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terça-feira, agosto 10, 2010
domingo, agosto 08, 2010
A mercantilização do jornalismo cultural
Escrevi sobre esse tema a pedido do professor José Salvador Faro, da PUC e da Metodista.
Pra quem se interessa sobre o assunto, vão os links
http://www.jsfaro.net/2010/08/elizabeth-lorenzotti-ve-o-jornalismo.html
http://linkjsfaro.blogspot.com/2010/08/elizabeth-lorenzotti-industria-cultural.html
Pra quem se interessa sobre o assunto, vão os links
http://www.jsfaro.net/2010/08/elizabeth-lorenzotti-ve-o-jornalismo.html
http://linkjsfaro.blogspot.com/2010/08/elizabeth-lorenzotti-industria-cultural.html
sábado, agosto 07, 2010
Atrás dos olhos das meninas sérias
sexta-feira, agosto 06, 2010
Adoniran
AE - Agência Estado
O centenário de Adoniran Barbosa é comemorado hoje com diversos eventos espalhados pela cidade de São Paulo. Mas as gafes e injustiças envolvendo o compositor nascido em Valinhos, no interior de São Paulo, no dia 6 de agosto de 1910, já deram o ar de sua graça este ano. O sambódromo paulistano, no Anhembi, leva o nome de Adoniran, mas, no desfile carnavalesco, em fevereiro, nenhuma das 14 escolas do grupo especial rendeu homenagens ao maior sambista de sua terra.
Em entrevista em fevereiro, o jornalista e historiador Celso de Campos Jr., biógrafo de Adoniran, e Maria Helena Barbosa, filha do compositor, falaram da falta de patrocínio e incentivo para criar o museu Casa Adoniran Barbosa. Seis meses depois, a situação felizmente começa a evoluir. O material relativo ao compositor - como documentos pessoais, a famosa aliança feita com a corda do cavaquinho, de "Prova de Carinho", de fotografias, discos, partituras, roteiros raros de programas de rádio -, recuperado do Museu da Imagem e do Som (MIS), no fim de 2009, recebeu pela primeira vez tratamento de preservação feito por profissionais.
"Não adiantava apresentar o projeto de uma Casa Adoniran sem esse cuidado. Profissionais da Associação dos Arquivistas de São Paulo fizeram um trabalho que durou cerca de cinco meses, catalogando, organizando, separando por suportes adequados e acondicionando de forma correta todo o material. É uma espécie de inventário do que tem no acervo, um primeiro passo para a criação do museu", explica Campos Jr.
A curadoria do acervo não poderia estar em melhores mãos, ficando sob os cuidados do próprio Celso Campos Jr., que relançou este ano "Adoniran, Uma Biografia", trabalho mais completo já feito sobre vida e obra do sambista. O autor participa de um dos eventos mais interessantes em relação ao centenário daquele que por meio de seus sambas se tornou um dos maiores cronistas dos tipos, personagens e costumes da Pauliceia. Amanhã, na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, o jornalista e historiador participa do Autor na Praça, autografando a biografia no encontro que contará também com Sérgio Rubinato, sobrinho que entoará alguns dos clássicos do tio Adoniran. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
quinta-feira, agosto 05, 2010
Índio Juruna
Fotos Pedro MartinelliPeguei do blog do Pedrão Martinelli, ser humano que fotografa e resgata historias com sensibilidade ímpar. Esse lugar me parece a ex-redação da sucursal de O Globo aqui. Mas o figura aí em cima ainda nao tinha relógio de pulso, nem essa camiseta chique quando pintou na redação da rádio Tupi, no século passado, falando o que não dava pra entender metade e fazendo denúncia.(Foi o primeiro lugar onde chegou, daí pra frente , mídia a todo o vapor.)
Espichou o olho no gravador, pediu, nao pude dar. Ficou famoso por gravar as promessas de políticos, antes de se tornar um. Nao tinha onde ficar, arrumamos pousada, fiquei com medo de entrar com um índio onde morava, no apê da Vila Buarque.
País doido esse.
terça-feira, agosto 03, 2010
Perturbar sossego é contravenção penal
O site www.reclamando.com.br, criado por Jorge do Espirito Santo Ribeiro, promotor aposentado, é um instrumento de esclarecimento e orientação para os consumidores lesados do Brasil.
