga Springs
Kummel Coquetel
minhas almas estão sendo enforcadas
com intestinos de esqueletos
meus livros flutuam horrivelmente
no parapeito meu melhor amigo
brinca de profeta
no meu cérebro oito mil vagalumes
balbuciam e morrem
(Roberto Piva)
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Música de Serrat sobre texto que mistura de versos de Machado y de Serrat.
sábado, julho 03, 2010
Precisa-se de um amigo
Li num blog e senti saudades do velho Vina, meu primeiro amor poético da adolescência.Desde que li Para uma menina com uma flor. Mais tarde eu o entrevistei, recém-acordado, e só no fim da entrevista acordou mesmo.Eu nem acreditava que estava falando com ele. Essa vida de jornalista me deu grandes emoções algumas vezes.
(...)"Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive ".
Vinícius de Moraes
(...)"Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive ".
Vinícius de Moraes
sexta-feira, julho 02, 2010
Futebol
Não gosto mesmo, nunca gostei, mas sempre fico atenta à paixão das pessoas.
Acabada a partida que eliminou o Brasil da Copa, o auxiliar do açougue, de costas para o balcão, com seu jaleco branco e seu boné, cortava a carne lenta e silenciosamente, ouvindo os comentários dos babacas da tevê.
O trabalhador, de costas, me passou uma das maiores tristezas que já presenciei.
Acabada a partida que eliminou o Brasil da Copa, o auxiliar do açougue, de costas para o balcão, com seu jaleco branco e seu boné, cortava a carne lenta e silenciosamente, ouvindo os comentários dos babacas da tevê.
O trabalhador, de costas, me passou uma das maiores tristezas que já presenciei.
quarta-feira, junho 30, 2010
Aos que teimam
Na homenagem a Massao Ohno, estavam os que teimam em ser o que sempre foram.
Poetas. Performers. Loucos & doidivanas.
Uma geração que persiste.
Não tem mais lugar na desordem das coi$as.
.
A eles, eu brindo.
Poetas. Performers. Loucos & doidivanas.
Uma geração que persiste.
Não tem mais lugar na desordem das coi$as.
.
A eles, eu brindo.
terça-feira, junho 29, 2010
Homenagem a Massao Ohno
Evento no Centro Cultural São Paulo (CCSP) homenageia Massao Ohno, editor responsável por revelar uma geração inteira da poesia nacional.
O Centro Cultural São Paulo celebra “Um tributo a Massao Ohno” na próxima quarta-feira, 30/6, às 20 horas na Sala Adoniran Barbosa. Um dos mais importantes editores independentes do país, Massao Ohno, recém falecido, dedicou meio século a criar livros que primaram pela inovação gráfica e pela descoberta de novos talentos literários. O CCSP fica na Rua Vergueiro, 1000, próximo à estação de metrô.
O evento é um sarau-homenagem com leituras de poemas, exibição de trechos de um documentário que está sendo produzido sobre o editor, números musicais e falas que narram sua importância e trajetória. Os poetas Antonio Fernando de Franceschi, Claudio Willer, Leila Echaime, Eunice Arruda, Celso de Alencar, Carlos Felipe Moisés, Álvaro Alves de Faria, Eunice Arruda, Renata Pallottini, Eduardo Alves da Costa, Miguel de Almeida, os editores Jiro Takahashi e Toninho Mendes, a cineasta Paola Prestes, o butoh Toshi Tanaka, os músicos Tito Martino e Cacau Brasil, são algumas das personalidades que se reúnem para celebrar seu legado.
Sobre Massao Ohno
Massao Ohno (1936-2010) foi o principal editor de gigantes da poesia brasileira, como Hilda Hilst e Roberto Piva. Lançou uma geração inteira de poetas com a Coleção Novíssimos no início da década de 60, incluindo Claudio Willer, Álvaro Alves de Faria, Carlos Felipe Moisés, Eduardo Alves da Costa e Eunice Arruda.
Ohno atuou quase sempre como uma pequena editora independente, muito mais como um artista do livro do que como empresário. Foi considerado por especialistas, como o bibliófilo José Mindlin, como um dos principais artistas gráficos do livro no Brasil, tendo inovado em formatos, uso de papéis e cortes especiais, em trabalho meticuloso e artesanal. Ajudou a formar também vários editores, hoje profissionais de destaque no mercado.
Começou a Editora Massao Ohno em meados da década de 50, dando forma inicialmente a apostilas e títulos didáticos destinados a estudantes de cursinhos pré-vestibulares, especialmente o Anglo. Trabalhava para quem podia pagar e financiava os jovens talentos do próprio bolso a fundo perdido. Lançou em 1961 a “Antologia dos Novíssimos”, uma das mais importantes coletâneas de novos poetas da História da Literatura Brasileira.
