Mis amigos son unos atorrantes.Se exhiben sin pudor, beben a morro, se pasan las consignas por el forro y se mofan de cuestiones importantes. Mis amigos son unos sinvergüenzas que palpan a las damas el trasero,que hacen en los lavabos agujeros y les echan a patadas de las fiestas. Mis amigos son unos desahogadosque orinan en mitad de la vereda,contestan sin que nadie les pregunte y juegan a los chinos sin monedas. Mi santa madreme lo decía:"cuídate mucho, Juanito,de las malas compañías". Por eso es que a mis amigos los mido con vara rasay los tengo muy escogidos, son lo mejor de cada casa. Mis amigos son unos malhechores,convictos de atrapar sueños al vuelo,que aplauden cuando el sol se trepa al cielo y me abren su corazón como las flores. Mis amigos son sueños imprevistos que buscan sus piedras filosofales,rondando por sórdidos arrabales donde bajan los dioses sin ser vistos. Mis amigos son gente cumplidora que acuden cuando saben que yo espero.Si les roza la muerte disimulan.Que pa' ellos la amistad es lo primero.
Da terra do patrono deste blog e da poeta Rosalia de Castro. Estranho para nossos ouvidos?Insista. De Lusofonia Horizontal
Sabemos que ti podes ser outra cousa Sabemos que o home pode ser outra cousa
A letanía de Galicia (1968)
DE tanto calar xa falo solo
GALICIA digoeu/un di – GALICIA GALICIA décimos todos – GALICIA Astr’os que calan din – GALICIA
e saben – sabemos
GALICIA da door chora – á forza GALICIA da tristura triste – á forza GALICIA do silencio calada – á forza GALICIA de fame emigrante – á forza GALICIA vendada cega – á forza GALICIA tapeada xorda – á forza GALICIA atrelada queda – á forza
libre pra servir – libre pra servir libre pra non ser – libre pra non ser libra pra morrer – libre pra morrer libre pra fuxir – libre pra fuxir
GALICIA labrega – GALICIA nosa GALICIA mariñeira – GALICIA nosa GALICIA obreira – GALICIA nosa GALICIA irmandiña – GALICIA viva inda
recóllote da terra – estás mui fonda recóllote do pueblo – estás nil toda recóllote da HISTORIA – estás borrosa
recóllote i érgote no verbo enteiro no verbo verdadeiro que fala o pueblo recóllote prós novos que vein com forza prós que inda non marcou a malla d’argolas prós que saben que ti podes ser outra cousa prós que saben que o home pode ser outra cousa
sabemos que ti podes ser outra cousa sabemos que o home pode ser outra cousa
Pequeno roteiro sentimental pelas quebradas do centro de Sampa
Eu sei dos pingos da goteira Batucando no passado E sei que as cinzas da fogueira não recomporão os galhos Dia sim e dia não Dói a minha solidão Eu tô ficando aperreado São trinta copos de chopp São trinta homens sentados Trezentos desejos presos Trinta mil sonhos frustrados No bar "Savoy" na Sertã No "Luna" bar no Leblon Vejo a tristeza do gado
Há um tempo atrás escrevi aqui Não te amo mais, antideclaração por esta cidade onde minha mãe veio pra que eu nascesse na Maternidade Matarazzo, porque em Poços de Caldas não havia muita condição. E voltamos para Poços, onde passei a infância entre as queridas montanhas das Minas, indo e voltando a São Paulo, porque ora havia emprego aqui, ora lá para meu pai, cantor de linda voz que teve de virar escriturário. Esta cidade que me fez adolescente e adulta. Naquela primeira crônica eu voltava ao Brás, de minhas raízes maternas. “É preciso correr se ainda se quer ver as coisas”, dizia Susan Sontag atrás da linda foto dos povos indígenas do Rio Soltério,em Rondônia, cartão de visita da Imagem Latina do meu amigo Jesus Carlos.Estava na mesa dele, ontem, que linda foto com meia dúzia de representantes indígenas, cada um de uma