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sexta-feira, março 19, 2010
"Onde estávamos nós quando fomos brutalmente interrompidos?"
Eu vou nesse Sarau de "poesia, música, e alguma anarquia" hoje no Bixiga. Segue o convite:
EMBRIAGAI-VOS !
"É necessário estar sempre bêbados...Para não sentir o fardo horrível do tempo, que abate e faz pender a terra, é preciso que nos embriaguemos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achar melhor. Contanto que nos embriaguemos".
Tudo se resume a isso, eis o único problema...
Baudelaire
*****
o INSTITUTO CULTURAL LATINOAMERICANO
(ou VIANINHA'S BAR)
convida a todos para a reunião (sarau, tertúlia ou sei lá...)
Poesia, música e alguma anarquia
"ONDE ESTÁVAMOS NÓS,
QUANDO FOMOS BRUTALMENTE INTERROMPIDOS?”
...é o início das reuniões, que desejamos periódicas, mensais, onde possamos expressar, através de palavras, sons e gestos, o que houver de mais humano em nós.
******
Nós não vamos pagar nada...
Venha arranhar o vento, traga seu poema ou sua lira para os nossos ouvidos atentos. É grátis.
- Bebida e petiscos a preço justo.
SERVIÇO
Quando: sexta-feira (19/mar) - A partir das 20h
Onde: Rua Abolição,244 - BELA VISTA - fone 31o474o1
referências:
início das ruas Sto. Antonio e São Domingos
EMBRIAGAI-VOS !
"É necessário estar sempre bêbados...Para não sentir o fardo horrível do tempo, que abate e faz pender a terra, é preciso que nos embriaguemos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achar melhor. Contanto que nos embriaguemos".
Tudo se resume a isso, eis o único problema...
Baudelaire
*****
o INSTITUTO CULTURAL LATINOAMERICANO
(ou VIANINHA'S BAR)
convida a todos para a reunião (sarau, tertúlia ou sei lá...)
Poesia, música e alguma anarquia
"ONDE ESTÁVAMOS NÓS,
QUANDO FOMOS BRUTALMENTE INTERROMPIDOS?”
...é o início das reuniões, que desejamos periódicas, mensais, onde possamos expressar, através de palavras, sons e gestos, o que houver de mais humano em nós.
******
Nós não vamos pagar nada...
Venha arranhar o vento, traga seu poema ou sua lira para os nossos ouvidos atentos. É grátis.
- Bebida e petiscos a preço justo.
SERVIÇO
Quando: sexta-feira (19/mar) - A partir das 20h
Onde: Rua Abolição,244 - BELA VISTA - fone 31o474o1
referências:
início das ruas Sto. Antonio e São Domingos
quinta-feira, março 18, 2010
Quem pode mudar todas as coisas?
Contrastes, foto de Gustavo Ceratti, aluno da PUC.Paraisópolis, zona sul de São Paulo, a segunda maior favela da cidade com cerca de 80 mil habitantes, ocupando área de aproximadamente 10 km².
Estive hoje na PUC dando uma palestra na disciplina Jornalismo e Literatura, para alunos de graduação do terceiro ano, da turma do meu amigo e companheiro de sofrimento na redação da Folha, século passado, Wladyr Nader, jornalista e escritor, criador da já histórica revista Escrita. Falei para eles sobre o Suplemento Literário do Estadão, meu livro e minha dissertação de mestrado, contando a história do paradigmático caderno cultural criado em 1956 por Antonio Candido.
Falei sobre o jornalismo atual e sua falta de rumos, o que acontece também, claro, com seus suplementos culturais. Levei o novo caderno, o Sabático, lançado no último sábado pelo Estadão em substituição ao Cultura, sucessor do SL. Ninguém conhecia, eles lêem a Folha.
As maiores diferenças nesse projeto estão na parte gráfica. Embora a parte cultural do Estadão seja bem melhor que a da Folha, na minha opinião, não vi nada de novo no Sabático nesse aspecto. Tem uma boa entrevista com Umberto Eco, sobre o fim do livro ou não. Trará sempre a reprodução de um artigo do velho Suplemento Literário, a melhor parte esta.
Mas os ícones, que têm maior presença no Sabático - embora espalhados pelo jornal todo- como este
}
chave de equação algébrica, que me lembre, não têm explicação e sempre estão colocados como chave de fechar. Não abrem. Projeto de artistas gráficos de um escritório de Barcelona, terra das artes.