Foi o primeiro a publicar Renata Pallottini, Carlos Vogt, Jorge da Cunha Lima, Celso Luís Paulini, Paulo Del Greco, dentre muitos outros. Quando todos os grandes editores se recusaram a lançar Hilda Hilst em sua dita “fase erótica” – ou “pornográfica”, para alguns – temerosos da polêmica, novamente foi Massao quem mandou imprimir sob seu selo “O Caderno Rosa de Lory Lambi”, que deu novo fôlego à trajetória da autora. Calcula-se que tenha editado cerca de mil livros ao todo, na maioria esgotados e hoje itens de colecionador.
Incorporou trabalhos de Manabu Mabe, Ciro Del Nero, Tide Hellmeister, Arcângelo Ianelli, Aldemir Martins, João Suzuki, Jaguar e Millôr, dentre outros artistas, a seus livros, em capas ou ilustrações, promovendo intenso diálogo entre a literatura e as artes visuais.
Filho de japoneses, formado em odontologia, dedicou toda sua carreira às letras, mas militou também no cinema, tendo co-produzido filmes como “Viagem ao fim do mundo” (1967), de Fernando Coni Campos, e “O bandido da luz vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla.
O Centro Cultural São Paulo celebra “Um tributo a Massao Ohno” na próxima quarta-feira, 30/6, às 20 horas na Sala Adoniran Barbosa. Um dos mais importantes editores independentes do país, Massao Ohno, recém falecido, dedicou meio século a criar livros que primaram pela inovação gráfica e pela descoberta de novos talentos literários. O CCSP fica na Rua Vergueiro, 1000, próximo à estação de metrô.
O evento é um sarau-homenagem com leituras de poemas, exibição de trechos de um documentário que está sendo produzido sobre o editor, números musicais e falas que narram sua importância e trajetória. Os poetas Antonio Fernando de Franceschi, Claudio Willer, Leila Echaime, Eunice Arruda, Celso de Alencar, Carlos Felipe Moisés, Álvaro Alves de Faria, Eunice Arruda, Renata Pallottini, Eduardo Alves da Costa, Miguel de Almeida, os editores Jiro Takahashi e Toninho Mendes, a cineasta Paola Prestes, o butoh Toshi Tanaka, os músicos Tito Martino e Cacau Brasil, são algumas das personalidades que se reúnem para celebrar seu legado.
Sobre Massao Ohno
Massao Ohno (1936-2010) foi o principal editor de gigantes da poesia brasileira, como Hilda Hilst e Roberto Piva. Lançou uma geração inteira de poetas com a Coleção Novíssimos no início da década de 60, incluindo Claudio Willer, Álvaro Alves de Faria, Carlos Felipe Moisés, Eduardo Alves da Costa e Eunice Arruda.
Ohno atuou quase sempre como uma pequena editora independente, muito mais como um artista do livro do que como empresário. Foi considerado por especialistas, como o bibliófilo José Mindlin, como um dos principais artistas gráficos do livro no Brasil, tendo inovado em formatos, uso de papéis e cortes especiais, em trabalho meticuloso e artesanal. Ajudou a formar também vários editores, hoje profissionais de destaque no mercado.
Começou a Editora Massao Ohno em meados da década de 50, dando forma inicialmente a apostilas e títulos didáticos destinados a estudantes de cursinhos pré-vestibulares, especialmente o Anglo. Trabalhava para quem podia pagar e financiava os jovens talentos do próprio bolso a fundo perdido. Lançou em 1961 a “Antologia dos Novíssimos”, uma das mais importantes coletâneas de novos poetas da História da Literatura Brasileira.
Foi o primeiro a publicar Renata Pallottini, Carlos Vogt, Jorge da Cunha Lima, Celso Luís Paulini, Paulo Del Greco, dentre muitos outros. Quando todos os grandes editores se recusaram a lançar Hilda Hilst em sua dita “fase erótica” – ou “pornográfica”, para alguns – temerosos da polêmica, novamente foi Massao quem mandou imprimir sob seu selo “O Caderno Rosa de Lory Lambi”, que deu novo fôlego à trajetória da autora. Calcula-se que tenha editado cerca de mil livros ao todo, na maioria esgotados e hoje itens de colecionador.
Incorporou trabalhos de Manabu Mabe, Ciro Del Nero, Tide Hellmeister, Arcângelo Ianelli, Aldemir Martins, João Suzuki, Jaguar e Millôr, dentre outros artistas, a seus livros, em capas ou ilustrações, promovendo intenso diálogo entre a literatura e as artes visuais.
Filho de japoneses, formado em odontologia, dedicou toda sua carreira às letras, mas militou também no cinema, tendo co-produzido filmes como “Viagem ao fim do mundo” (1967), de Fernando Coni Campos, e “O bandido da luz vermelha” (1968), de Rogério Sganzerla.
segunda-feira, junho 28, 2010
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