sexta-feira, julho 23, 2010
Construtora Exto desrespeita lei do silêncio
Mas, como o engenheiro da obra me disse, ele nunca soube de lei que proiba barulho após 7 da manhã. Acho que também desconhecem a lei sobre horário noturno.
E olhem que o lema da tal empresa é "o bem estar em primeiro lugar". Naturalmente, o bem estar de seus donos$$$$.
Rua Cayowaá, em São Paulo: um caminhão cheio de terra faz manobras para descarga num terreno em obras da construtora Exto, após as 23h, incomodando todos os vizinhos
quinta-feira, julho 22, 2010
Pela janela de André Breton
"Cara imaginação, o que mais amo em ti, é que tu não perdoas." Palavras do poeta André Breton, inventor do surrealismo - movimento literário que trouxe o inconsciente, a fantasia e o sonho para o domínio da arte.
Leon Trotski e André Breton, tiveram em 1938, na Cidade do México, um encontro histórico de que resultou, após muitos debates entre eles e outros agentes culturais, este documento, cuja versão final foi elaborada por Breton e Diego Rivera, com a aquiescência de Trotski. Naquele momento nascia a F.I.A.R.I. – Federação Internacional da Arte Revolucionária e Independente – de vida efêmera mas importância histórica crucial.
Em 1938 a Guerra Civil Espanhola entrava no seu segundo ano, antecipando o confronto que se daria na Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945.
Por uma arte revolucionária independente
Alguns dos seus propósitos estabelecidos, infelizmente nunca conquistados até hoje:
_ Uma aliança em prol da civilização, da vida, do ser humano em sua plenitude de manifestações.
_ Nenhuma barreira, nenhum tipo de controle, nenhum limite aos sonhos, à cultura ou à arte, que todos nascem no mesmo lugar.
_ Um libelo pela mais plena e absoluta liberdade de expressão, sem qualquer tipo de amarras.
_ O mais vigoroso repúdio a toda e qualquer forma de autoritarismo ou dirigismo.
_ Os meios materiais devem ser postos sem limite ou controle de qualquer espécie a serviço do ser humano e da arte.
_ A arte jamais deve ser reduzida a serviçal do capital.
_ O capitalismo é liberticida por definição.
_ O socialismo não pode ser autoritário.
_ Se destruir uma obra de arte é considerado por todas as pessoas sensíveis um gesto hediondo, como classificar o gesto de impedi-la de sequer existir?
_ Repúdio à barbárie das guerras e do autoritarismo.
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quarta-feira, julho 21, 2010
Não te amo mais-3
Hieronymus BoschChuva, pássaros, floresta, mar
Enquanto a retroescavadeira da construção do imenso prédio comercial ao lado
Cospe o dia todo lama retirada das profundas do subsolo e joga em caminhões
Interminável faina
Até quando? Ninguém sabe
Ninguém liga
O Hades emerge
A retroescavadeira apita na ré, em suas centenas de movimentos--apito, instrumento de segurança nos veículos automotores de serviço,
na intenção de evitar amassar o desavisado, pedestre ou motorizado ou ciclista que passar.
Das 7 da manhã às 18 horas, diariamente.
Fúrias verticais exterminando as últimas casas do ex-bairro agradável
Vão sfdr.
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Joseph Campbell dizia que a mitologia do nosso tempo está na primeira página dos jornais. Claro.
(http://pt.wiktionary.org/wiki/Hades)
Hades
Uma das mais ancestrais e importantes divindades da mitologia grega, mas não um dos doze olímpicos, que dominava o mundo inferior, soberano do reino dos mortos ou simplesmente o submundo, correspondente ao romano Plutão, o rico, pois era dono das riquezas do subsolo. Filho dos Titãs Cronos e deRéia,os romanos Saturno e Cibele, que detinham o controle do mundo, e portanto, também irmão de Zeus e de Poseidon ou Posídon. Quando o pai foi destronado e vencidos os titãs, os três irmãos partilharam entre si o império do universo. Zeus ficou com o céu, a terra e o domínio e cuidado das deusas irmãs, Poseidon herdou o reino dos mares e ele tornou-se o deus das profundezas, dos subterrâneos e das riquezas. Casou-se com Perséfone ou Cora, a Proserpina no mundo subterrâneo, filha de Zeus com Deméter, após um rapto bem sucedido e reinava, em companhia de sua esposa, sobre as forças infernais.
terça-feira, julho 20, 2010
Las malas compañias
(o video nao conta, a letra es muy buena)
Por Joan Manuel Serrat
Mis amigos son unos atorrantes.Se exhiben sin pudor, beben a morro, se pasan las consignas por el forro y se mofan de cuestiones importantes.