Tide Hellmeister, grande artista gráfico e plástico, grande elaborador de belos projetos gráficos de tantos jornais e revistas, deve estar rindo lá do Além, mais uma vez.Quantos artistas talentosos e criativos temos aqui -o maior deles era o Tide, qualidade reconhecida por seus pares-e sempre teimam em contratar os de fora.
Já sobre a Folha, que também fez sua reforma gráfica, nao posso comentar, pois ainda não li.Aliás, não leio a Folha, só na diagonal online.
Entretanto, sabemos, ao longo dos anos, que essas reformas são paliativas, não é possível encontrar uma forma ideal sem conteúdo ideal, indossoluvelmente ligados. E conteúdo bom não é mais o informativo- está na internet a notícia do dia, está no rádio e na TV, está nos celulares-
mas o analítico e reflexivo. E sem manipulações, respeitando o leitor.
O Estadão ainda continua mais confiável em se tratanto de apuração de notícias- tanto que uma hora depois que a Folha online noticiou erradamente a trágica morte de seu próprio funcionário, o Glauco , por assalto, o concorrente on line desvendou a verdade.
"Saiam de trás de seus notebooks", disse Gay Talese entrevistado no Brasil ano passado, aos jornalistas.
Foi o que repeti aos alunos da PUC, e também disse que só nós podemos mudar as coisas. Nada é imutável, e só a ação do homem pode transformar.
Sempre que falo isso, vários olhos me interrogam, surpresos. Quando cheguei, recebi este email de um dos alunos, de cerca de 20 anos:
"Elizabeth, meu nome é Gustavo Antonio Ceratti Silva, falei com você hoje ao final da aula do professor Wladyr, na PUC. Como disse, sou repórter e editor de fotografia do jornal ContraPonto, o jornal laboratorial do curso de jornalismo da universidade. Estou com uma pauta a respeito da recente reformulação gráfica do Estadão e do anunciamento, também recente, do novo projeto gráfico da Folha. O meu interesse é o de abordar criticamente o que leva os jornais a se importarem tanto com a sua diagramação, bem como as conseqüências das mudanças acarretadas por esse fenômeno, o que o justifica, se é que se justifica, entre outras questões.
A linha editorial do jornal é a de criticar a imprensa, ou melhor, a midia em si, positiva, ou negativamente. Seria muito interessante contar com o seu depoimento para enriquecer a matéria.
Mudando de assunto, foi um prazer conhecer você hoje na aula do professor Wladyr. É sempre bom entrar em contato com pessoas que revivem os nossos sonhos, os quais muitas vezes acabam por se diluírem na rotina — como é o meu caso —, mas confesso que acredito e vislumbro um jornalismo como você descreveu hoje, mesmo sendo difícil persistir nesse sonho que me levou a cursar essa faculdade. Infelizmente parece não existir espaço para uma produção jornalística de qualidade, mesmo assim as possibilidades encantam. Obrigado por reacender essa chama em mim, pelo menos por hoje, e que continue assim".
Falei sobre o jornalismo atual e sua falta de rumos, o que acontece também, claro, com seus suplementos culturais. Levei o novo caderno, o Sabático, lançado no último sábado pelo Estadão em substituição ao Cultura, sucessor do SL. Ninguém conhecia, eles lêem a Folha.
As maiores diferenças nesse projeto estão na parte gráfica. Embora a parte cultural do Estadão seja bem melhor que a da Folha, na minha opinião, não vi nada de novo no Sabático nesse aspecto. Tem uma boa entrevista com Umberto Eco, sobre o fim do livro ou não. Trará sempre a reprodução de um artigo do velho Suplemento Literário, a melhor parte esta.
Mas os ícones, que têm maior presença no Sabático - embora espalhados pelo jornal todo- como este
}
chave de equação algébrica, que me lembre, não têm explicação e sempre estão colocados como chave de fechar. Não abrem. Projeto de artistas gráficos de um escritório de Barcelona, terra das artes.
Tide Hellmeister, grande artista gráfico e plástico, grande elaborador de belos projetos gráficos de tantos jornais e revistas, deve estar rindo lá do Além, mais uma vez.Quantos artistas talentosos e criativos temos aqui -o maior deles era o Tide, qualidade reconhecida por seus pares-e sempre teimam em contratar os de fora.
