quarta-feira, março 24, 2010

Beatles Forever




Uma bendita overdose de Beatles no últimos tempos. Escrevi uma matéria sobre os 40 anos do último disco dos Fab Four,Let it Be, em 8 de maio de 1970, quando o sonho acabou.E começa assim:
“I’m Ringo, and I play drums;I’m Paul, and I play bass; I’m George, and I play guitar;I’m John, and I too play guitar. And sometimes I play the fool”.
Sai na sexta-feira, no caderno Eu &, do Valor Econômico, atenção beatlemaníacos.

Ganhei do Bebeto ( na foto) , apaixonado beatlemaníaco, um CD com raridades,como esta acima, eles falando nos ensaios, nos estúdios.Errando, corrigindo, rindo. Dezenas de grandes canções, e blues, e sempre rocks. Não consigo parar de ouvir.
"Trilha sonora de uma geração", disse uma entrevistada.
E me comovi escrevendo,eu também uma fã: eles foram,e são, e serão trilha sonora da minha vida.
Isso nem é trabalho, eu pagaria para fazer uma matéria dessas, que me levou a pessoas apaixonadas, suas recordações de adolescência, suas sweet memories.

Here comes the sun, eles anunciaram um dia.There will be no sorrow, let it be.
Let it Be...











When i find myself in times of trouble
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness
She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be.
Let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.
And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is still a chance that they will see,
there will be an answer. let it be.

Let it be, let it be, .....

And when the night is cloudy,
There is still a light that shines on me,
Shine on until tomorrow, let it be.
I wake up to the sound of music
Mother Mary comes to me
There will be no sorrow, let it be.

segunda-feira, março 22, 2010

Mulheres são maioria nas redações?

Mas que pergunta, dirão os e as jornalistas. Claro que as mulheres , se não são maioria, estão nos 50%. E é verdade. Desde que a primeira geração começou a sair em grande número das faculdades de jornalismo, na década de 1970, as jornalistas abriram caminho enfrentando muita pedreira para provar que eram tão profissionais quanto os jornalistas, e chegavam para ficar.
Eu fui uma delas, e aprendi muito na reportagem policial, com 19 anos, ainda porta de entrada para a profissão, naqueles tempos em que as grandes mudanças ainda estavam por acontecer. Não foi fácil. Um dia conto. Mas foi divertido muitas vezes, e serviu de aprendizado para a vida toda, pessoal e profissional.
Garota saia da faculdade, que cursava pela manhã, e ia direto para a redação, com o blusão da universidade. Os jornalistas mais antigos não gostavam nada da invasão. Muitos tinham preconceito contra a universidade, e deveriam ter suas razões.
Longa história essa. Para rir e para chorar.

Mas eis que hoje dei uma entrevista para estudantes de jornalismo da PUC: duas meninas do primeiro ano e o rapaz do terceiro ano, Gustavo, que cito aí mais pra baixo, no Quem deve mudar todas as coisas? Elas disseram que, na classe, as meninas são maioria.
Estávamos falando sobre a reforma gráfica do Estadão, e elas trouxeram o caderno que explica essas mudanças. Mas, questinou uma delas, como as mulheres são maioria nas redações, se aqui nessas fotos , são quase todos homens?

Ela se referia às indicações de colunistas. Fui contar, e são 91, dos quais nove mulheres.Ou seja, 10%. Os homens todos, na grande maioria em Economia e Política, as mulheres:Caderno Dois; C2+Música;TV; outra do Caderno 2: e mais uma; e mais outra; mais uma de TV, e mais Caderno 2, e finalmente Suely Caldas, velha jornalista carioca, em Economia e Negócios.
Acho que esqueceram uma de Política, mas não sei se ainda está lá.(Entretanto, não honra a categoria).

As meninas, todas na área de cultura e divertimento, com uma exceção, e mais esta de Política, que não está nas fotos.Significa que, se as mulheres são a metade das redações de jornais, não as deixam chegar nem perto quando se trata de opinar sobre "assunto sério": Política e Economia.

Que reforma é esta do Estadão, em pleno século 21? Só na aparência não vale.


