domingo, outubro 23, 2011
sábado, outubro 22, 2011
Buenos Aires homenageia músico brasileiro morto pela ditadura argentina
Do blog http://giseleteixeira.wordpress.com/2011/10/22/francisco-tenorio-jr-para-lembrar-e-escutar/
Reproduzo no blog a coluna de Ruy Castro, publicada hoje na Folha de Sáo Paulo. A dica foi do Iberê.
No dia 18 de março de 1976, o pianista brasileiro Francisco Tenório Jr., 33, estava em Buenos Aires para uma temporada no Teatro Rex com seus patrícios Vinicius de Moraes e Toquinho. Naquela noite, saiu do hotel Normandie, onde estavam hospedados, e deixou um bilhete: “Vou comprar cigarros e um remédio. Volto já”. Não voltou -nunca mais.
Fora confundido com um militante procurado pela ditadura argentina e levado preso. Por falar bem espanhol e com sotaque portenho, não acreditaram que fosse brasileiro, músico e inocente. Passaram a torturá-lo, com a colaboração, a partir do quinto dia, de agentes brasileiros da Operação Condor, braço internacional das ditaduras argentina, brasileira, chilena e uruguaia.
Nove dias depois, seus algozes se convenceram de que tinham se enganado. Mas, já então, Tenório estava cruelmente machucado. Pior: vira o rosto deles. Não podiam devolvê-lo à rua. O jeito era matá-lo, o que fizeram com um tiro, no dia 27. Dali Tenório foi dado como “desaparecido”, e o Brasil nunca se empenhou em elucidar o fim de um de seus filhos mais talentosos -autor, em 1964, aos 21 anos, do grande disco instrumental “Embalo”.
Os detalhes gravíssimos sobre a morte de Tenório só começaram a aparecer dez anos depois, em 1986, e mesmo assim porque um membro da inteligência argentina resolveu contar. Pois, agora, os argentinos, que não estão varrendo a sua ditadura para debaixo do tapete, nos darão em breve nova lição.
No dia 16 de novembro, às 14 h, a cidade de Buenos Aires, por iniciativa do deputado portenho Raul Puy, homenageará Tenório com uma placa na fachada do hotel Normandie, na rua Rodríguez Peña, 320, de onde ele saiu para morrer. Ela dirá: “Aqui se hospedou este brilhante músico brasileiro, vítima da ditadura militar argentina”.
sexta-feira, outubro 21, 2011
A poesia é para comer
No dia 26 próximo , quarta-feira, às 19h30,será lançada no café do Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico,Rio de Janeiro, esta antologia poética lusófona, com temas relacionados à comida, e ilustrações, organizado pela escritora portuguesa Ana Vidal.No sabado, 29, às 11 horas, na Casa Guilherme de Almeida, em SP, rua Macapá, 387.
Estou muito feliz por ter um poema meu nessa antologia.
Aquio, o texto da Ana Vidal de apresentação:
INTRODUÇÃO E AGRADECIMENTOS
Há muito tempo que versos e petiscos se cozinhavam na minha mente, em lume brando, como convém a uma receita que se quer apurada, insinuando no meu espírito aromas irresistíveis de cozinha de infância. Nasci numa família em que a gastronomia foi sempre – ao longo de gerações – um culto e um prazer, com honras de biblioteca e pesando, até, na escolha de itinerários de viagem. E o que pode haver de mais poético do que as memórias de um tempo em que tudo era assim, brando e promissor, sem pressas nem atropelos, apesar da sede imensa de uma vida inteira pela frente, por beber ainda?
Enquanto tudo se espera, tudo pode acontecer…
A ideia de reunir num mesmo livro duas das minhas paixões – a poesia e a gastronomia (na sua vertente culinária) – foi tomando forma naturalmente, deixando-me água na boca e na imaginação. Impunha-se encontrar uma fórmula original, que glorificasse igualmente as duas artes e as casasse harmoniosamente, prevenindo o risco de divórcio. Ambas são de personalidade forte e muita sensibilidade: nubentes difíceis, portanto. Mas possíveis, porque iluminadas pela mesma chama. Agostinho da Silva afirma-o, como ninguém, num dos seus pequenos e magníficos poemas:
A quem faz pão ou poema
só se muda o jeito à mão
e não o tema.