Já sobre a Folha, que também fez sua reforma gráfica, nao posso comentar, pois ainda não li.Aliás, não leio a Folha, só na diagonal online.
Entretanto, sabemos, ao longo dos anos, que essas reformas são paliativas, não é possível encontrar uma forma ideal sem conteúdo ideal, indossoluvelmente ligados. E conteúdo bom não é mais o informativo- está na internet a notícia do dia, está no rádio e na TV, está nos celulares-
mas o analítico e reflexivo. E sem manipulações, respeitando o leitor.
O Estadão ainda continua mais confiável em se tratanto de apuração de notícias- tanto que uma hora depois que a Folha online noticiou erradamente a trágica morte de seu próprio funcionário, o Glauco , por assalto, o concorrente on line desvendou a verdade.
"Saiam de trás de seus notebooks", disse Gay Talese entrevistado no Brasil ano passado, aos jornalistas.
Foi o que repeti aos alunos da PUC, e também disse que só nós podemos mudar as coisas. Nada é imutável, e só a ação do homem pode transformar.
Sempre que falo isso, vários olhos me interrogam, surpresos. Quando cheguei, recebi este email de um dos alunos, de cerca de 20 anos:
"Elizabeth, meu nome é Gustavo Antonio Ceratti Silva, falei com você hoje ao final da aula do professor Wladyr, na PUC. Como disse, sou repórter e editor de fotografia do jornal ContraPonto, o jornal laboratorial do curso de jornalismo da universidade. Estou com uma pauta a respeito da recente reformulação gráfica do Estadão e do anunciamento, também recente, do novo projeto gráfico da Folha. O meu interesse é o de abordar criticamente o que leva os jornais a se importarem tanto com a sua diagramação, bem como as conseqüências das mudanças acarretadas por esse fenômeno, o que o justifica, se é que se justifica, entre outras questões.
A linha editorial do jornal é a de criticar a imprensa, ou melhor, a midia em si, positiva, ou negativamente. Seria muito interessante contar com o seu depoimento para enriquecer a matéria.
Mudando de assunto, foi um prazer conhecer você hoje na aula do professor Wladyr. É sempre bom entrar em contato com pessoas que revivem os nossos sonhos, os quais muitas vezes acabam por se diluírem na rotina — como é o meu caso —, mas confesso que acredito e vislumbro um jornalismo como você descreveu hoje, mesmo sendo difícil persistir nesse sonho que me levou a cursar essa faculdade. Infelizmente parece não existir espaço para uma produção jornalística de qualidade, mesmo assim as possibilidades encantam. Obrigado por reacender essa chama em mim, pelo menos por hoje, e que continue assim".
quarta-feira, março 17, 2010
Rojas
terça-feira, março 16, 2010
Boas notícias
“Fui com meus educandos de Paraisópolis na exposição do Tide na Caixa Cultural, no dia que a Marlui Miranda se apresentou lá. E daí vi seus textos, a exposição é linda, muito boa. Eles gostaram mais do que a do Borges, que remete à cultura e à origem deles né! Apesar que hoje em dia a cultura deles foi tão abafada, sufocada, que praticamente inexiste. De qualquer forma, achei bem bacana que eles gostaram e daí lembrei dos velhos tempos da redação, das nossas conversas”, me escreve Carla Prates, que há anos se divide entre o jornalismo e a educação dos meninos da favela. Fiquei muito feliz por eles terem gostado da lúdica expo do Tide, criançada adora mesmo.E aproveito para reproduzir texto da Carla, A Ditadura do Medo, no seu blog Catarse
Desde o início do ano, a imprensa investe no que eu chamaria de A Ditadura do Medo. Não que o sensacionalismo não fosse seu principal recurso de audiência há tempos, mas agora a coisa se intensifica e as tragédias naturais são o alvo-mor. Nada melhor do que investir nas catástrofes, que tanto amedrontam e assolam a humanidade desde os primórdios, para estabelecer uma cultura do medo. Se temos medo nos tornamos passivos e nos protegemos, é uma sensação que provoca defesa e não ataque. E será que não é isso que se quer? Instituir a passividade? Educandos me disseram que seus pais, influenciados pelas más notícias da TV, já a apontam como um dos motivos de não deixar os filhos sairem de casa. A violência e agora as catástrofes, como deixar os filhos sairem de casa em um mundo como este? E isso é tão irracional que, mesmo diante de especialistas dizendo que não há evidência de hoje ter mais tragédias do que antigamente, muitos ainda acreditam no fim próximo. Melhor mesmo ficar em casa, protegido, assistindo mais e mais televisão... mas e se um terremoto ou tsunami invadir pela nossa porta adentro? Quem poderá nos salvar em tempos tão instáveis?
