sábado, julho 26, 2008

Babaji


Mahavatar Babaji - e porque há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que pode supor nossa vã filosofia- é o grande Cristo Yogi.
No dia 26 de julho de 1920 apareceu para Paramahansa Yogananda em Calcutá.
Yogananda estava se preparando, angustiado, para partir para a América do Norte.
Babaji ( Reverendo pai, paizinho) é uma encarnação da divindade, naquele país de tantas divindades e homens santos.
Dizem que vive nos Himalaias, que sua forma é eternamente jovem.
A quem chamar, Babaji atenderá, diz Yogananda.
Om Babaji.

quarta-feira, julho 16, 2008

O jornalista e a ética do marceneiro

“Minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista - não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão… O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito”.

O jornalista Cláudio Abramo gostava muito de marcenaria. E deixou esta mensagem simples, clara, translúcida, lúcida, que nunca é demais lembrar.
Concordo integralmente.
Por isso, quando entidades ligadas aos jornalistas tentam criar códigos de ética, dou de ombros.
Nos anos 70, quando os sindicatos voltaram para as mãos dos trabalhadores que, então, tinham carteira assinada e trabalho nas redações, um outro grande jornalista, Perseu Abramo, aliás sobrinho de Cláudio, coordenou uma Comissão de Ética no então atuante Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.
Foi um trabalho sério.
Naquela época, entretanto, plena ditadura, sabia-se o que era correto, o que era condenável, onde estávamos e contra o que e quem lutávamos. Por militar em um sindicato que era o centro fervilhante da luta pelas liberdades democráticas, não se recebia flores, ao contrário. Não estávamos lá para nos locupletar, para ganhar benesses, subir na carreira, etc , etc. Ao contrário: corríamos muitos riscos.
No entanto, estávamos lá porque acreditávamos naquilo por que lutávamos.
Vão dizer: que jargões antigos, que coisa mais antiga. É sim, galera, que coisa mais antiga essa.
Mas é História, e é bom aprender um pouco com ela.

Sobre os últimos acontecimentos da chamada Operação Satiagraha, com relatórios da Polícia Federal denunciando o envolvimento de jornalistas com Daniel Dantas e sua caterva, vi alguns comentários na rede de pessoas perguntando se as entidades dos jornalistas tomariam alguma providência.
Bem, pensei, se fosse na época da Comissão de Ética do Perseu, acho que haveria, sim, grandes discussões e tomadas de posição.
Mas hoje, quando os sindicatos e as entidades “representativas” dos jornalistas não diferem nada dos que estavam no poder antes dos anos 70, e que eram chamados de “pelegos” ( aquela peça entre o cavalo e o cavaleiro, que amortece o baque) , nada será feito. Porque os sindicalistas de hoje só viajam em aviões com passagens pagas pelo imposto sindical contra o qual muitos lutavam, e querem se perpetuar no poder, como os pelegos queriam.

Lembrei, então, do caso de uma jornalista, nos anos 90, que seqüestrou um bebê para provar a falta de segurança em uma maternidade de Brasília.
Ora, cometer um crime para fazer uma denúncia me pareceu o começo do fim da minha profissão. Escrevi um artigo: “Devemos temer os jornalistas”,acrescentando um novo personagem à enorme lista de temores que os cidadãos enfrentam.
O então representante de Federação Nacional dos Jornalistas ( Fenaj), do qual não me lembro o nome, me disse que “ela não teve intenção”. Tampouco seus chefes, que permitiram a execução do crime e a publicação de seu relato.
Não sei o que aconteceu com a jornalista, sei que ela foi defendida por sua federação e seu sindicato. Por sua corporação. Quanto aos pais do bebê, também não sei de nada. Tudo ficou por isso mesmo.

Entre as tantas histórias que envolvem jornalistas e falta de ética, esta foi a que me acorreu à memória agora, nesta geléia geral brasileira.

Porque também li na internet um artigo de um jornalista afirmando que, para a globosfera, “jornalista defendendo jornalista só pode ser corporativismo”. (Sim, a blogosfera está revoltada com os jornalistas.)