Também Carlos Drummond de Andrade reconhece esta similaridade entre o alimento do corpo e o do espírito:
Deixaste-nos mais famintos,
poesia, comida estranha,
se nenhum pão te equivale…
Ou Aníbal Beça, que vai mais longe e “saboreia” palavras como frutos, de tal modo que nos deixa quase a salivar também:
O fruto palavra
de doce mascavo
repuxa viscoso
no tacho da boca
mel caramelado
Inspirei-me ainda na ancestralidade desse misterioso, complexo e tantas vezes incompreendido universo feminino, a que naturalmente pertenço, expresso com golpe de asa e mestria neste verso de Ana Luísa Amaral:
E descascar ervilhas ao ritmo de um verso:
A prosódia da mão, a ervilha dançando
em redondilha.
ou nesta concisa e tão expressiva análise sensorial de Regine Limaverde:
Tentei o doce de tua boca
mas provei o salgado de meus olhos.
Enfim, descoberta a fórmula – uma antologia de poesia lusófona, em que cada texto contivesse pelo menos uma referência culinária e esta pudesse dar origem a uma receita, lancei-me à saborosa tarefa da pesquisa de poemas. Encontrei, naturalmente, muitos mais do que os que constam neste livro, mas seria impossível apresentar aqui essa recolha exaustiva. Houve que fazer uma selecção, cujo critério é da minha inteira responsabilidade.
Não posso deixar de agradecer, em primeiro lugar, a todos os poetas de Portugal, Brasil e demais países lusófonos, a verve e o rasgo poético. Sem eles, verdadeiros autores deste livro, ele não existiria ou seria apenas uma compilação de cardápios, mais ou menos inspirados. É justo que sublinhe os poetas brasileiros vivos aqui representados, pelo extraordinário carinho e entusiasmo com que aderiram a este projecto. A escolha dos poetas presentes nesta antologia não cedeu a quaisquer critérios ideológicos (políticos, religiosos ou outros). O único denominador comum que aqui se poderá deparar, além do tema, é a PALAVRA – e, por maioria de razão, a palavra poética – livre por natureza. Privilegiou-se, isso sim, uma representação tão abrangente quanto possível, no tempo, no espaço geográfico e no estilo. Por isso se encontrarão clássicos e desconhecidos, dispostos nestas páginas de forma propositadamente aleatória.
A qualidade dos poetas e dos poemas exigia igual rigor na escolha das receitas culinárias, razão pela qual elas foram entregues a alguns dos maiores magos da actual cozinha lusófona. Com as asas próprias dos artistas – e eles são-no, de pleno direito – inspiraram-se nos poemas que receberam como desafio, deixando-se contagiar pelo espírito e ambiente das palavras, e, acrescentando-lhes rasgo e técnica, enriqueceram este livro com as suas extraordinárias criações. Para todos eles vai o meu segundo agradecimento, bem como a minha deleitada admiração. Um justíssimo destaque para José Avillez, primus inter pares, que desde a primeira hora abraçou esta ideia e lhe deu o seu valioso apoio.
O meu terceiro agradecimento dirige-se a todos os artistas plásticos que, com as suas obras de arte, adicionaram forma e cor a esta aventura sensorial e assim a engrandeceram excepcionalmente. O universo de selecção foi o mesmo que para poetas e cozinheiros: os países de língua portuguesa como nacionalidade dos artistas. Dos clássicos e tradicionais bodégons à expressão livre do abstraccionismo contemporâneo, da pintura à escultura, passando pela cerâmica, estas obras são o perfeito contraponto para poemas e receitas.
