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segunda-feira, dezembro 06, 2010
"A poesia revela este mundo; cria outro"
Poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola, une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Ideia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular e minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirme que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!
do Blog de Rubens Jardim
Fim de domingo
Pra animar, Charlie Parker, porque marilia gabriela e roberto justus na tevê, quem merece?
sábado, dezembro 04, 2010
sexta-feira, dezembro 03, 2010
Mário de Sá-Carneiro
O poeta, por Almada NegreirosEu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.
Lisboa, fevereiro de 1914
Estes versos do grande poeta português, que se suicidou aos 26, grande amigo de Pessoa -- que lhe dedicou um belissimo poema, sobre a amizade --, parei para ler, encantada, numa estação de metrô, não me lembro qual.
As pessoas correndo, será que alguém , como eu, pára pra ler poesia em meio aos desvãos da metrópole?Acho que sim.
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Construtora Exto- 2, noite de quinta
A inominável construtora, nao satisfeita por enlouquecer os moradores da rua Caiowáa o dia inteiro, à noite faz descarregamento de materiais, em enormes - e naturalmente barulhentos- caminhões.
Colocarei aqui, todos os dias, os acontecimentos, porque a pesquisa Exto no Google está ficando ótima, como todos esses posts de reclamações.
Colocarei aqui, todos os dias, os acontecimentos, porque a pesquisa Exto no Google está ficando ótima, como todos esses posts de reclamações.
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Construtora Exto faz barulho à noite
Woody Allen e a descida aos infernos
Desconstruindo Harry
"Sétimo andar, mídia, desculpe mas todos os lugares estão tomados".
Ele só se esqueceu da Construtora Exto.
"Sétimo andar, mídia, desculpe mas todos os lugares estão tomados".
Ele só se esqueceu da Construtora Exto.
Quinta é dia de Exto contra moradores da Caiowá: das 7h30 às 19 horas/Atualizada
Ou quarta ou quinta-feira, os caminhões de cimento da Engemax, a serviço da Construtora Exto, chegam às 7h30 da manha e só saem quando sabe Deus.
Enquanto isso, o barulho é infernal.
E às 17h50, quando já foram embora os ene caminhões da Engemax, e a vizinhança pensa que mais um tormento acabou, ao menos hoje, o outro caminhão, acoplado aos iniciais, inicia seus roncos acho que para expulsar o resto de cimento e , assim, aproveita a Exto para enlamear a rua, que depois, será lavada mal e porcamente.
A baderna terminou às 19 horas, exatamente 9 horas e meia depois que começou.
Outro problema é o trânsito, em rua de mão dupla, atravancado várias vezes por um segundo caminhão, esperando o primeiro sair.
Como é terra de ninguém, nem CET, nem qualquer fiscalização da assim chamada prefeitura paulistana jamais apareceu.
Na era da nanotecnologia, da engenharia genética, da reprodução assistida, da comunicação instantânea, é impossível que não se tenha chegado a uma nova solução para substituir antediluvianos caminhões misturadores de cimento e o processo de transfusão para a obra.
Certamente em outros países isso já mudou. Quem sabe aqui mesmo, mas deve ser mais caro...
Mas é de se pensar em uma ação judicial contra a Exto, por obstrução do direito ao trabalho e ao estudo.
Bom, agora vou trabalhar...
Enquanto isso, o barulho é infernal.
E às 17h50, quando já foram embora os ene caminhões da Engemax, e a vizinhança pensa que mais um tormento acabou, ao menos hoje, o outro caminhão, acoplado aos iniciais, inicia seus roncos acho que para expulsar o resto de cimento e , assim, aproveita a Exto para enlamear a rua, que depois, será lavada mal e porcamente.
A baderna terminou às 19 horas, exatamente 9 horas e meia depois que começou.
Outro problema é o trânsito, em rua de mão dupla, atravancado várias vezes por um segundo caminhão, esperando o primeiro sair.
Como é terra de ninguém, nem CET, nem qualquer fiscalização da assim chamada prefeitura paulistana jamais apareceu.
Na era da nanotecnologia, da engenharia genética, da reprodução assistida, da comunicação instantânea, é impossível que não se tenha chegado a uma nova solução para substituir antediluvianos caminhões misturadores de cimento e o processo de transfusão para a obra.
Certamente em outros países isso já mudou. Quem sabe aqui mesmo, mas deve ser mais caro...
Mas é de se pensar em uma ação judicial contra a Exto, por obstrução do direito ao trabalho e ao estudo.
Bom, agora vou trabalhar...
terça-feira, novembro 30, 2010
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