Mis amigos son unos sinvergüenzas que palpan a las damas el trasero,que hacen en los lavabos agujeros y les echan a patadas de las fiestas.
Mis amigos son unos desahogadosque orinan en mitad de la vereda,contestan sin que nadie les pregunte y juegan a los chinos sin monedas.
Mi santa madreme lo decía:"cuídate mucho, Juanito,de las malas compañías".
Por eso es que a mis amigos los mido con vara rasay los tengo muy escogidos, son lo mejor de cada casa.
Mis amigos son unos malhechores,convictos de atrapar sueños al vuelo,que aplauden cuando el sol se trepa al cielo y me abren su corazón como las flores.
Mis amigos son sueños imprevistos que buscan sus piedras filosofales,rondando por sórdidos arrabales donde bajan los dioses sin ser vistos.
Mis amigos son gente cumplidora que acuden cuando saben que yo espero.Si les roza la muerte disimulan.Que pa' ellos la amistad es lo primero.
segunda-feira, julho 19, 2010
Letania da Galicia-Uxío Novoneyra
De Lusofonia Horizontal
Sabemos que ti podes ser outra cousa
Sabemos que o home pode ser outra cousa
A letanía de Galicia (1968)
DE tanto calar xa falo solo
GALICIA digoeu/un di – GALICIA
GALICIA décimos todos – GALICIA
Astr’os que calan din – GALICIA
e saben – sabemos
GALICIA da door chora – á forza
GALICIA da tristura triste – á forza
GALICIA do silencio calada – á forza
GALICIA de fame emigrante – á forza
GALICIA vendada cega – á forza
GALICIA tapeada xorda – á forza
GALICIA atrelada queda – á forza
libre pra servir – libre pra servir
libre pra non ser – libre pra non ser
libra pra morrer – libre pra morrer
libre pra fuxir – libre pra fuxir
GALICIA labrega – GALICIA nosa
GALICIA mariñeira – GALICIA nosa
GALICIA obreira – GALICIA nosa
GALICIA irmandiña – GALICIA viva inda
recóllote da terra – estás mui fonda
recóllote do pueblo – estás nil toda
recóllote da HISTORIA – estás borrosa
recóllote i érgote no verbo enteiro
no verbo verdadeiro que fala o pueblo
recóllote prós novos que vein com forza
prós que inda non marcou a malla d’argolas
prós que saben que ti podes ser outra cousa
prós que saben que o home pode ser outra cousa
sabemos que ti podes ser outra cousa
sabemos que o home pode ser outra cousa
domingo, julho 18, 2010
Não te amo mais -2
Eu sei dos pingos da goteira
Batucando no passado
E sei que as cinzas da fogueira
não recomporão os galhos
Dia sim e dia não
Dói a minha solidão
Eu tô ficando aperreado
São trinta copos de chopp
São trinta homens sentados
Trezentos desejos presos
Trinta mil sonhos frustrados
No bar "Savoy" na Sertã
No "Luna" bar no Leblon
Vejo a tristeza do gado
Há um tempo atrás escrevi aqui Não te amo mais, antideclaração por esta cidade onde minha mãe veio pra que eu nascesse na Maternidade Matarazzo, porque em Poços de Caldas não havia muita condição. E voltamos para Poços, onde passei a infância entre as queridas montanhas das Minas, indo e voltando a São Paulo, porque ora havia emprego aqui, ora lá para meu pai, cantor de linda voz que teve de virar escriturário.
Esta cidade que me fez adolescente e adulta.
Naquela primeira crônica eu voltava ao Brás, de minhas raízes maternas.
