-
terça-feira, março 20, 2012
Deuses
O poema tem a seguite história:
77 nomes foram sampleados da revista LIFE, edição de december, 1990. Os nomes ornamentavam a matéria principal daquele número: Who's God?
O audio-visual foi sampleado de um VHS com programações audio-visuais catalogados pelo Studio K7! - Berlim
Informação adicional
O Projeto foi iniciado em janeiro de 1991, com a formatação do Sampled-Poem "GODS", um quebra-cabeças (bricolage) gerado a partir de cut-ups dos vários nomes de "Deus" e entidades divinas publicados em vários idiomas e dialetos na edição de dezembro de 1990 da Revista LIFE.
Na matéria de capa desta edição de fim de ano, intitulada "Whos's God?", havia um glossário com inúmeros nomes de divindades religiosas, do qual foram extraídos, os 77 nomes que acabaram gerando o poema da canção.
Os nomes foram inicialmente colados em peças de um Mah-Jong que durante meses foram trocando de lugar, até surgir um conjunto metrificado compatível com o metrônomo da música.
Pronto o poema, estávamos diante de uma peça poliglotímica, incapaz de ser decifrada por muita gente, tanto eram os idiomas e dialetos nela misturados. Entretanto, tal hieroglifo tinha uma característica excepcional: uma vez explicado o leit-motif de sua construção, seu entendimento e sua compreensão se tornavam imediata e totalmente inteligíveis.
O que mais impressiona nesta canção é o fato de que ao cantá-la se está automaticamente invocando o nome de Deus, tornando a peça musical uma espécie de oração ecumênica, absolutamente pacifista e própria para incentivar e fortalecer espiritualmente eventos humanitários.
.................................
MUSIC:Life Gods
Authors: Arnaldo Brandão / Mônica Millet / Tavinho Paes (published by NOWA / Nossa Musica / AMAR)
artist: workShop MOMILÊ
Special Guests: MARISA MONTE & GILBERTO GIL (solistas)+ Alceu Valença, Gerônimo & Coral Bibiano Cupim (choral interventions)
Produced by Tavinho Paes & Mônica Millet
Arrangements & Mix by Marcio LoMiranda
Percussion arrangements by Mônica Millet
Musicians:
- Márcio LoMiranda (multimedia keyboards) + Jamil Joanes (bass) + Paulo Rafael (main guitars) + Fernando Vidal (wah-wah guitar) + Cezinha (drums)+ Mônica Millet (percussion) Marcos Suzano (aditional percussion)
Master by Ricardo Garcia (1996)
segunda-feira, março 19, 2012
OI, pior que a Telefonica, é possível sim
A OI em Poços de Caldas afirma que não pode instalar telefone e internet num novo condomínio que fica a 2km5 do centro da cidade, GREENVILLE é o nome,em frente ao Water World ,um grande parque aquático, e a um grande hotel chique. O funcionário que trata disso, É UM SÓ PARA TODO O ESTADO DE Minas Gerais.Não à toa serviços de telefonia já empataram com bancos nos rankings de reclamações da defesa do Consumidor em todo o pais.
sexta-feira, março 16, 2012
quinta-feira, março 15, 2012
Um ano de terremoto no Japão: Taiko em SP
No domingo, imperdivel.
"Encontro de Ritmos Japão – Brasil: Wadaiko Sho + Meninos do Morumbi" Espetáculo de percussão em agradecimento ao apoio às vítimas do terremoto, que aconteceu em março de 2011 no Japão 18 de março de 2012 (domingo), às 11h00
Gratuito: Os ingressos poderão ser retirados a partir de 13 de março na bilheteria do Teatro Gazeta, entre 14h e 20h, com limite de até 2 ingressos por pessoa.
Duração: 1h10
quarta-feira, março 14, 2012
Gente pelada não é crime
IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA
Não sei quando isso começou, mas eu soube esta semana que o Facebook está bloqueando as contas de quem tenha fotos de gente pelada, sejam elas artísticas, familiares ou de qualquer outra natureza.
