quinta-feira, abril 02, 2009

O cara


Com todas as críticas que faço a ele, tenho muuito mais críticas à elite deste país, que o crucifica por sua origem. Vou até sentar para assistir ao jornal nacional.
(ai que nojo, assisti só esse pedaço e pra ver a cara do casal telejornal dando notícia tão disgusting para eles, com suas sobrancelhas e seus esgares)

Ele é o cara!

Da BBC

Obama diz que Lula é ‘o político mais popular na Terra’

Presidente dos Estados Unidos elogia Lula em rodinha de líderes antes de reunião do G20: ‘Esse é o cara!’.

- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Londres que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “político mais popular da Terra”.

Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do Excel Center, em Londres.

Um vídeo da BBC registra a cena em que os dois se cumprimentam. Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula:

“Esse é o cara! Eu adoro esse cara!”.

Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula : “Esse é o político mais popular da Terra”.

Rudd aproveita a deixa e diz : “O mais popular político de longo mandato”.

“É porque ele é boa pinta”, acrescenta Obama.

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quarta-feira, abril 01, 2009

Foto Lira da Vila

Congada na Vila Buarque: Viva seu Benedito!


Este texto postei domingo no Portal do Nassif
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/congada-na-vila-buarque-viva-o

O pessoal do Lira da Vila, bloco carnavalesco da Vila Buarque, em São Paulo,costuma promover todos os sábados noitadas de musica no boteco da esquina da General Jardim com a Dr. Vila Nova.
Nem parece São Paulo, é uma preciosidade o que aquela comunidade está conseguindo fazer no bairro simpático, ali do lado da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato.
Com a participação e a promoção do Marciano, grande livreiro do Metido a Sebo, onde bate ponto sagrado, nas tardes de sábado, o historiador da cultura urbana José Ramos Tinhorão.
Neste sábado, dia 28 de março, foi a vez da congada do seu Benedito, ao violão, acompanhado por duas de suas filhas, um timbó, uma rabeca e um tambor.
Seu Benedito, 70 e poucos anos, é de São Luiz do Paraitinga e seu avô nasceu alguns meses antes do 13 de maio de 1888.
Benedito e familia rodaram a zona leste de São Paulo toda, ele durante muitos anos trabalhou na construção civil.
Hoje mora em Cotia com as 5 filhas.

Cego desde os 50 anos, por falta de condições de tratamento, é uma pérola que conserva a tradição de seus ancestrais. Me disseram que gosta muito de caipirinha e eu bem que vi.
Uma de suas filhas conta que eles ficam encantados com a Congada de outros lugares, como a de Minas, e estes com a de São Paulo, quando se encontram em alguma apresentação.
Que os mineiros usam roupas bem coloridas e barretes na cabeça.
Que o mestre de congada é sempre homem, mas em Mogi das Cruzes tem uma mulher maravilhosa, o pai morreu e deixou a ela essa herança.
Pergunto, quando o seu Benedito faltar, quem vai substituir? Ela diz que nem quer pensar nisso, a família não quer, mas não vêem ninguém que possa ocupar o lugar do mestre.

A Congada em geral é manifestação das festas de São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e de Santa Efigênia, santos identificados com divindades africanas. Eu não sabia que existia tanta congada em São Paulo, no Vale do Paraíba, e em varias cidades. Dizem que em São Luiz do Paraitinga na década de 1950 , havia mais de 20 grupos de congada, moçambique e jongos, todos ligados à cultura negra de escravos trazidos da África e descendentes.

Leio que a congada nasceu no Brasil, como o desafio dos pobres, mestiços e negros de celebrar o sagrado a partir de diferentes linguagens.

Eu me lembro da congada de Poços de Caldas, na festa de São Benedito, e da quermesse, quando era criança. Adorava. Era uma festa concorrida, mas segundo me dizem, hoje não tem o mesmo brilho. Ouvi rumores, tempos atrás, de que o padre havia proibido o festejo, por causa das confusões.
Não sei se é verdade, mas tudo é possível.

