domingo, maio 09, 2010

Balzac e o jornalismo


De Ilusões Perdidas, século 19, Balzac diagnosticando o presente e antevendo o futuro. Sempre na minha cabeceira.
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Se a imprensa não existisse, seria preciso não a inventar.
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(Os homens de cérebro) são raros e esparsos (...). Raros como os verdadeiros amantes no mundo amoroso, raros como as fortunas honestas no mundo das finanças, raros como um homem puro no jornalismo.
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O jornalismo é um inferno, um abismo de iniquidades , de mentiras, de traições, que não se pode atravessar e de onde não se pode sair puro, senão protegido, como Dante, pelos louros divinos de Virgilio.
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Os proprietários de jornais são empreiteiros, e nós pedreiros. Assim é que, quanto mais medíocre for o homem, mais rapidamente subirá. Pode engolir sapos, resignar-se a tudo, lisonjear as pequenas e baixas paixões dos sultões literários, como um recém-chegado de Limoges, Heitor Merlin que se encarrega já da política num jornal de direita e que trabalha em nosso jornaleco: vi-o apanhar o chapéu que um redator-chefe deixara cair no chão. Sem fazer sombra a ninguém, o tal rapaz passará entre as ambições rivais, enquanto elas estiverem se batendo.
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(Atravessa os séculos a prática. No início deste século 21, um jornalista fazia compras para a namorada do chefe. Há décadas ele permanece na redação, sem ser atingido por qualquer corte.)
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(...) A luta há de ser sem tréguas, se tiver talento, porque sua melhor sorte será a de não o possuir”.

sábado, maio 08, 2010

Misty

Beatles, 40

8 de maio é o dia de Let it Be completar 40 anos.O último.The End

"And in the end/ the love you take/ is equal to the love you make"

Beatles Forever

quinta-feira, maio 06, 2010

A Internet e o assassinato de reputações

Com o título “BrasilWiki! Você é o repórter”, um site dirigido por dois jornalistas de São Paulo anuncia-se como um jornal online participativo: “quem escreve é você”.
Segundo o boletim Jornalistas & Cia, “José Aparecido Miguel (Mais Comunicação) e Eduardo Mattos (ex-Agência Estado) juntaram forças para lançar o BrasilWiki (www. brasilwiki.com. br), site onde qualquer pessoa pode ser repórter e contar suas histórias, dar suas opiniões, criticar, denunciar e publicar suas fotos, vídeos e áudios, na linha da notícia de todos para todos.“ Como dizem eles, "a essência do modelo está em seu próprio nome: wiki é a abreviatura, em inglês, de ‘what I know is... ’ (‘o que eu sei é... ’). O projeto chega no rastro de uma experiência bem-sucedida do chamado jornalismo cidadão – ou jornalismo participativo. Ela surgiu com o sul-coreano OmyNews, que se transformou em um fenômeno editorial. Criado por OhYeon Ho, em fevereiro de 2000, o Ohmy-News arregimentou, inicialmente, 727 cidadãos-repórteres. Hoje, este grupo cresceu: tem 35 mil colaboradores, que enviam para o site centenas de notícias, comentários e imagens diariamente".
Fiquei conhecendo este site por meio de uma postagem equivocada no Portal Luis Nassif. A postagem reproduziu um artigo do tal site, com o título “Dorothy, a freira da Cia", de autoria de um auto-intitulado repórter Cesar.Que abre o texto assim: “Segundo os serviços de informações do Brasil, Dorothy Stang foi uma ex-oficial de informações militares dos EUA”. E despeja uma série de acusações sem provas, e muito menos sem citar quais são essas fontes dos “serviços de informações”

Pessoas desavisadas acreditaram na denúncia,--uma clara tentativa de assassinato de reputação, e de uma pessoa assassinada por questões de conflitos de terras. Internet é bom, mas é um perigo. Papel não recusa texto, internet também não. Mas é só procurar os textos anteriores do mesmo auto-intitulado repórter para se saber de quem se trata. Títulos como “Dilma e sua ditadura vermelha”, “Como pode um gay ser militante comunista?”, ou “Veja ACM enquadrando Lula, onde afirma: “Ele convocou as Forças Armadas brasileiras a assumirem novamente o Brasil”.
Esse puro lixo é publicado no site onde qualquer um é repórter e que aceita qualquer barbaridade. É de se pensar que os jornalistas que o mantém estão, eles próprios, assassinando suas reputações.

segunda-feira, maio 03, 2010

O que acontece com Roberto Piva

Ele quase não pode mais andar. Locomove-se com extrema dificuldade.