Ele afirma isso a propósito das gravações de conversa entre uma repórter e um assessor de Dantas, dizendo que tinha escrito uma matéria “de encomenda” para ele. E pedia uma informação.
Diz ele que já viu coisa pior de jornalista para ficar perto da fonte. Que é condenável, mas não criminoso.

Não estou aqui para defender delegados da Polícia Federal. Também não estou aqui para apontar erros de português de delegados da PF. Ao contrário, sempre presto atenção aos erros de ortografia e de informação dos jornalistas.

Estou aqui para refletir sobre ética e jornalismo.

São incontáveis os casos de ligações perigosas entre jornalistas e fontes.

Da década de 1980 para cá- a chamada “década perdida” – houve muitas transformações na profissão. A informatização trouxe a redução de vagas, as mudanças político-econômico-sociais do país e do mundo se abateram sobre este segmento, como sobre todos os outros, e do seu lado mais trevoso surgiu um corolário de conseqüências perigosas.
Entre elas, agravou-se questão da ética.
Como dizia Cláudio Abramo, não existem duas éticas, a pessoal e a profissional.
Neurologistas dizem que a partir dos 15 anos o indivíduo tem maturidade mínima para conviver com a sociedade. Eu, leiga, acho que seja antes.

Mesmo quando a sociedade se esfacela, valores perdidos, paradigmas quebrados, vale-tudo instaurado, continuamos sabendo, dentro do pensamento dualista que nos guia, o que é bom e o que é ruim. Mas, dois pesos e duas medidas, lodaçais, impunidades, salve-se quem puder, lideranças mundiais enlouquecidas, pouquíssimos comportamentos louváveis – então o que fazer?

Entramos na dança também?

(Um programa de televisão faz um apresentador se passar por cego andando nas ruas e perdendo uma nota de R$ 50. Foram em maior número os transeuntes que embolsaram a nota do que os que a devolveram.)

Mas se do noticiário sobre organizações criminosas de colarinhos brancos saltam cifras estonteantes, muitos e muitos zeros, só milhões e bilhões, aplicações em paraísos fiscais, manipulação de corações e mentes, gentilmente cedidas em troca de altíssimos interesses.
Isso sem falar do mar de sangue e da guerra civil diuturna nas periferias.

Por que não entrar na dança também?

E quem dirá que não há ligação entre esse quadro tenebroso ( horrores da guerra jamais pensados por Goya?) e, por exemplo, os 22 bebês mortos na Santa Casa de Belém, ( notícia desta mesma época dos escândalos da organização criminosa de Dantas) uma média mensal considerada normal pela secretária da Saúde?

E no enterro coletivo desses bebês, caixotes lacrados a serem abertos por pais em desespero à procura do seu: “Todo mundo já achou o seu? Então vamos logo, temos de enterrar”, grita um funcionário, no comovente relato da jornalista Paula Sampaio, coração na mão, em belíssimo texto e fotos terríveis do cemitério de Tapanã,

“para onde vai todo mundo que não tem chance de construir sua própria história, o cemitério dos pobres, como dizem. E esta vai continuar sendo a morte nossa de todos os dias. Um jardim de perdas, cultivado em covas rasas. Nada mais."



E quem dirá que não há ligação entre esses crimes do colarinho branco, e por exemplo, a questão do amianto, que tem um lobby de médicos para atestar que trabalhadores expostos à substância, com os pulmões empedrados, estão bem de saúde?

Como, então, pode-se pensar em defender jornalistas citados em relatórios policiais, misturados à promiscuidade de lobistas?

Se no caso em questão, aqueles jornalistas que não fazem parte da organização criminosa ( porque esses são caso de polícia e não de discussão ética) , apenas querem “cultivar suas fontes”, vamos definitivamente parar com essa , como diz um amigo jornalista, “procissão de virgens”.

Que nunca têm intenção, que são profissionais, que estão a serviço da notícia, que jornalista é imparcial, não tem time, nem partido, nem torce por nenhum dos lados.

(Naquela década de 1970 citada acima, havia na maioria dos profissionais, um certo estranhamento com as fontes. Nada melhor, aliás, do que ficar de pé atrás do que cair nos braços do primeiro que acena com uma provável informação de cocheira, não é mesmo?
E acontecia que, com a censura empresarial e política, as notícias não publicadas na grande imprensa iam parar nos jornais alternativos, que não tinham dinheiro para pagar por ela. Mas ninguém estava pensando em dinheiro, apenas na notícia.)