Por exemplo, eu não sabia desta informação, que o dr. Jorge me passou a respeito do absurdo ruído a qualquer hora do dia e mesmo muitas vezes à noite, gerado pela Construtora Exto, em uma obra na Pompéia. Isso vale para todos os casos de barulho excessivo e continuado.
Perturbar o sossego e trabalhos alheios é uma contravenção penal. É caso de
Polícia. Portanto, os moradores prejudicados devem procurar a Delegacia de
Polícia e pedir para o Delegado lavrar um TERMO CIRCUNSTANCIADO contra o
responsável legal pelos estabelecimentos infratores. Esse Termo será
encaminhado ao Promotor de Justiça que atua junto aos Juizados Especiais
Criminais. Ao lavrar o Termo o Delegado deve informar à vítima o dia, hora e
local da audiência nos Juizados Especiais Criminais. Se porventura, o
Delegado não tomar essa providência e limitar-se a registrar apenas um BO
(Boletim de Ocorrência) a vítima deve ir reclamar diretamente ao Promotor de
Justiça dos referidos Juizados Especiais Cíveis e na Promotoria do Meio
Ambiente.A perturbação do sossego não ocorre somente após as vinte e duas
horas, como muita gente pensa. Ela pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da
noite.
A Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, estabelece em seu art. 3º, III, que se entende
por poluição "a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades
que direta ou indiretamente(...)
( está truncado, mas eu imagino que seja atividades que direta ou indiretamente agridam o ambiente)
Os moradores prejudicados devem se reunir e fazer uma manifestação defronte
da construção para chamar a atenção das autoridades. Convidem as emissoras
de TV e Rádios para fazer a cobertura do protesto. Cobrem solução dos
Vereadores. Organizem-se! Protestem! Façam valer os seus direitos! Chega de
serem bonzinhos. Neste País sem autoridade o povo deve agir, desde que
dentro da lei sem provocar prejuízos ou praticar violência contra pessoas ou
patrimônio. BOTEM A BOCA NO TROMBONE!
Por exemplo, eu não sabia desta informação, que o dr. Jorge me passou a respeito do absurdo ruído a qualquer hora do dia e mesmo muitas vezes à noite, gerado pela Construtora Exto, em uma obra na Pompéia. Isso vale para todos os casos de barulho excessivo e continuado.
Perturbar o sossego e trabalhos alheios é uma contravenção penal. É caso de
Polícia. Portanto, os moradores prejudicados devem procurar a Delegacia de
Polícia e pedir para o Delegado lavrar um TERMO CIRCUNSTANCIADO contra o
responsável legal pelos estabelecimentos infratores. Esse Termo será
encaminhado ao Promotor de Justiça que atua junto aos Juizados Especiais
Criminais. Ao lavrar o Termo o Delegado deve informar à vítima o dia, hora e
local da audiência nos Juizados Especiais Criminais. Se porventura, o
Delegado não tomar essa providência e limitar-se a registrar apenas um BO
(Boletim de Ocorrência) a vítima deve ir reclamar diretamente ao Promotor de
Justiça dos referidos Juizados Especiais Cíveis e na Promotoria do Meio
Ambiente.A perturbação do sossego não ocorre somente após as vinte e duas
horas, como muita gente pensa. Ela pode ocorrer a qualquer hora do dia ou da
noite.
A Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, estabelece em seu art. 3º, III, que se entende
por poluição "a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades
que direta ou indiretamente(...)