Lembrei da minha amiga Christina Rodrigues, atriz e dubladora, que me disse outro dia algo que jamais imaginei: "Preste atenção nos filmes todos e conte se não há mais personagens homens que mulheres. O mercado de trabalho das atrizes e dubladoras também está prejudicado".
Que tal, meninas e meninos?

Música da ilha, e daqui




Rubén González, do Buena Vista Social Clube, toca Siboney. Esta composição de vídeo e letra é de Simone del Rio.


Este amor, de Caetano Veloso , que compôs para a ex-mulher, Dedé.

Se alguém pudesse ser um siboney
Boiando à flor do sol
Se alguém, seu arquipélago, seu rei
Seu golfo e seu farol
Captasse a cor das cores da razão do sal da vida
Talvez chegasse a ler o que este amor tem como lei
Se alguém, judeu, iorubá, nissei, bundo,
Rei na diáspora
Abrisse as suas asas sobre o mundo
Sem ter nem precisar
E o mundo abrisse já, por sua vez,
Asas e pétalas
Não é bem, talvez, em flor
Que se desvela o que este amor
(Tua boca brilhando, boca de mulher,
Nem mel, nem mentira,
O que ela me fez sofrer, o que ela me deu de prazer,
O que de mim ninguém tira
Carne da palavra, carne do silêncio,
Minha paz e minha ira
Boca, tua boca, boca, tua boca, cala minha boca)
Se alguém, cantasse mais do que ninguém
Do que o silêncio e o grito
Mais íntimo e remoto, perto além
Mais feio e mais bonito
Se alguém pudesse erguer o seu Gilgal em Bethania...
Que anjo exterminador tem como guia o deste amor?
Se alguém, nalgum bolero, nalgum som
Perdesse a máscara
E achasse verdadeiro e muito bom
O que não passará
Dindinha lua brilharia mais no céu da ilha
E a luz da maravilha
E a luz do amor
Sobre este amor

Segredos do mar

Cantora e compositora, Flavia Wenceslau. Pintor, Pablo Amaringo.

sábado, março 20, 2010

Programa Antitabagismo do HU-USP faz política partidária(Atualizado)

He wants you- onde quer que você esteja!

Então resolvi. Há anos paro de fumar e volto, e queria parar de vez. Me recomendaram o Programa Antitabagismo do Hospital Universitário da USP, já que pertenço àquela comunidade. Me inscrevi e estava lá com a maior boa vontade, na primeira palestra, segunda-feira, dia 15, pouco depois das 8 da manhã.
Cheguei um pouco atrasada, tentanto encontrar vaga para estacionar- aliás, na semana anterior, quando fui me inscrever, roubaram o rádio do meu carro nos arredores do HU. Talvez já fosse um sinal...

Bom, o médico já estava exibindo na tela os horrores do fumo, e eu, preocupada com meus horários, perguntei à psicóloga ao lado quanto tempo durava a palestra. O médico viu e comentou: "Já tem gente aqui querendo saber quando acaba para fumar!"
"Não, meu senhor, minha preocupação é com o trabalho", respondi.
Pensei: vou descartar os horrores do fumo, que já conheço todos, tantas matérias escrevi sobre o tema, descartar a grosseria do palestrante metido a engraçado e aproveitar o atendimento médico e psicológico gratuitos. Na platéia, em sua maioria, humildes funcionários da USP.

Lá pelo meio o médico citou meu amigo Paulo Cesar Bontempi, que trabalha na secretaria da ECAUSP, e parou de fumar no programa, há cinco meses. Eu comentei: "É verdade, no entanto Paulinho me disse que está revoltado, e se sente muito mal, pior do que quando fumava, e só entrou no programa por causa da proibição do governador de se fumar em qualquer recinto fechado deste Estado".
O médico fez que não ouviu.

Prosseguiu com suas imagens tenebrosas até chegar na do governador Serra, nosso Guru Mental, Espiritual e Corporal- como afirma o hilário professor Hariovaldo de Almeida Prado-todo bonitinho, em sua heróica luta contra o fumo. E afirmou:

"Sou apolítico, não sou a favor de Serra nem contra Lula".

