quinta-feira, outubro 07, 2010

Cuidado com as trevas


George Harisson com Leon Russel

Cuidado com os líderes gananciosos
Que te levam aonde você não deve ir
Como os ramos dos chorões nos jardins
Eles só querem continuar crescendo
Cuidado com as trevas

Há um lugar ao sol, eles te dizem

Ando querendo me desligar e não consigo.

Entre tantos outros horrores, cães de guarda excedendo na sabujice, de rastros para seus patrões. Não é novidade, mas...

Marqueteiros aproveitando as últimas degolas para promoverem livros de degolados. Também não é novidade, mas...

Tantos conseguindo enganar a quase todos o tempo todo. Porque, claro, todos querem ser enganados.

O que fazer?

Esta pergunta desesperada fiz certa vez, de muita dor sem remédio, e o amigo respondeu: escreva um romance, uma peça. Não sei escrever romances nem peças.

Talvez tente um dia.

Para nós não há clemência.

É uma época de trevas ressuscitando outras trevas.

No sábado, John Lennon faria 70 anos. Marianne Faithfull, acima, lembra uma de suas grandes canções. Ele faz muita falta nesse mundo que caminha para algo muito, muito perigoso. Está nas esquinas, está no cotidiano.

Você pensa que você é tão esperto, sem classe e livre
Mas você continua sendo apenas um plebeu fodido até onde consigo ver.
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Há um lugar ao sol, eles continuam a te dizer
Mas primeiro você precisa aprender como sorrir enquanto mata.
Se você quer ser como o povo do topo do monte
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser
Se quiser ser um herói, bem, apenas me siga

quarta-feira, outubro 06, 2010

Wish

Me too, Liu, beijo

Para serenar



Om guru

terça-feira, outubro 05, 2010

Clínica Tobias Blues

Noite ocidental

(Pensando em Roberto Piva)

Um poema está escrito no lençol que voa do armário no caminhão de mudanças
Da Gare de Lyon até Santa Cecília é noite no Ocidente
Na hora sem estrela o poeta flana
Madrugada de ecos
“Oh cidade de lábios tristes e trêmulos onde encontrar
Asilo na tua face?”
Não é de plumas seu discurso
É canino pontiagudo.
Heterodoxo e numinoso
Sangra a carne no Restaurante Brasileiro
Brada o poeta gesticulando
ecoa Hölderlin
“e para que ser poeta em tempos de penúria”?
Enquanto seus coturnos pisam corações desavisados
Predador voraz de décadas
Caçador de ovos azuis e coxas sem celulite

A vida sempre foi andar

Na hora sem estrela o poeta flana
cidade de pedras e luz
esconderijos escancarados

nem pai, nem mãe, nem mestre
quando o rouxinol gorjear será a hora
dos garotos que passam e de esticar o olho esquerdo

poetas bêbados confraternizam na madruga
estalando línguas
escorre do caminhão de lixo um livro de poemas sujos.

São Paulo, 4 de outubro de 2010

segunda-feira, outubro 04, 2010

Janis Lyn Joplin

Janis Lyn Joplin (Port Arthur, 19 de janeiro de 1943 — Los Angeles, 4 de outubro de 1970



Do Absinto Muito
A Maior Cantora de Blues do Mundo Nunca Deixará de Cantar
Esta frase foi escrita sobre uma lápide, comprada por Janis Joplin, para a cantora de blues Bessie Smith, que foi enterrada em uma cova anônima na Pensilvânia, mas também poderia ser o epitáfio para a própria.

Sobre Bessie, Janis falou:
Ela me mostrou o ar e como preenchê-lo. Ela é a razão de eu ter começado a cantar.

Um sonho dentro de um sonho

Edgar Allan Poe traduzido por Jorge Pontual


Sonho dentro de um sonho (1827)

Na testa toma o meu beijo!
E, agora que eu te deixo,
Confessar é meu desejo -
Não, não erras ao julgar
Que vivo só a sonhar;
Mas se a esperança voou
Na noite, no dia ou
Numa visão, ou nenhuma,
Não ficaria alguma?
Tudo o que vejo ou sonho
É sonho dentro de um sonho.

Estou de pé frente ao mar
Batendo no quebra-mar
E tenho nas minhas mãos
Areia que sinto em grãos -
Tão poucos! Mas como vão
Por meus dedos para o vão,
E choro em vão - choro em vão!
Ó Deus! como segurar
O que não posso agarrar?
Ó Deus! não posso salvar
Um grão desse cruel mar?
Será o que vejo ou sonho
Um sonho dentro de um sonho?


A Dream Within a Dream

Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
This much let me avow-
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand-
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep- while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

domingo, outubro 03, 2010

Quanto mais quente...

Sinopse: Billy Wilder, o genial mestre de todos os gêneros, reuniu elementos de filme de gângster, das mais tresloucadas comédias dos irmãos Marx e do romance mais sensual neste trabalho, eleito pelo American Film Institute a melhor comédia da história do cinema. Na década de 1930, em plena vigência da Lei Seca, dois músicos (Tony Curtis e Jack Lemmon) testemunham um massacre entre mafiosos e fogem de Chicago disfarçados de mulher. A caminho de Miami, conseguem trabalho numa banda feminina, cuja cantora é Marilyn Monroe, então no auge do estrelato. E isso só pode provocar muita confusão.
Grande Billy Wilder e elenco fantástico: Tony Curtis, Marilyn, Jack Lemmon...




E esta incrível cena final, com Tony Curtis e o maravilhoso Joe E. Brown:
"Eu não sou mulher"
"Ninguém é perfeito"...


Eu quero é