( está truncado, mas eu imagino que seja atividades que direta ou indiretamente agridam o ambiente)
Os moradores prejudicados devem se reunir e fazer uma manifestação defronte
da construção para chamar a atenção das autoridades. Convidem as emissoras
de TV e Rádios para fazer a cobertura do protesto. Cobrem solução dos
Vereadores. Organizem-se! Protestem! Façam valer os seus direitos! Chega de
serem bonzinhos. Neste País sem autoridade o povo deve agir, desde que
dentro da lei sem provocar prejuízos ou praticar violência contra pessoas ou
patrimônio. BOTEM A BOCA NO TROMBONE!
segunda-feira, agosto 02, 2010
sexta-feira, julho 30, 2010
quarta-feira, julho 28, 2010
Geléia geral -2."A melhor profissão do mundo" já dançou faz tempo
A frase "A melhor profissão do mundo", sobre o jornalismo, é de García Marquez.
fonte
Motorista da TV Sergipe vira repórter e faz entrevistas
Anderson Scardoelli
Um motorista da TV Sergipe, afiliada da TV Globo, teve que mudar de função e virar repórter. Como a equipe da emissora estava incompleta, ele pegou o microfone e fez entrevistas durante uma manifestação em um posto de saúde na zona Norte de Aracaju, no dia 20/07.Em nota publicada no site do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, o presidente da entidade, George Washington Silva, criticou o fato e acusou a emissora de desrespeitar a legislação. Segundo ele, a profissão de motorista merece respeito, mas o Jornalismo precisa ser tratado com seriedade.“A empresa incorre em uma irregularidade trabalhista, pois o motorista está acumulando duas funções. Em face disso, vamos notificar a Superintendência Regional do Trabalho”, disse Silva.A diretora de Jornalismo da TV Sergipe, Ligia Tricot, afirmou que o caso foi isolado. Ela alega que o motorista não chegou a fazer a reportagem, apenas “pegou o microfone para fazer as sonoras”, pois o repórter escalado para cobrir a manifestação ainda não havia chegado ao local.“Foi uma exceção infeliz, um ato falho que não irá ocorrer novamente. A TV Sergipe respeita a legislação e os jornalistas”, afirmou Ligia.
Comentários
-Rodrigo Soares Lima [28/07/2010 - 10:39]
(Editor de imagem-TV SBT - MG - TV ALTEROSA - DIVINÓPOLIS)
Em primeiro lugar: Esse motorista tem curso superior de jornalismo? Pergunto isso porque nem todos que se formam em jornalismo entram em uma empresa de comunicação como jornalista. Segundo: Esse sindicato como tantos outros está apenas querendo aparecer em cima de uma situação que em relação a tantos outros fatos não tem nenhuma relevância. Terceiro: Desde quando esse fato tem a relevância de se tornar uma notícia tão polêmica? Quarto: Sou Jornalista formado e quando entrei para uma emissora de tv não era como jornalista e fazia reportagem também. Gente vamos parar com essa demagogia de que se o cara é motorista, faxineiro ou seja lá o que for, eles precisam fazer só o que seu cargo permite. Quem não entra em uma empresa querendo mostrar serviço e crescer?
-Wilson Moreira dos Santos [28/07/2010 - 11:21]
O patronato agradece pelo comentário acima!Critica o sindicato, elogia a maior tv do Sergipe que colocou um microfone na mão do motorista, e ainda confessa que burlava a lei até então existente!
-
Darlene Santiago [27/07/2010 - 21:20] (Estudante)
O pessoal vem aqui para criticar o sindicato. Acho que a questão não é criticar o sindicato ou criticar o motorista, que trabalhou com boa vontade. O problema são as REDAÇÕES SUCATEADAS E DESRESPEITOSAS.Mas nós, jornalistas, vivemos reclamando do mercado, da profissão, e dando tiro no próprio pé. Só vejo a nossa categoria desunida e num processo de autofagia. Mas que coisa...Na boa, temos muitos problemas. Como o fato de grande massa sequer conseguir ganhar o piso salarial. São maus profissionais? Faculdades ruins, é? Mas precisamos de dignidade. E temos "estrelas" que ganham pequenas fortunas. Não existe tamanha discrepância nas competências profissionais que justifiquem as desigualdades. Ou uma Íris Stefanelli ganhando mais de R$ 30 mil na TV Fama...Acho que precisamos de diplomas, sim. Ainda que nossas faculdades sejam ruins. Precisamos de sindicatos, sim, para nos defender (ou tentar ao menos!).
