quinta-feira, julho 10, 2008

Gilmar Mendes e Serafina: o amor e o pudê




Não leio a folha de são paulo, por isso só sei das coisas a respeito dela pela internet. Agora mesmo me chamou a atenção uma carta de um leitor deles de 12 de junho, no uol, parabenizando o sempre elogiável doutor Fabio Konder Comparato, que em carta ao jornal lamenta o fato de ver "o presidente da mais alta corte da Justiça do país expondo suas intimidades numa revista de 'faits divers', como fez o ministro Gilmar Mendes ao dar entrevista sobre seu relacionamento amoroso e deixar-se fotografar em ambiente doméstico para a revista 'Josefina'".


Revista Josefina???Bem que um amigo havia me avisado há um tempinho sobre o lançamento desta que, dizem, seria uma mix de Caras com piauí. Só que o leitor confundiu o nome de uma pobre com o de outra: É Serafina!
Leio ainda que o proprio ombudsman criticou o fato de se usar um nome de gente pobre numa pretensa publicação sofisticada. Mas como tudo que é sólido desmancha no ar, e etc. etc.


Foi entao que soube que nosso Gilmar Mendes -- que ontem acusou a PF de gangsterismo por ter perseguido e algemado Dantas, Nahas & Pitta, e que depois de ter explicitado sua posição pessoal contra, soltou um habeas corpus para Dantas-- no melhor estilo Caras/Folha, posou e deu entrevista sobre sua vida intima com a esposa que é secretaria , parece, do TSE.

Só entendi melhor quando li este trecho de Rui Daher, no Observatorio da Imprensa:


"Na edição de junho da Serafa (vamos logo ajudando a moça a se decidir) seus colaboradores – todos de fino trato – opinam sobre quando é fundamental ser fina. De Danuza Leão, por exemplo, ficamos sabendo que "levantar o dedinho tomando café não tem a menor importância". Da fotógrafa Marisa Alvarez Lima que "ser fino é fundamental até na hora da briga". Frase que, certamente, abalou sobremaneira os mais recentes maridos da atriz Susana Vieira.
Como tem que acontecer com um rebento da criativa Folha de S.Paulo, quem você imagina encontrar refestelados em um sofá inundado de almofadas, sem sapatos, descansando em seu chalé de Brasília? Bruno e Marrone? Glória Maria e Denzel Washington? Não, meus caros, Serafa é séria e não se presta a fofocas.

Ilustrando a matéria "O amor e o poder", temos o casal Guiomar e Gilmar Mendes. A revista explica "Como o presidente do STF e a secretária-geral do TSE transformaram um `namoro espiritual´ em casamento maduro e moderno". Não é mesmo lindo?
Claro que tem muito mais: resort em Miami onde o casal Rosset passou a lua-de-mel, Danuza falando de Yves Saint-Laurent, guru americano que apresentou a ioga a Madonna e Sting, e por aí vai.
Tudo muito fino, muito relaxante. Tem glamour."









Solução

Gostei muito da sugestão de um internatuta, a respeito da grita do alto Judiciário, e dos amigos de Daniel Dantas no Congresso, contra o exagero de se algemar os santinhos.
Diz ele que a Policia Federal deveria fazer uma licitação de cerca de 10 dessas algemas de design sofisticado, ouro, prata e brilhantes, para adornar os pulsos dos rapazes e moças.

As duas medidas da "Justiça"

Jornalismo, finalmente

O jornalismo não tem me dado muitos alegrias, há muitos anos. A mim e à população brasileira.

Neste imbroglio dos Dantas, Nahas & PIttas, dizem que ainda vão surgir nomes de jornalistas envolvidos. Aguardo ansiosa.

Entretanto, fico feliz quando vejo um trabalho corajoso e correto como o do sempre competente Bob Fernandes, hoje no Terra Magazine. Ele é citado em todos os blogs dos melhores jornalistas, e até dos não tão bons assim.

