quarta-feira, abril 15, 2009




João do Rio e Lima Barreto: almas encantadoras das ruas cariocas






Meu amigo e colega jornalista Gutemberg Medeiros defendeu ontem, 14 de abril, na ECA-USP sua excelente tese de doutorado “Urbanidade e metajornalismo nas matrizes da Modernidade: memória textual nas produções de Lima Barreto e João do Rio no início do século XX". Durou mais de 4 horas, com intervenções preciosas dos professores da banca. O trabalho foi orientado pela professora Terezinha Tagé, de cujo grupo de pesquisa fazemos parte, e já falei aqui: Textos da Cultura em Mídias Diferenciadas, na pós-graduação em Ciências da Comunicação.

Como cheguei atrasada, peguei a discussão interesantissima, já pelo meio. E o alentado trabalho do Gutemberg abre as considerações finais com o verso do Paulinho da Viola "A vida não cabe num samba curto".

Trata de dois mulatos cariocas: Lima Barreto, o do Memórias do Escrivão Isaias Caminha, roman à clef sobre o Correio da Manhã, pelo qual foi expurgado do jornal até depois da morte - e quem descobriu que seu nome era impublicável foi o jornalista Sergio Augusto, que trabalhou lá no suplemento de cultura nos anos 1960.

E João do Rio, o daquela Alma Encantadora das Ruas, que, esperto, resolveu sair da exclusão via um acordo com a influente colônia portuguesa no Rio: criou a revista Atlântica, patrocinada pelo DIP de Vargas e pela ditadura de Salazar.

Mas, lembra Gutemberg, tinha maravilhosos artigos de gente como Graciliano Ramos e que tais.

Quando ele morreu, os portugas, donos das frotas de táxi, abriram seus carros gratuitamente para o povo, e muitos cariocas andaram de táxi pela primeira vez.

Claro que a tese do Gutemberg é muito mais que isso, aqui dei apenas um gostinho. E quando for publicada eu aviso que não é coisa chata de ler, as teses desse grupo são preciosos aportes à comunicação e sua visão de mundo é ampla.


“O mundo é uma ilha de edição”


Disse a professora Jerusa de Carvalho Pires Ferreira, na banca, citando seu conterrâneo baiano, o poeta Wally Sailormoon, ou Salomão, sugerindo a publicação da tese, claro, com uma boa edição.

Ensaísta e professora de Literatura e Comunicação Social, Jerusa é um dos grandes nomes dessa área, atualmente na PUCSP, onde coordena há mais de 10 anos o Centro de Estudos da Oralidade e onde organizou mais de dez colóquios e seminários internacionais. Lembrou também que Odorico Mendes, tradutor maranhense de Homero, disse uma vez: “Só Deus é original”.

E lembrou de seu trabalho, uma pesquisa no que chamamos de periferia, a Cultura das Bordas, que levou mais de 20 anos-e foi publicada na França, mas aqui ainda não-, e entre elas aquela sobre os editores Fittipaldi, sim, do mesmo ramo dos automobilistas. Saverio Fittipaldi chegou ao Rio em 1913, depois voltou para a Itália na guerra, depois retornou ao Rio e foi ser vendedor de jornais. Adorava o jornal O Pais e as crônicas de João do Rio. Certo dia, aparece o próprio na sua frente. Ele o descreve vestido como “um centurião romano”- era um dândi o João. E o jornalista e escritor diz: “Há muitos anos eu precisava de um vendedor de jornais capacitado como você”. Naquele momento criou-se a Editora João do Rio (1921-1937).

Mais tarde, em São Paulo, Saverio criou a Editora das Américas, que publicou clássicos como Dante, Virgilio, Tolstoi, Victor Hugo.

A grande matriz de Saverio e de João, entretanto, era a imprensa. Uma das histórias que pessoas sérias e entusiasmadas da academia, como Jerusa, descobrem para nós.


segunda-feira, abril 13, 2009

Brasil Nação discute abusos da mídia



Trechos de recente mesa redonda do excelente programa Brasil Nação, da TV Educativa do Paraná, com os jornalistas Beto Almeida, mediador; Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo e da TV Record; Leandro Fortes, da Carta Capital; e o meu queridíssimo amigo Alípio Freire, do jornal Brasil de Fato e da editora Expressão Popular, poeta, escritor e companheiro de tantas batalhas.
Dá-lhe!