Está mais do que na hora de se criar vergonha nas caras.

Não há entidades representativas dos jornalistas à altura.
Não haverá tão cedo.

Mas a ética existe, e para guiar a vida em sociedade. Não precisa ser codificada.

Ética não tem várias interpretações, como as leis.

Dizia Joseph Campbell que, para saber qual a mitologia do seu tempo, é só ler a primeira página dos jornais.

As primeiras páginas mostram um quadro terrível, mas bem revelador de que estamos em meio a um furacão, e precisamos escapar para o olho.

No centro de um ciclone tropical, chama-se olho a uma área de ventos calmos e tempo bom, onde há pouca ou nenhuma precipitação e pode-se, muitas vezes, ver o céu claro.











Dantas para presidente!

Do excelente site http://www.novae.inf.br/

Manoel Fernandes Neto
Editor


Muito mais que uma sátira, uma proposta real da revista NovaE. A idéia simboliza um Brasil sem máscaras, tão comum para encobrir fatos, intenções, movimentos sinistros e articulações de bastidores surgidos diante da prisão de admirável figura da nossa República.
Mas por que presidente?

- Dantas pode disputar eleição por uma coligação inédita que reúna PT, PSDB, PMDB e DEM, com certeza não faltarão votos na convenção dos partidos.

- Com a coligação aprovada, também não faltarão estratégias de comunicadores, apoios de diversas áreas da sociedade, principalmente aqueles setores que se acostumaram a não ter seus interesses contrariados, muito menos falta de recursos financeiros, todos eles devidamente declarados.

- Dantas eleito, enfim, um Brasil real, sem subterfúgios, diretamente a serviço do interesse de uma minoria, com apoio incontestável do congresso nacional e, principalmente, de ex-presidentes.

- Dantas seria, enfim, um presidente que saberia de todas as coisas com um nível de Inside Information nunca antes visto na história da República. Jamais diria "eu não sabia".

- Na “Era Dantas”, enfim, executivo, legislativo, judiciário viverão em harmonia, como nunca antes no Brasil, pela razão do país ter um presidente sintonizado como as mais profundas necessidades dos poderes.

- Os grandes meios de comunicação, enfim, vão poder aplaudir, uníssono, uma República construída com a “mão invisível” dos mercados.

- Com Dantas presidente, enfim, a Polícia Federal vai voltar a cuidar daqueles que nunca deveria ter deixado de lado: os desprovidos de advogados, de acesso à justiça e a harbeas corpus, além de ações na bolsa.

- Com Dantas presidente, um novo pacto social vai surgir no horizonte da Pátria, com todos os atores sociais encarando de frente um fato inconteste: Daniel Dantas é o que representa melhor o poder no Brasil e para a grande maioria quem de fato manda no Brasil.
E você? Como você visualiza Dantas presidente? Manifeste-se. Participe deste momento único

Suspeito de assaltar Mendes tem habeas negado

Deu no Terra:


Omar Jacob
Direto de Fortaleza

Depois de esperar 16 dias na prisão, o suspeito de assaltar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, teve pedido de liberdade provisória indeferido. O advogado de Jefferson Hermínio Moreira, 18 anos, entrou com pedido de liberdade provisória para libertá-lo. O processo foi indeferido na tarde de ontem na 11ª Vara Criminal do Ceará.

"Não concedi a liberdade provisória ao rapaz porque os fatos merecem uma apuração melhor", argumentou o juiz de primeira instância Eduardo Castro Neto, que responde interinamente pela 11ª Vara. "Mantê-lo livre seria um risco para sociedade", concluiu o juiz, que marcou um interrogatório para o próximo dia 24.