Para exibir, em seguida, a imagem de Lula fumando. Tirada quando uma repórter o flagrou , tempos atrás, fumando no gabinete e ele respondeu algo como "eu posso fumar na minha sala".

Completou o médico: "Mas o Lula teve de parar de fumar recentemente porque ficou com pressão alta. E além disso, ele bebe...."

Soube depois que o médico "apolítico "chama-se João Paulo Becker Lotufo, é pediatra, superintendende do Hospital Universitário (HU) da USP, responsável pelo Projeto Antitabagismo do mesmo Hospital. (Retificando: o médico NÃO é superintendente do HU).

Declaro aqui que o dr. Lotufo utiliza indevidamente um Programa de um hospital público para fazer política partidária, certamente a mando de seu Guia e Guru não fumante. E que está, sim, do lado dele, e portanto, não é apolítico.

Que as pessoas que vão lá estão interessadas em parar de fumar, estão necessitadas de ajuda, e não devem ser objeto de política partidária. Não estão interessadas se o político X não fuma ou se o presidente fuma.

Declaro, também, que o dr. Lotufo é responsável por eu ter desistido do seu Programa, psicologicamente afetada.Que é mal intencionado e tenta usar os pacientes para fins político-partidários. Só isso já seria um bom caso de (falta de) ética a ser estudado pelo Conselho Regional de Medicina.

E que recorrerei ao meu médico particular para parar de fumar.Ele não me falará de política partidária, não tentará fazer minha cabeça, mas cumprirá sua missão simplesmente médica.

Que, aliás, é o que deveria fazer o dr. Lotufo, cujo salário é pago por nós, o povo do Estado de São Paulo.

Médico do HU responde
Cara blogueira (não encontrei seu nome no blog),Encontrei este seu comentário pois sou funcionário do HU e programo o Google para encontrar as notícias do HU.Preciso fazer um pequeno reparo:O Dr João Paulo Becker Lotufo, responsável pelo Programa Antitabágico do HU, é um excelente médico pediatra da instituição que, com seu programa, já deve ter aumentado a sobrevida e a qualidade de vida de um número de pessoas muito mais significativo do que a maioria dos médicos, cujo enfoque é somente tratar das complicações do fumo.O superintendente do HU se chama Paulo Andrade Lotufo, que é clínico e também é titular de Epidemiologia da Faculdade de Medicina da USP. Em sua área, ele conta as vidas dizimadas pelo cigarro e dá subsídios para que o Dr João Paulo continue sua luta.Apesar do nome parecido, não são parentes - talvez longinguos, mas não se conheciam antes de se cruzar no meio médico.Sou Carlos Marcello,médico clínico do HU, ex-fumante de quase 2 maços por dia - parei há 26 anos. Já assisti à palestra do Dr João Paulo e a considero excelente. Palestra motivacional deve servir para sensibilizar o maior número de pessoas possível e não a pessoas individualmente.Da mesma forma como você se equivocou ao confundir o pediatra com o superintendente, creio que você se equivocou com suas conclusões sobre o excelente trabalho do Dr João Paulo que é pessoa séria e extremamente bem intencionada. Não merecia o seu comentário.Atenciosamente
Carlos Marcello

Prezado Carlos Marcello

Meu nome, como você pode ver em Perfil, acima à direita, é Elizabeth, e se clicar no livro “Que falta ele faz!” verá que me chamo Elizabeth Lorenzotti e sou jornalista.
Obrigada pela informação: então o dr. João Paulo Becker Lotufo não é superintendente do HU.Retifico.
Mas absolutamente não retiro o que disse. O sr. disse que o dr. não merece meu comentário.Quem não merece o aporte político-partidário do Programa somos nós, as pessoas desavisadas, que chegam a uma instituição pública em busca de ajuda, e são envolvidas em informações que absolutamente não nos dizem respeito.
Folgo em saber que o senhor, médico e funcionário do HU, parou de fumar há 26 anos.Que sorte! Também é uma agradável surpresa saber que existe um funcionário público zeloso assim, (“ sou funcionário do HU e programo o Google para encontrar as notícias do HU”), que em plena manhã de domingo está trabalhando.