(Achei tudo interessante demais, especialmente o senador mencionado ( por exclusão entre dois de São Paulo, Aloisio Mercadante), que disse não poder denunciar coisas da imprensa porque ficaria sem mídia....que xuxuzinho (aliás, é também muito chegado aos GMO, ou seja, organismos geneticamente modificados). Ainda bem que nunca votei nesse senhor, nem votarei, e recomendo o mesmo aos amigos deste blog, seus amigos e familiares.)






Colaboração da Beth Sigoli

Cesare Pavese

“No fundo, a sabedoria do destino é a nossa própria. Porque nós o seguimos tendo consciência daquilo que no fundo nos é permitido realizar. Por mais tentações que tenhamos, nunca erramos nisso. Sempre agimos de acordo com o destino. As duas coisas são uma só.Quem erra é quem não compreende ainda seu destino. Ou seja, não compreende qual é a resultante de todo o seu passado – que indica o seu futuro. Mas, compreenda-o ou não, indica-o do mesmo modo. Toda vida é exatamente aquilo que devia ser".

31 de março de 1946


domingo, abril 12, 2009

A Valsa- Camile Claudel

A Valsa- Camile Claudel



Elizabeth Lorenzotti



Valsa para Bernardo



Uma rua de paralelepípedos. Um homem magro, óculos de aros finos e aspecto melancólico. Um café, onde é freguês habitual e tem sua mesa cativa. Um mapa astral guardado no bolso traça o perfil de seu país. Os tons velados do crepúsculo. Alguém bate uma fotografia do homem caminhando pela rua e esta será uma das poucas imagens que conseguem roubar dele. Detesta fotografia, talvez como certos povos que acreditam ficar sem alma se sua imagem for capturada num instantâneo flash.

Este o ajudante de guarda-livros do escritório da Rua dos Douradores, Bernardo Soares. O escritório da Rua dos Douradores é a vida inteira.

“E, se o escritório da Rua dos Douradores representa para mim a vida, este meu segundo andar, onde moro, na mesma Rua dos Douradores, representa para mim a Arte.

Sim, a Arte, que mora na mesma rua que a Vida, porém num lugar diferente, a Arte que alivia da vida sem aliviar de viver, que é tão monótona como a mesma vida, mas só em lugar diferente. Sim, esta Rua dos Douradores compreende para mim todo o sentido das coisas, a solução de todos os enigmas, salvo o existirem enigmas, que é o que não pode ter solução”.

É como se ele me guiasse agora, indicando suas escrituras que melhor podem exprimir este momento em que caminha pela Rua dos Douradores, o lugar da vida e da arte, vizinhas de porta.

Ah, Bernardo, eu não te conheci de carne e ossos, apenas destes papéis escritos. Eu te amo porque não te conheço. E se me conhecesses, me amarias? Eu te pergunto nestes papéis escritos que não são a vida. Eu, que te amo por esses papéis escritos.

Neste momento em que Bernardo caminha de volta para o segundo andar do prédio onde mora , homem tão frágil e indefeso, não pode impedir quem o recria, mesmo que seja com amor. Olvido é uma bela palavra em espanhol, mas é a lembrança que nos mantém vivos em português.

Sobe os degraus -- e é um homem jovem, mas carrega fardos invisíveis, e seus passos são arrastados.

Mal posso imaginar Bernardo dançando alguma vez em sua vida.

Mas sei que ele gostaria de poder se dar esse prazer.

Por isso eu o convido, agora, logo que gira a chave da porta antiga.

Uma valsa talvez? Bernardo, se dançares tua alma ficará alegre, porque teu corpo se alegrará. Assim: um, dois, três, um, dois três, um, dois, três. Melhor sem os sapatos, pisar o chão de pés nus. Sim, era só o que te faltava, pois. Uma mulher te tirar para dançar.

Mas por que queres que este ajudante de guarda-livros dance contigo?

Porque tudo vale a pena, Bernardo, se a alma não é pequena, e bem sabes.


