quinta-feira, maio 27, 2010

Mercearia Paraopeba, Itabirito (MG),Brasil

Que saudade, que saudade, que saudade das Minas Gerais. Ainda existem mercearias lá. E que vendem sementes de jatobá, diz o moço, muita gente não sabe o que é.Eu sei, desde criança, e tenho uma aqui na minha mesa. Semente enormee. Era bom comer o pozinho que tem dentro.

E lá ainda existe gente assim, com esse doce sotaque.

Plínio Marcos

"A poesia, a magia, a arte, as grandes sabedorias não podem habitar corações medrosos."

Galerinha à direita

“Pior que esse programa , só a TV do Lula”...

“ Lula anunciou a TV Brasil internacional, que vai passar em vários países da...África” (cara de nojo)

Estes são alguns dos comentários do Furo MTV, um programa que se diz humorístico, da emissora de mesmo nome, do Grupo Abril. Trata-se de um “jornalístico”, de meia hora, apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro, tipo assim um "humor ácido e nonsense”, seguindo a linha de "fake news shows" como o Saturday Night Live. Claro, porque tem de copiar sempre da matriz.
Dani Calabresa é uma moça de sotaque paulista e Bento Ribeiro, de sotaque carioca, é português, criado na Bahia, na Alemanha e no Rio, e filho do escritor João Ubaldo Ribeiro ( que aliás escreve no Estadão crônicas políticas do mesmo teor do programa do Bento).
Que grande interesse o público da MTV teria por política partidária, e de de tal forma manipulada? As notícias políticas são sempre sobre o presidente, “que tem quatro dedos”, e toda aquela falação preconceituosa que aparece copiada, com linguagem muderninha, da revista do mesmo grupo, a veja.
Falar palavrão, coçar o saco, fazer brincadeiras abobalhadas explícitas não faz um programa “humorístico” muderninho. Quando falta inteligência, e quando se tem uma pauta manipulatória a cumprir diariamente, o resultado só pode ser essa bobagem idiota, esse humor mal intencionado, que contribui para ampliar a vala comum dos programas humorísticos da tevê brasileira.

Esse aqui cobre a filmagem de "Lula, o filho do Brasil". Prestem atenção nas perguntinhas do jovem "repórter".

quarta-feira, maio 26, 2010

segunda-feira, maio 24, 2010

Tinhorão na estante


A biografia do Tinhorão é principalmente sobre o jornalista das décadas de 1950 e 1960 , época áurea e de grandes reformas na imprensa. A coleção chama-se Imprensa em Pauta, e Tinhorão fazia crítica de música popular. Ficou conhecidissimo e criou grandes polêmicas, até hoje no imaginário das pessoas.
Mas desde 1980 é essencialmente um historiador da cultura urbana.
Passei no fim de semana n a livraria Cultura do Shopping Bourbon, com um amigo que procurava o livro. Achamos na estante de Música.

Claro que tem relação, mas trata-se na verdade de um livro sobre jornalismo.
Ainda bem que não puseram na estante de Botânica, na seção Pragas.
O livro pode ser comprado via internet, na Cultura e Saraiva, e está nas livrarias Cultura, da Vila, (SP) da Travessa e Folha Seca, no Rio.

domingo, maio 23, 2010

Uma reflexão sobre a beleza eterna, interrompida pela visão do efêmero




A harmonia que, para os clássicos, exprimia a relação

das partes com o todo, atravessou os milênios sem alterar

o equilíbrio do homem no centro da sua esfera.Esse

homem, com a sua representação simétrica,define-se

a partir de um universo que tem limite

na compreensão divina da matéria

e do espírito.E poderia continuar assim, se

não ouvisse um copo a partir-se no fundo

da casa – alguém que se distraiu, e que rompeu,

de súbito, o meu raciocínio. Ao mesmo tempo,

porém, descobri que nada do que eu pensava

era original; e só ao apanhar do chão os vidros

partidos, um brilho breve no seu contacto com

a luz me fez pensar que, afinal, a harmonia

também nasce da destruição, e o centro da esfera

desloca-se para o fragmento que seguro com

os dedos, antes de o deitar para o lixo.


