domingo, fevereiro 28, 2010

Iza: um poema

Vincent van Gogh


Maria Luiza Soares Fernandes, amiga de uma vida inteira, texto primoroso, em prosa ou em poesia, já falei sobre Iza aqui, está na lista de assuntos.

Las Bocas Rojas

Lá fora, a noite chegando
A cor desmaia
O negro invade
O perfume intenso

Eu me enrolo na capa
Me desenrolo na lapa

Eu quero só ver a noite
Ah! Meu fugidio cavalheiro
Que canta entre vilões
Que anda entre as visões
De uma tardezinha fina!

Eu nada quero
Além dos nervos, das veias
Do sangue correndo morno
Pelo sistema do corpo.

Este cavaleiro das damas
Respira a espuma dos sonhos
No jardim da taverna
E desaparece no bar
Junto ao ruído da cidade

Sigo andando
Amando a dama da noite
Doce, delicada, pequenina, branquinha
Sumindo
Subindo

Eu vi, sem medo
A flor que se faz licor
Ou pelo cheiro, ou pelo gosto
O composto de água, treva e riso
Aniquila em teu peito
O sentimento vulgar
Sugado no floripôndio (*)
Em cachos presos aos galhos

Flor da noite

Dama só

Olho caído

No bar.

(*) Floripôndio, árvore de flores brancas e estranhas que encantou Iza no Peru.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

André Breton



Do Manifesto Surrealista- 1924


"Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação."
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"Só o que me exalta ainda é a única palavra, liberdade. Eu a considero apropriada para manter, indefinidamente, o velho fanatismo humano. Atende, sem dúvida, à minha única aspiração legítima. Entre tantos infortúnios por nós herdados, deve-se admitir que a maior liberdade de espírito nos foi concedida. Devemos cuidar de não fazer mau uso dela.
Reduzir a imaginação à servidão, fosse mesmo o caso de ganhar o que vulgarmente se chama a felicidade, é rejeitar o que haja, no fundo de si, de suprema justiça.
Só a imaginação me dá contas do que pode ser, e é bastante para suspender por um instante a interdição terrível; é bastante também para que eu me entregue a ela, sem receio de me enganar ( como se fosse possível enganar-se mais ainda ).
Onde começa ela a ficar nociva, e onde se detém a confiança do espírito? Para o espírito, a possibilidade de errar não é, antes, a contingência do bem?

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

terça-feira, fevereiro 23, 2010

O fascismo não passará?



De um artigo de Umberto Eco sobre o Ur-Fascismo, citado em Carta Maior e lembrado por Luiza.
Eco termina o artigo com esta poesia de Franco Fortini:

Sulla spalletta del ponte
Le teste degli impiccati
Nell'acqua della fonte
La bava degli impiccati
Sul lastrico del mercato
Le unghie dei fucilati
Sull'erba secca del prato
I denti dei fucilati

Mordere l'aria mordere i sassi
La nostra carne non à più d'uomini
Mordere l'aria mordere i sassi
Il nostro cuore non à più d'uomini.

Ma noi s'è letto negli occhi dei morti
E sulla terra faremo libertà
Ma l'hanno stretta i pugni dei morti
La giustizia che si farà.

(Na amurada da ponte/ A cabeça dos enforcados/Na água da fonte/ A baba dos enforcados/No calçamento do mercado/As unhas dos fuzilados/Sobre a grama seca do prado/Os dentes dos fuzilados/Morder o ar morder as pedras/ Nossa carne não é mais de homens/Morder o ar morder as pedras/Nosso coração não é mais de homens/ Mas lemos nos olhos dos mortos/ E sobre a terra a liberdade havemos de fazer/ Mas estreitaram-na nos punhos os mortos/A justiça que se há de fazer.)”

sábado, fevereiro 20, 2010

Glauber Rocha e Luiz Carlos Maciel: plataforma da utopia

Glauber de Andrade Rocha (Vitória da Conquista, 14 de março de 1939 — Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981)

Glauber se foi com 42 anos.

Luiz Carlos Maciel (Porto Alegre, 15 de março de 1938) é um escritor, jornalista e roteirista brasileiro.