Ele coloca o chapéu de homem de bem na cadeira de palhinha, acende um abat-jour, tira os sapatos, meio trêmulo a princípio, as mãos transpiram quando pegam nas minhas. Deixe-me vê-las, eu peço, observo as palmas e sua linha da vida é curta, a da cabeça cheia de acidentes e a do coração muito fina, quase invisível. Dá corda ao gramofone, em meio aos livros e discos de modinhas e de valsas espalhados.

Me encanta ouvir, mas dançar é reservado apenas aos deuses, ele argumenta.

Se dançássemos a vida, como nossos mais remotos ancestrais, eu te digo, Bernardo.

Se dançássemos até o que não tem solução, talvez, quem sabe, nos tornássemos mais fortes e mais sábios.

Talvez nos tornássemos mais belos, diz Bernardo.

A noite cai sobre Lisboa. A luz da lua entra pela janela do pequeno quarto alugado do guarda-livros da Rua dos Douradores, que começa a aprender a dançar.

Amanhã, quando o despertador tocar, às seis e meia, ele repetirá o ritual cotidiano de jogar água da ânfora na bacia de louça, (um, dois, três) lavar o rosto, bochechar com um líquido violeta, colocar os óculos de aros finos, escolher entre os poucos ternos e camisas e gravatas (um, dois, três), as meias de algodão, os sapatos de couro marrom.

Sairá de casa, um, dois, três, um, dois, três e no bar da esquina tomará um pingado com pão e manteiga, um, dois, três. Acenderá um cigarro e irá para o escritório, um, dois, três, um, dois, três, atravessando sua rua de paralelepípedos e casas com azulejos azuis e brancos, um, dois, três, um dois três, um, dois, três, um.


sábado, abril 11, 2009

O Boddhisatva da Compaixão

(e quanto estamos precisados desse sentimento, que tanto pregou também o Cristo, especialmente na sua Paixão: perdoai-os, eles não sabem....)

No Budismo os chamados Boddhisattvas são aqueles que estão a um passo de se tornarem Budas. Dentro da linha do budismo tibetano, o Boddhisattva Avalokitesvara é
conhecido como o Boddhisattva da compaixão.
Conta-se que Avalokitesvara prometeu a si mesmo que ficaria reencarnando na Terra enquanto nela houvesse sofrimento e pessoas necessitando de ajuda.
Com o passar do tempo, ele percebeu que sua missão era impossível de ser completada, pois quanto mais pessoas ajudava, mais apareciam necessitadas de auxílio. O Buda Amitabha (da Luz Imensurável) sugeriu a ele que criasse um mantra e continuasse sua caminhada evolutiva.
Dessa forma quem precisasse de sua ajuda deveria pensar firmemente nesse mantra que acabaria por se conectar com ele.
Assim nasceu o mantra budista tibetano: OM MANI PADME HUM (salve a jóia no lótus).
Não importa que soe estranho na nossa língua, são palavras imemoriais e ressoam bem no fundo da nossa ancestralidade.

A Biblioteca de Babel, no ar dia 21 de abril


A Biblioteca de Babel, no ar dia 21 de abril


Acabo de receber na lista de uma comunidade virtual de literatura da qual participo:


La Biblioteca Mundial Digital estará disponible en Internet a partir del 21 de abril. Siglos de historia y cultura reunidos a un click de distancia y con acceso gratuito. De eso se trata la World Digital Library, que va a contener la versión digitalizada de cientos de miles documentos, mapas, ilustraciones, manuscritos y grabados de las principales bibliotecas nacionales del mundo.
Bibliotecas y archivos del todo el mundo estarán reunidas en un proyecto conjunto para compartir online sus colecciones de incunables, mapas, ilustraciones, manuscritos y grabados, a través de acceso gratuito.
Después de casi cuatro años de preparación, la World Digital Library

www.worlddigitallibrary.org/project/english/

Biblioteca Mundial Digital) "abrirá sus puertas" a partir del próximo 21 de abril. En esta primera etapa estará disponible en siete idiomas -español, inglés, francés, portugués, árabe, chino y ruso-, además de contenidos adicionales en otros idiomas.
Un prototipo de sus contenidos ofrece la voz grabada del nieto de 101 años de un esclavo norteamericano, un planisferio del siglo XII, y fotografías brasileñas del siglo XIX.
A partir de la idea de James Billington, de la Biblioteca del Congreso de los Estados Unidos (www.loc.gov/index.html), el proyecto ha sido desarrollado por esa entidad y la Unesco, además de otros 32 organismos de todo el mundo, incluidas las bibliotecas nacionales de Irak, Egipto, Rusia, Brasil, Israel, Arabia Saudita y Uganda.