Há algum tempo, foi uma matéria dele que me deu vontade de cumprimentar, escrita para a revista Carta Capital: uma liquidação na Daslu com a presença de Antonio Carlos Magalhães que.......comprava lingeries. Um texto que também devassava a forma como eram tratadas as moças do pequeno exercito uniformizado de serviçais, as servas da casa grande. Das melhores reportagens de já li. Bom, por essas e outras eu ainda tenho esperanças.

Do Terra Magazine

50% dos presos esperam decisão dada a Dantas
Raphael Prado

Metade da população carcerária brasileira, de acordo com números oficiais do ministério da Justiça, espera decisão semelhante àquela que o banqueiro Daniel Dantas recebeu do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Do total de 422.373 presos em todo o País, mais de 211 mil estão em situação provisória - ainda sem condenação - e poderiam aguardar o julgamento em liberdade, como ocorrerá com Dantas.Mas ao contrário do banqueiro das transações bilionárias investigadas pela Polícia Federal, grande parte desses demais detentos não tem condições de pagar um advogado e depende da ajuda do Estado para se defender. Aí então começa o problema e a diferenciação entre abonados e miseráveis.

quarta-feira, julho 09, 2008

Deu no blog do Azenha

VIÚVA DE PAULO FREIRE "INDIGNADA" COM MACARTISMO GAÚCHO

Nita Freire, a viúva do educador brasileiro Paulo Freire, afirmou ao Viomundo que ficou indignada quando soube que os promotores gaúchos Luís Felipe de Aguiar Tesheiner e Benhur Biacon Júnior mencionaram a obra do marido dela como prova de que o MST estaria engajado em atividades ilegais. "No Brasil a elite tem raiva do povo", disse ela na conversa. Freire passou mais de 15 anos exilado depois da quartelada de primeiro de abril de 1964. Nita disse que a ação do Ministério Público gaúcho faz lembrar o macartismo dos anos 50. Eu diria que é mais uma patetada de quem lê o Reinaldo Azevedo e leva a sério - sinal de dupla ignorância.

sexta-feira, julho 04, 2008

Irritando o cidadão-2


Continuando comentário de 6 de junho:
A Telefónica deixou na mão todo um Estado durante um dia e meio e até hoje não diz o que aconteceu. O governo, via Helio Costa, ministro das Comunicações , ex- funcionário das Organizações Globo, diz o seguinte, conforme o mesmo O GLobo:
Sistema da internet é vulnerável no Brasil, diz ministro
" O ministro das Comunicações, Hélio Costa, reconheceu que o sistema de transmissão de dados e acesso à internet é vulnerável, o que abre a possibilidade para apagões como o ocorrido em São Paulo, quando uma pane na Telefônica paralisou desde quarta-feira à noite vários serviços públicos no estado. Para ele, por isso é importante ter um plano alternativo. Segundo o minitro, a empresa tem um plano B, mas também ele falhou.
- O sistema, lamentavelmente, é vulnerável. Isso já aconteceu em outros países, como Estados Unidos e Europa. Infelizmente, aconteceu em São Paulo. Acho que a gente tem de estar sempre preparado, com a rede B, mas, infelizmente, a rede B também falhou em São Paulo.
Hélio Costa evitou adiantar se a Telefônica será punida pelos transtornos causados. A Anatel prevê multa de até R$ 50 milhões como punição por mau serviço e fiscais da empresa averiguam a pane. "
E de rolar de rir, chorar, espernear. O Plano B também falhou.
E todos nós REFÉNS DO MONOPÓLIO, da privatização que prometeu tantas maravilhas e que deu nisso: campeao de reclamações em todos os órgãos de defesa do consumidor.
Reclamar pro bispo?
Todos os órgãos do governo, todos os serviços publicos essenciais afetados, imagine-se o prejuizo material, os danos à saude, aos negocios,e tc.
Assunto da mais alta periculosidade: um Estado nas mãos de um grupo empresarial.
E tanto o governo federal quanto o estadual, muncipal e o escambau não tomam qualquer atitude.
Muito bom o comentario do leitor da Folha on line, Luiz Nazaré: "Ao ler a justificativa do ministro Hélio Costa (Comunicações) fico em dúvida se ele é ministro de estado ou se é um dos diretores da prestadora de serviços Telefônica. "
Mesmo afirmando que tudo voltou ao normal, pessoal do interior reclama na internet, e aqui da capital tambem. O Speedy daqui de casa funciona capenga hoje,caindo toda hora. Ontem, informaram que o serviços eria restabelecido entre 12 e 16 horas. Alias, esse é o horário marcado para eles responderem a todas as perguntas quando há problemas.
mas nunca volta.
E já ouvi o seguinte, certa vez; " O contrato que a senhora assinou dá direito à empresa de fazer manutenção a hora que quiser, portanto, não ressarciremos". Eles chamam qualquer pane de "manutenção".
Entao é assim.

