quarta-feira, junho 02, 2010

Carta de Silvio Tendler ao governo israelense

Achei que já tinha sido bastante postada esta carta na blogosfera, mas como lembra a Tânia, é importante divulgá-la mais e mais.


"Senhores que me envergonham:



Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.

As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.

Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!

Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.
Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção, merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.
A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..

O Sr. Lieberman, que trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.

Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.


Abaixo o fascismo!

Paz Já!


Silvio Tendler
Cineasta

Jornalista tem de ter lado

Robert Fisk, no The Independent (10 de janeiro)

Reprisando, e sempre é bom ler essa voz de jornalista que redime essa nossa categoria, voz que dá esperança, ainda que seja uma das poucas no deserto da mídia mundial


"Terminei a semana num daqueles debates do Serviço Internacional da BBC, com um sujeito do The Jerusalem Post, outro da rede al-Jazeera, um intelectual inglês e um Fisk. Dançamos a valsa de sempre em torno da catástrofe de Gaza. Foi eu dizer que é grotesco comparar os 600 palestinos mortos aos 20 mortos israelenses perto de Gaza em dez anos, e os presentes pró-Israel puseram-se a me linchar por sugerir (o que eu não fiz) que só haviam morrido 20 israelenses em todo o território de Israel em dez anos. Claro que morreram centenas de israelenses fora de Gaza em dez anos – mas no mesmo período morreram milhares de palestinos.

Meu momento preferido aconteceu quando eu disse que jornalistas têm de ter lado, e que o lado dos jornalistas têm de ser o lado dos que mais sofrem. Se me mandassem cobrir o tráfico de escravos no século 18, eu jamais daria destaque, no que escrevesse, à opinião do capitão do navio mercador de escravos. Se me mandassem cobrir a libertação num campo de concentração nazista, eu não entrevistaria o porta-voz da SS. Nesse ponto, um jornalista do Jewish Telegraph em Praga “argumentou” que “o exército israelense não é Hitler”. Claro que não. Eu não disse que é. Aqueles jornalistas, sim, é que temem que seja."

terça-feira, junho 01, 2010

Todo se transforma

Logomarca do Brazil com Z, na Copa


Epa! Brasil com 'Z'?!! Essa logomarca foi feita no exterior! Será lançada em 8 de julho, em plena Copa da África do Sul.
FIFA/CBF, pelo visto, pisaram no tomate ao ignorar os designers locais. Lembram do cartaz feito por Miró na Copa da Espanha? FIFA/CBF não prestigiaram o talento brasileiro por desconhecimento, visto que convocaram 5 artistas do Brasil (entre os quais o curitibano Rogério Dias) para compor o 2010FINEART, uma coleção de arte criada especialmente para exibição na 2010 FIFA WORLD CUP, a qual contará com artistas de outros 31 países.
A sacanagem foi deliberada.
Gol contra da CBF. (Sem falar que, desenhando uma lágrima, resulta um torcedor chorando, com a mão no rosto. Putz!)

segunda-feira, maio 31, 2010

Louise Bourgeois ( 1911-2010)

The Spider, a mundialmente famosa obra do ícone da arte moderna, morta hoje aos 98 anos.

Da série a espécie humana não deu certo

"Todo mundo cale a boca!"

Do Velho Nick




Do Blog do Planalto

Brasil condena ataque israelense a ativistas pró-Gaza e defende convocação do Conselho de Segurança da ONU

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) divulgou nota nesta segunda-feira (31/5) condenando o ataque israelense a um dos barcos da flotilha que levava ajuda humanitária internacional à Gaza, que acabou resultando na morte de mais de uma dezena de pessoas – muitos outros ficaram feridos. Informa ainda que a representante brasileira na ONU foi instruída a apoiar a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para discutir a operação militar israelense. O Brasil, segundo a nota, defende que a ação seja “objeto de investigação independente, que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo”.

O embaixador de Israel no Brasil foi chamado ao Itamaraty para “que seja manifestada a indignação do governo brasileiro com o incidente e a preocupação do País com a situação da cidadã brasileira Iara Lee, que está numa das embarcações da flotilha.

Os trágicos resultados da operação militar israelense denotam, uma vez mais, a necessidade de que seja levantado, imediatamente, o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, com vistas a garantir a liberdade de locomoção de seus habitantes e o livre acesso de alimentos, remédios e bens de consumo àquela região.

As revelações da Folha

Governo espionou críticos mesmo após fim da ditadura
Documentos liberados após 25 anos de sigilo revelam alvos na gestão Sarney
Entre os investigados estão o PT, os sem-terra, sindicatos, grupelhos de esquerda e membros de entidades como OAB


Sobre esta matéria publicada hoje na Folha de S. Paulo, recebi comentário de um amigo:

"Embora seja importante fazer circular a notícia (sobretudo entre os mais jovens), nada há de novo ou surpreendente, é assunto requentado e nada acrecenta do que deveria acrescentar.
Qualquer um que haja pedido seu habeas data e outros documentos desse tipo em Brasília, encontra informações como essas".

Também notei a frase "grupelhos de esquerda", no olho do texto do jornal: exatamente igual à redação usada em relatórios policiais desse tipo.

domingo, maio 30, 2010

Sobre Mephistos

Mephisto, do diretor István Szabó, com Klaus Maria Brandauer (1981).
Na Alemanha de 1930, o ator Hendrik Höfgen importa-se mais com sua ascensão do que com política,e então vende sua alma ao diabo. Começa a interpretar peças de propaganda nazista para o Reich, e logo acaba se transformando no mais popular ator da Alemanha.

Sempre que, no cotidiano, sei de casos de gente que tem preço, eu me lembro de Mephisto. Muitos e cada vez mais, têm preço: preço altissimo, médio, mixuruca. Em $$$ e em poder. Mas a verdade é que todos pagamos o preço: por ter e por não ter preço.