Bom, mas a verdade é que o seu Benedito , além da congada, canta muito samba antigo e dos muito bons, e até este que eu nunca tinha ouvido, que conta a história da substituição da porteira do Brás por um viaduto. Ele morou mutio tempo na zona Leste.

Deve ter sido lá pelos fins dos anos 1930, quando Ademar de Barros era interventor em São Paulo. (Impressionante, fui pesquisar e jamais me lembraria que o interventor no governo era também o prefeito. E que ele estava no governo quando da censura durante 5 anos no Estadão, que não considera esse perido na sua contagem).

Ademar, aquele do “rouba mas faz”, né,que depois teve inúmero sucessores, mas como comentou rindo meu tio José Tosetto, morador do Brás há 92 anos, “hoje roubam e não fazem nada”.

Tio José disse que no largo da Concórdia passavam os trens da São Paulo Railway com destino a Santos, e a porteira de madeira , vira e mexe tendo de fechar, emperrava todo o trânsito.
Então o Ademar de Barros fez o tal viaduto, mote de um dos sambas que seu Benedito cantou ontem:

Adeus adeus a porteira do Brás

Já vai embora, já vai tarde demais
Salve a Penha
E a Água Rasa, Tatuapé e o Belém

Salve a Vila Maria
Quarta Parada também
Em lugar dessa porteira
Um viaduto se ergueu
Adeus porteira do Brás
Já vai tarde pro museu


No dia 19 de abril, às 9 da manhã, mestre Benedito e família vão se apresentar na Igreja da Aquiropita, do Bexiga, depois haverá uma missa afro, já tradição do bairro.
Não percam
.


E aproveito pra colocar este vídeo que tenho no meu orkut desde maio de 2008, com o seguinte comentário:

"Luís Nassif cantando Congada e me lembrando, com emoção, da infância em Poços de Caldas, na festa de São Benedito, 13 de maio, ......eita! saudades "

terça-feira, março 31, 2009

Dobroye utro, Maiakovski






O Amor
Maiakovski
(Adaptação de Caetano Veloso e Ney Costa Santos)

(...)
O século trinta vencerá
o coração destroçado já
pelas mesquinharias
agora vamos alcançar tudo o que não podemos amar na vida
com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
ainda que mais não seja
porque sou poeta
e ansiava o futuro
Ressuscita-me
lutando contra as misérias do quotidiano
ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
quero acabar de viver o que me cabe
minha vida para que não mais existam amores servis
Ressuscita-me
para que a partir de hoje a partir de hoje
a família se transforme e o pai
seja pelo menos o universo

e a mãe seja
No mínimo a terra
a terra

Da esquerda para a direita, Lilja e Ossip Brik, Roman Jakobson e Maiacóvski, foto de meados da década de 1920.

A geração que esbanjou seus poetas


Colaboração do jornalista Gutemberg Medeiros, doutorando, meu colega no grupo de pesquisas Textos da Cultura em Mídias Diferenciadas, coordenado pela querida professora Terezinha Tagé, no programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP.

"Dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz".

Este verso do jovem Maiakovski de 1907 revela algo presente em vários momentos da cultura russa, uma atração pelo desconhecido trópico. Ainda bem que é rua de mão dupla.

Ótimo o vídeo e a letra que você postou hoje. O que me lembrou a foto que envio atachada com Lila e Ossip Brik, Jakobson e o poeta. Esta foto foi dada por Jakobson a Boris Schnaiderman quando veio ao Brasil, em 1968. Um ano antes, Boris e os irmãos Campos traduziram o poeta pela primeira vez do original no Brasil. Mas ótimo retrato de Maiakovski foi feito por sua cunhada (irmã de Lila) Elsa Triolet, como introdução à coletânea de poemas dele traduzidos por ela ao francês. Lá está a pessoa, não o mitificado. Neste texto, ele está ressuscitado, apesar de ser poeta.

