terça-feira, maio 18, 2010

Menos

Se o presidente ajuda Clovis Rossi a se recuperar de um tombo, não quer dizer que é um ato de magnanimidade frente a um jornalista que o critica. Por que não poderia o presidente ser solidário com um jornalista brasileiro que levou um tombazo, seja ele de que lado for?Questão de educação. Menos, minha gente...

Sobre o futebol


Não gosto de comerciais em geral. Este argentino, entretanto, é uma exceção em meio a tanta coisa ruim dos publicitários deste mundo.E poderia , também, ser sobre o futebol brasileiro. Vi no Blog da Josefina , de um certo fotógrafo que mora na mais bela cidade do mundo ocidental.

segunda-feira, maio 17, 2010

Cartas à redação

From: Celso Lungaretti
To: leitor@uol.com.br
Sent: Monday, May 17, 2010 5:42 PM
Subject: "Governo Lula quer implantar ditadura totalitária no País" General Maynard

"É chocante que a Folha tenha permitido ao general reformado Maynard Marques de Santa Rosa afirmar, sem nenhuma prova, que Dilma Rousseff assaltou, torturou e matou pessoas. Foi uma acusação grave demais para o jornal colocar, como única ressalva, a débil refutação da repórter ("Até onde se sabe, ela não matou ninguém"), ao que o entrevistado respondeu taxativamente: "É o que ela alega. Sabe-se que tem vítima". E fiquei pasmo ao não encontrar, em seguida, a pergunta que até um 'foca' faria: "Quem são essas vítimas?". Assim como estranho muito a omissão de uma informação fundamental: a de que, como tenente de Infantaria, Maynard Marques atuou na Inteligência do Exército e integrou a equipe de Buscas do DOI-Codi/RJ no período de 1971/72, o que coloca sob suspeição todas as suas críticas à Comissão da Verdade, já que ele pode estar temeroso do que possa ser apurado a seu respeito."

Celso Lungaretti, ex-preso político, torturado pelo DOI-Codi/RJ em 1970 (Sâo Paulo, SP)

Si quieres vivir 100 anõs

Joaquin Sabina, cantautor e poeta andaluz

domingo, maio 16, 2010

Klee


"A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver"


Paul Klee

Lady Day

sábado, maio 15, 2010

sexta-feira, maio 14, 2010

O Joelma, o QG tucano em SP e a demissão na Abril


1- Celso Lungaretti escreveu interessante texto lembrando o edifício Joelma em chamas, em 1974, do qual pessoas se atiravam feito passarinhos. O laudo dos bombeitros constatou que havia somente uma escada comum (não de segurança,), não havia sistema de alarme nem qualquer sinalização para abandono e controle de pânico. Diz Celso:"Sobreviventes revelaram que sequer sabiam como chegar à tal escada comum, era praticamente escondida para que todos fossem obrigados a utilizar o elevador. A obsessão por mantê-los sempre controlados."
179 mortos e 300 feridos.
E continua: " Enfim, saltando para o presente, em tudo e por tudo o Joelma é mesmo o local escrito nas estrelas para abrigar o comitê de campanha 2010 de Geraldo Alckmin e José Serra.De nada adianta terem mudado seu nome para Edifício Praça da Bandeira.Nem a ridícula mobilização de influências políticas para que fosse trocado o número do prédio, de 184 para 182, a fim de evitar que os algarismos somassem 13.O mau agouro é outro: estarem ocupando um espaço amaldiçoado pelas almas penadas de quem foi imolado no altar do L-U-C-R-O ".

2- Esta semana a Editora Abril demitiu o editor-assistente da revista National Geographic Brasil Felipe Milanez, pelas críticas em seu Twitter contra a revista veja, da mesma editora, a respeito da reportagem “A farra da antropologia oportunista", sobre delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. A mesma que reproduz delcarações do antropólogo Viveiros de Castro, que não foi entrevistado, conforme denunciado por ele.
" A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima , disse Felipe". Segundo o Portal Imprensa, Matthew Shirts, disse: "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão".
Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".
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Lembrei imediatamente de Decio de Almeida Prado, que entre 1956 e 1967 exerceu a mesma função no Suplemento Literário do Estadão. Em depoimento para o meu livro "Que falta ele faz!", o professor Antonio Candido contou uma história exemplar.
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" Houve um momento -- (...) que o doutor Julio conversou com o Décio sobre um colaborador comunista que talvez valesse a pena não colaborar. O Décio disse, “não sei se é comunista, mas o fato é que não transparece nos artigos, é um grande crítico. Mas se o senhor achar necessário que ele não colabore mais, eu aceito e nesse caso apresento minha demissão”.
O dr. Julio disse: “Não Décio, está encerrado o assunto”.

Mudou o mundo e mudaram os jornalistas. Não só não se fazem mais liberais como antigamente. Não há a mais remota hipótese de algum redator-chefe se comportar como Décio, frente a uma decisão de quem "paga o salário".

Shirts disse que fez o que devia fazer exercendo a função. Décio de Almeida Prado fez o oposto, coerente com seus princípios.O que pensaria Shirts sobre Décio? Não sei. Sei o que pensa Antonio Candido: "Ele era um ser de exceção".

quinta-feira, maio 13, 2010

Vivendo e aprendendo a não jogar - A Era Dunga e a chacina do sonho

i Yam

Este texto foi publicado no Portal do Nassif por Zezita via de Regra, alter ego de Liu Sai Yam.

Continuo não entendendo de futebol, mas nem precisa, pra entender do que Zezita fala.