As vítimas dessa ação de censura recebem um comunicado informando que o Facebook tem “uma política rígida contra o compartilhamento de conteúdo pornográfico e impõe limitações à exibição de nudez”. Fica a impressão, pela frase, que Mark Zuckerberg e seus funcionários acham que nudez e pornografia são coisas parecidas. Alguém tem de explicar a eles que não são.
Na verdade, é uma desgraça que ainda tenhamos que discutir esse tipo de assunto. A esta altura do século 21, deveríamos estar livres da ideia de que o corpo humano é uma coisa pecaminosa ou ofensiva, cuja visão deve ser proibida. Esse é um tabu tão antiquado, tão desprovido de utilidade ética, que custa acreditar que ainda seja defendido e praticado – muito menos imposto a gente adulta como proibição.
Quem cresceu nos anos 1970, como eu, carrega a impressão irremovível de que o avanço civilizatório é medido, entre outras coisas, pela liberdade de exibir o corpo humano. Quanto mais retrógrada a cultura, quanto mais opressivo o regime, quanto mais ignorante o sujeito, maior a preocupação em impedir a visão de peitos, bundas e pintos – ao vivo ou de qualquer outra forma.
Li outro dia o romance de uma escritora colombiana (Heróis Demais, da Laura Restrepo), em que há uma passagem reveladora sobre a sanguinária e carola ditadura argentina. Uma moça caminha pelas ruas de Buenos Aires no verão, com uma saia semitransparente, e é parada aos berros por um sujeito qualquer. Um fascista, claro. Ele a chama de prostituta e diz a ela que vá “receber seus clientes em casa”, em vez de ficar se exibindo. A moça sobe no ônibus chorando.
O contrário disso é a Europa, onde as pessoas lidam com a nudez de forma natural. Na primeira vez que eu estive na Alemanha, acho que foi em 1986, fui passear na beira de um rio em Munique e vi que estava todo mundo pelado, aproveitando o sol de verão. No sul de Portugal e da Espanha, onde os europeus do Norte vão pegar praia, acontece a mesma coisa: eles tiram a roupa com a maior naturalidade. Jovens e velhos. Também são capazes de sentar juntos numa sauna, homens e mulheres, porque não se ofendem com a visão do corpo do outro – e nem a consideram um convite automático para fazer sexo.
No planeta Zuckerberg, acontecem as duas confusões: há pessoas que se ofendem com a nudez dos outros e há os que consideram (talvez sejam os mesmos) que mostrar o corpo é o mesmo que convidar para transar. Por isso a nudez no Facebook vira crime e tem de ser proibida. É um caso clássico em que a pornografia está nos olhos e na mente de quem vê.
Nós sabemos exatamente como é isso no Brasil.
Os trogloditas que ofendem as meninas nos ônibus de São Paulo, por estarem com saias (que eles acham) curtas, também acreditam que mulher com as pernas de fora está querendo sexo. Como eles se excitam e talvez se ofendam com isso, agridem. Não passa pela cabeça desses homens instruídos e inteligentes que a piriguete pode estar apenas querendo se sentir bonita – e que isso é um direito dela.
saiba mais
Palavras são inúteis
Uma paixão de ônibus
Mulheres apaixonadas
O que tem o bumbum da Scarlett?
Aqui, agora, de todo coração
Elas contam para todo mundo?
Por favor, me surpreenda!
Nas praias do Rio de Janeiro, quando os garotões atacam as meninas que fazem top less, praticam o mesmo moralismo explícito: se está com o peito de fora, é vagabunda, então eu posso tratar da forma que quiser, inclusive xingando e atirando areia. Eu, francamente, não consigo imaginar como alguém se acha no direito de praticar uma violência dessas. Se o sujeito está tão transtornado pela visão de um par de seios que precisa tomar alguma providência, se atire na água fria ou vista a bermuda e vá embora. Impor ao outro os seus imperativos morais ou o seu desconforto sexual não deveria ser uma opção. Mas é.