tribo, belos, com seus instrumentos de trabalho: aqui um abraçando um cãozinho e um pássaro,ali, outro com um pintinho no ombro esquerdo. Depois fomos andar pela Praça Roosevelt, Rua Martins Fontes, tomamos uma canja no Planeta’s. Na década de 1980 eu morei no prédio em frente ao restaurante, incrivelmente ainda cuidado pelo mesmo zelador português daquela época, e com a mesma cara, eu o vi dia desses, não me lembro de seu nome. Sinto ainda o cheiro do CO2 dos escapamentos dos carros invadindo minhas narinas quando acordava... A praça de concreto já era horrível, mas ainda nem tanto, havia um supermercado e pessoas passeando sempre. Era, naquela região, o nosso pedaço, de jornalistas que se cruzavam a todo o momento, de dia nas reportagens, à noite nos bares e restaurantes: Planeta’s, Piolim, Gigetto, Mutamba, Redondo, e no cine Bijou , e no Arena, e no Sindicato dos Jornalistas, na Rego Freitas. As redações do Estadão, na Major Quedinho, sucursal de O Globo, na esquina da São Luiz com Consolação, Gazeta Mercantil,, que já dançou, Rádio Eldorado, Istoé, sucursal do Jornal do Brasil, que acaba de extinguir sua edição em papel. Tinha razão a Sontag, pensadora e fotógrafa, é preciso correr se ainda se quer ver as coisas. Pois vimos os mesmos prédios, muito mudados, cheios de grades, e os teatros da Roosevelt, tristes no domingo de inverno. As padarias/restaurantes ao lado da Delegacia Regional do Trabalho, que servem café de coador bom, diz Jesus, eu não arrisco. Famílias com crianças no Planeta’s, era cedo ainda, flanelinhas pedindo 2 reais, homens solitários. Lembro de Solibar, Alceu Valença, quando chegou ao Rio de Janeiro, vindo da tão cálida Olinda:”No Luna Bar, no Leblon,vejo a tristeza do gado”. Ai. Os lumpens pelas ruas, um deles nos cumprimenta sorridente e eu penso que isso nos salva, ainda, como nação e como humanidade. Não sei se não te amo mais, cidade. As metrópoles, as metrópoles, mais vasto é nosso coração?
Texto da querida Maria Inez Mattiazzo, pessoa das mais admiráveis que já conheci, mulher de fé e que sempre me comove. Um beijo, Sarita.
Há pessoas que não se envergam, que não se dobram, que não se inclinam. Não porque tenham um caráter varonil, mas porque são incapazes de qualquer sentimento de empatia, de compreensão, de compaixão ou de bondade. São incapazes de admitir um erro, mesmo diante das conseqüências desastrosas que seus atos acarretam. São incapazes de pedir desculpas, mesmo diante da mágoa causada a outrem. São os tiranos e tiranas da mentira, ainda que a verdade pudesse resultar em bênçãos libetadoras para todos. Tiranos e tiranas do silêncio, ainda que uma única palavra pudesse desfazer todas as mágoas e restabelecer o entendimento e a paz. Tiranos e tiranas da inveja que se comprazem em armar ciladas àqueles que tem em abundância, aquilo que julgam lhes faltar. Tiranos e tiranas da calúnia que com línguas ligeiras e ferinas denigrem num único gesto ou palavra, o santuário de integridade que uma pessoa pode ter levado a vida toda para construir. Tiranos e tiranas do cinismo e do humor grotesco em deboche crônico reduzindo valores inestimáveis ao nível de sua própria insignificância. Tiranos e tiranas da ingratidão que devolvem espinhos às mãos que lhes ofertam flores. Opressores e opressoras hipócritas que confundem suas vítimas com sorrisos amplos e lisonjeiros, enquanto pelas costas estão a tramar toda a sua desdita. Senhor...livra-me da ação maléfica destes seres empedernidos, mas acima de tudo, de por um momento sequer, a despeito de qualquer circunstância, engrossar a fileira tenebrosa dos implacáveis.