Moreira foi preso por roubar um cordão de ouro do pescoço do ministro Gilmar Mendes no calçadão da avenida Beira Mar, em Fortaleza, no último dia 29. Ele está detido da Casa de Custódia de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. O inquérito, elaborado pela Delegacia de Apoio ao Turista, aponta o rapaz como autor de roubo qualificado, porque teria praticado o delito com ajuda de um comparsa, ainda não identificado.
Mendes foi criticado após determinar a liberdade do banqueiro Daniel Dantas duas vezes. Dantas foi preso pela Polícia Federal na Operação Satiagraha.
Redação Terra

terça-feira, julho 15, 2008

Ato publico em protesto contra Gilmar Mendes

ENDEREÇO DA POSTAGEM
http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-13_2008-07-19.html#2008_07-15_12_18_39-3429108-0

O Movimento dos Sem Midia, coordenado por Eduardo Guimarâes, está chamando um ato público em protesto contra o ministro Gilmar Mendes, que pode pedir seu impeachment, no vão do Masp, em São Paulo, no próximo dia 19 de julho, sábado, às 10 horas da manhã.
Segue trecho do post do seu blog :


"Vamos, pois, à evolução dos preparativos. Recebi uma manifestação muito importante que quero colocar em destaque:

“Edu e todos, Como diretor de Comunicação do SIND-SAÚDE MG, venho informar lhes que o nosso sindicato, em reunião de nossa diretoria estadual, realizada no dia 14 de julho, decidiu participar dos atos pelo impeachment do Ministro Gilmar Mendes. Solicitamos contato telefônico com o coordenador do movimento em Minas Gerais, Roberto Paulo Santos, para conversamos sobre como se dará nossa participação. Nosso site: http://www.sindsaudemg.org.br e-mail: ssaude@sindsaudemg.org.br tel: 3207-4800 Em tempo, decidimos também, chamar a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais. Contacto que implementaremos no dia de hoje. Saudações Sindicais, Romualdo Moraes Neto Direto de Comunicação do Sindicato Único dos Trabalhadores em Minas Gerais”

Romualdo pluxroch@gmail.com Belo Horizonte MG Auxiliar Administrativo 15/07/2008 - 05:35 hs

Peço ao Roberto Paulo Santos, de Belo Horizonte, que entre em contato com o Romualdo (acima), e com quem mais de BH quiser organizar o ato. Ressalto que há muito pouco tempo.

Agora vamos aos números e demais informações da manifestação.
Contagem de apoios explícitos neste blog 2 – BA – Salvador 3 – CE - Fortaleza 9 – DF – Brasília 3 – GO – Goiânia 1 – GO – Mineiros
6 – MG – Belo Horizonte 1 - MT - Cuiabá
5 – PE – Recife 1 – PE – Olinda
2 – PB – Campina Grande 1 – PI – Floriano 3 – PR – Curitiba 1 – PR – Guarapuava 1 – PR - Londrina
1 – PR – Umuarama 11 – RJ – Rio de Janeiro 1 – SE – Aracaju 33 – SP – São Paulo 2 – RS – Porto Alegre86

Cidades com coordenador

DF – Brasília – Christiane Couto – clique aquiGO – Goiânia – Wilson Cunha Junior – wcj38@hotmail.com MG – Belo Horizonte – Roberto Paulo Santos – rpjs2006@hotmail.com MT - Cuiabá - João Negrão - fone 65-9226-0704 - jotanegrao@gmail.com
PE – Recife – Itárcio - itarcio@hotmail.com PB – Campina Grande – Manoel Eudes Osorios – osorio2005@yahoo.com.br PI – Floriano – Flavio Furtado de Farias – professor3f@blogspot.com PR – Curitiba – Reynaldo - h_uaska@hotmail.com RJ – Rio - Geurgetown Felix de Araújo – geurge@ig.com.brRS – Porto Alegre – Helio Sassen Paz – http://heliopaz.wordpress.com
SC – Blumenau – Roberto Rosário – robertocrosario@hotmail.com

Petição pela saída de Gilmar Mendesclique aqui

Comunidades na internet Impeachment para Gilmar Mendes – Orkutclique aqui
Blog apoiamos Fausto De Sanctishttp://apoiamosfaustodesanctis.blogspot.com/