Só mesmo tomando uma cerveja Devassa e comemorando a falta de criatividade dos nossos publicitários, que teimam em explorar o corpo da mulher e associar esse prazer ao da cerveja, e que seja feito um brinde também à ditatura do medo e da violência.
Lembrei de Brecht:
"Nós vos pedimos com insistência: Nunca digam - Isso é natural - diante dos acontecimentos de cada dia, numa época em que é derramado
sangue inocente, em que o arbitrário tem força de lei, em que a
Humanidade se desumaniza, não digam nunca - Isso é natural - a fim de que nada passe por imutável."
segunda-feira, março 15, 2010
sábado, março 13, 2010
"Do mal, será queimada a semente..."
Nelson Cavaquinho, dele e de Élcio Soares
Juízo Final
O sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente
É o Juízo Final, a história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer
O amor será eterno novamente
Juízo Final
O sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente
É o Juízo Final, a história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer
O amor será eterno novamente
sexta-feira, março 12, 2010
Glauco
quarta-feira, março 10, 2010
Homens, mulheres e planetas

Por Cap. Pepe (o homem que ama as mulheres)
Artigo esclareceder e esperançoso sobre por que homens e mulheres vivem em planetas diferentes. Não concordo com tudo, especialmente no referente às lideranças feministas norte-americanas da década de 60- acho que elas foram radicais porque precisavam ser, num país daqueles, onde Panteras Negras precisaram, também, ser radicais. E a história da queima de soutiens, que ficou para a eternidade, na verdade é mal compreendida. Mas isso é conversa pra outro post específico.
Concordo com todo o resto deste ótimo texto, e muito mais importante, por vir de um homem.
Enjoy it, garotas y rapazes.
Sim. Viveremos eternamente em planetas diferentes. E jamais haverá justiça plena entre eles. As habitantes de um, eternamente terão mais peso para carregar que os habitantes do outro. A natureza é palavra feminina, mas tomou decisões irreversíveis que prejudicaram a mulher. A nós, deu uma glande que proporciona prazer até contra a vontade das mulheres. A vocês um clitóris que para dar prazer depende da habilidade, da capacidade e da preocupação dos homens com relação à parceira A nós deu a possibilidade de ligar o sexo ao poder, se quisermos até o poder discricionário e vil. Só nos podemos estuprar.
A nós deu a possibilidade de sermos desde crianças lúdicos com relação ao sexo. Antes mesmo de tomarmos consciência da sexualidade, o pênis é um brinquedo, com o qual miramos alvos, escrevemos nomes nas paredes, fazemos concursos de distâncias, de tamanhos. E essa possibilidade pode e talvez até tenda a se projetar no adulto, tornando mais fácil para o homem ver sempre o sexo como algo mais lúdico que a mulher.
Vocês menstruam, o que significa modificações hormonais que incidem sobre todo o corpo e comportamento. Vocês engravidam e aleitam , tornando-se mais vulneráveis, deformando o corpo e, junto com a vida ,gerando a responsabilidade de cuidar da cria. Para nós, participar dos cuidados é uma questão de escolha, de sensibilidade, de caráter. É mais fácil para nós tomarmos uma opção de abandono irresponsável que para vocês que geraram dentro do seu corpo
Tantas diferenças corporais e funcionais fatalmente gerariam diferenças no funcionamento das mentes. Por isso, acho que a natureza determinou que vivêssemos sempre em planetas diferentes
Mas esses PLANETAS DIFERENTES poderiam ser e quero crer um dia serão UM MUNDO SÓ. Sei que para o injustiçado, haver justiça amanhã ao alvorecer é muito tarde.