Por do sol no Rio Madeira,naquela longinquisssima Rondônia, fiz a foto há tanto tempo, lembrei agora que uma amiga falou do maravilhoso. Maravilhosa é a natureza pra espanar as dores.
Texto da minha amiga, jornalista Rose Nogueira.Não tenho nada a acrescentar, cada dia fico mais perplexa, e muito mais que perplexa. Apenas que a "juíza" que negou proteção à vítima, ameaçada, meses atrás, argumentou que ela não tinha uma "relação afetiva" com o sujeito, só "ficava" e isso não se inclui na lei Maria da Penha.
Quando o país parou e muita gente chorou depois de confundir o Brasil com a Seleção, ninguém poderia imaginar notícia mais trágica no reino do futebol. Mas teve uma, com todos os componentes e personagens das tragédias gregas clássicas. Envolve um rei ou herói, uma mulher bonita, intrigas, casamento, amores, filhos, pais, mães, a sociedade imperfeita, os costumes, a hipocrisia, a paixão, a vingança, a traição, a vida e a morte. Tem até um coro, formado pelo séqüito de parasitas que costumam acompanhar os ídolos, por simples proximidade ou por dinheiro. Se fosse uma peça de teatro, o coro cantaria mais ou menos assim:
- Mata! Mata! Mata! Ela te incomoda. Mata! Para um rei não acontece nada, mulher é menos que barata...
E o herói, como todo psicopata, decidiria que sim, que a moça linda deveria sumir de sua vida. Um semi-deus não pode ser incomodado. Se ela perturba com exigências – mesmo depois de ele ter se encantado e desfrutado de seu corpo e sua companhia – ele se transforma em juiz perverso e vingativo.
Ignorante, o coro não o avisou que, ao livrar-se da moça, ele se livraria também de si mesmo, ou do que acreditava ser. Ao pensar em sumir com ela, da maneira mais cruel que poderia arquitetar a mente perigosa, estaria se transformando em pó, por onde passam as baratas. Perderia seu reino.
O coro lembrou ainda que há outro destino misturado ao deles, e tem apenas cinco meses. É ele o motivo de tantos problemas. Um filho do herói e da moça bonita, que teria assistido ao sacrifício da mãe. Estarrecidos, ficamos sabendo que foi poupado no último momento. Ele, o inocente, não seria picado e atirado aos cães famintos. Seria condenado à orfandade e ao esquecimento, ao abrigo de menores, depois de passar de mão em mão, levado, segundo as notícias, pela esposa traída.
Mas o que tanto queria sua mãe? Queria o direito de paternidade para o filho, o reconhecimento e o sobrenome. Lembrou que o menino era fruto de dois e não de uma, quando o pai a obrigou a tomar drogas para que ele não viesse ao mundo. Mas o menino nasceu e continuou brigando para viver. Como nas peças gregas, cumprirá seu destino, sem pai e mãe.
Talvez um dia lhe contem que seu pai foi um herói de verdade no país apaixonado por futebol. Seu reino era o campo, seu trono ficava sob a trave. Ele era o todo-poderoso das defesas geniais, o homem a quem o Flamengo, que possui a maior torcida do mundo, devia suas vitórias. Rebatia pênaltis como ninguém, levou o estádio ao delírio na final contra o Botafogo. E ouvirá que sua mãe era a moça bonita que freqüentava os campos até se apaixonar pelo mais talentoso goleiro, que além de tudo tinha alta conta bancária e cabeça pequena para um corpo tão grande. Talvez lhe digam que ela só queria “se dar bem”, como tantas outras moças parecidas. Afinal, algumas se casam em cerimônias milionárias. Mas Eliza Samúdio “perdeu”, como se diz na gíria do sub-mundo.