quarta-feira, junho 18, 2008

Da série Mundo Falido

Foto Reuters/Estadão

Vivemos em um mundo onde as mercadorias têm livre transito, mas os homens jamais!

Parlamento europeu aprova expulsão de imigrantes ilegais
Do Estadao on line

ESTRASBURGO, França - O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira, 18, sem mudanças, o projeto de expulsão de imigrantes ilegais na União Européia. A lei determina ainda que os clandestinos poderão ser detidos por até 18 meses e proibidos de voltar ao bloco pelos próximos cinco anos.

A medida ocorre em meio a um aumento do sentimento contrário à imigração no bloco. Parte dos italianos culpa os estrangeiros pelo aumento da violência, enquanto a França mostra dificuldades para lidar com as tensões nos subúrbios de grande concentração de imigrantes. O texto recebeu 367 votos a favor, 206 contra e 109 abstenções, e foi aprovado graças ao apoio do Partido Popular Europeu, dos liberais e da direita nacionalista, que não aceitaram nenhuma das emendas colocadas pelos grupos de esquerda. A norma da União Européia, que já recebeu o sinal verde dos governos dos 27 países do bloco, entrará em vigor dois anos após sua publicação oficial.

O projeto da diretiva de retorno prevê a extradição de todo estrangeiro em situação irregular (exceto os que estão sob asilo em países da UE) para o seu país de origem. Uma vez encontrados pelas autoridades, os ilegais receberão primeiro uma ordem para deixar o país voluntariamente em até 30 dias. Caso haja um risco de que isso não seja cumprido, eles podem ficar detidos por até seis meses, durante o processo de deportação.

No caso de risco de fuga ou que os clandestinos se negam a deixar o bloco, o imigrante será detido por até 18 meses, o limite para os casos de "falta de cooperação". O texto garante o acesso das ONGS aos centros de detenção, a possibilidade de recursos contra a decisão de extradição e o direito de assistência jurídica. Os imigrantes expulsos podem ficar impedidos de voltar por até cinco anos - essa pena máxima pode ser aplicada aos que não cooperarem ou forem considerados uma ameaça.

As novas regras são parte de um esforço para estabelecer uma política comum na UE sobre asilo e imigração até 2010. Elas não serão aplicadas imediatamente no Reino Unido e na Irlanda, pois estas não são membros da chamada Zona Schengen - nessa área, foram abolidos os controles imigratórios entre os países participantes. A Dinamarca também negociou sua exclusão dessa lei.
Quanto aos menores não acompanhados, aceita-se a possibilidade de que possam ser devolvidos a tutores que não forem parentes diretos ou a instituições adequadas de seu país. A assistência jurídica será gratuita, segundo estipularem as leis nacionais, e a ajuda gratuita nas apelações às decisões de expulsão só haverá quando existirem chances reais de êxito, e teria limites de tempo e de quantia econômica.

Oposição

Segundo a BBC, as regras, que afetarão a vida de cerca de 8 milhões de ilegais residentes atualmente na UE, são criticadas por instituições defensoras dos direitos humanos, como o Conselho da Europa e a Anistia Internacional, que a apelidaram de "diretiva da vergonha", em referência ao que consideram um tratamento "desumano" destinado aos imigrantes.