Aos prefaciadores Astrid Cabral e Nuno Júdice, a minha gratidão pelo privilégio que representam para este livro as suas palavras, tão belas quanto generosas. Devo também um agradecimento muito especial a José Bento dos Santos, profundo conhecedor dos segredos e história da gastronomia, e, na sua pessoa, à Academia Portuguesa de Gastronomia, pela atribuição de um prémio à forma inicial deste livro. Foi uma honra que muito me tocou. Agradeço igualmente à Casa Fernando Pessoa e ao Instituto Camões, pelas honrosas chancelas.
Last but never the least, o meu comovido “obrigada” à incansável, divertida e talentosa equipa feminina com quem embarquei nesta aventura de editar um livro no Brasil: Renata Lima, fada-madrinha deste projecto transatlântico, cuja varinha mágica tudo consegue e tudo resolve. Sem o seu precioso contributo, nada disto teria sido possível. Fernanda Carvalho, responsável pela pesquisa iconográfica, cuja sensibilidade e bom gosto juntaram o luxo das imagens ao meu casamento de poemas e receitas, conferindo ao conjunto, além de uma beleza adicional, o toque picante de um triângulo amoroso. Heloísa Faria, que com mestria e originalidade coreografou os bailados nupciais de letras, paladares e imagens, assinando um projecto gráfico que tão bem exprime o espírito que presidiu a este livro. Luciana Froes, sábia viajante pelo olimpo alquímico dos sabores e aromas do mundo – imagino-a facilmente como uma discípula de Brillat-Savarin, embrenhada nas suas Méditations de Gastronomie Transcendante – que foi a nossa preciosa ponte com a nata dos chefs do Brasil.
A excelência do contributo de cada uma destas parceiras de elite acrescentou a estas páginas um inestimável valor. A comunicação entre nós foi tão fácil que, logo desde o início, esqueci a distância de um oceano entre nós. Foi um verdadeiro prazer trabalhar convosco, amigas!
Quanto ao título, surgiu-me com a maior das naturalidades: a proclamação apaixonada de Natália Correia, na sua “Defesa do Poeta”, não poderia ser mais apropriada e consentânea com o espírito deste livro. Faço minhas as suas palavras: a poesia é para comer, sim. É alimento vital, calórico e energético, que nos deixa lambuzados os dedos da alma, e a chorar por mais. É um alimento tão precioso e essencial como o que damos ao corpo. E, tal como esse, igualmente perigoso: se mal usado, pode matar-nos de fartura enquanto nos promete a vida eterna.
Finalmente, permito-me convocar, como lema para este livro, o espírito de harmonia universal desenhado pelo poeta Thiago de Mello, querido amigo de além-mar, nos seus memoráveis Estatutos do Homem:
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura das palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Ana Vidal
Nota importante: Esta antologia viu pela primeira vez a luz do dia em 2007, naquilo que posso considerar um esboço do que eu queria que ela fosse (cumprido, finalmente, nesta edição), com uma modestíssima tiragem e sem qualquer divulgação mediática. Ainda assim, tive o prazer e a honra de vê-lo duplamente premiado: logo nesse ano ganhou um Gourmand Cookbook Award, na qualidade de “Best Food Literature Book 2007 (Portugal)” e, dois anos depois, o de “Melhor livro de Literatura Gastronómica”, atribuído pela Academia Portuguesa de Gastronomia.
quinta-feira, outubro 20, 2011
quarta-feira, outubro 19, 2011
Vinícius de Moraes, 98,
A Ponte de Van Gogh
O lugar não importa: pode ser o Japão, a Holanda, a campina inglesa.
Mas é absolutamente preciso que seja domingo.
O azul do céu ecoa na esmeralda do rio
E o rio reflete docemente as margens de relva verde-laranja
Dir-se-ia que da mansão da esquerda voou o lençol virginal de miss
Para ser no céu sem mancha a única nuvem.
A calma é velha, de uma velhice sem pátina
As cores são simples, ingênuas
A estação é feliz: o guarda da ponte chegou a pintar
De listas vermelhas o teto de sua casinhola.