Vivemos o tempo das ridículas “celebridades”, onde a cabeça vale pouco, desde que os pés pisem um castelo que já foi de algum nobre falido e isso vire foto de revista. Pior de tudo é ouvir e ver na Internet comentários do tipo “ela foi mau caráter, oportunista, mas não merecia morrer dessa forma...” Ou então “ela era ‘maria-chuteira’ interesseira, tinha que acabar assim mesmo...” Tanto isso é verdade que, por vários dias, Eliza Samúdio foi chamada, pelas TVs de “a ex-amante do goleiro Bruno”. Não tinha nome. Até a palavra “amante”, em desuso há muito tempo, foi recuperada para crucifica-la moralmente. As fotos vulgares, mostradas insistentemente, servem para isso. Além de ser mulher, Eliza tinha “um passado”.
Senti falta das bravas opiniões feministas, dos protestos, da lembrança da lei Maria da Penha. Eliza demonstrava ter sonhos de maior inclusão social – mas também de formar uma família com seu filho e protegê-lo. Nem ela nem Bruno tinham muita experiência de afeto e proteção familiar. Os dois personagens são trágicos desde o começo, e se aproximam pela história comum lá atrás: ambos foram abandonados pelos pais quando crianças, e esse é o legado do menino.
O que os distancia, e separa a vida da morte, é que Bruno tinha poder e dinheiro. Ganhava perto de 200 mil reais por mês só em patrocínio e salário do Flamengo. Agora os contratos foram suspensos. O garoto que confessou ter ferido Eliza e acompanhado seu martírio até o final disse que recebeu três mil e entregou ao matador. Uma vida rica e uma morte barata.
Um colega levantou uma hipótese: se Bruno estivesse na Seleção, se tivesse ido para a África do Sul, talvez a tragédia fosse evitada. Eliza sumiu dias antes do primeiro jogo. O herói não sabe lidar com a frustração e pode cometer barbaridades, diz ele. Se estivesse feliz, talvez tivesse reconhecido o filho e seus direitos, e ainda ajeitasse a situação com a mulher traída. Pode ser. Isso porque, ao ser preso, Bruno teria lamentado apenas que a Copa de 2014, para ele, já era. Era esse o seu sonho. Sua paixão era o campo, a partida, a vitória. O reino perdido. Não chorou pelo que se tornou, por Eliza ou pelo abandono do menino. Mas esse é material para os psiquiatras.
O que nós sabemos é que a arte imita a vida e muitas vezes esta supera aquela. Estamos assistindo a uma tragédia brasileira.
Jornalista e escritora, autora de Suplemento Literário-Que falta ele faz! : Tinhorão, o Legendário; As Dez Mil Coisas (poesia) e do e-book Jornalismo Século XXI- O modelo #mídia NINJA
VIVA BABEL
Notícias de Babel.
O título homenageia Xose Velo Mosquera, Pepe Velo, professor, poeta, revolucionário galego, que criou o lema e viveu por ele.
Sonhos de Leonardo
CRUEL
Sérgio Sampaio
Tudo cruel, tudo sistema Torre Babel, falso dilema É uma dor que não
esconde o seu papel São Carlos, morro, Borel Eu subo e nunca estou no céu
Torres
Orides Fontela
Construir torres abstratas
porém a luta é real. Sobre a luta
Nossa visão se constrói. O real
Nos doerá para sempre
CONTADOR DE ACESSOS - 06/03/2009
Páginas que revelam uma época . Autora discute legado do Suplemento Literário,
editado nos anos 50 e 60 (clique na imagem para ler)
Uma análise da relação entre imprensa e cultura. No prefácio do livro, Antonio Candido relembra
o contexto em que surgiu o Suplemento (clique na imagem)
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*"Povo que não conhece sua história está condena...