É uma foto muito feliz e representativa de uma característica muito rara: o perfeito entrosamento entre os teóricos da linguagem e os artistas de vanguarda na Rússia dos anos 10 e 20. Ambos os lados interagiam e determinavam os respectivos rumos. Jakobson e Ossip eram do chamado grupo dos formalistas russos, amigos de Maiakovski e de outros artistas. Inclusive Einkhenbaum, Sklovski e Tinianov adentraram na literatura e foram roteiristas de cinema. Eisenstein intitula um de seus trabalhos mais importantes como A forma do filme não à toa. Maiakovski participava das reuniões teóricas dos formalistas russos. Uma época das mais ricas que ficou anos na geladeira e só a partir dos anos 50 começou a ser vislumbrada no Ocidente. Falta uma coletânea boa destes teóricos no Brasil traduzida do russo. Foi publicada uma pela Globo em 1971, mas tradução indireta com muitos problemas

Há um belo ensaio de Roman Jakobson A geração que esbanjou seus poetas (Cosac Naify, 2006) a partir da morte de Maiakovski e do destino adverso de outros na mesma época.

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Obrigada Gut! Vou aproveitar pra comentar outro assunto dessa gente maravilhosa e que fez o mundo melhor.

Estou com as Cartas de amor a Lilja Brik, de Maiakovski (1917-1930) (Hemus,1973). “Todas as cartas de amor são ridículas”, dizia o Fernando Pessoa, que também escreveu das suas. Eu adoro. Ainda mais desse trio fenomenal:Lila, Ossip, Maiakovski.

Têm apelidos, desenhinhos,milhões de beijinhos. São lindas. No prefácio, essa mulher extraordinária conta que viveu com ele durante 15 anos, desde 1915 até a sua morte.(Ah, Elsa Triolet, sua irmã, era casada com o poeta Louis Aragon)

“Em quase todas as cartas é lembrado O.M. Brik.

Ossip Maksimovic foi meu primeiro marido.Conheci-o quando tinha 13 anos.(..) Quando lhe disse que eu e Maiakovski nos havíamos enamorado um do outro, decidimos juntos que não havíamos de nos separar nunca.Naquele tempo Maiakovski e Brik eram já grandes amigos, unidos pelos mesmos interesses de ideais e pelo trabalho literário comum. Aconteceu assim que transcorremos a nossa vida espiritualmente e, em grande parte, materialmente, juntos.”


Isso é O Amor, traduzido na poesia postada aí em cima.




domingo, março 29, 2009

Paul MCCartney na Praça Vermelha. Moscou, 2003

Back in the USSR



Sabem lá o que foi isso?
O show foi em 24 de maio de 2003.
Este DVD assisti em Alfenas, há alguns anos, com meu primo Zé Alberto, outro beatlemaníaco juramentado. Fiquei emocionada só de ver a emoção das pessoas de todas as idades na Praça Vermelha, pela primeira vez vendo um Beatle.
Este, mais uma vez, é do Bebeto! Valeu!




sábado, março 28, 2009

Foto André Louzas




Um passeio noturno por São Paulo


tem

Gente

no chão

tem


Gente

aqui, ali

tem


Gente

enrolada

a dormir

na rua Direita

na Sé,

no Marco Zero

tem


Gente

no degrau

na calçada

na baixada do Glicério

tem


Gente

na marquise da Alfonso Bovero

na curva da Apinagés

tem


Gente



quinta-feira, março 26, 2009

Quem puxa aos seus não degenera

Atualizado em 29 de março


Minha vó materna, Julia, ficou cega após um parto.
Tia Judith, 94 anos, lá de Poços de Caldas, me lembrou hoje, domingo, que vovó perdeu a visão uma noite, na sua casa do Brás, em São Paulo, enquanto ouvia uma serenata: tocavam Branca.

Branca, valsa de Zequinha de Abreu, aqui com Heryck Santos, tirei do You tube, numa linda versão de Dilermando Reis. Heryck, músico que conheci agora, tocou à noite numa pracinha de Livramento, que talvez se pareça com aquele antigo bairro paulistano do Brás.