Para a Associação Européia de Defesa dos Direitos Humanos, "a detenção de homens, mulheres e crianças por até 18 meses simplesmente por residir ilegalmente (na UE) é inaceitável". Além disso, 44 governos da América Latina e da África - entre eles Bolívia e Equador - enviaram cartas à Comissão Européia e ao Alto Representante da UE, Javier Solana, condenando a diretiva e pedindo uma revisão das medidas propostas. Por sua parte, o Parlamento Europeu recebeu um documento assinado por cerca de 50 artistas, entre eles o cantor Manu Chao, pedindo aos deputados que não aprovassem a diretiva.

Essa foi a primeira vez que o Parlamento Europeu teve participação ativa em uma decisão sobre imigração, uma pasta de competência nacional, na qual os países membros têm políticas muito diferentes. As autoridades européias acreditam que a harmonização das regras de repatriação facilitará o controle da imigração ilegal em bloco onde as fronteiras internas são praticamente inexistentes.

terça-feira, junho 17, 2008

O sentido das coisas

(A Zona a Vida e a Morte)

Wesley Duke Lee é um dos maiores artistas contemporâneos. Eu o entrevistei anos atrás e ficamos mais de três horas conversando sobre tudo -- arte, politica, Brasil, inconsciente, Index, etc.-- aqui não tem coffee break, ele disse....... Apaixonante, polêmico, brilhantissimo, grande talento.

A entrevista foi para um catálogo do Tide Hellmeister, numa exposição, e ele pediu pra entrevistar vários amigos artistas.

Ano passado, com a edição do livro sobre o Suplemento Literario, nossas vidas se cruzaram novamente, ele foi um dos autores que ilustraram o Suplemento nos anos 60 e pedi para meu amigo Argeu ir lá buscar a autorização de reprodução com ele.

Argeu não estranhou nada.

Ontem, por acaso, leio que saiu numa Veja SP uma matéria sobre ele. Fui atrás e descobri esse texto da jornalista que o fez, Gisele Kato, no seu blog.

Não pude crer quando ela diz que ele está com Alzheimer avançado.
E me lembrei imediatamente : na sua casa/estúdio em Santo Amaro ( o único artista que sempre morou lá nesse bairro tão sem glamour e nunca mudou: tem raízes) , anos atrás, havia uma mesa cheia de pequenos objetos , que nunca foram limpos- para mostrar a passagem do tempo, ele me disse.
Havia também um mural com muitas fotos, e ele disse que eram para ajudar a lembrar....
Grande Wesley Duke Lee.

O texto de Gisele Kato:

"Foi ele quem protagonizou, em 1963, o primeiro happenning na cidade. Pregou seus desenhos nas paredes do antigo João Sebastião Bar, na Vila Buarque. Colocou música alta, jogou penas coloridas pelo ar e distribuiu lanternas para que as pessoas pudessem observar melhor suas obras. Conseguiu reunir tanta gente que baixou até polícia por lá. Mas ele não se importou. Só assim conseguiu divulgar um trabalho considerado obsceno pelas galerias um tanto caretas da época.Wesley Duke Lee sacudiu o circuito das artes plásticas ao longo de uma carreira de 50 anos. Questionador, polêmico e sedutor, ele esteve sempre um pouco na contramão do sistema, o que, talvez, explique o silêncio da crítica e do mercado com relação à sua trajetória. Wesley não se mexeu segundo as regras de ninguém. Inventou seu próprio jogo. O amigo Nelson Leirner, que com ele chegou a fundar em 1966 a Rex Gallery, me disse: "Ele encarnou o "duque" do nome".O Duke agora sofre de Mal de Alzheimer em estágio avançado. Eu fui à sua casa, na avenida João Dias, numa manhã recente. Ele pouco fala. Alterna momentos de lucidez com outros em que se sente perdido entre as próprias coisas. Dois gatinhos lhe fazem companhia. Meu objetivo era tentar conversar sobre a última série de pinturas feita pelo artista, intitulada O Filiarcado, de 1999. As telas estão agora expostas na galeria Ricardo Camargo.Desliguei o gravador logo que entrei. Não conseguiria um depoimento. Mas poderia aproveitar a visita para observar o máximo possível. Wesley morou em Santo Amaro desde sempre. Cada canto do endereço parece sussurrar uma história ou incorpora de fato sua personalidade. Há, por exemplo, um macaco de pelúcia pendurado no lustre da sala. Sobre as mesas, espalha-se uma quantidade sem fim de pequenos objetos, troféus, bibelôs, peças de playmobil, pincéis, tintas, bonequinhos de plástico.Lá sempre funcionou como ateliê também. A iluminação se dá com refletores de teatro. O pé direito alto acolhe peças de arte grandes. Dele e de amigos. Num cabide, os vários chapéus denunciam o estilo de se vestir do dono. Wesley adorava passear pela cidade em seu carro MP conversível. Baixava a capota e mostrava cada dia um chapéu diferente. Hoje é Claudio Tozzi quem mantém o tal automóvel 76 na garagem, pintado inclusive com um tom de verde inglês sugerido pelo antigo proprietário.Conceição, a enfermeira que cuida de Wesley, explica que até o começo do ano ele dormia num tatame. Pode-se mesmo ver muitas referências japonesas pela casa. Lembro então que o primeiro gesto de reconhecimento que ele teve como artista veio justamente do Japão - um prêmio na Bienal de Tóquio de 1965. No jardim, um lago com carpas completa o clima zen.Não fiquei muito por lá. O tempo de um café. Na saída, ele me pediu um abraço. Acho que sem saber direito quem eu era. Entrei no carro com a certeza de que deixava para trás um momento especial. Desses que só acontecem muito de vez em quando. E que têm o poder de nos recordar do sentido das coisas."