E, meu Deus, se não fossem esses diabinhos de pinheiros a fazer caretas
E a pressa com que o homem da charrete vai:
- A pressa de quem atravessou um vago perigo
Tudo estivesse perfeito, e não me viesse esse medo tolo de a pequena ponte levadiça
Desabe e se molhe o vestido preto de Cristina Georgina Rosseti
Que vai de umbrela especialmente para ouvir a prédica do novo pastor da vila.
Itatiaia, 1937.
terça-feira, outubro 18, 2011
A luta por ‘Democracia Real’ no coração de “Occupy Wall Street”
11/10/2011, Michael Hardt e Antonio Negri, Foreign Affairs e Uninomad
http://www.foreignaffairs.com/articles/136399/michael-hardt-and-antonio-negri/the-fight-for-real-democracy-at-the-heart-of-occupy-wall-street e http://uninomade.org/
As manifestações sob a bandeira de Occupy Wall Street ressoam em tantas pessoas, não só porque dão voz a uma sensação de injustiça econômica, mas também, e talvez mais importante, porque manifestam sofrimentos e aspirações políticas. Ao espalharem-se da parte sul de Manhattan para cidades grandes e pequenas por todo o país, mostraram que a indignação contra a ganância das grandes corporações e a desigualdade econômica é real e profunda. Mas, no mínimo tão importante quanto isso, é o protesto contra a falta – ou o fracasso – da representação política. Não é tanto a questão de se um ou outro político, esse ou aquele partido, nada faz ou é corrupto (embora isso, também, seja verdade), mas de se o sistema político representativo é, em termos gerais, inadequado. Esse movimento de protesto pode, e talvez consiga, converter-se processo democrático constituinte genuíno.
A face política dos protestos de Occupy Wall Street aparece quando o pomos ao lado de outros “acampamentos” do ano em curso. Juntos, formam um ciclo emergente de lutas. Em muitos casos, as linhas de influência são claras. Occupy Wall Streetinspirou-se nos acampamentos das praças centrais na Espanha, que começaram dia 15 de maio, depois da ocupação da Praça Tahrir, no Cairo, no início da primavera. A essa sucessão de manifestações, é preciso acrescentar vários outros protestos, como as longas manifestações na Assembleia Estadual em Wisconsin, a ocupação da Praça Syntagma em Atenas, os acampamentos de israelenses por justiça econômica. O contexto desses vários protestos são muito diferentes, claro; e não são simplesmente repetição do que acontecera noutros lugares. Mas cada um desses movimentos conseguiu traduzir para a própria situação alguns elementos comuns.
Na Praça Tahrir, a natureza política do acampamento e o fato de que os manifestantes não eram nem jamais seriam representados, em nenhum sentido, pelo atual regime, eram visíveis. A exigência “Mubarak tem de sair” mostrou-se suficientemente potente para envolver todas as demais questões. Depois, nos acampamentos da Porta do Sol em Madri e da Praça Catalunha em Barcelona, a crítica da representação política foi mais complexa. O protesto espanhol reuniu vasto conjunto de demandas sociais e econômicas – sobre o déficit público, moradia e educação, dentre outras –, mas sua “indignação”, que a imprensa espanhola rapidamente apontou como a emoção que os definia, foi claramente dirigida contra um sistema político incapaz de tratar daquelas questões. Contra o arremedo de democracia que o atual sistema representativo oferece, os manifestantes dirigiram um dos seus principais slogans: “Democracia real ya,” ou “Democracia real, já”.
Occupy Wall Street deve ser entendido, então, como mais um desenvolvimento ou permutação dessas exigências políticas. Mensagem alta e clara dos protestos, é claro, é que os banqueiros e as indústrias da finança de modo algum nos representam: O que é bom para Wall Street com certeza não é bom para o país (ou para o mundo). E parte mais significativa do fracasso da representação, portanto, deve ser atribuída aos políticos e aos partidos políticos aos quais compete representar os interesses do povo, mas que, de fato, só representam, mais claramente, os bancos e os agentes que emprestam dinheiro. Esse reconhecimento leva a uma questão aparentemente simplória, básica: a democracia não deveria ser o governo do povo sobre a pólis – quer dizer, sobre toda a vida social e econômica? Em vez disso, o que se vê é que a política tornou-se subserviente aos interesses econômicos e financeiros.