Mulher guerreira, aprendeu a ler em braile já velhinha, ajudou a me criar, tomava minhas lições, passava roupa, fazia biquinhos de crochê em toalhas, sim, fazia. A cada dia, ela dizia que "enxergava" uma cor: hoje tudo azul, amanhã tudo vermelho, não me lembro que cores gostava. Olhos perfeitos, linda e sempre bem arrumada, quando saia com minha mãe para qualquer lugar, perto ou longe.
E tão generosa.

Sempre morou conosco. Em Poços de Caldas, eu bem pequena, ela tinha apenas dois vestidos. Não éramos exatamente bem de vida. Bateu à porta uma pessoa necessitada e ela falou para minha mãe doar um deles.
E minha mãe disse: "Mamãe, a senhora só tem dois, como é que vai ficar com um só?"
"Ah Nilde, depois você costura um pra mim, né?"
Nunca esqueço da resposta dela a um médico. Num retorno, o homem perguntou se estava melhor. Vovó respondeu: "Sim graças a Deus".
"Graças a Deus nada, graças a mim", retrucou o delicado profissional.
Quando vovó voltou novamente, à mesma pergunta respondeu:
"Estou melhor sim, graças a Deus e ao senhor".
Sabedoria da sobrevivência de uma alma delicada nesse mundo...
Outra que a tia Judith contou: Estavam a vó e minha mãe na igreja, mamãe se afastou para ir ao altar e quando voltou o padre reclamava com a dona Julia: ela estava rezando de costas pro santo. Explicada sua cegueira, o padre pediu mil desculpas...(mas que padre tonto, quem é que iria entrar na igreja pra ficar de costas pro santooo??comentou a tia Judith)
E mais: num carnaval, estávamos assistindo ao corso em Poços, minha avó grudada no laço do meu vestido e eu escapei, ela não notou. Eu era uma pestinha..... Quando se vê, ela estava segurando no cinto de um homem , que, depois das desculpas, respondeu: "Pois eu estava aqui pensando, é com essa que eu vou pra Maracangalha".>/span>

Adorava ouvir rádio: novelas, programa da Ave Maria, às 18 horas, colocava um copo d'água em cima do rádio pra benzer.
Especialmente ficou fã, já aqui em São Paulo, do Cid Franco, que tinha, segundo lembro, um desses programas. Gostava tanto que pediu a mamãe para escrever a ele. Cid Franco respondeu e mandou junto um livro dele. Quem leu para ela? Deve ter sido minha mãe.Tenho por aqui, preciso achar, o livro e a carta.

Cid Franco, me lembra o querido amigo e companheiro de tantas lutas, Davi de Moraes, era deputado pelo Partido Socialista, ele o conheceu. Quando a Assembléia era naquele prédio lindo do Parque Dom Pedro, existia uma deputada destemperada e anticomunista ao extremo chamada Conceição da Costa Neves, que andava com um chicote, e chegou a declarar que iria chicotear o Cid Franco.
Davi diz que ele fez um discurso tão incrivel na tribuna que desarmou a mulher.
Disse também que Cid sempre foi ligado nas coisas espirituais.


Minha avó Julia está sempre comigo, assim como minha mãe. Ela se foi quando eu tinha 15 anos, mamãe há seis anos.

Anos depois, vim a saber que Walter Franco, esse admirável músico, filósofo, poeta, compositor, cantor, é filho do Cid Franco.

"Quem puxa aos seus não degenera" é uma música linda dele.
"Coração Tranquilo", de 1978, é outra que só anos depois vim a entender, quando a professora de Tai Chi disse: "mente quieta, coração vazio".
Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, repete o mantra da música de Walter Franco, que canta aqui com seu filho Diogo. A coisa mais difícil, mas não impossível.
A vó Julia gostaria de conhecer o Walter. Especialmente gostaria dessa "Quem puxa aos seus não degenera", como eu gosto.



