quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Não deu no jornal:TV Brasil responde a Serra

Em uma coletiva,ontem, o governador Serra desviou e respondeu agressivamente à pergunta da reporter da TV Brasil sobre o fato de existirem 800 mil pessoas em São Paulo sem água, o que é notícia.
Nenhum outro reporter perguntou, talvez nao considerassem notícia.
Serra preferiu comentar sobre seu encontro com Madonna no carnaval.

A emissora respondeu.


Casoy na rua

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Periferia Luta, Parque Cocaia, São Paulo

Periferia Luta from cocaialuta on Vimeo.



Na periferia de São Paulo, diversas comunidades sofrem os abusos promovidos pelo Estado e grandes empresas. O vídeo denuncia situações trágicas e mostra a luta nessas quebradas. Por Vozes da Trincheira, Centro de Mídia Independente e Passa Palavra

Salve Jorge


Moradores alagados são atacados com gás pimenta pela polícia em SP

Foto Julia Chequer/R7



Cerca de 230 moradores de bairros da Zona Leste de São Paulo foram atingidos, hoje, por gás pimenta, lançado por policiais militares, na frente da sede da prefeitura, centro de São Paulo. Os moradores protestavam pela falta de medidas contra os dois meses de alagamento. Eles reivindicavam moradias e uma solução para as inundações. O Jardim Romano, por exemplo, está alagado desde dezembro de 2009.
A recepção é a mesma que o governo Maluf dava aos movimentos populares.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Legal alien in New York

E eu, e alguns (as) caros (as) amigos (as), nos sentimos Aliens no planeta.



"I dont drink coffee, I take tea my dear"

(Poesia minha meio antiga)

Coração torto


O meu nome não é brasileiro
e o desespero tão profundo
sequer transparece na face

A minha raça é estrangeira
e o que me comove pode ser
mais forte do que o que me move

Eu reverencio a estranheza

domingo, fevereiro 07, 2010

Tinhorão, 82 anos


José Ramos Tinhorão completa hoje 82 anos bem vividissimos.
Pioneiro na pesquisa de cultura urbana, na década de 1950, quando não havia nada disso, nem de perto, na Academia, o jornalista começou a fazer pesquisa para coluna de jornal. Nunca mais parou.
Excluido das redações, porque à industria cultural não interessavam seus temas, começou a escrever livros. Tem 27, o mais recente a ser lançado breve pela Editora 34, sobre a musica na Revolução Francesa.
A partir de março deve sair a biografia que escrevi sobre essa figura impar, "Tinhorao o Legendário", com uma bela contracapa do amigo desde o primeiro emprego no Diário Carioca, Janio de Freitas. "O Brasil não precisa de vanguarda, mas de retaguarda", é uma de suas frases ferinas.
Pesquisadores, músicos, jornalistas, historiadores só temos a agradecer ao Tinhorão, mesmo não concordando com suas teses, muitas vezes.
Parabéns!Muitos anos de vida!

sábado, fevereiro 06, 2010

Sábado na Pinacoteca:Antonio Candido homenageia amigo



Retrospectiva Desenho de Mão, de Arnaldo Pedroso d'Horta (1914-1973) , com curadoria de sua filha Vera d’Horta. São 118 obras, entre gravuras, ilustrações, pinturas e documentos pessoais. Jornalista e crítico de arte, encontrou seu caminho desenhando, no conjunto Esqueletos de Animais, anatomias de insetos e aves, embora não tivesse formação de zoólogo.
Daí que ele conheceu o zoólogoo e sambista Paulo Vanzolini, e até viajou de barco com ele lá pelo Pará.
Recebeu o prêmio de Melhor Desenhista Nacional na 2a Bienal de São Paulo, em 1954. No mesmo ano, foi também o primeiro brasileiro a ser premiado na Bienal de Veneza.

Hoje, na abertura da expô, reuniram-se Antonio Candido, Vera, Renina Katz, o maravilhoso multimidia portugês Fernando Lemos, -pintor, poeta, fotógrafo, desenhista- e o pintor pernambucano José Claudio da Silva numa mesa-redonda, após um documentário sobre Arnaldo, do qual participaram.

O professor Candido lembrou de quando militaram juntos na fundação do Partido Socialista, em SP. Na época, quem não era do Partidão era considerado trotsquista, " e esse era um grande xingamento", disse. "As pessoas achavam que trotsquista era sinonimo de ladrão, etc". Eles nunca foram trotsquistas, aliás.

Que Arnaldo era muito calado, sério, bom organizador, mas às vezes muito mal humorado, e o partido era pequeno, mas tinha grande repercussão. Que o jornalista e artista era acima de tudo um homem íntegro.
"Não entendo de arte, portanto nao vou falar , apenas que uma vez ele me presenteou com um retrato meu de que gosto muito, a barba preta, parece um luto" Realmente é um belissimo retrato.
Mas integridade era a marca desses amigos, juntos pela vida: Candido, Paulo Emilio Sales Gomes, Decio de Almeida Prado, entre outros, que participaram - Candido criou, Decio dirigiu- do Suplemento Literário do Estadão, desde 1956, um paradigma dos cadernos culturais, sobre o qual falo no meu livro aí do lado.

Arnaldo Pedroso D'Horta era um dos refinados ilustradores. Fiz um capitulo só para eles, Aldemir Martins, Renina Katz, Odilea Toscano, Rita Rosenmayer, Di, Portinari, tantos...

Lembraram muitas historias, rimos muito e especialmente com o pernambucano que nao parava de falar.Vanzolini , sentadinho, falou pouco.
Mas disse que um dia Arnaldo comentou algo sobre uma música de Capoeira, que Vanzolini nao tinha nenhuma, e no dia seguinte o cientista/compositor mostrou:

Capoeira do Arnaldo. Sabiam disso?





O pernambucano contou que, na viagem de pesquisa de barco para o Pará, na época da guerrillha do Araguaia, eles eram sempre barrados. Começaram a ser vigiados por um policial chamado Felizardo. Um dia, Vanzolini perguntou: "Seu Felizardo , é verdade que o senhor durante muito tempo matou um homem por dia?"
"Ainda não consegui me livrar desse vício", respondeu.

Esqueci de dizer que o professor Candido abriu assim:"Falo de um tempo e de uma cidade que não existem mais".
(Meu coração chora, porque a minha também já não reconheço, só em dias assim,luminosos,tão raros.)

Não percam Arnaldo Pedroso d'Horta, muito linda exposição.