Mas não tente me desqualificar, dizendo que assim como me equivoquei com a função do Lotufo, tambem me equivoquei com o restante. Distorcer não é bonito.

Saudações


Resposta de Paulo Cesar Bontempi

Como o tal funcionário citado na palestra e na matéria (Paulo Cesar) devo concordar integralmente com Elizabeth Lorenzotti, jornalista séria e competente que conheço de longa data. Corrigindo a informação do "superintendente", pois fui eu que lhe passei essa informação equivocadamente. Esse programa realmente esbarra na propaganda e panfletagem partidária. Não parei de fumar por causa desse programa, porque acho a sistemática completamente equivocada, além de tudo o que já foi dito. De motivacional não tem nada. A preocupação dos profissionais não é com os fumantes, e sim com os não-fumantes, e aí mais uma vez o partidarismo e moralismo camuflados se apresentam. Só parei de fumar por causa dessa lei ridícula, desse candidato a presidente ridículo e do terrorismo ridículo a que nós fumantes vivemos expostos. Cansei disso, parei de fumar pelo mesmo motivo que me motivou a começar a fumar (PORQUE EU QUIS - por prazer, e nessas condiçoes não fumar em São Paulo virou "prazer"). Quando as pessoas voltarem a ter liberdade neste estado, volto a fazer o que sempre quis e o que sempre tive vontade de fazer e nunca me fez mal. Porque, agora sim, eu me sinto pessimamente mal e não acho que a minha vida ou minha saúde melhoraram por causa do não fumar. E agora que preciso, ninguém me oferece ajuda ou pergunta como estou, se estou precisando de algo ou sequer se estou bem. O que importa é que apenas sou mais um número positivo nas estatísticas dos médicos e psicólogos do programa. Para eles eu sou apenas um doente, bandido, criminoso, quiçá um traficante de drogas e assassino do pulmão alheio - que se "regenerou" ou se "converteu".
Mas porque os governos e programas anti-tabagistas nada fazem contra os verdadeiros traficantes (fabricantes e comercializadores) e contra os criminosos que se utilizam do dinheiro desse tráfico (o próprio governo e, dentro dele, o Sr. Serra, que jamais terá meu voto para nada!). E vivas à democracia!
Antes que me esqueça, tenho que reconhecer e tecer meus agradecimentos à enfermeira Lazinha, do Programa, a única pessoa que me tratou como cidadão (e não como doente ou criminoso) e realmente tentou me ajudar no que lhe era possível. A ela, e somente a ela, meus agradecimentos. E à Elizabeth peço minhas sinceras desculpas por tê-la colocado nessa fria. Achei que pudesse ajudá-la mais do que ajudou a mim!
---------

Dá-lhe cidadão Paulinho.Não me colocou em fria alguma, apenas me deu a oportunidade de denunciar mais esse aproveitamento do espaço público para fins políticos oportunistas. Estou com você, abração.

sexta-feira, março 19, 2010

Monty Pyton-Futebol dos Filósofos

"Onde estávamos nós quando fomos brutalmente interrompidos?"

Eu vou nesse Sarau de "poesia, música, e alguma anarquia" hoje no Bixiga. Segue o convite:

EMBRIAGAI-VOS !

"É necessário estar sempre bêbados...Para não sentir o fardo horrível do tempo, que abate e faz pender a terra, é preciso que nos embriaguemos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achar melhor. Contanto que nos embriaguemos".
Tudo se resume a isso, eis o único problema...

Baudelaire
*****
o INSTITUTO CULTURAL LATINOAMERICANO
(ou VIANINHA'S BAR)
convida a todos para a reunião (sarau, tertúlia ou sei lá...)

Poesia, música e alguma anarquia

"ONDE ESTÁVAMOS NÓS,
QUANDO FOMOS BRUTALMENTE INTERROMPIDOS?”