De Hable con Ella

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Amigos, anjos e a web

Do filme de Win Wenders, Asas do Desejo


Quando comecei a construir esta Babel, não imaginava como seria.
Fui ver a data do primeiro post, é de 26 de março de 2006, quase quatro anos. E só meu deu alegrias. Se o dia está difícil, se o mundo não gira bem, se a vida engana, eu me refugio na torre, com meus amigos. Os que conheço, os que não conheço, mas passam por aqui, às vezes dão alô, às vezes comentam, sempre visitam.
Música, poemas, pensamentos, notícia aqui, outra ali,descalabro lá, Babel é do mundo, pertencemos à Babel.
Silenciosa, como são todos os blogs, se não acionamos os sons.
Noite alta, às vezes -- até já escrevi um poema sobre isso -- eu sei que meus amigos estão comigo, os do mundo, os daqui. É só clicar no blog deles.
E me conforta, como há pouco. Passei no Atire do Dramaturgo, do Mario Bortolotto, que nem conheço pessoalmente. E lá está ele, se recuperando dos três tiros, estreando uma peça, postando poesia.Poesia, minha gente! Poesia! Tão necessária.
E falando em poesia, meu sempre querido e primeiro site em que entrei, Jornal de Poesia, abrigo seguro da lusofonia poética.
Meu amigo Tide Hellmeister, que disse que foi, mas volta já, também está aqui, com a bela expô Brava Gente. E o Jesus Carlos, bravo repórter fotográfico, com seu Fotografia, Cachaça e Política, entrando pelos desvãos da cidade que não saem nos jornalões.
E o Pedrão? Pedro Martinelli, companheiro da melhor redação que trabalhei, amigo de tantos anos, contando, comentando e mostrando belezas do recôndito do país, e também suas mazelas: o que fizeram da Amazônia. E as comidas, e a arte de fotografar, pé na estrada.
O Edu, no É Tudo Política, solerte repórter, que tem como lema : “Jamais faltará assunto a um repórter que se disponha a sujar os sapatos na poeira e na lama, onde muitas vezes se esconde a notícia”. E que vai ter grandes novidades em breve, parabéns Edu!
O Chiroque, lá do Peru, militante eterno da causa da educação, que conheci aqui em Sampa, quando menina. Arkan, na França, escritor e professor, amigo também de tantas estradas.
O Gregório Macedo, fino amigo do Piauí, ligado nas artes gráficas. O poeta Eric Ponty, lá de São João Del Rey, militante da métrica em tempos não tão precisos. Jô Fevereiro, mestre do traço, colega de colégio, olha só, nosso Cedom de eternas saudades. E o De cara no muro, do Alf, sempre com dicas de coisas boas. Alf, que tenta me convencer que o Mal venceu...
Ah, e o Pictura Pixel, do Claudio Versiani, grande fotógrafo do mundo, lá na adorável Barcelona?
São alguns , esses que linko aí abaixo, que visito sempre. E sem esquecer do seu Cloaca News, que atingiu hoje 1 milhão de acessos (!!!), com a importante e necessária missão de “desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país”.

Amigos virtuais ou não, são todos velhos amigos.
Pedrão Martinelli tem uma seção no seu blog chamada “Esses anjos da guarda”, em que nos mostra rostos dos brasileiros. Acho que serve bem para o que sinto em relação ao convívio com os (as) queridos (as) amigos (as) aqui desta Babel. Amigos, o sal da Terra. E da Torre.
Sim, eu sou uma sentimental.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Guitarra y vos



Que viva la ciencia,Que viva la poesia!Que viva siento mi lenguaCuando tu lengua está sobre la lengua mía!El agua esta en el barro,El barro en el ladrillo,El ladrillo está en la paredY en la pared tu fotografia.
Es cierto que no hay arte sin emoción,Y que no hay precisión sin artesania.Como tampoco hay guitarras sin tecnología.Tecnología del nylon para las primas,Tecnología del metal para el clavijero.La prensa, la gubia y el barniz:Las herramientas de un carpintero.

El cantautor y su computadora,El pastor y su afeitadora,El despertador que ya está anunciando la aurora,Y en el telescopio se demora la última estrella.La maquina la hace el hombre...Y es lo que el hombre hace con ella.
El arado, la rueda, el molino,La mesa en que apoyo el vaso de vino,Las curvas de la montaña rusa,La semicorchea y hasta la semifusa,El té, los ordenadores y los espejos,Los lentes para ver de cerca y de lejos,La cucha del perro, la mantequilla,La yerba, el mate y la bombilla.
Estás conmigo,Estamos cantando a la sombra de nuestra parra.Una canción que dice que uno sólo conserva lo que no amarra.Y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.
Hay tantas cosasYo sólo preciso dos:Mi guitarra y vosMi guitarra y vos.
Hay cines,Hay trenes,Hay cacerolas,Hay fórmulas hasta para describir la espiral de una caracola,Hay más: hay tráfico,Créditos,Cláusulas,Salas vip,Hay cápsulas hipnóticas y tomografias computarizadas,Hay condiciones para la constitución de una sociedad limitada,Hay biberones y hay obúses,Hay tabúes,Hay besos,Hay hambre y hay sobrepeso,Hay curas de sueño y tisanas,Hay drogas de diseño y perros adictos a las drogas en las aduanas.
Hay manos capaces de fabricar herramientasCon las que se hacen máquinas para hacer ordenadoresQue a su vez diseñan máquinas que hacen herramientasPara que las use la mano.
Hay escritas infinitas palabras:Zen, gol, bang, rap, Dios, fin...
Hay tantas cosasYo sólo preciso dos:Mi guitarra y vosMi guitarra y vos.


A risada do bispo Tutu

Com disse abaixo, os mestres são sorridentes, porque têm alegria de viver. Como o bispo Desmond Tutu, da Igreja Anglicana, Nobel da Paz pela luta contra o Apartheid em seu país natal. Desmond foi o primeiro negro a ocupar o cargo de Arcebispo da Cidade do Cabo.






terça-feira, fevereiro 16, 2010

Mestre Ono

Conheci mestre Ono ainda em seu dojô pelos lados da Praça João Mendes. Eu vi, assim como está escrito na apresentação de um video do youtube, eu vi mestre Ono imobilizar e torcer um aluno, só com a energia que passava pelas mãos, de longe. Algo que aparece ligeiramente neste vídeo.
Leio que o mestre está com 84 anos. Assisti,depois, a algumas apresentações de Aikidô no Bunkyo, na Liberdade.Não é nada do que se está acostumado a ver em artes marciais orientais comercializadas por aí. É muito mais.

Mestres como este, sejam de que linhagem e /ou filosofia forem, são sempre sorridentes. Têm a alegria de viver.