Ao insistir na natureza política dos protestos de Occupy Wall Street, não estamos dizendo que todas as questões políticas possam ser equacionadas em termos das disputas entre Republicanos ou Democratas, ou os resultados do governo Obama. Se o movimento continuar a crescer, é claro, talvez force a Casa Branca ou o Congresso a tomar novos rumos de ação, e pode vir a ser, mesmo, significativo ponto de contenção durante o próximo ciclo eleitoral presidencial.
Mas tanto o governo Obama quanto o governo George W. Bush são autores de “resgates” de bancos e banqueiros. A falta de representação, que os protestos evidenciaram, aplica-se aos dois partidos. Nessas circunstâncias, o clamor dos espanhóis por “democracia real, já” soa ao mesmo tempo, urgente e desafiador.
Se, observados em conjunto, esses diferentes acampamentos de protesto – do Cairo a Atenas, Madison, Telavive, Madrid e, agora, New York – manifestam uma insatisfação com as estruturas da representação política, então, oferecem o que, como alternativa? O que é a “democracia real” que tantos propõem?
As pistas mais claras estão na própria organização interna dos movimentos – especificamente, no modo como os acampamentos oferecem novas práticas democráticas. Esses movimentos desenvolveram-se segundo o que designamos como “uma forma multitudinária” e são caracterizados por frequentes assembleias e estruturas participativas para construir e tomar decisões. (E vale a pena observar que, quanto a isso, Occupy Wall Street e várias das demais manifestações também têm raízes nos movimentos de protesto antiglobalização que se estenderam, no mínimo, de Seattle em 1999 a Gênova em 2001.)
Muito se tem dito sobre mídias sociais como Facebook e Twitter, sempre usados nos acampamentos. Esses instrumentos de rede, evidentemente, não criam os movimentos, mas são ferramentas úteis, porque, em vários sentidos, correspondem à estrutura dos experimentos horizontais e democráticos dos próprios movimentos. Em outras palavras, o Twitter é útil, não porque divulga eventos, mas porque reúne as ideias de uma grande assembleia, para uma específica decisão, em tempo real.
Não espere que os acampamentos, então, desenvolvam líderes ou representantes políticos. Nenhum Martin Luther King, Jr. vai emergir das ocupações de Wall Street e outras. Para melhor ou para o pior - e certamente estamos entre aqueles que consideram OccupyWallStreet um assunto promissor - este ciclo emergente de movimentos vai se expressar através de estruturas de participação horizontal, sem representantes específicos. Tais experiências de organização democrática em pequena escala teria que se desenvolver muito mais, é claro, antes de se poder elaborar modelos eficazes para uma alternativa social, mas os ocupantes expressam poderosamente sua aspiração por uma “democracia real”.
Enfrentando a crise (financeira do capitalismo) e vendo claramente a forma como ela está sendo gerenciada pelo sistema político atual, os jovens que participam dos vários acampamentos fazem, e com inesperada maturidade, a desafiadora pergunta: “Se a democracia – ou seja, a democracia que temos hoje – está atônita sob os golpes da crise econômica e é impotente para fazer valer a vontade e os interesses da multidão, não seria a hora , talvez, de considerar que esta forma de democracia seja obsoleta?”.
Se as forças políticas geradas pelo poder da riqueza e das finanças passaram a defende interesses supostamente democráticos das atuais Constituições, incluindo a dos EUA, não é possível e mesmo necessário, hoje, propor e construir novos valores Constitucionais que possam abrir avenidas e retomar o processo de busca coletiva da felicidade? Tal raciocínio e tais demandas, já vivamente explicitados nos movimentos idênticos que acontecem na Europa e na África Mediterrânea que se implantaram pelos EUA a partir de Wall Street, mostram a necessidade de um novo processo Constituinte e democrático.