-Débora Carvalho de Oliveira [28/07/2010 - 08:41]
(Colunista / Comentarista / Crítico-DIGESTIVO CULTURAL - SP)
Proativo - isso que o motorista foi. O colega repórter estava atrasado (não sabemos o motivo), e o motorista foi proativo para fazer algumas perguntas básicas e bastante óbvias, para não deixar a emissora que lhe garante o pão e o leite das crianças com ônus. Qual o problema? Na mesma situação, se eu precisasse virar motorista (sendo humanamente capaz de fazer a tarefa) eu faria. Por que o contrário não pode acontecer? Você se recusaria alegando "eu sou jornalista e não motorista", assim, no duro? Caramba!
fonte
Motorista da TV Sergipe vira repórter e faz entrevistas
Anderson Scardoelli
Um motorista da TV Sergipe, afiliada da TV Globo, teve que mudar de função e virar repórter. Como a equipe da emissora estava incompleta, ele pegou o microfone e fez entrevistas durante uma manifestação em um posto de saúde na zona Norte de Aracaju, no dia 20/07.Em nota publicada no site do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, o presidente da entidade, George Washington Silva, criticou o fato e acusou a emissora de desrespeitar a legislação. Segundo ele, a profissão de motorista merece respeito, mas o Jornalismo precisa ser tratado com seriedade.“A empresa incorre em uma irregularidade trabalhista, pois o motorista está acumulando duas funções. Em face disso, vamos notificar a Superintendência Regional do Trabalho”, disse Silva.A diretora de Jornalismo da TV Sergipe, Ligia Tricot, afirmou que o caso foi isolado. Ela alega que o motorista não chegou a fazer a reportagem, apenas “pegou o microfone para fazer as sonoras”, pois o repórter escalado para cobrir a manifestação ainda não havia chegado ao local.“Foi uma exceção infeliz, um ato falho que não irá ocorrer novamente. A TV Sergipe respeita a legislação e os jornalistas”, afirmou Ligia.
Comentários
-Rodrigo Soares Lima [28/07/2010 - 10:39]
(Editor de imagem-TV SBT - MG - TV ALTEROSA - DIVINÓPOLIS)
Em primeiro lugar: Esse motorista tem curso superior de jornalismo? Pergunto isso porque nem todos que se formam em jornalismo entram em uma empresa de comunicação como jornalista. Segundo: Esse sindicato como tantos outros está apenas querendo aparecer em cima de uma situação que em relação a tantos outros fatos não tem nenhuma relevância. Terceiro: Desde quando esse fato tem a relevância de se tornar uma notícia tão polêmica? Quarto: Sou Jornalista formado e quando entrei para uma emissora de tv não era como jornalista e fazia reportagem também. Gente vamos parar com essa demagogia de que se o cara é motorista, faxineiro ou seja lá o que for, eles precisam fazer só o que seu cargo permite. Quem não entra em uma empresa querendo mostrar serviço e crescer?
-Wilson Moreira dos Santos [28/07/2010 - 11:21]
O patronato agradece pelo comentário acima!Critica o sindicato, elogia a maior tv do Sergipe que colocou um microfone na mão do motorista, e ainda confessa que burlava a lei até então existente!
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Darlene Santiago [27/07/2010 - 21:20] (Estudante)
O pessoal vem aqui para criticar o sindicato. Acho que a questão não é criticar o sindicato ou criticar o motorista, que trabalhou com boa vontade. O problema são as REDAÇÕES SUCATEADAS E DESRESPEITOSAS.Mas nós, jornalistas, vivemos reclamando do mercado, da profissão, e dando tiro no próprio pé. Só vejo a nossa categoria desunida e num processo de autofagia. Mas que coisa...Na boa, temos muitos problemas. Como o fato de grande massa sequer conseguir ganhar o piso salarial. São maus profissionais? Faculdades ruins, é? Mas precisamos de dignidade. E temos "estrelas" que ganham pequenas fortunas. Não existe tamanha discrepância nas competências profissionais que justifiquem as desigualdades. Ou uma Íris Stefanelli ganhando mais de R$ 30 mil na TV Fama...Acho que precisamos de diplomas, sim. Ainda que nossas faculdades sejam ruins. Precisamos de sindicatos, sim, para nos defender (ou tentar ao menos!).