Vale o mesmo para o Facebook. A sede da empresa está instalada num país que trata esquizofrenicamente com as liberdades pessoais. Há lugares como Nova York ou Los Angeles onde tudo é permitido. Há outros lugares, dominados por religiosos, onde não se pode nada, nem usar biquíni na piscina. Parece que Zuckerberg resolveu atender prioritariamente ao grande sertão da Idade Média – e censurar todos os demais.
É uma pena que nós, que nada temos a ver com isso, tenhamos que sofrer as consequências das guerras culturais americanas. A política antidrogas converteu-se num banho de sangue sem vencedores em larga medida porque “proibição & repressão” é o modo como os religiosos americanos lidam com a questão desde os anos 1920 - e os Estados Unidos são o pais mais influente do mundo. Agora a sua influência se faz sentir, esquizofrenicamente, na internet.
Com dois comandos no teclado, qualquer pessoa, adulta ou não, pode ter acesso a rios de pornografia barra pesada, boa parte dela em inglês, produzida nos Estados Unidos. Mas, se a mesma pessoa postar um nu artístico ou pessoal na sua página privada do Facebook, corre o risco de ter sua conta invadida, censurada e até tirada do ar definitivamente. Eu não entendo isso - e suspeito que o Mark Zuckerberg não seria capaz de explicar.
Poesia para quem precisa 2: a poesia é para comer
Vou postar de novo esse lindo video do livro A poesia é para comer, onde tem um poema meu. Muito delicado. E o livro organizado pela Ana Vidal é lindo. Lembrança mais que apropriada no nosso Dia Nacional da Poesia.
terça-feira, março 13, 2012
Ariel Palacios escreve no Estadão sobre a censura e cita Facebook
“O despertar da criada”, obra que gerou grande ziquezira em terras portenhas
Artigo do correspondete do Estadao na Argentina Ariel Palacis, 12/3/2012
http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/o-despertar-da-criada-um-nu-cujo-pecado-era-nao-ser-mitologico-e-de-bonus-track-um-nu-kirchnerista/
“O despertar da criada”, ou, como foi conhecido por seu nome em francês, “Le lever de la bonne”, quadro de 1887, foi pintado pelo argentino Eduardo Sívori (1847-1918). A obra foi enviada o Salão de Paris daquele ano. Ali, na França da Belle Époque, onde a sensualidade começava a aflorar, deixando de lado os tempos vitorianos que imperavam na Europa, o quadro de Sívori – que mostrava uma criada nua acordando em sua prosaica cama no quarto de doméstica – não teve repercussão significativa.
Mas, ao voltar à Buenos Aires, o Despertar da criada provocou um ciclópeo escândalo. O motivo da polêmica não era o nu em si, já que a imagem de mulheres e homens nus era comum nos quadros da época.
O fato que incomodava de verdade a sociedade local era a imagem de uma mulher pobre, nua, morena. E não o nu de mulheres loiras, com as formas dos cânones de beleza da época, ambientado em um cenário de mitologia greco-romana ou alegorias. A outra alternativa para os pintores do século XIX era o de ambientar seus nus em um lugar exótico, por exemplo, o Império Otomano. Desta forma, Jean Auguste Dominique Ingres (1780-1867) fez “Le bain turc”, que mostra uma miríade de jovens totalmente nuas (bom, algumas tem uns colares) em uma sauna de um harém na distante Constantinopla.
No caso de Sívori e sua criada, o nu ocupa quase todo o quadro. Ela está sentada em uma cama, em um quarto simples, sem decoração. É apenas o relato pictórico de uma mulher – uma doméstica – que, dona de fartos seios, está a ponto de levantar da cama, mas antes disso, coloca suas meias nos pés com calos.
Sívori, ao voltar de Paris, mostrou seu quadro na Sociedade de Estímulo das Belas Artes. “Pornografia” foi o adjetivo mais disparado contra a obra.