Wesley Duke Lee. Ricardo Camargo Galeria. Rua Frei Galvão, 121, Jardim Paulistano, 3031-3879. Segunda a sexta, 10h às 19h; sábado, 10h às 14h. Até 14de junho.

terça-feira, junho 10, 2008

Saci pra mascote da Copa


O amigo Mouzar Benedito, geógrafo, jornalista e escritor, grande contador de causos e defensor da causa do Saci, na associação Sosaci, acaba de ter uma grande idéia e pede divulgação. Vamos passar prá frente?

Ele diz:

"Numa reunião dia 5 na Biblioteca Monteiro Lobato, nos lembramos de uma coisa: vem aí a Copa do Mundo (2014 tá longe, mas é bom começar logo) e com certeza os marketeiros e lobbistas vão querer inventar uma mascote besta que nem o tal de Cauê (aquele sol esquisito) dos Jogos Panamericanos.
Que tal começarmos já uma campanha para que a mascote seja o Saci?
Veja as vantagens:
Primeiro, não seria preciso pagar direitos autorais a ninguém. No máximo, o que poderia ser feito é um concurso para cartunistas etc, para escolher o melhor desenho.
E por que o Saci?
- Ele é a síntese da formação do povo brasileiro:
É o mito brasileiro mais popular, o único conhecido no Brasil inteiro (Boitatá, Curupira e mesmo a Iara requerem explicações quando a gente fala deles, em alguns lugares. O Saci não).
É o típico brasileiro: mesmo pelado e deficiente físico, é brincalhão e gozador.
E tem mais:
- no início era um indiozinho protetor da floresta. Tinha duas pernas.
- depois foi adotado pelos negros e virou negro. A perda de uma perna tem
várias histórias. Uma delas é que ele foi escravizado, ficou preso pela
perna, com grilhões, e cortou a perna presa. Preferiu ser um perneta
livre do que escravo com duas pernas. É um libertário, então.
- dos brancos, ganhou o gorrinho vermelho, presente em vários mitos
europeus. O gorrinho vermelho era também usado pelos republicanos,
durante a Revolução Francesa. Na Roma antiga, os escravos que
se libertavam ganhavam um gorrinho vermelho chamado píleo.
Só não tem orientais nessa história porque eles chegaram mais tarde, já no século XX. Mas dizem que já foi visto um Saci de olhinhos puxados, no bairro da Liberdade, o Sashimi.
Você pode entrar no sítio da Sosaci (http://www.sosaci.org) que tem um monte de histórias de gente que viu o Saci, inclusive esse Sashimi (é a quarta ou quinta história).
Então, olha aí uma proposta, pedido, convocação ou sei lá o quê: entre nessa também.
Se você topar, vai ser uma baita força. Ajude a divulgar esta idéia e, se tiver condições, escreva, fale com quem tem espaço na mídia para que declarem sua adesão nos jornais, revistas, rádio, TV, blogues etc.
Já pensou o Saci em camisetas no mundo inteiro? Ele provocaria muito interesse dos outros povos para a cultura popular brasileira. Coisa que esses símbolos bestas (como o dos Jogos Panamericanos) não fazem.
Um abração.
Mouzar"