Além do Mal de Parkinson, grave problema de próstata, e desde alguns meses - na época do evento em sua homenagem em março - tenta uma cirurgia no Hospital das Clínicas.
Está muito magro, alimenta-se pouco, me conta um amigo dele.
Precisa de um exame que foi marcado hoje para 18 de junho, lá mesmo, nas Clinicas. O retorno para levar os exames, só no dia 2 de agosto.

Não tem plano de saúde, não tem grana, é um dos nossos maiores poetas vivos. O diretor-clinico do HC chama-se Marcos Boulos. Se alguém o conhecer, ou conhecer alguém que possa ajudar, por favor entre em contacto por este blog.

Eu sei que não acontece só com o Piva, mas com o povo brasileiro pobre. Aconteceu com minha mãe, que morreu num puxadinho do Incor/SP, porque eu não tinha nenhum padrinho lá para arrumar uma vaga na UTI.
A saúde pública no país sendo privatizada aos poucos, as pessoas morrendo por falta de acesso. No século 21.

Isso me mortifica.


Do Piva, o que não vendeu a alma:

"Tudo o que vocês chamam de história não é senão o nosso plano de fuga da civilização de vocês."

"Com a poesia domada, a ditadura é da informação. O monopólio informativo favorece à subordinação administrativa em seu papel de controle social. A imagem do Estado policial se trata menos de uma repressão franca e policial que de uma opressão insidiosa caracterizada pelo domínio do conjunto dos comportamentos."

Poesia de Eric Ponty

O poeta Eric Ponty, lá de São João del Rei, um cultor da métrica em tempos sem prumo, me dedicou esta poesia, com rimas internas e externas, trabalho de olho, ouvido, insistência e cordis.
Obrigada Eric.

Coração de menina, límpido a destina

Apenas o carpido, o tom róseo movia,
ficamos a observar da ilesa campina,
coração de menina, límpido a destina.


Da senhora abatida, à mão se contamina,
de entretons luzidios dos sons desta rotina,
do campo não furtava à fúcsia luz da sina.


Trazer-nos esta luz da flor que nos ensina,
oração imo acaso, ela, desta vida assina,
de quando ofereceu-nos dor aflita à mina.


(*) falo das dores da vida e o que ela provoca em nós, por isso senhora abatida

domingo, maio 02, 2010

Cine mudo


Mary Pickford y Greta Garbo


Dardo Sebastián Dorronzoro

Primero
tuve um lío con Gloria Swanson
cuando ella me miraba desde la pantalla y yo
desde la última silla de la platea,
luego fue con Mary Pickford, luego con Greta Garbo,
pero siempre me persiguió la mala suerte con esas mujeres,
tal vez porque no era buen mozo,
tal vez porque no era hijo de algún doctor o de algún escribano,
tal vez porque en ese tiempo todavía llevaba pantalones cortos,
eran miradas van y miradas vienen, nada más,
pero siempre las muchachas se las llevaba otro,
hasta que un día me fui a ver la bruja del pueblo
y ella me hizo tres cruzes con la pata de un sapo,
me dio a beber una bebida amarga con gusto de cucarachas y ratones,
y esa noche las tuve las tres,
llamando desesperadas a la puerta de mi casa,
pero mi mamá las echó y me dijo que yo era muy mocoso para andar con mujeres


Dardo Sebastián Dorronzoro nasceu em San Andrés de Giles (Argentina), em 1913. Ferreiro, vivia na cidade de Luján quando foi seqüestrado em sua casa, no dia 25 de junho de 1976, engrossando a lista dos 30 mil “desaparecidos” políticos da ditadura argentina.
Sete anos depois de seqüestrado, Dorronzoro ganhou o prêmio de poesia “Rafael Morales” (de Talavera de la Reina – Toledo – Espanha) com o livro “Llanto americano”.
O livro “Viernes 25” é uma publicação póstuma, organizada por seus amigos e editada por EL-Editorial Letras S.A. – México, 1989.

sexta-feira, abril 30, 2010

A noite de quarta na Livraria da Vila

Tinhorão e o grande Renato Pompeu








Atrás do Nassif, queridos amigos Jorge Okubaro- jornalista e escritor- e Nancy


Fotos Jeus Carlos/Imagemlatina

quinta-feira, abril 29, 2010

Irmandade

Octavio Paz

Enviada por Leonel Delalana Jr


Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
sem entender compreendo:
também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.

Krishna Das