Diversos - ORKUTclique aqui , aqui e aqui RS –

Porto Alegre – Marco Weissheimer – http://www.rsurgente.net/

RS – Porto Alegre – Claudia – http://dialogico.blogspot.com/

Do site de Paulo Henrique Amorim
Impeachment para Gilmar Mendes (clique aqui)
Sai fora Gilmar Mendes (clique aqui)
Fora Gilmar Mendes – Justiça!! (clique aqui)
Gilmar Mendes – o Traidor (clique aqui)
Gilmar Mendes – uma vergonha! (clique aqui)
Gilmar Mendes – Cara de Pau (clique aqui)
Gilmar Mendes – vergonha do BR (clique aqui)
Link para arquivo do gif animado do Gilmar Mendes (vide acima)http://semmidia.webng.com/

segunda-feira, julho 14, 2008

Manifestações contra Gilmar Mendes

Do blog Biscoito Fino:

Estão sendo convocadas, Brasil afora, uma série de manifestações contra o Presidente do STF, Gilmar Mendes, para o próximo sábado, dia 19. Aqui em São Paulo ela acontece na Avenida Paulista, a partir das 10 horas da manhã. Quem convoca é o Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem-Mídia, que tem experiência bem-sucedida com esse tipo de evento. Em Belo Horizonte, o ato acontece na Praça da Liberdade, também a partir das 10 horas. Em Porto Alegre, a manifestação será na Feira do Brique da Redenção, no mesmo horário. A concentração se iniciará no Monumento ao Expedicionário. Ajude a divulgar, é importante. Se souber de iniciativas em outras cidades, avise.
*****Há uma petição online exigindo a saída de Gilmar Mendes do Superior Tribunal Federal. A petição rapidamente amealhou 1.500 assinaturas. Assine e divulgue você também.

*****Nem na campanha explícita a favor de Geraldo Alckmin en 2006 a Folha de São Paulo se prestou a papel tão vergonhoso como o que ela assumiu nestes últimos dias. A matéria (para assinantes) sobre os “erros de português” do relatório do Dr. Protógenes Queiroz é uma peça para envergonhar qualquer jornalista. A matéria também afirma que o delegado acusa “sem provas”. Desde quando, ó Folha de São Paulo, vocês se preocupam com provas quando a acusação lhes é conveniente? Quem diria, o Estadão tem sido bem mais digno. Nenhuma maravilha, mas um pouco mais de dignidade, pelo menos.
*****Quando você vê algum veículo de imprensa dizendo que os "erros" da Polícia Federal ou o mau uso das preposições no relatório do Dr. Protógenes contribuem para que os bandidos sejam inocentados, você não tem a sensação de que eles usam o modo performativo fingindo que usam o modo constativo? Ou, dito sem retoriquês, você não fica com a sensação de que eles fingem que descrevem uma coisa quando na verdade estão enunciando o seu desejo?
*****

Angeli




domingo, julho 13, 2008

“Todo mundo já achou o seu? Então, vamos logo, temos que enterrar”

Paula Sampaio

Deu no blog Pictura Pixel,(http://www.picturapixel.com/blog/?p=5539) sobre fotografia, o texto e as fotos de Paula Sampaio, que esteve, semana passada, no enterro dos bebês mortos na Santa Casa de Belém.