-Débora Carvalho de Oliveira [28/07/2010 - 08:41]
(Colunista / Comentarista / Crítico-DIGESTIVO CULTURAL - SP)
Proativo - isso que o motorista foi. O colega repórter estava atrasado (não sabemos o motivo), e o motorista foi proativo para fazer algumas perguntas básicas e bastante óbvias, para não deixar a emissora que lhe garante o pão e o leite das crianças com ônus. Qual o problema? Na mesma situação, se eu precisasse virar motorista (sendo humanamente capaz de fazer a tarefa) eu faria. Por que o contrário não pode acontecer? Você se recusaria alegando "eu sou jornalista e não motorista", assim, no duro? Caramba!
terça-feira, julho 27, 2010
De frente com Gabi e Da Matta: o discurso da geléia geral

Gabriela: “Estava louca para te perguntar, há um tempo. Veio uma coisa toda hipócrita brasileira, proibiram uma campanha de cerveja dizendo que, enfim, não sei de onde partiu, uma queixa ao Ministério Público, virou briga de agências...Lembrei de uma campanha que fiz, anos atrás, com o Jô Soares, os dois com um copo de cerveja e ele dizia: “loira gostosa”. E eu: “JÔ!!! E ele; A cerveja, Gabi...”. Cerveja sempre foi associada a mulher gostosa. Por que, de repente, em um país que me parece tem muita coisa devassa, existe uma grita...
Antropólogo Roberto Da Matta: ”Você já respondeu, o país tem uma capacidade de se auto-enganar violenta, é mais um episódio dentro de um oceano de hipocrisia. Absurdo”
(...) Gabriela: “Continuo não entendendo, porque ainda no caso, durante anos aquilo corre como uma unanimidade, e de repente, um dia, saído do nada, faz tuiiim, alguém se irrita e faz um movimento...
Antropólogo: Não, acontece um episódio de repente que coagula alguma coisa, um contraste de valores, alguém reclama da cena da novela e cria um debate...
Este foi um pequeno trecho da entrevista que assisti domingo à noite pelo SBT. E como há pouco havia assistido a um debate e postado aqui um vídeo sobre o controle da imagem da mulher na mídia, fiquei muitíssimo impressionada.
Primeiro, não entendi a que propaganda a apresentadora se referia, pois ela nao explicou, em meio a frases entrecortadas. Mas não faz mal, o cerne da coisa era a suposta “hipocrisia” brasileira em relação ao uso da imagem da mulher gostosa e loura associado à cerveja, que tem sido objeto, sim, de muita briga e discussão de movimentos de cidadania.
Marília Gabriela ficou conhecida por sua apresentação do pioneiro TV Mulher, nos anos 80, na Globo, o primeiro programa a apresentar a mulher de outra forma que não apenas na cozinha e nas artes de coser etc. Tinha a excelente jornalista Rose Nogueira como criadora e responsável.
Estou certa de que, há 30 anos, MG não daria essa opinião no TV Mulher porque havia mais gente nos bastidores que pensava e era séria.
Passadas três décadas, a jornalista tornou-se famosa, virou atriz e cantora e hoje protagoniza programas em três emissoras, uma aberta, uma a cabo e a TV Cultura. Além disso, é uma grande vedete do mercado publicitário.
Como? Uma jornalista colocar à venda seu prestígio anunciando desde o segmento imobiliário (11/04/2008 -A atriz e apresentadora Marília Gabriela é a nova garota-propaganda do segmento imobiliário. Apostando no carisma e na imagem de credibilidade transmitida por ela, a agência Eugenio Marketing Imobiliário desenvolveu a campanha para o lançamento de um empreendimento inédito em São Paulo: o Paulistano - Bairro Privativo, que já começou a ser divulgado na TV em filme estrelado por Gabi)
até o software de gestão empresarial (31/07/2009- a TOTVS lança campanha para consolidação de sua nova marca. Para abrilhantar este lançamento, a empresa escolheu como porta voz da campanha a jornalista e apresentadora Marília Gabriela.) entre inúmeros produtos?
Estes foram alguns que pesquisei na rede, mas o mais recente já havia me chamado bastante a atenção. A publicidade da Margarina Becel Pro Activ (Unilever), que se autoproclama um alimento funcional que baixa os níveis de colesterol devido aos fitoesteróis que contém. Misturando a campanha Ame seu Coração com as maravilhas de tal produto, Gabriela contracena até com seu filho Cristiano.