O quadro causou tal celeuma que os organizadores da exibição tiveram que mostrar o Despertar da criada a portas fechadas. Sequer seu nome em francês – língua da moda na época – ajudou a amainar o impacto causado.
A obra – um dos principais quadros do Museu Nacional de Belas Artes em Buenos Aires – é atualmente vista com freqüência pelos estudantes das escolas primárias.
Por qual motivo falar sobre o “Despertar da criada” hoje? Há tempos queria contar a história deste quadro. Mas, aproveitei a ocasião de que esta segunda-feira é o Dia da Livre Expressão do Nu, movimento que surgiu no Facebook ( http://www.facebook.com/events/353069764… ). O movimento protesta contra a censura peculiar existente contra alguns nus, inclusive o de “Origem do mundo”, de Gustave Coubert (mais detalhes sobre esta obra, aqui ).
Facebook não respeita leis brasileiras
O Facebook deixou passar o dia pela Livre Expressão do Nu, que contou com 1.800 participantes ( contra a censura a imagens como esta, a Venus de Ticiano, por ex.), e hoje começou a bloquear vários. As postagens eram acompanhadas do seguinte texto, pra estrangeiro ver "This postage of an artistic nude is part of a movement to rule out cultural Censorship in Facebook. Censorship goes against the constitution of my country. If Facebook operates here in Brazil it should respect its laws. - Article 5. IX. of the Brazilian constitution is clear: “expression of intelectual, artistic, scientific and communication content is free, independently of censorship or licence”. - Article 220 is even more clear: “manifestation of thought, creation, expression and information, under any form, process or means will not undergo restriction according to this Constitution”. -- § 2- It is forbidden any type of censorship of political, ideological and artistic nature."
O poeta, ensaista, tradutor, professor Claudio Willer conta a mensagem que recebeu de uma das coordenadoras do movimento, escritora e jornalista Célia Musili:
Willer, amanheci bloqueada, querem que eu remova todas as fotos "indecentes" que publiquei, ou seja, fotos de nus.
Eis a mensagem que recebi:
Para manter a sua conta ativa, remova todas as fotos que contenham nudez ou apelo sexual. Marque a caixa ao lado de cada foto que deve ser removida.
Se conseguir avisar os amigos no meu mural , agradeço. Por favor, coloque a mensagem deles de bloqueio e a seguinte mensagem minha:
"A censura do Facebook exige que eu remova do meu perfil fotos de nudez que, na minha concepção, são fotos de valor artístico. Participei do movimento pela Livre Expressão do Nu, um movimento estético do qual me orgulho, uma guerrilha cultural. Na minha opinião, o pedido para que eu remova as fotos - condição sem a qual meu perfil não será desbloqueado - fere um dos meus direitos fundamentais: o de escolha.
Não faço questão de estar integrada ao Facebook, a não ser para realizar meu trabalho, divulgar meus textos e fazer amigos. No mais, não aceito a política totalitária de uma rede social que se diz aberta e democrática. Remover minhas fotos neste momento, me parece um pacto com um politicamente correto tacanho, anacrônico e discutível. Não posso concordar em deletar obras de Michelângelo, François Boucher, Tintoretto, Mapplethorpe, John Collier ,Marcs Quinn, David Hamilton e outros expoentes da pintura e da fotografia. O que o Facebook pratica com seus usuários fere a ética e se chama ABUSO DE PODER.
Pode ser que um dia volte à rede por outras razões. No momento não me interessa porque não vou pagar penitências à Cyber Inquisição. Se mais pessoas se recusassem a serem "politicamente corretas", o FB seria obrigado a rever suas regras, em vez de se tornar cada vez mais ABUSIVO e intransigente.
Agradeço aos amigos e aos 1800 participantes da manifestação pela Livre Expressão do Nu." (Célia Musilli)
Assinar:
Postagens (Atom)