"Naquela terça-feira, 24 de junho, no cemitério do Tapanã, periferia de Belém, algumas famílias esperavam desde cedo por seus mortos. Recém-nascidos, que haviam falecido na Santa Casa de Misericórdia do Estado, no final de semana. Nove, treze? Afinal, quantos foram ao todo?A notícia “vazou” para a imprensa na noite da segunda-feira. O Jornal da Globo deu manchete… Aí, pronto, estava feito o escândalo. Indagada sobre aquele alto índice de mortalidade na única UTI neonatal pública do Estado, a Secretária de Saúde, Laura Rosseti, disse em entrevista à TV: “Essa taxa de mortalidade é normal, está dentro das estatísticas aceitáveis.”Enquanto isso, no cemitério, naquela manhã, o movimento era intenso: cinco enterros em menos de uma hora. Cerimônias rápidas e com pouco choro. Aos poucos a imprensa foi chegando, curiosos vinham perguntar o que estava acontecendo. Todos esperavam pela chegada dos corpos dos bebês. Mas o carro com as crianças não chegava. Quase 11 horas da manhã, e as famílias começavam a se impacientar. Um dos porteiros do cemitério comentou ser costume a Santa Casa oferecer o transporte, a cova no “cemitério dos pobres”, como é conhecido o do Tapanã, além da “embalagem” para os mortos das famílias carentes.Num dos bancos de cimento do lugar, um jovem chorava copiosamente e enxugava as lágrimas numa fralda, cercado pela família. Perdeu seu primeiro filho. Sua companheira deu à luz na Santa Casa: o parto foi feito por uma tia que a acompanhava, porque nenhum médico apareceu para prestar-lhe o socorro na hora. A criança não resistiu. O pequeno Nicolau, ia ser esse o nome dele, morreu.Do outro lado do grande salão aberto onde os caixões são recepcionados, mais uma família. O pai de outro dos bebês mortos pergunta para a repórter: “Será que ainda vai demorar? Sabe, eu tô aqui desde cedo. Tenho plantão no serviço, preciso trabalhar, não posso ficar aqui o dia todo.”Sabe-se, pouco depois, que o carro disponibilizado pela instituição para levar os corpos havia quebrado no caminho. Mais espera, mais dor, desrespeito, exaustão.Quase ao meio-dia, sol escaldante chega a Kombi branca e enferrujada, com os bebês amontoados em caixas de madeira. Silêncio. O carro estaciona na entrada do salão dos mortos. Dois funcionários descem e abrem as portas. As pequenas caixas e três “caixõezinhos de anjo” são retirados rapidamente e dispostos, lado a lado, em um canto do salão. Na tampa de cada um deles a identificação: um número e o nome da mãe. E as crianças não têm nome? Não, só Nicolau, o filho daquele jovem que chorava muito, desde o início.As famílias se aproximam lentamente. Um funcionário grita: “Essa caixa, não! Tira isso daí, é só uma perna!” Perna? Sim, um pedaço de perna encaixotado para descarte. Na tampa da caixa está escrito: “PERNA”, assim, em letras graúdas. Será que o hospital aproveita a ida ao cemitério para se livrar de pedaços humanos que não podem ser levados para o lixo hospitalar?Um dos parentes dos bebês retira da sacola um martelo e começa a abrir uma das caixas, com a perícia de quem já fez isso muitas vezes. Surge um embrulho. Sim, um pacote branco, que vai sendo aberto lentamente pelo homem do martelo. Um rostinho aparece, como uma flor, emoldurado pelo papel branco com o qual fora embalado. O homem olha, respira fundo… Logo outras pessoas lhe pedem o martelo emprestado e, aos poucos, as caixinhas começam a ser abertas, uma a uma. Um jardim de pequeninos rostos inertes povoa o grande salão dos mortos. Todos, como em uma orquestra, começam a enfeitar seus filhos com flores azuis, algumas brancas, tudo igual.Um burburinho toma conta do lugar. Outro pai abre uma caixa maior e deixa à mostra dois bebês siameses nus. Curiosos se aproximam. Um dos funcionários do cemitério tenta afastar as pessoas, mas o pai das crianças esbraveja: “Nada disso! Deixa eles verem, são meus filhos, meus! Eu faço o que quiser com eles. Pode olhar, gente, pode olhar. Vocês, da imprensa, podem gravar, podem gravar”. Enquanto isso, ele mesmo toma uma certa distância dos corpos e fotografa os filhos com seu celular.Em seguida, todas as caixas são reunidas em um carro de mão. Um funcionário grita: “Vamos, gente, vamos. Todo mundo já achou o seu? Então, vamos logo, temos que enterrar”. E toma a frente, empurrando o carro com as caixas de bebês empilhadas.O cortejo segue pela alameda principal do cemitério. Depois de uns 15 minutos andando sob o sol escaldante, chega-se ao local onde as covas rasas já estão abertas. Uma grande fileira de buracos. Apressados, os coveiros vão retirando as caixas do carro de mão e colocando-as nos buracos, em seqüência: número 1, 2, 3… Epa! Alguém alerta: “Calma, calma, esse não é o 4 é o 5, é o meu filho!”O pai de Nicolau, meio afastado de tudo, olha perdido para a fileira de covas, não pode esquecer o rosto do filho morto, a quem viu, pela primeira vez, minutos atrás. O homem do martelo se aproxima devagar, coloca-se ao lado dele, num gesto mudo de solidariedade. Ficam em silêncio.Uma nuvem imensa faz sombra no Tapanã, alívio para o calor infernal. Um cidadão sai falando alto: “Aquela Santa Casa? Aquilo, sim, é um cemitério, um inferno, um cemitério, gente!”. E vai embora.As famílias começam a se dispersar lentamente. No descampado do “cemitério dos pobres” ficam as novas cruzes, algumas flores de plástico e um sentimento estranho, fruto dessa precária condição humana.No dia 28, sábado, a Santa Casa de Misericórdia do Pará admite a morte de mais oito bebês. Foram 20 em sete dias? É isso mesmo? Reconhece também as péssimas condições de atendimento e o déficit de quase 70 médicos. A clientela do hospital é formada pelos “excluídos socialmente”. Gente pobre, meninas que engravidam e não têm nenhum acompanhamento médico, mulheres com saúde frágil em função das limitadas condições de vida: miséria gerando mais miséria e morte. No jornal O Liberal de 29 de junho, domingo, há um histórico da Santa Casa, criada em 1650, onde glória e decadência se alternam. Lá nasceram personalidades da história do Pará: Almir Gabriel, ex-governador do Estado, a cantora Fafá de Belém… Parece que a própria Laura Rossetti, atual Secretária de Saúde do Estado, também nasceu lá. Eles sobreviveram, Nicolau, não. Ele e mais 19 pequenos seres, pobres, parecem não ter nascido para fazer história, são apenas “estatística”, números cravados em caixas de madeira e nas planilhas da burocracia.Segunda-feira, 30 de junho, uma semana depois das primeiras mortes anunciadas, os jornais estampam a notícia da morte de mais dois bebês gêmeos e uma foto grotesca de uma câmara frigorífica com 14 pequenos corpos. Na mesma matéria, o Governo do Estado informa que já foi nomeada uma comissão de intervenção na Santa Casa, o diretor foi afastado e o Governo Federal já mandou auditores. Pronto! Foi instalada mais uma CPI. E agora?O certo é que por enquanto, o movimento deve continuar a ser grande no cemitério do Tapanã, para onde vai todo mundo que não tem chance de construir sua própria história, o cemitério dos pobres, como dizem. E esta vai continuar sendo a morte nossa de todos os dias. Um jardim de perdas, cultivado em covas rasas. Nada mais."