...é o início das reuniões, que desejamos periódicas, mensais, onde possamos expressar, através de palavras, sons e gestos, o que houver de mais humano em nós.

******

Nós não vamos pagar nada...
Venha arranhar o vento, traga seu poema ou sua lira para os nossos ouvidos atentos. É grátis.
- Bebida e petiscos a preço justo.

SERVIÇO
Quando: sexta-feira (19/mar) - A partir das 20h
Onde: Rua Abolição,244 - BELA VISTA - fone 31o474o1
referências:
início das ruas Sto. Antonio e São Domingos

quinta-feira, março 18, 2010

Quem pode mudar todas as coisas?

Contrastes, foto de Gustavo Ceratti, aluno da PUC.

Paraisópolis, zona sul de São Paulo, a segunda maior favela da cidade com cerca de 80 mil habitantes, ocupando área de aproximadamente 10 km².

Estive hoje na PUC dando uma palestra na disciplina Jornalismo e Literatura, para alunos de graduação do terceiro ano, da turma do meu amigo e companheiro de sofrimento na redação da Folha, século passado, Wladyr Nader, jornalista e escritor, criador da já histórica revista Escrita. Falei para eles sobre o Suplemento Literário do Estadão, meu livro e minha dissertação de mestrado, contando a história do paradigmático caderno cultural criado em 1956 por Antonio Candido.
Falei sobre o jornalismo atual e sua falta de rumos, o que acontece também, claro, com seus suplementos culturais. Levei o novo caderno, o Sabático, lançado no último sábado pelo Estadão em substituição ao Cultura, sucessor do SL. Ninguém conhecia, eles lêem a Folha.
As maiores diferenças nesse projeto estão na parte gráfica. Embora a parte cultural do Estadão seja bem melhor que a da Folha, na minha opinião, não vi nada de novo no Sabático nesse aspecto. Tem uma boa entrevista com Umberto Eco, sobre o fim do livro ou não. Trará sempre a reprodução de um artigo do velho Suplemento Literário, a melhor parte esta.
Mas os ícones, que têm maior presença no Sabático - embora espalhados pelo jornal todo- como este
}
chave de equação algébrica, que me lembre, não têm explicação e sempre estão colocados como chave de fechar. Não abrem. Projeto de artistas gráficos de um escritório de Barcelona, terra das artes.
Tide Hellmeister, grande artista gráfico e plástico, grande elaborador de belos projetos gráficos de tantos jornais e revistas, deve estar rindo lá do Além, mais uma vez.Quantos artistas talentosos e criativos temos aqui -o maior deles era o Tide, qualidade reconhecida por seus pares-e sempre teimam em contratar os de fora.

Já sobre a Folha, que também fez sua reforma gráfica, nao posso comentar, pois ainda não li.Aliás, não leio a Folha, só na diagonal online.

Entretanto, sabemos, ao longo dos anos, que essas reformas são paliativas, não é possível encontrar uma forma ideal sem conteúdo ideal, indossoluvelmente ligados. E conteúdo bom não é mais o informativo- está na internet a notícia do dia, está no rádio e na TV, está nos celulares-
mas o analítico e reflexivo. E sem manipulações, respeitando o leitor.

O Estadão ainda continua mais confiável em se tratanto de apuração de notícias- tanto que uma hora depois que a Folha online noticiou erradamente a trágica morte de seu próprio funcionário, o Glauco , por assalto, o concorrente on line desvendou a verdade.

"Saiam de trás de seus notebooks", disse Gay Talese entrevistado no Brasil ano passado, aos jornalistas.

Foi o que repeti aos alunos da PUC, e também disse que só nós podemos mudar as coisas. Nada é imutável, e só a ação do homem pode transformar.