Quem puxa aos seus
Não degenera, não
Degenera, não
Não degenera

Daí meu pai disse
Meu filho, espera
A inocência que há
No olhar da fera

E a minha mãe, ai, ai
Meu Deus,quem dera
A paciência de uma
Longa espera

Quem puxa aos seus
Não degenera, não
Degenera, não
Não degenera

E a minha mãe, ai, ai
Meu Deus,quem dera
Quanta ciência
Quanta primavera

Daí meu pai disse
Meu filho, espera
Que a violência, meu amor
Já era



quarta-feira, março 25, 2009


Salve Jorge!


São Jorge é o cavaleiro da cruz que derrota o dragão do mal, da dominação e da exclusão. Estamos bem precisados dele, por isso, nunca é demais. Descobri que o grande Jorge Benjor musicou mesmo uma parte da Oração a São Jorge ( só eu, com essas descobertas que todo mundo já descobriu...)


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge
para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam,
e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Não é da oração, mas do Benjor, esse trecho que abre a música:
"Jorge sentou praça na cavalaria/Eu estou feliz porque também sou da sua companhia"
( E eu, já pedi licença pra entrar também nessa companhia.)

"Perseverança ganhou do sórdido fingimento
Disso tudo nasceu o amor"

Aqui, com uma orquestra maravilhosa da qual não tenho informações, um super arranjo, com a Banda do Zé Pretinho, presumo, e com os sempre afinadíssimos Golden Boys.

Só falta chamar o síndico!

Salve Jorge!
Ogã toca pra Ogum!
Ogunhê!





Cuidado com as trevas, ou

a verdadeira história da greve dos jornalistas de 1979:

primeira chamada




Beware of darkness, a belíssima canção imortalizada por George Harrison no Concerto por Bangladesh, em 1971, me ocorre, a propósito da eleição do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e de outras coisas.

"Cuidado com os líderes gananciosos
Eles levarão vocês onde vocês não deveriam ir
Eles só querem crescer"

Este blog voltará ao assunto muitas vezes, a partir de agora.

Acabo de saber que uma vergonhosa edição especial do jornal Unidade, daquela entidade, sobre os 30 anos da greve de 1979, não cumpriu o preceito básico do jornalismo que é ouvir os dois lados. Ouviu praticamente um, e os donos de jornais e seus representantes.

Não entrevistou o então presidente Davi de Moraes, tampouco sua diretoria.
Aliás, Davi foi entrevistado, mas nada foi publicado.

Um dos mais dignos e corretos homens e jornalistas que já conheci - e esses dias tenho me encontrado com outros companheiros que lembraram, por coincidência, a importância de sua participação naqueles idos e duros anos de reerguimento do movimento sindical brasileiro e de redemocratização do país -- foi relegado ao esquecimento por aqueles que tentam apagar a História e reescrevê-la ao seu gosto.

"A verdade emerge", me lembrou dia desses o jornalista Paulo Nogueira -- citando o então editor do Washington Post na época do escândalo de Watergate --, sobre outro episódio mal contado, a noite da morte de Wladimir Herzog e o que aconteceu naquele Sindicato. Tema, aliás, que também será abordado aqui, em breve.

Não se pode enganar a todos o tempo todo.

Trinta anos já é o tempo necessário para o distanciamento histórico e para que a falta de vergonha seja exposta publicamente.

Este blog publicará, em maio, depoimentos que contarão a verdadeira história da greve dos jornalistas de 1979.

Enquanto isso ouçam, meditem e leiam George Harrison, aqui com Leon Russel

Atualizada em 26 de março, com a tradução da letra




Watch out now,
Take care beware of falling swingers
Dropping all around you,
The pain that often mingles in your fingertips
Beware of darkness

Watch out now,
Take care beware the thoughts that linger
Winding up inside your head
The hopelessness around you
In the dead of night
Beware of sadness

It can hit you, it can hurt you -
Make you sore and what is more,
That is not what you are here for

Watch out now, take care,
Beware of soft shoe shufflers
Dancing down the sidewalks,
As each unconscious sufferer
Wanders aimlessly,
Beware of MAYA

Watch out now, take care,
Beware of greedy leaders
They’ll take you where you should not go,
While Weeping Atlas Cedars
They just want to grow
Beware of darkness


Cuidado com a escuridão
Tradução do jornalista, escritor, poeta, roqueiro e meu amigo Ronaldo Antonelli


Atenção agora!