Anos atrás, editando uma revista de uma entidade de defesa do consumidor, fizemos uma matéria sobre a mesma margarina, cuja publicidade havia juntado um grupo de idosos declarando como seus níveis de colesterol haviam diminuído com a Becel, aliás, produto bem caro. Solicitamos à agencia de publicidade entrevista com aquelas pessoas, perguntando se eram atores ou “pessoas reais”. Jamais conseguimos, alegaram segredo. É para rir? Leio na mesma revista agora que a tal margarina, tão saudável, continha, até recentemente, as condenadas gorduras Trans, mas agora está isenta.
Não está isenta entretanto , e muito menos pela agência reguladora competente, de fazer publicidade desse tipo.
Em tempos de geléia geral, de pretensos formadores de opinião, do jornalismo à antropologia, ainda me assusto com tanto preconceito apresentado como sabedoria. A apresentadora não pode ser qualificada como jornalista, muito menos isenta e competente, se vende sua imagem a qualquer produto, seja duvidoso ou não.
Uma jornalista competente e com tantos anos de carreira não pode dizer que “deu um tuiiimmmm”, e, do nada, alguém começa a reclamar das campanhas de cerveja. Não, MG, não dá um "tuiim "assim de repente, é só estudar a Historia e seus movimentos. Nem vou me estender, a melhor resposta está no vídeo aqui postado e referido acima.
Mas, para arrematar o assunto, o antropólogo afirma, talvez caindo em si um pouco: “ O problema é você ter a liberdade ou não de discutir isso, e a possibilidade chamar pessoas representativas envolvidas ou não que queiram e possam falar”. Seria, aliás, uma ótima pauta para o programa da apresentadora, pois essas discussões somente são vistas, eventualmente, em canais alternativos.
Não vi mais do que esse trecho e desisti. Pesquisando, leio que o antropólogo chamou o presidente Lula de analfabeto, dizendo que ele é “o drama brasileiro em pessoa”, porque representa a culpa... Que os EUA são um país igualitário e outras análises rasteiras. Mas ele não é um PHD que mantém colunas em O Globo e no Estadão, conforme informou? Encontrei aqui
uma boa análise de alguém que também viu o programa e até apreciava, anteriormente, o antropólogo.
E aqui um estudante de Natal (RN) faz uma excelente análise sobre o desaparecimento dos limites entre jornalismo e publicidade: O discurso (in) competente do jornalismo, 13/7/2010, por Fagner Torres de França, que escreve:
"A bonita loira é uma das vedetes do mercado de anúncios. Por quê? Porque as pessoas confiam na sua palavra por intermédio de um pseudo-discurso jornalístico comprometido com a veracidade da informação. Sua imagem funciona da seguinte forma: ao emitir uma mensagem sobre determinado assunto, o público a associa a alguém cuja fala é verdadeira, pois oriunda de um campo onde todos necessariamente falam a verdade, no caso, o jornalismo. Nada mais falso.
Outro dia a vi estrelando uma propaganda de telefonia móvel e serviços de banda larga. Nele, Marília Gabriela falava em um tom professoral, jornalístico, sério. E diz: "Eu sou Marília Gabriela, jornalista." O texto denuncia uma clara interferência de discursos. No caso, fala uma jornalista, mas que há muito tempo abandonou a profissão.
Hoje ela é uma boa atriz. E como boa atriz que é, desempenhou perfeitamente o papel para o qual foi chamada a desempenhar: o de jornalista.
Atualmente, Gabriela é talvez a única jornalista-atriz no Brasil de renome que aceita atuar como jornalista para o explícito ganho econômico dela e das empresas. Por isso é tão
requisitada."
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Será o terma debatido nas faculdades de Comunicação? Talvez em algumas, mas parece que, também na academia, jornalismo e publicidade estão juntos, e às vezes até são um curso único.
Na geléia geral comunicacional, assim como em tantos outros setores, está tudo de pernas para o ar. O que é ético? O que é correto? O que é justo?
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