quinta-feira, outubro 15, 2009

A mulher do povo, sua família e o pintor



Patrícia Galvão em 1929.
Imagem reproduzida do livro Croquis de Pagu e Outros Momentos Felizes que Foram Devorados Reunidos



O Museu Lasar Segal inaugura exposição Pagu/Oswald/Segall e lança a edição fac-similar de O homem do povo, dirigida por Oswald de Andrade e Pagu (1931, co-edição do Museu Lasar Segall, Imprensa Oficial e Editora Globo), com novos documentos após a edição de 1985.
Durou apenas 8 números, criado em 1931, logo após a filiação de Oswald e Pagu ao Partido Comunista. Patricia Galvão- que eu soube, na maturidade não gostava de ser chamada Pagu, o que lembrava muitas dores e sua prisão e tortura naquele ano- tinha uma coluna super avant garde chamada A Mulher do Povo.
O que falar mais de Patricia? Melhor ler o exto da curadora da exposição, Genese Andrade, abaixo.
A Folha de S. Paulo deu a notíia no dia 14, e colocou a seguinte legenda na foto da família: "Pagu segura a filha Rudá de Andrade no colo, ao lado de Oswald, em foto datada de 1930."
Os copys da Folha são mesmo criativos, e quiçá videntes.Pobre Rudá, cineasta e escritor, falecido no início deste ano. Ele nunca soube que era uma menina.

Pagu/Oswald/Segall

Pagu/ Oswald/ Segall Oswald de Andrade encontra nos anos 1930 e 1940 uma das fases mais intensas no âmbito da produção e da circulação de sua obra. É nesse período que publica três romances, quatro peças de teatro, um poema longo e inúmeros artigos de jornal sobre temas diversos, complementados por várias entrevistas. Corresponde à sua fase comunista ou marxista: em 1931, filia-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB), e em 1945, rompe com ele. Focalizamos aqui as pontas dessa trajetória. Em 1929, o encontro com Pagu muda o rumo de sua vida e de sua obra. A intensa relação que estabelecem nos anos 1930 é marcada pelo engajamento, obras a quatro mãos, romances individuais que têm pontos de contato e intensa crítica social. Nos anos 1940, Oswald tem nova paixão, dedica-se intensamente à prosa, mas também retorna ao verso. Cabe a Candido Portinari, nos anos 1930, retratar Oswald e Patrícia Galvão, e a Emiliano Di Cavalcanti, nos anos 1940. A Lasar Segall, cabe focalizar Oswald e Maria Antonieta d’Alkmin, então sua esposa, também nessa década. A amizade do escritor com o pintor lituano remonta aos anos 1920 e ao casal Tarsiwaldo, e permite olhares cruzados: Tarsila pelo traço de Segall, e vice-versa. A exposição Pagu/ Oswald/ Segall gira em torno de revoluções, romances, versos e retratos.
Sábado, 17 de outubro de 2009
Horário: das 17h00 às 19h00
Local: Museu Lasar Segall
Rua Berta 111, Vila Mariana, telefone: (11) 5574-7322 (11) 5574-7322
De 17 de outubro de 2009 a 31 de janeiro de 2010
Horário: de terça a sábado, das 14h00 às 19h00; domingo e feriados, das 14h00 às 18h00 Entrada gratuita

terça-feira, outubro 13, 2009

Modelo, atriz e jornalista?

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segunda-feira, outubro 12, 2009

Segunda no parque












Crianças, crianças, milhares delas no Parque da Água Branca. De onde veio tanta gente? Dos bairros da zona oeste, e da leste, e de tantos, afinal tem metrô no Memorial , mais ou menos perto. Caminho quase sempre lá pela manhã, mas hoje, sinto não ter máquina ou celular, muitos tinham e faziam sua festa.
Olhando de cima, as alamedas apreciam avenidas fervilhantes de gente. Para as crianças, só um parque de diversões, e pago, claro. Nada de palhaço, nada de teatrinho, nada de contador de história: parece que o governo do estado se esqueceu daquele povão no Dia da Criança.
Hot dog, pernil, barraquinhas. E cataventos a R$ 2 cada.
Mas para os pequenos tudo vira festa,e com pai ou sem pai, com mãe, tia ,avó, elas se divertiam, alegres- que alegria é natural em criança desde que nasce.
Nada de grifes, nada de brinquedo importado: só alegria de um dia. Especial, porque quando é que podem ver galinha, pavão, árvores, bancos de jardim? A festa pobre não é pobre aos olhinhos brilhantes: se o pai tem um dinheirinho, ou a mãe -- elas são a maioria dos chefes de familia neste país -- sobem nos brinquedos e gritam, lá perto do céu.
Um cachorro quente, um refri, um doce, um catavento.
E se não, o piquenique veio no isopor lá de casa. Pegar um lugar, estender a toalha e comer sanduiche.
Não sei o que aconteceu com essas milhares de crianças e suas famílias e amigos quando caiu o maior toró, depois do almoço. O parque não tem áeas cobertas pra tanta gente.Devem ter ficado lá mesmo, tomando chuva.
Eu estava abrigada na porta do Sesc Pompéia, ao lado de uma jovem mãe e seu filho de uns 2 anos. Ela veio do bairo de Morro Doce para ir ao parque, mas ficou no meio do caminho.
"O menino fica a semana toda na escolinha e hoje nem deu pra se divertir", lamentava a moça olhando a chuva, o menino quietinho.
Digo a ela que ali no Sesc sempre tem programação infantil, ainda mais hoje. E que ela até teve sorte de escapar do toró no parque. "É, deve estar um caos", ela diz.
A mãe resolve pegar um pouco de chuva, virar à direita e entrar. Sigo atrás, e fico feliz, porque uma roda de crianças assitia a uma apresentação de atores. A mãe e o filho afinal nao perderam a viagem.
Fico pensando que nem todos nesta cidade sabem das maravilhas do Sesc Pompéia, nem têm idéia , lá, parados na porta , esperando a chuva passar.
Um dia de festa, num parque público, que não apresenta nenhuma atração especial, e numa entidade bancada pelo comércio do estado, com várias atrações e aberta ao público: coisa civilizada entre tanta falta de cidadania que nos rodeia, exceção bendita. A César o que é de César...
Fernandinhos, Ivos, Marias, tantos/as. Pelo menos foram esses os nomes que ouvi, gritados pelas mães.
Vão dormir cedo, na volta de ônibus, de fusca, de Corcel, de Chevete, de trem, de metrô, depois de tantas emoções. Já vão dormindo na viagem, é claro. Felizes, têm colos.
Festa de ricos, festa de pobres, não se importam, nem sabem a diferença.
Festa, e ponto.