Lembrei desse grande filme mais uma vez a propósito de comentários na blogosfera sobre a atriz Fernanda Torres. 1- fazendo propaganda da "nova" Folha de S. Paulo.
2- escrevendo crônica para o mesmo jornal, dizendo que o político tem o dom de iludir.Uma análise rasteira, bem ao nível da despolitização mediana que nos cerca.
Um amigo, de excelente memória, me lembra que a mãe de Torres, Fernanda Montenegro, foi a responsável por um abaixo-assinado, na época da eleição de Collor, de pretenso desagravo a outra atriz, Marilia Pera, que fora vaiada por petistas em uma passeata. Pera declarara seu apoio a Collor.
E que o pretenso desagravo na verdade encobria um velado apoio àquele senhor , depois defenestrado.
Não está em questão o valor artístico dessas senhoras, mas a ética, tão pisoteada e cada vez mais por tantos setores, nowadays.

A mãe pode ser vista em inúmeras propagandas, desde a indústria de remédios até qualquer coisa. A filha, seguindo o exemplo, faz comercial de banco, que me lembre, e agora estréia a publicidade televisiva da "nova" Folha de S. Paulo. Além de inciar sua colaboração com o mesmo órgão.

A industria de remédios é apontada por aquele norte-americano que criou os Doutores da Alegria, como a praga mais devastadora de todas as indústrias (temo que ele tenha se esquecido da indústria de armamentos). Os bancos, todos sabemos, são os campeões de reclamação de qualquer Procon do país.E têm os lucros mais exorbitantes de todo o mundo, os brasileiros. E estão na Justiça há anos com o argumento que não vendem produtos e portanto, não podem ser enquadrados nas leis de defesa do consumidor...

Lembrei-me também de Paulo Autran, que não fazia publicidade alguma, e disse que colocava o preço altíssimo, para desistirem logo.

O que significa um ator conhecido ceder sua imagem para vender produtos do mercado?
Sobrevivência? Não, esse é o problema da maiorias dos atores e artistas em geral deste país, não de quem tem emprego fixo e bem remunerado na TV Globo.

Não me lembro de ter visto Glauber Rocha jamais fazendo anúncios, ou Plínio Marcos, ou Ester Goes, Renato Borghi, Gianfrancesco Guarnieri, Zé Celso Martinez Correia, Chico Buarque, Elis Regina. Alguns que me ocorrem.

Esses dias, li uma carta que Leo Lama, um dos filhos, escreveu na época da morte de Plinio Marcos. Um trecho:
Mas A novela era na Tupi. A Tupi faliu. Meu pai foi fazer novela na Rede Globo: "Bandeira 2". Mas a Globo é no Rio, o Rio tem praia, ele cabulava as gravações e ia pra praia: "Novela é chato pra caralho, porra! O direito da gente coçar o saco é sagrado.", ele dizia. Ele ia pra praia e lá ficava indignado porque naquela época a Globo não punha negros nas novelas e quando punha era nos papéis de escravo ou mordomo. Meu pai escreveu no jornal "A Última Hora" do Samuel Wainer, onde ele trabalhava, que a Globo botou a Sônia Braga dois meses tomando sol pra ficar escura, em vez de chamar uma mulata pra fazer "Gabriela". A Globo não gostou. Os "poderosos" da Rede Globo não gostaram. Fizeram ameaças, juraram de morte. Em fim, a Globo não dava mais. Quando ele tava por lá, ele bem que quis escrever novela. Afinal, eu queria dinheiro pra comprar tênis, disco, guitarra. Mas novela de puta, cafetão e cigano sem dente? Não, novela de puta, cafetão e cigano sem dente não dá. Se fosse cigano com dente, musculoso e mau ator, aí dava. Agora, cigano sem dente, pobre e fudido, não dá. Então não dá. "Na televisão brasileira, artista estrangeiro morto trabalha mais do que artista brasileiro vivo."

Vivemos em um tempo em que só podemos sentir saudades desses grandes e íntegros de se foram. E não só atores, gente de todo canto. Não se faz mais.
Porque hoje, afinal, precisam sobreviver né? Precisam ganhar $$$ para fazer suas peças idiotas, precisam trabalhar na Globo para que o público que pode pagar os altos preços das entradas vá aplaudi-los pessoalmente.

Não sei até quando tentarão enganar a todos o tempo todo. Enganam apenas os que querem ser enganados.
Não montariam Mephisto. Muito menos Pequenos Assassinatos, grande texto do cartunista Jules Feiffer, outro que me ocorre.

Mephisto

sábado, maio 29, 2010

Lá como cá: o desmentido do Chico




"O cantor brasileiro Chico Buarque quis conhecer o primeiro-ministro português José Sócrates, tendo recorrido ao próprio presidente brasileiro, Lula da Silva, para arranjar um encontro entre os dois, segundo fonte do gabinete de Sócrates". Esta foi a notícia publicada em Portugal.

Mas o colega da Outra Margem, que sigo sempre, deu a verdadeira versão


Purquá Mecê



pour quoi monsieur vous mangé les oiseaux?
mangé voulá voler
mangez aussi les petites oiseaux
tu mange tu voler
aujourd'hui j'ai mangé trois tucanos

pour quoi, monsieur, pourquoi?
mangé les tucanos?
le fleur, les animaux
travaux de nos bon dieu!


purquá mecê foi comê o passarinho?
eu quis voá, já voei, agora vô
coma também um pequeno passarinho
come que vai voá
só hoje cedo eu já comi uns três tucano

purquá, mecê, purquá?
comê o tucano?
a flor, o animá
trabalhos do senhor!