Nuno Júdice, poeta português contemporâneo
enviado por Leonel

sábado, maio 22, 2010

Esquadros


Eu ando pelo mundo prestando atenção a cores que eu nao sei o nome
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores




sexta-feira, maio 21, 2010

Pergunta feliz



A pergunta do repórter da TV Brasil, se o candidato pretende acabar com o Bolsa Família ou dar novo formato a ele é legítima. Não precisa citar fonte alguma. O povo quer saber. O candidato do partido que sempre atacou o Bolsa Familia tem o dever de responder.Quem está na chuva é para se queimar, diria Vicente Matheus.
Repórteres estão desacostumados, a maioria dos políticos estão desacostumados com jornalismo como deveria ser.
Leio que, segundo a Folha, Teresa Cruvinel, presidente da Empresa Brasileira de Comunicação, telefonou para a assessoria do candidato José Serra e pediu desculpas pelo repórter.Se a informação da Folha for confiável,diz que Cruvinel se comprometeu a produzir rapidamente um Manual de Redação.
Não estou entendendo. Pedir desculpas por se tentar produzir jornalismo de interesse público numa empresa pública?

quinta-feira, maio 20, 2010

Lady



Blue gardênia
Onde os diamantes nos teus olhos?
O homem que te amaria?
Summertime?
A voz de lâmina e ouro
Blue gardênia blues

Cabarés, fumaças nos olhos
Outros sons
Em alguma nova primavera
Você tentará o amor outra vez
Os diamantes voltarão a brilhar
O homem que você ama te amará
E dirá que you’re his only one
(Noites estelares
Doces rapsódias
Abat -jour lilás)


Blue gardenia:


Flor da noite
Dama só
Olho caído
no bar.

quarta-feira, maio 19, 2010

Intelectuais e intelectuais

Alguém na blogosfera lançou um repto : que nenhum acadêmico brasileiro, de nenhuma área, dê entrevista para a Veja, ou colabore com a revista enquanto não houver um pedido de desculpas a Eduardo Viveiros de Castro, o antropólogo citado na matéria "A farra da antropologia oportunista", reproduzindo pretensas afirmações suas sem entrevistá-lo.
(De minha parte, entendo que intelectuais de respeito não deveriam dar entrevistas ou colaborar com tal publicação de qualquer forma, e não apenas em virtude desse caso absurdo).
Lembrei imediatamente de outro episódio envolvendo intelectuais: a lista de professores improdutivos, documento vazado da reitoria da USP, publicado pela Folha de S. Paulo. Dizia:

"A Universidade de São Paulo começa a fazer o levantamento de sua produção docente. Nos anos de 85e 86, um quarto de seus professores não produziu. Este é o resultado do levantamento preliminar feito pela reitoria. Ele contém incorreções, mas sua publicação é a possibilidade deiniciar o debate sobre a avaliação dos docentes nas universidades.

Os dados foram obtidos através de questionários enviados aos docentes pela reitoria. Eles deveriam informar sobre todos os trabalhos publicados nos anos de 85 e 86."

(Iniciava-se, então, o processo vigente mais do que nunca hoje em nossas universidades, em que "produtividade" se mede pela quantidade em quilos de artigos publicados, não pela sua qualidade, muito menos pela atuação do professor em sala de aula).
Criou-se imensa polêmica da comunidade uspiana contra a Folha e contra o então reitor José Goldemberg, que depois foi secretário e ministro de Collor.
O Jornal da USP, do qual eu era editora, tentava garantir a palavra e o mesmo espaço a todos os segmentos envolvidos.
Entretanto o reitor, mentalidade autocrática e imperial, considerando-se dono da Universidade-- porque todos os brasileiros conhecemos a eterna confusão entre o público e o privado --, mandou recolher a edição do jornal em que os professores falavam, pois queria ele mesmo ter mais e mais espaço do que todos.Censura em plena Universidade.

A editora pediu demissão e a própria Folha cobriu o episódio. O representante do reitor argumentou que o jornal não havia sido apreendido, mas simplesmente retido para inclusão de um encarte, desculpa absolutamente esfarrapada pois qualquer encarte teria de ser do conhecimento da editora.

Resumo da ópera: os intelectuais uspianos, revoltadissimos, prometiam não mais colaborar com a FSP. Promessa que não durou mais de uma ou duas semanas: voltaram todos.

Por isso, e sem colocar todos no mesmo saco, é fácil entender as razões pelas quais um repto desses não teria qualquer eco na academia. Mesmo porque, quem vive sem mídia, não é mesmo?
Tudo o que digo aqui tem provas, guardadas nos baús , de tão guardadas são difíceis de achar no momento, e só me socorro da memória. Não é mesmo mais uma historinha exemplar?