sexta-feira, junho 06, 2008

Na Galicia, a Telefónica também é muito conhecida

Leiam o que o Alberto Moncada escreveu, dá pra ler numa boa, galego é ancestral da flor do Lácio

http://altermundo.org/portal/content/view/873/311/

Os defensores do neoliberalismo aborrecen as empresas públicas. Un importante representante do empresariado español dicía recentemente que as mellores empresas públicas son as que non existen. A duras penas aceptan que haxa servizos públicos, que exista Estado de Benestar e moitos quixeran seguir o exemplo americano e privatizar a atención sanitaria, algo que en Europa aínda resulta inconcibíbel aínda que algúns gobernos, incluído o valenciano, estean xogando con fórmulas mixtas.
Pero a empresa pública actual ten pouco que ver coa que naceu logo da segunda guerra mundial. En Estados Unidos chamábanse "utilities" e foron creadas para encher os graves buracos do modelo de mercado en rexións subdesenvolvidas.
As primeiras "utilities" foron as eléctricas e a súa filosofía consistía en prestar un servizo, a un prezo primeiro subvencionado e logo regulado, reinvestindo os beneficios no mantemento e mellora do servizo pero sen que a compañía saíse ao mercado de capitais, tivese accionistas ou outras actividades distintas ás súas propias.
En Europa moitos servizos públicos, auga, electricidade, etc. tiñan outrora ese carácter e até a radio e a televisión naceron como servizos públicos aínda que logo o mercado empezase a recortar ese dominio eminente.
Actualmente, e por influencia do modelo americano, as empresas públicas estanse privatizando e o exemplo principal é a Telefónica que dende que as súas accións, as famosas "Matildes", comezaron a ser obxecto de propiedade privada, combinou un estraño modelo de monopolio cunha crecente actividade mercantil dentro e fóra de España. A Telefónica ten competidoras pero é a dona da rede terrestre, dese cabo que chega aos nosos fogares.
A Telefónica, como as empresas eléctricas, as de gas, auga, etc. actúan como empresas privadas pero sen o beneficio para o consumidor dunha aberta competencia e débense a uns accionistas cuxo beneficio é o principal obxectivo da empresa. A tal fin invisten os seus cartos onde cren que lles poida producir máis beneficios e as españolas saltaron recentemente as fronteiras asentándose en América Latina, nun novo episodio de colonialismo cada vez máis resentido polos nacionais.
"Dende que está Telefónica, o teléfono é moito máis caro", dicíame recentemente un amigo brasileiro. E o mesmo ocorre en Arxentina e outros países onde a Telefónica utiliza os seus pingües beneficios para crearse mercados alleos no canto de manter e mellorar o servizo telefónico español, que está bastante deteriorado.
Pronto lles vai a ocorrer ás empresas españolas o que lle ocorreu á francesa, que se fixo co servizo de augas en Cochabamba, Bolivia, triplicou os prezos e só unha revolta na rúa fixo ao goberno anular a concesión.
Este neocolonialismo español, ademais de conseguir que nos odien, transforma a condición de empresa pública a privada até extremos inverosímiles e nin sequera os períodos de goberno socialista puxeron coto a tales desmáns.
As empresas públicas tiñan monopolios xustamente pola súa función social e agora utilízano para o beneficio dos seus accionistas e executivos, medido ademais polo estreito marco da Bolsa.
Non parece que corran bos ventos para o consumidor nin para o cidadán e si para executivos e accionistas. Rexenerar o auténtico perfil da empresa pública, recuperar a súa función de servizo á cidadanía forma parte da inevitábel reacción contra o ataque neoliberal aos fundamentos da convivencia democrática.•