“É preciso correr se ainda se quer ver as coisas”, dizia Susan Sontag atrás da linda foto dos povos indígenas do Rio Soltério,em Rondônia, cartão de visita da Imagem Latina do meu amigo Jesus Carlos.Estava na mesa dele, ontem, que linda foto com meia dúzia de representantes indígenas, cada um de uma tribo, belos, com seus instrumentos de trabalho: aqui um abraçando um cãozinho e um pássaro,ali, outro com um pintinho no ombro esquerdo.
Depois fomos andar pela Praça Roosevelt, Rua Martins Fontes, tomamos uma canja no Planeta’s. Na década de 1980 eu morei no prédio em frente ao restaurante, incrivelmente ainda cuidado pelo mesmo zelador português daquela época, e com a mesma cara, eu o vi dia desses, não me lembro de seu nome. Sinto ainda o cheiro do CO2 dos escapamentos dos carros invadindo minhas narinas quando acordava...
A praça de concreto já era horrível, mas ainda nem tanto, havia um supermercado e pessoas passeando sempre. Era, naquela região, o nosso pedaço, de jornalistas que se cruzavam a todo o momento, de dia nas reportagens, à noite nos bares e restaurantes: Planeta’s, Piolim, Gigetto, Mutamba, Redondo, e no cine Bijou , e no Arena, e no Sindicato dos Jornalistas, na Rego Freitas. As redações do Estadão, na Major Quedinho, sucursal de O Globo, na esquina da São Luiz com Consolação, Gazeta Mercantil,, que já dançou, Rádio Eldorado, Istoé, sucursal do Jornal do Brasil, que acaba de extinguir sua edição em papel.
Tinha razão a Sontag, pensadora e fotógrafa, é preciso correr se ainda se quer ver as coisas. Pois vimos os mesmos prédios, muito mudados, cheios de grades, e os teatros da Roosevelt, tristes no domingo de inverno. As padarias/restaurantes ao lado da Delegacia Regional do Trabalho, que servem café de coador bom, diz Jesus, eu não arrisco. Famílias com crianças no Planeta’s, era cedo ainda, flanelinhas pedindo 2 reais, homens solitários. Lembro de Solibar, Alceu Valença, quando chegou ao Rio de Janeiro, vindo da tão cálida Olinda:”No Luna Bar, no Leblon,vejo a tristeza do gado”.
Ai.
Os lumpens pelas ruas, um deles nos cumprimenta sorridente e eu penso que isso nos salva, ainda, como nação e como humanidade.
Não sei se não te amo mais, cidade.
As metrópoles, as metrópoles, mais vasto é nosso coração?
sábado, julho 17, 2010
Joel e Joan
Senhor, livra-me dos implacáveis
Há pessoas que não se envergam, que não se dobram, que não se inclinam.
Não porque tenham um caráter varonil, mas porque são incapazes de qualquer sentimento de empatia, de compreensão, de compaixão ou de bondade.
São incapazes de admitir um erro, mesmo diante das conseqüências desastrosas que seus atos acarretam.
São incapazes de pedir desculpas, mesmo diante da mágoa causada a outrem.
São os tiranos e tiranas da mentira, ainda que a verdade pudesse resultar em bênçãos libetadoras para todos.
Tiranos e tiranas do silêncio, ainda que uma única palavra pudesse desfazer todas as mágoas e restabelecer o entendimento e a paz.
Tiranos e tiranas da inveja que se comprazem em armar ciladas àqueles que tem em abundância, aquilo que julgam lhes faltar.
Tiranos e tiranas da calúnia que com línguas ligeiras e ferinas denigrem num único gesto ou palavra, o santuário de integridade que uma pessoa pode ter levado a vida toda para construir.
Tiranos e tiranas do cinismo e do humor grotesco em deboche crônico reduzindo valores inestimáveis ao nível de sua própria insignificância.
Tiranos e tiranas da ingratidão que devolvem espinhos às mãos que lhes ofertam flores.
Opressores e opressoras hipócritas que confundem suas vítimas com sorrisos amplos e lisonjeiros, enquanto pelas costas estão a tramar toda a sua desdita.
Senhor...livra-me da ação maléfica destes seres empedernidos, mas acima de tudo, de por um momento sequer, a despeito de qualquer circunstância, engrossar a fileira tenebrosa dos implacáveis.
sexta-feira, julho 16, 2010
Rain
Can you hear me that when it rains and shines,
It's just a state of mind,
Can you hear me, can you hear me?