Además de documentos y grabaciones, el archivo digital también dispondrá de videos realizados por expertos en los que se explica la importancia de cada archivo y su relevancia histórica y cultural. Los usuarios podrán realizar búsquedas por lugar, época o tópico, y cada material tendrá a su vez enlaces a artículos y documentos relacionados que incluyen música, grabados, fotografías, bocetos arquitectónicos y otros archivos de relevancia cultural.

La Biblioteca Mundial Digital tiene como objetivo promover el entendimiento internacional, ampliar en Internet los contenidos en otros idiomas que no sean los occidentales, así como contribuir a la investigación y la educación. Cuando Billington propuso la idea en junio de 2005, dijo que este proyecto ofrecería "la promesa de acercar a la gente celebrando, precisamente, la individualidad y profundidad de culturas diferentes en un único emprendimiento global".

El año pasado la Unión Europea lanzó el prototipo de Europeana, un sitio en Internet que albergará los archivos digitalizados de más de mil bibliotecas, museos e instituciones de ese continente. El sitio puso a prueba su popularidad cuando fue lanzado en noviembre del año pasado, con diez millones de usuarios en su primera hora, lo que provocó un colapso que obligó a cerrar termporariamente el sitio, que aún se encuentra en fase de prueba.

Cântico Negro


Maria Betânia, magistral interpretação do poema de José Régio

José Maria dos Reis Pereira, José Régio (Vila do Conde, Portugal,1901- 1969)

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se alevantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!





sexta-feira, abril 10, 2009

Foto Marcio Gama

Raimundo Arruda Sobrinho, morador da Pedroso de Morais: "Para escrever, tenho de enfrentar a sonolência, a caneta que falha e a chuva"

(Calculei: dez anos após, seu Raimundo tem 70 anos, no mesmo endereço há 16, a escrever.
Sempre que passo por aquela rua, eu o procuro: está lá. E sinto um certo estranho conforto, porque uma vez já tentaram desalojá-lo, não conseguiram, ainda bem. Historinha feia que não convém relembrar aqui. É ali a morada de um dos escritores desta cidade inexplicável.
Na Avenida Paulo VI, que depois vira Sumaré, no vão central, às vezes vejo uma mulher, outra escritora, mas esta também leitora. Equilibrista, em meio ao barulho, ao sol e à poluição.
Cidade dos escritores do cotidiano.)


Trecho de matéria publicada no Caderno 2 do Estadão no dia 29 de março de 1999


O País dos escritores do cotidiano


Elizabeth Lorenzotti


Por que as pessoas escrevem? "Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver", disse Anais Nin (1903-1977). Para a escritora francesa, trata-se de uma atividade absolutamente vital. "Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades - é a isso que eu chamo respirar."

E que necessidade é essa, que se impõe não apenas aos (oficialmente) eleitos pelas musas, mas a tantas pessoas comuns? Por que, em um País considerado iletrado, onde a tradição oral é maior que a escrita - e esta tem barreiras muitas vezes intransponíveis -, as pessoas tanto escrevem? Não a escritura obrigatória do trabalho, do estudo, mas aquela que quer voar, transcender. E quer seja boa ou má literatura, é uma viva expressão da individualidade. E quer seja pretensão, exorcismo, orgulho vão ou pura arte deseja chegar ao outro.

Tanta necessidade de criar por meio da palavra escrita resultou em concursos promovidos pelos mais variados setores, em editoras especializadas no autor que não tem espaço no restrito cânone da literatura oficial, em oficinas de literatura e até mesmo em escola de escritores.

Na Bienal Nestlé de Literatura, em seis concursos, de 1981 até 1997, inscreveram-se 49.342 mil pessoas. O volume de obras era de tal forma inadministrável que os organizadores, a partir do penúltimo evento, em 1994 (com 15 mil inscrições), mudaram o regulamento e o nome do evento para Prêmio Nestlé de Literatura, limitando as inscrições a obras já editadas. Em 1997, foram julgados 800 livros.