sábado, julho 12, 2008

O aviso de Dalmo Dalari em 2002

Do blog do do Azenha, trecho de artigo publicado na Folha de S. Paulo em maio/2002 popelo jurista Dalmo Dallari.
"Se essa indicação (de Gilmar Mendes ao STF) vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.
É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.
Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio judiciário".
A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista "Época" (22/4/02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.
A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou "ação entre amigos". É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

sexta-feira, julho 11, 2008

Juizes federais de Sp e Mato Grosso do Sul protestam contra Gilmar Mendes

121 Juízes Federais da Magistratura Federal da 3ª Região (São Paulo e Mato Grosso do Sul) divulgaram carta aberta à população para protestar contra Gilmar Mendes:

Manifesto da Magistratura federal da 3ª região

Nós, juízes federais da Terceira Região abaixo assinados, vimos mostrar, por meio deste manifesto, indignação com a atitude de Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o encaminhamento de cópias da decisão do juiz federal Fausto De Sanctis, atacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para o Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região.
Não se vislumbra motivação plausível para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico. Ao contrário, a independência de que dispõe o magistrado para decidir é um pilar da democracia e princípio constitucional consagrado. Ninguém nem nada pode interferir na livre formação da convicção do juiz, no direito de decidir segundo sua consciência, pena de solaparem-se as próprias bases do Estado de Direito.
Prestamos, pois, nossa solidariedade ao colega Fausto De Sanctis e deixamos clara nossa discordância para com este ato do Ministro Gilmar Mendes, que coloca em risco o bem tão caro da independência do Poder Judiciário