A seleção de Dunga é reedição da corrente pra frente, da “coerência” careta e do “comprometimento” fascista. Só se compromete quem não pensa, e Dunga, à semelhança do novo admirável mundo novo, é refratário aos que pensam criativamente.Nem se trata de criticar escalação, inclusão ou exclusão de nomes, mas o discurso nitidamente patriótico nacionalista beirando ao fascismo, descarregando todo o jargão auto-ajuda mesclado à fidelidade pitbull, à obediência cega e ao conformismo tático de linha militarista. Pátria, família e comprometimento. Cegueira bitolada de milícias direitistas e chacinadores de outsiders.
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Será por mera coincidência que no mesmo dia em que Dunga (representando a autoridade constituída de situações constituídas mediante a medíocre qualificação “winner”) proferia o seu discurso de retorno aos anos 1970, seis sem-tetos tenham sido mortos a tiros debaixo de um viaduto em São Paulo? Não estavam comprometidos com uma sociedade ordeiramente desenvolvimentista e vencedora, que aufere láureas de gringos mundo afora, mas não sabe lidar com seu próprio povo.
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E ai das vozes discordantes, imediatamente tachados de voluntaristas, irrealistas, indigestos, individualistas, putanheiros, firulentos desobedientes de táticas do ferrolho, preferindo a derrota debaixo de trágica alegria e dolorido sonho à vitória cinzenta dos conservadores, os eternos winners. Brasil tem condições de montar 10 seleções, todos com chances reais de abocanhar a malfadada copa. Tinha uma chance de selecionar arte/alegria estruturada sobre descompromisso, irresponsabilidade e prazer. A partir da escalação inicial de Dunga, optou pela Solange da lentidão gradual, do reacionarismo fanático e da chapa-branquice.
Si zouzou fuera Maradona, jugaría/viviría como Maradona...

quarta-feira, maio 12, 2010

O goleiro Barbosa: Muito mais de onze fraturas


A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou do Brasil a conquista do título, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto. Não entendo nada de futebol, mas me fascinam alguns personagens. Especialmente os heróis do fracasso, como diz um amigo escritor, que também tem esse fraco.
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Pra ele doía muito mais que fratura. Meu amigão, colega do grupo escolar. Saudade das peladas, eu era lateral direito, ele goleiro.Parecia um gato, o camarada! Mudou pra São Paulo, trabalhava numa firma lavando vidro e lá mesmo, jogando na fábrica, foi contratado pelo Ypiranga, por volta de 1940. Ele era do 1921, o senhor faz as contas, tinha 19 anos.
No 1943, o Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas, daí o Domingos da Guia indicou ele pro Vasco em 44, em 45 já estava no escrete brasileiro. Mas naquele 16 de julho de 50, contra o Uruguai...
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Os olhos do velho amigo, de 84 anos, se apertam.
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“Conta seu Mané”. (Eu tinha viajado a Campinas para entrevistar o amigo do goleiro para um jornal do interior do Rio.)
Tá aqui, vou ler no livro o que ele mesmo contou:“O Ghiggia avançou, eu vislumbrei o centro da área com três carrascos babando, à espera da bola. O Bigode vem atrás do Ghiggia, Juvenal tenta fazer a cobertura, mas na entrada da área só tem eles, ninguém da defesa, se ele centra não tem como pegar, é gol na certa, fico esperando Ghiggia centrar, dou um passo à frente, porque ele com certeza vai fazer a mesma jogada do primeiro gol, ele sente que eu estou fora, embora viesse de cabeça baixa como touro miúra, mete o peito do pé na bola e ainda toco nela, crente e que foi para escanteio, afinal foi um chute mascado, bateu no gramado, subiu e desceu, eu dou um passo lateral e salto para a esquerda com todo o impulso que... quando senti o estádio em silêncio total tomei coragem, olhei para trás e vi a bola de couro marrom lá dentro..."
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Ele me dizia, moço, que o silêncio acompanhava ele a vida inteira. Aqueles 200 mil torcedores calados. Que parecia a eternidade, e quando morresse não ia sentir diferença... Barbosa era um lorde. Parece que chorava pra dentro. Jamais esqueceu de uma senhora que parou ele na rua e disse pra filha:” É esse aí que traiu o Brasil” .
Mas o negrão não podia se emocionar. Dizia que queria ficar vivo, e que o sentimento mal conduzido acaba com uma pessoa. Pois então ele não carregou por 50 anos aquele silêncio? E não foi chamado no Maracanã, quando trocaram as balizas e deram pra ele, pra fazer churrasco daquelas traves onde ele se desgraçou?
Jogou até 62, quando sofreu uma lesão na virilha pelo Bonsucesso, estádio do Campo Grande. Não eram os 200 mil do Maracanã, mas uns 600, em silêncio. Aquele silêncio profundo, mas dessa vez diferente, ele contou.
“Mané, mesmo com aquela baita dor eu fiquei feliz, porque era uma coisa de respeito, de sentimento mesmo, coisa da alma”.
“Não chora, seu Mané, a vida é assim”, digo. ”E depois?”
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Bom, muita falta de dinheiro. Morreu esquecido, na Cidade Ocian, no dia 7 de julho de 2000. Fui me despedir. Sabe moço, naquele tempo ninguém usava luva. E goleiro machuca muito as mãos. Ele já tinha me contado uma vez: onze fraturas. As mãos dele, quebradinhas, cruzadas sobre o peito. Eu chorei muito, não sou como ele que chorava pra dentro, sou um manteiga derretida.