quinta-feira, dezembro 24, 2009

Feliz Natal

Sagrada Familia de Gaudí, maio de 2009

Para os amigos que me acompanham, desta e de tantas outras terras, um poema do andaluz Lorca traduzido pelo galego Pepe Velo, outro poeta de Babel.

Nacimiento de Cristo
Federico García Lorca (1898 - 1936)

Un pastor pide teta por la nieve que ondula
blancos perros tendidos entre linternas sordas.
El Cristito de barro se ha partido los dedos
en los tilos eternos de la madera rota.
¡Ya vienen las hormigas y los pies ateridos!
Dos hilillos de sangre quiebran el cielo duro.
Los vientres del demonio resuenan por los valles
golpes y resonancias de carne de molusco.
Lobos y sapos cantan en las hogueras verdes
coronadas por vivos hormigueros del alba.
La luna tiene un sueño de grandes abanicos
y el toro sueña un toro de agujeros y de agua.
El niño llora y mira con un tres en la frente,
San José ve en el heno tres espinas de bronce.
Los pañales exhalan un rumor de desierto
con cítaras sin cuerdas y degolladas voces.

La nieve de Manhattan empuja los anuncios
y lleva gracia pura por las falsas ojivas.
Sacerdotes idiotas y querubes de pluma
van detrás de Lutero por las altas esquinas.

Do livro Poeta em Nueva York


Tradução de Xose Velo Mosquera, 1969


Um pastor pede teto pela neve que ondula
Cães brancos deitados entre lanternas surdas
O crucifixo de barro quebrou os seus dedinhos
Nas arestas eternas da madeira rompida
Já vêm as formigas e os pés enregelados
Dois fiozinhos de sangue quebram o céu duro
Os ventres dos demônios ressoam pelos vales
Golpes e ressonâncias de carne de molusco
lobos e sapos cantam entre as fogueiras verdes
Coroadas por vivos formigueiros de alba
A lua tem um sonho de grandes abanicos
E o touro sonha um touro de buracos e água
A criancinha chora, olha com um três na frente
São José vê no feno três espinhas de bronze
As fraldinhas rescendem um rumor de deserto
Com cítaras sem cordas e vozes degoladas
A neve de Manhattan empurrando os anúncios
Leva graça puríssima pelas falsas ojivas

Sacerdotes idiotas e querubins de pluma
Vão detrás de Lutero pelas falsas esquinas

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