Mas acho que caminhamos muito, embora estejamos ainda muito longe. E caminhamos a despeito de carência de boas lideranças e de um início taticamente errado com as Friedans que se multiplicaram e se perpetuam em “’órgãos da defesa da mulher” que lutam contra o micro e nem sabem onde está o macro
Queimar soutiens é ter como alvo a natureza que criou os seios, obras- primas de beleza, fontes de prazer para o dois sexos e essenciais ao desenvolvimentos da vida. Tão marcantes para a espécie humana que a tornou a única entre os mamíferos a transformar o leite em um alimento para toda a vida. É opor-se à Lei de Newton, é contrariar o incontrariável, porque é a lei que rege o Universo.
E os atuais “’órgãos da defesa da mulher” saem vestindo o ridículo pensando que é armadura, e arremetem contra o micro como se fosse macro ao fazer tanta celeuma em torno de uma propaganda de cerveja. Assisti outro dia um programa de TV em que uma representante desse órgão era desmontada peça por peça (tem gente que não tem raciocínio, tem peças encaixadas mecanicamente) por Ana Lúcia Miranda, uma feminista desde que nasceu. Teria pena dela, se mais dó não tivesse das mulheres que dependem dela para serem defendidas
Foi uma marcha que começou com a vitória em uma batalha fundamental que não foi travada por nós, mas pela tecnologia ao dar à mulher o controle sobre a procriação. Desta vez, inusitadamente, foi possível romper uma barreira criada pela natureza que dificultava a luta pela igualdade.
Depois, essa marcha foi feita quase sem liderança, apesar de centenas de “lideres” que dela tentavam e persistem querendo se apossar. Essa marcha foi feita por milhões de Elizabeths e milhares de Zés. Está ainda incompleta, mas as barreiras institucionais, nós as derrubamos em quase todo o Ocidente. Verdade que nisso tivemos a ajuda de muitos “machistas”para os quais a liberdade da mulher (desde que não fosse a deles) era importante porque ampliava o campo de caça.
Ambos biologicamente nascemos no século XX. Mas culturalmente eu nasci no XIX. E juntos ajudamos ainda no meio do século XX a abrir as portas para o XXI. Éramos uma minoria absoluta lutando em um mundo que vivia ainda o tabu da virgindade, em que uma película era mais importante para um casamento que o vestido de noiva. Era um mundo em que fidelidade tinha que ser eterna e apenas da mulher. Era um mundo em que a própria mulher favorecia o opressor , permitindo e colaborando para que fossem divididas entre “puras”e “vagabundas”
Não quebramos isso apenas institucionalmente. Hoje, se um jovem ler nossos e-mails, nem saberá do que estamos falando por exemplo, na questão da virgindade. Em grande parte após rompermos as barreiras institucionais mudamos também o comportamento.
Essa é a arena de hoje e do futuro. Temos que transformar mentes. Não é uma batalha espetacular, cujos resultados apareçam de imediato, como as do passado. É diária, na maioria das vezes individual, com resultados difíceis de serem aferidos. Mas acredito firmemente na vitória. Em breve vou montar no meu pingo e galopar para fora deste mundo velho sem porteiras. Bem mais tarde você também partirá. Mas as Beths com sua “ira sagrada” contra as discriminações que persistem, ajudadas pelos Zés, continuarão. Até que tenhamos dois planetas em um mundo só
beijo
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Homens,
mulheres e planetas:Capitão Pepe
segunda-feira, março 08, 2010
De volta a Saigon

Correm pelo rio as lanternas vermelhas, noite indecifrável.
Teu peito, ta poitrine, sombra, lembrança que escorrega pelos lençóis, noite de insuportável calor.
Não-cidade, burgo, ajuntamento.
Vastas solidões.
Ventiladores de teto, cortinas a voar, meu olhar vagueia e o quarto lembra: hotel em 2004, Rio de Janeiro, Rua do Catete.
Outros outubros viriam, outros estorvos, pregadores a te entregar folhetos de salvação em Copacabana.
E o belvedere de Santa, que nunca mais encontrei, mas a ladeira.
Amor? Eu me rio, como Iza, com gargalhadas gerais, porque aquele tempo já era.
Onde o manto a me proteger? A star fall?
E as gotas de chuva na noite, e a janela para a fábrica no bairro do Pari, e a janela para os edifícios de Pompéia.
Décadas.Nada mudou e tudo é já outra coisa.
Não há clemência para alguns de nós.
Não há dó nem piedade.
Apenas a literatura.
(27.12.2009)
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