Toma cautela com os volúveis que caem

Pingando em volta de ti,

A dor que em geral se mistura à ponta de teus dedos,

Cuidado com a escuridão!

Atenção agora!

Toma cautela com os pensamentos que persistem

Retorcendo-se por dentro da cabeça,

O desespero que te cerca no fim da noite.

Cuidado com a tristeza!

Ela pode te atingir, pode te ferir,

Te deixando dolorido e, o que é pior,

Não é para isso que estás aqui...

Atenção agora!

Toma cautela com os trapaceiros que pisam macio,

Dançando pelas calçadas.

Como cada um dos sofredores inconscientes que perambulam sem destino,

Cuidado com Maya!

Atenção agora!

Toma cautela com os líderes gananciosos

Que te levam aonde não deves ir,

Como os ramos dos chorões nos jardins

Eles só querem continuar crescendo,

Cuidado com a escuridão!





terça-feira, março 24, 2009

De Villa-Lobos, o apaixonado brasileiro

Esta roubei do forum da Comunidade do Portal do Nassif, na página que construímos lá em homenagem a Villa-Lobos. O jornalista carioca e grande conoisseur de música erudita Henrique Marques Porto postou, e não resiti. Desfrutem.

"Sempre achei que os solos mais conhecidos compostos por Villa-Lobos para soprano -as Bachianas Brasileiras n. 5 e a Floresta do Amazonas- são na verdade mais adequados para as nossas vozes populares. Em 1968 Elizeth Cardoso cantou as Bachianas no Teatro Municipal com a orquestra da casa regida por Henrique Morelembaum. Foi uma apresentação memorável. Infelizmente não foi documentada. Procuro há anos e jamais localizei uma única gravaçãozinha amadora sequer deste que para mim foi um evento histórico para a nossa música. Um caso de falta de cuidado que dou como perdido.
Apurando a pesquisa no YouTube descobri Bibi Ferreira cantando a "Canção de Amor" da Floresta do Amazonas regida pelo mesmo Henrique Morelembaum a frente da Sinfônica do Rio de Janeiro no show "Bibi in Concert I". Bibi, que é grande cantora, confirma a minha tese. Essa canção fica mais bonita numa voz popular. Já existem postagens com essa música, mas não creio que seja demasiado acrescentar a versão em vídeo da Bibi Ferreira. E fico pensando como seria com a Elizeth, com a Elis, com a... Bom, confiram.
Abraços
Henrique Marques Porto"

segunda-feira, março 23, 2009

Sexo, paixões e cinema

Perdas e Danos-1992
Ultimo Tango em Paris- 1972


“A beleza de um corpo nu só o sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia”.

A frase é de Fernando Pessoa, na pele de Bernardo Soares, no Livro do Desassossego, um dos meus de cabeceira.

Pensei nela sobre um post que li hoje sobre sexo no cinema, nesta vasta teia mundial.

As pessoas falavam sobre a banalização, e isso acontece no cinema, na TV, em qualquer mídia da imagem.

Então, citaram alguns filmes onde essas cenas não estão lá apenas para preencher espaços obrigatórios em função de $$$$.

Como O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima (1976) , O Piano (1993) da neozelandesa Jane Campion. E me lembrei de outros: O Último Tango em Paris (1972), de Bertolucci, e Perdas e Danos (Damage,1992), de Louis Malle. Além de outro de Bertolucci, La Luna (1979).

Todos tratam de relações destrutivas, de paixão sem limites, de carne e de alma.