Sempre que falo isso, vários olhos me interrogam, surpresos. Quando cheguei, recebi este email de um dos alunos, de cerca de 20 anos:

"Elizabeth, meu nome é Gustavo Antonio Ceratti Silva, falei com você hoje ao final da aula do professor Wladyr, na PUC. Como disse, sou repórter e editor de fotografia do jornal ContraPonto, o jornal laboratorial do curso de jornalismo da universidade. Estou com uma pauta a respeito da recente reformulação gráfica do Estadão e do anunciamento, também recente, do novo projeto gráfico da Folha. O meu interesse é o de abordar criticamente o que leva os jornais a se importarem tanto com a sua diagramação, bem como as conseqüências das mudanças acarretadas por esse fenômeno, o que o justifica, se é que se justifica, entre outras questões.
A linha editorial do jornal é a de criticar a imprensa, ou melhor, a midia em si, positiva, ou negativamente. Seria muito interessante contar com o seu depoimento para enriquecer a matéria.
Mudando de assunto, foi um prazer conhecer você hoje na aula do professor Wladyr. É sempre bom entrar em contato com pessoas que revivem os nossos sonhos, os quais muitas vezes acabam por se diluírem na rotina — como é o meu caso —, mas confesso que acredito e vislumbro um jornalismo como você descreveu hoje, mesmo sendo difícil persistir nesse sonho que me levou a cursar essa faculdade. Infelizmente parece não existir espaço para uma produção jornalística de qualidade, mesmo assim as possibilidades encantam. Obrigado por reacender essa chama em mim, pelo menos por hoje, e que continue assim".



quarta-feira, março 17, 2010

Rojas


Os pés dançam em sapatilhas
Tesão vermelho no prosaico dia-a-dia
para pisar seja qual chão, barro, asfalto
Cinderela a usar seu par de maravilhas
--
Existe encanto, e como não seria?


terça-feira, março 16, 2010

Boas notícias

“Fui com meus educandos de Paraisópolis na exposição do Tide na Caixa Cultural, no dia que a Marlui Miranda se apresentou lá. E daí vi seus textos, a exposição é linda, muito boa. Eles gostaram mais do que a do Borges, que remete à cultura e à origem deles né! Apesar que hoje em dia a cultura deles foi tão abafada, sufocada, que praticamente inexiste. De qualquer forma, achei bem bacana que eles gostaram e daí lembrei dos velhos tempos da redação, das nossas conversas”, me escreve Carla Prates, que há anos se divide entre o jornalismo e a educação dos meninos da favela. Fiquei muito feliz por eles terem gostado da lúdica expo do Tide, criançada adora mesmo.

E aproveito para reproduzir texto da Carla, A Ditadura do Medo, no seu blog Catarse

Desde o início do ano, a imprensa investe no que eu chamaria de A Ditadura do Medo. Não que o sensacionalismo não fosse seu principal recurso de audiência há tempos, mas agora a coisa se intensifica e as tragédias naturais são o alvo-mor. Nada melhor do que investir nas catástrofes, que tanto amedrontam e assolam a humanidade desde os primórdios, para estabelecer uma cultura do medo. Se temos medo nos tornamos passivos e nos protegemos, é uma sensação que provoca defesa e não ataque. E será que não é isso que se quer? Instituir a passividade? Educandos me disseram que seus pais, influenciados pelas más notícias da TV, já a apontam como um dos motivos de não deixar os filhos sairem de casa. A violência e agora as catástrofes, como deixar os filhos sairem de casa em um mundo como este? E isso é tão irracional que, mesmo diante de especialistas dizendo que não há evidência de hoje ter mais tragédias do que antigamente, muitos ainda acreditam no fim próximo. Melhor mesmo ficar em casa, protegido, assistindo mais e mais televisão... mas e se um terremoto ou tsunami invadir pela nossa porta adentro? Quem poderá nos salvar em tempos tão instáveis?
Só mesmo tomando uma cerveja Devassa e comemorando a falta de criatividade dos nossos publicitários, que teimam em explorar o corpo da mulher e associar esse prazer ao da cerveja, e que seja feito um brinde também à ditatura do medo e da violência.
Lembrei de Brecht:
"Nós vos pedimos com insistência: Nunca digam - Isso é natural - diante dos acontecimentos de cada dia, numa época em que é derramado
sangue inocente, em que o arbitrário tem força de lei, em que a
Humanidade se desumaniza, não digam nunca - Isso é natural - a fim de que nada passe por imutável."