domingo, outubro 04, 2009

Voz da America, saudades


Jabor recebeu Serra numa festança

Por Altamiro Borges


Karen Kupfer, da revista de fofocas Quem, da Rede Globo, publicou há poucos dias uma notinha reveladora sobre a relação promíscua entre jornalistas e políticos: "Para comemorar o sucesso do programa Saia Justa, Suzana Villas Boas abriu sua casa no Alto de Pinheiros para uma festança daquelas.

A turma de convidados, que também era recebida por Arnaldo Jabor, marido de Suzana, reuniu políticos, artistas e jornalistas. O candidato José Serra, para quem Suzana presta assessoria, foi prestigiá-la. Ficou um pouco e trocou idéias com alguns jornalistas". Luís Frias, presidente do Grupo Folha, também participou da festança, "que ferveu na pista até o sol raiar".

No mesmo período, a colunista Hildegard Angel escreveu no Jornal do Brasil outra nota curiosa: "Elmar Moreira, irmão de Edmar Moreira (o deputado dos demos que ficou famoso pelo castelo construído no interior mineiro), é casado com Ana Leitão, irmã de Miriam Leitão" - a jornalista da TV Globo famosa por seus palpites furados sobre economia, pela adoração ao deus-mercado e pela oposição doentia ao governo Lula. O interessante neste caso é que a colunista global, metida a sabe-tudo, nunca descreveu aos seus telespectadores os detalhes do luxuoso castelo demo.

Artista global com Kassab

Para encerrar a série sobre as relações indecentes entre jornalistas e políticos da direita, a sempre atenta Mônica Bergamo, uma das raras exceções do jornal Folha de S.Paulo, revelou no início de fevereiro: "O marido de Ana Maria Braga (estrela da TV Globo e do finado movimento golpista "Cansei') é o mais novo colaborador da administração Gilberto Kassab (DEM/SP). Candidato derrotado à Câmara Municipal, Marcelo Frisoni vai assumir um cargo de 'coordenação' na Secretaria de Modernização, Gestão e Desburocratização" da prefeitura paulistana.

Dias antes, Bergamo foi ameaçada pelo marido brigão da artista global, que o irônico José Simão batizou de "Ana Ameba Brega". Frisoni se irritou com a pergunta sobre o pagamento da pensão alimentícia para os dois filhos do seu casamento anterior: "Publica o que quiser. No dia seguinte, vou à redação dessa bosta de jornal e encho essa Mônica Bergamo de porrada na frente de todo mundo... A única pessoa que tentou ferrar comigo foi o Madrulha (ex-marido da apresentadora da TV Globo) e eu acabei com ele. Hoje ele é secretário de cachorro e não consegue mais nada".

Cadê o "tribunal macartista" de Mainardi?

Deixando de lado as baixarias dos " famosos", o que chama a atenção nestas notinhas é a relação obscena entre figurões da TV Globo e políticos da direita demo-tucana do país. Outra estrela da poderosa emissora, o filhinho de papai Diogo Mainardi, criou no início do mandato de Lula o seu "tribunal macartista mainardiano", no qual promoveu abjeta cruzada contra alguns profissionais da imprensa.

"A minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista", explicou o troglodita na sua coluna de estréia na revista Veja, em dezembro de 2005.