Procurei o blog do Luiz Carlos Merten, do Estadão, que considero um crítico sério e competente, e li lá, sobre O Último Tango:

“No começo dos anos 70, não foi só a ditadura militar brasileira que se assustou com a cena da manteiga. Fui procurar nos arquivos do 'Estado' e encontrei uma reportagem de 1976, dia 5 de fevereiro, procedente de Roma, dizendo que as cópias do filme haviam sido inceradas no dia anterior, por uma decisão inapelável do Tribunal Superior de Justiça da Itália, que considerou a obra de Bertolucci perniciosa. Apenas três cópias foram salvas e depositadas na Cinemateca Nacional Italiana para documentar 'a evolução técnica e artística da cinematografia no país'. Em 1976, a Itália estava em guerra contra o terrorismo e a Máfia, mas - incrível! - o sexo parecia mais assustador do que a violência”.

No Último Tango,Marlon Brando e a desconhecida Maria Schneider.Em Damage, Jeremy Irons e Juliette Binoche. Em La Luna, Jill Clayburgh e Matthew Barry . Em O Império dos Sentidos, Elko Matsuda (Sada) e Kitisan (Tatsuya Fuji).

Volto ao Merten:

“Oshima havia sido um dos alvos preferidos da censura dos militares. A abordagem de sexo e morte de ‘O Império dos Sentidos’ provocou um terremoto nas casernas. Havia coisa pior por vir, mas o País estava mudando quando Oshima adentrou justamente as casernas. ‘Furyo –(1983) Merry Christmas Mr. Lawrence’ oferece uma súmula do trabalho do diretor. Aparentemente, é um filme de guerra, que se passa num campo de concentração japonês na ilha de Java, em 1942. A guerra e a violência são intrínsecos ao filme, mas os temas são outros. O sexo como elemento de destruição, os rituais que aproximam/separam duas culturas. Oshima fala de Oriente e Ocidente, de Japão e Inglaterra. Tudo gira em torno da conceitualização da morte. Para os ingleses, importa a vida. Para os japoneses, a vida só importa como preparação para a morte, à qual dará sentido. O filme possui basicamente quatro personagens. Ruichi Sakamoto, como o militar que comanda o campo, e Takeshi Kitano, seu auxiliar. No outro extremo, David Bowie, como o comandante inglês, e Bill Conti, como Mr. Lawrence, o único que fala japonês e, portanto, vira intérprete. Mais do que o idioma, Lawrence vira uma peça decisiva porque ele entende a cabeça de Yonoi, o personagem de Sakamoto. Lembro-me, e espero não estar mentindo, que na época Oshima ressaltava que o homossexualismo não era, mas havia virado um tabu na sociedade japonesa a partir da era Meiji, quando o Japão se militarizou. Uma das primeiras coisas que os militares fizeram foi reprimir esse lado da sexualidade. O livro em que ele se baseou para fazer ’Furyo’, literalmente ‘Prisioneiro de Guerra’, não faz nenhuma referência a homossexualismo, mas Oshima transformou a relação entre os personagens numa ligação homossexual. Sakamoto e Bowie são deuses que vivem sua história de confronto e paixão sob o olhar de homens comuns, seus comandados, e que são divididos pela guerra. Toda a arquitetura dramática converge para esse beijo que David Bowie dá em Sakamoto, quando ele ameaça matar o chefe dos prisioneiros ingleses e que é uma coisa tão devastadora que destabiliza o herói japonês, implodindo todo um ritual de representação do poder montado entre ambos”.

Filmes viscerais, assisti a todos, em suas diversas épocas. Revi alguns.

Assitimos ao Tango em uma sessão na casa de amigos que voltavam da França e trouxeram escondido na bagagem. Jamais me esqueci do filme, de Brando, de Schneider, da belíssima trilha sonora de Gato Barbieri. E, claro, não tinha pra vender. Anos mais tarde, ao passar pelo aeroporto de Recife, ouvi aquela maravilha no ar e comprei. Um LP, tenho até hoje.

Saí de todas essas sessões algo diferente do que havia entrado.

Não eram as cenas de sexo o motor de minha perturbação, mas a reflexão sobre a dor da existência, das paixões nunca saciadas, porque paixões.

Isto é cinema.