De cada concurso da Casa do Novo Autor, estabelecida há 11 anos no eixo Rio-São Paulo, participam cerca de 2 mil pessoas (e já foram realizados 110, que publicam cerca de 200 autores por edição). E há tantos outros concursos espalhados pelo País.

Herança do grave e fundo sentimento português pelo ato de escrever?

"Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento da vida", dizia Anais Nin, consagrada especialmente pela exploração do mundo interior feminino em seus sete volumes de diários. "Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem no labirinto; para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados."

Escrita cotidiana - Abandonado, Raimundo Arruda Sobrinho, de 60 anos, mora no canteiro central da Rua Pedroso de Morais, esquina com a Praça Hernâni Braga, no Alto de Pinheiros, em São Paulo. Sentado em um banco, Raimundo fica ali, escrevendo, a maior parte do dia, todos os dias, há seis anos. Escravizado psiquicamente, como se define, diz que escreve o que precisa. "Não quero ser lido nem quero ler ninguém", proclama, fechando rapidamente a capa que cobre seus escritos.

Para quem escreve? "Escrevo para mim." E o que faz com a produção de todos esses anos? "Não interessa", rebate, ríspido. Quer saber por que tantas perguntas, é informado que se trata de uma pesquisa com pessoas que, como ele, gostam de escrever.

"Vou processar todos, então tem gente me imitando?", esbraveja.

Quando se acalma, classifica a escrita em três tipos: a vulgar

(aquela do dia-a-dia), a profissional (de jornalistas, tabeliães, etc.) e a artística (dos poetas, dos escritores). "A minha é a escrita vulgar", diz Raimundo. Vai abrindo a capa que cobre os escritos - sim, ele quer que alguém leia - e surge uma minúscula brochura artesanal, sob o título O Condicionado. O texto, em boa caligrafia, bem construído, é o início de um ensaio sobre o quanto as pessoas desconhecem a mente.

"Tudo conspira contra mim", queixa-se Raimundo. "Para escrever, tenho de enfrentar a sonolência, a caneta que falha e a chuva."



quinta-feira, abril 09, 2009

Buon giorno, Federico

Amarcord


Dançando na névoa





O pavão

Há governo no Estado de São Paulo?
Há agências reguladoras no país?



( Como a Telefónica é conhecida em seu país natal)


Its amazing!

A Telefónica quer que troquemos o dia pela noite.
Pois seu Speedy falha o dia todo, desde terça-feira, 7 de abril, mas volta na madrugada.
Tente ligar para o 10315. Dá ocupado direto.

Pesquise na busca: speedy fora do ar.

Sao 92.600 páginas de usuários reclamando.

Há alguma loja de atendimento? Duas no centro da cidade. A privatização acabou com todas que existiam da Telesp. As notícias são estas:

Citando uma fonte da “área de relacionamento” da Telefonica, o UOL publicou que cerca de 170 mil usuários enfrentaram dificuldades para acessar o serviço na tarde e início de noite terça-feira (7 de abril).

Procurada pelo Plantão INFO, a Telefônica explicou que problemas pontuais afetaram alguns de seus usuários por volta do meio-dia. A situação foi normalizada até às 15h30min. (Mentira)

A companhia afirmou ainda que as falhas anotadas ao longo do dia foram pontuais e dentro de uma margem aceitável. A empresa negou que em qualquer momento tenha ocorrido uma falha generalizada.

Segundo a nota, "a Telefônica reafirma que não ocorreu no dia de hoje (07/04) nenhum problema generalizado de funcionamento do Speedy.”.

Novilíngua Telefónica.

Será que se não pagarmos suas altas contas e afirmarmos que pagamos, dará certo?

E se a poderosa diz que nada ocorreu, por que teimamos em reclamar?

Por que o 10315 continua fora do gancho nesta quarta? Por que a gravação diz que está com problemas, quando você consegue chegar até a primeira parte da encheção?

Empresas essas, ao lado de bancos e planos de saúde, campeãs de reclamações nas entidades de defesa dos consumidores.

Lembram ano passado, quando o Estado de São Paulo todo foi prejudicado, o governo fora do ar?

O governo multou?

Que se saiba, a multi espanhola descontou alguma coisinha das contas e fez o maior estardalhaço com isso.

Indenização a quem trabalha e teve trabalho perdido? Nada.

Há governo no Estado de São Paulo?

Há agências reguladoras no país?