Aos poucos, Mainardi dedurou alguns colunistas mais independentes. "Tereza Cruvinel é lulista. Dessas que fazem campanha de rua. Paulo Henrique Amorim pertence à outra raça de lulistas. É da raça dos aloprados, dos lulistas bolivarianos. Acha que a primeira tarefa do lulismo é quebrar a Globo e a Veja", atacou.

O caso mais famoso desta cruzada fascista foi o do jornalista Franklin Martins, acusado levianamente de possuir uma "cota de nomeações pessoais no serviço público". Após longo bate-boca, a TV Globo preferiu apoiar o delator direitista e demitiu Franklin Martins.

Perguntar não ofende: será que Mainardi, "difamador travestido de jornalista", fará barulho agora contra seus amiguinhos da TV Globo que gozam das intimidades demo-tucanas. Pedirá a cabeça de Arnaldo Jabor, cuja esposa é assessora do presidenciável tucano José Serra, freqüentador de sua mansão?

Criticará a "cota de nomeações pessoais no serviço público" da cansada Ana Maria Braga? Pedirá detalhes picantes do castelo dos demos à "ortodoxa" Miriam Porcão - ou melhor, Leitão? Ou todos juntos - Jabor, Leitão, Ana Maria Braga e o macartista Mainardi - fazem parte do esquemão montado pela TV Globo para viabilizar a vitória do tucano José Serra em 2010?

sexta-feira, outubro 02, 2009

Porque ninguém é de ferro







Daslu, pesos e medidas

" Um misterioso sumiço de roupas agitou, por várias semanas, os corredores da Daslu, a controvertida butique que congrega algumas das grifes mais exclusivas e caras instaladas no Brasil apesar de todo o noticiário policial sobre as atividade dos sócios. Quem conta é Monica Bergamo na sua coluna de hoje
Diz que as mercadorias começaram a desaparecer de prateleiras e cabides aos poucos - "Mas, em determinado momento, o desfalque chegou a R$ 200 mil" - pontua. Segue - "Há alguns dias, a bomba explodiu - a ladra era uma alta funcionária de uma das joalherias instaladas na própria butique - ela tinha permissao para pegar roupas de grifes e levar à joalheria para mostrar às clientes - "Acontece que, uma vez com a roupa, a gerente retirava os detectores da peça -aqueles que disparam um apito quando a pessoa sai da loja sem pagar - e saía tranquilamente pela porta da frente com a mercadoria surrupiada". Fecha - "O escândalo, por 'razoes humanitárias', foi abafado".
Na Monica de hoje - O promotor Mauricio Ribeiro Lopes, do 1º Tribunal do Júri de SP, encaminhou representaçao à promotora Valéria Maiolini, supervisora da Central de Inquéritos Policiais do Ministério Público, para que ela abra investigaçao sobre o furto de roupas na Daslu pela alta funcionária de uma joalheria - "Em Salvador, um pobre coitado foi assassinado dentro de um supermercado da rede Pao de Açúcar pela subtraçao de três míseros pedaços de queijo. Agora, uma ricaça furta valiosas peças de roupas da Daslu e vai para o psiquiatra ao invés de ir para a delegacia? O crime de furto ainda é digno de açao penal pública e tem que ser assim para todos", escreveu num despacho enviado à promotora.

Noticia do Blue Bus, 1/10/09

quarta-feira, setembro 30, 2009

Poesia, pois é

Manda a Beth Sigoli, e poesia é sempre benvinda.

SOLAR DE JUCA DANTAS

Dantas Mota


De "Elegias do País das Gerais" (1961)


Tarde já. Os fruitos e as crianças possuíam,

Nas primaveras frustras que então passei a ser,

Um sabor de saudade no mendigo que hoje sou

A despeito de transunto de velhas glórias

E humanas lidas. E da caspa em desuso

Que pontilha de grisalho meus ombros chovendo

Dando ao título de doutor de SiãoEste ar deficitário de despesa

Que busca, na ausência de terras e de teres,E na paciência com que suporto outros coronéis

O sentido de sua própria escravidão.Deste mundo não sou.

E nem lhe temo a noite.A noite com suas lenternas e seus ladrões

Terramotos e valhacoutos.Temo sim o dia que dela nasce

E com ele a burra de dinheiro, agasalhada e fiel,Cheia dos terrores noturnos de ontem

Contendo, ensimesmadas, as mesmas manhãs

Plásticas e portáteis de hoje

E em que se enfeixam, de uma só vez

O gado, a servidão de passagem, a infância

O luto, a vida e o direito de chorar.




José Franklin Massena de Dantas Mota (1913-1974), nasceu em Carvalhos, na época município de Aiuruoca, no sul de Minas. Formou-se em 1938 na Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais e exerceu a advocacia tanto em sua região natal como no Vale do Paraíba. Viveu sempre em Aiuruoca, mas mantinha contato com escritores no Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Amigo de Carlos Drummond de Andrade, com quem se correspondia e encontrava esporadicamente, Dantas Mota desenvolveu uma poesia sui generis. Leitor da Bíblia e redator afeito às lides jurídicas, ele desenvolveu com essas influências uma poesia que tem às vezes um tom cerimonial e profético, mas fundamente arraigada no solo mineiro.