terça-feira, abril 21, 2009

Exaltação a Tiradentes






Samba-enredo da Império Serrano, campeã de 1949. Mano Décio da Viola, Estanislau Silva e Penteado.


"Toda vez que um justo grita,
um carrasco vem calar
Quem não presta fica vivo
quem é bom, mandam matar.”
O Justo, Cancioneiro da Inconfidência, Cecília Meireles.

No dia 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado no Largo do Lampadário, no Rio de Janeiro.Seu corpo foi esquartejado e pedaços espalhados pela estrada para a então Vila Rica, hoje Ouro Preto.

Se você for a Ouro Preto (MG), verá os túmulos dos Inconfidentes na Casa da Câmara (prefeitura).
Em frente a este prédio há um obelisco que marca o local aonde foi fincada a cabeça de Tiradentes, após seu corpo ter sido esquartejado e espalhado pelo caminho entre o Rio de Janeiro e Ouro Preto.
O chão da casa de Tiradentes foi salgado pelas autoridades e ele declarado “morto para sempre” pela Devassa, o processo de condenação dos Inconfidentes.
Poetas da Inconfidência Mineira: Tomás Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto.
O vice-rei do Brasil, Dom José Luis de Castro, ameaçou com severas punições quem não acendesse luminárias na frente de casa, como apoio ao enforcamento de Tiradentes.
No mesmo ano de 1792, Dona Maria, A Louca, que condenou Tiradentes à morte, foi declarada incapaz mentalmente.

domingo, abril 19, 2009

Babel de visual novo

A autora do novo layout é minha amiga virtual Nadia Stabile, (oriunda anche) sensibilissima pessoa amante das Artes e mulher de fibra. Obrigada Nadia, ficou lindo! Só falta agora nos conhecermos pessoalmente, e essa internet não é mesmo uma maravilha?

A Torre de Babel é uma pintura a óleo de Pieter Brueghel o Velho. Está exposta no Museu Kunsthistorisches, em Viena.

Pieter Brueghel, "O Velho" (Breda, 1525/1530 — Bruxelas, 9 de setembro de 1569) foi um pintor Flandres, célebre por seus quadros retratando paisagens e cenas do campo.

Suposto auto-retrato (ca. 1565)

Era conhecido como "O Velho" para distinguí-lo de seu filho mais velho, foi o primeiro de uma família de pintores flamengos. Assinou como Brueghel até 1559, depois seus filhos retiraram o "h" do sobrenome. Os outros pintores da família, e que família:

* Pieter Brueghel o jovem (1564-1638)
* Jan Brueghel o velho (1568-1625)
* Jan Brueghel o jovem (1601-1678)


"O Velho", considerado um dos melhores pintores Flandres do século XVI, é o membro mais importante da família. Provavelmente nasceu em Breda, nos Países Baixos, a bela Holanda.

Estudou em Antuérpia com um mestre, mas logo criou um estilo próprio caracterizado pela abundância de colorido. Seus quadros, de costumes na sua maioria, refletem a vida quotidiana da sua época e, ao mesmo tempo, pretendem interpretar a realidade mundial.

Suas obras estão repletas de pequenos pormenores reais e oníricos. O conjunto da sua produção reflete, de modo inevitável, as atribulações de uma época de confusão e de mudanças marcada pelas guerras de religião. Alguma semelhança com a nossa, cinco séculos depois?

É considerado o iniciador da escola flamenga que domina o mundo da pintura européia durante parte do século XVI e no XVII. Entre as suas obras mais importantes, O Triunfo da Morte, A Parábola dos Cegos e A Torre de Babel.

Mário Quintana


E se Deus é canhoto? Isso explica, talvez, as coisas deste mundo!

sábado, abril 18, 2009




Aprendi a gostar dele desde criança, com os discos de meu pai. Hoje faz 11 anos da sua morte.
Mas esses artistas não morrem, ficam encantados, como disse Rosa.


Janis- Summertime- stocolmo 1969

sexta-feira, abril 17, 2009

Melô e as crianças da Rocinha




Cruel (Sérgio Sampaio)

Tudo cruel, tudo sistema

Torre Babel, falso dilema

É uma dor que não esconde o seu papel

São Carlos, morro, Borel


Eu subo e nunca estou no céu
Marianne cheia de fé


Texto que escrevi em 4 de agosto de 2005, carta a alguns amigos

Me deu vontade de escrever – e há tanto tempo não escrevo coisas de que gosto --depois de assistir pela segunda vez, num canal a cabo, a um documentário sobre Marianne Faithfull. Não sei se vocês se lembram, eu tinha uma vaga lembrança.
Era uma linda cantora dos sixties, roqueira que fugiu com o Mick Jaegger. Inglesa também. Ela hoje tem uma voz grave, parecida com a de La Dietrich. Peguei o documentário na hora em que ela dizia: “Mudei para a Irlanda porque a Inglaterra não me merece!”.
“England doesn't deserve me!”, coisa assim.
Porque o establishment caiu em cima dela, “e eu que nunca fiz nada de errado”, dizia.
Claro que nós imaginamos o que ela fez de errado para a velha Albion. Não é? Aquela mesma na qual o jovem príncipe herdeiro vai a uma festa fantasiado de nazi, e dizem que aquela bela história de amor entre o príncipe Edward e a plebéia no século passado era para encobrir coisas menos nobres.
Então, depois de uma vida cheia de glamour- acho que ela foi a inspiração para aquela linda “Angie”, dos Stones – Marianne cheia de fé caiu na sarjeta, anoréxica, drogada, acabada. Depois dos sixties vieram os seventies brabos.
Mas Marianne levantou a cabeça loira da lama. E o que eu vi hoje foi uma mulher creio que na sexta década, mas que, mesmo sem plástica, não parece. Pois tem o mesmo jeito dos sixties.
“Não gosto muito de gente, não sou sociável, gosto de minha casa, que é meu reino”. Fez uma linda música pra dois que já se foram, Warhol e uma francesa, Nico, não sei quem é, mas alguma cantora vítima de alguma injustica.
E diz Marianne: “Não gosto de injustiças. Embora nunca tenha feito nada publicamente contra isso. “

A câmera segue Marianne na cozinha, na sala, no quarto, ela com músicos jovens irlandeses, e eles falando o tanto que a admiram. Patrice Chereau, aquele belo diretor de cinema, também fala sobre ela.
E uma câmera acompanha Marianne no ensaio de um show. Canta, com a voz gravíssima, uma bela canção. Fumando que nem louca.
“Claro que não vou continuar me arrastando pelos palcos aos 70 anos”, ela confessa. “Mas eu adoro o stage. Enfim, terei coisas para fazer: acho que sou uma boa jardineira e nunca me testei nisso”.
Termina assim, ela deitada, de botas, na cama com colcha de pele, cantando junto com o CD, uma música que fala do reino doméstico.Belíssima canção, a song, daquelas que Tinhorão vaticinou -- seguido por Chico Buarque , sem dizer o nome da fonte-- não terão mais lugar no século 21, pois foram uma manifestação do século 20.
Não sei, mas acho que vocês entenderam o espírito da coisa. Né?

quarta-feira, abril 15, 2009




João do Rio e Lima Barreto: almas encantadoras das ruas cariocas






Meu amigo e colega jornalista Gutemberg Medeiros defendeu ontem, 14 de abril, na ECA-USP sua excelente tese de doutorado “Urbanidade e metajornalismo nas matrizes da Modernidade: memória textual nas produções de Lima Barreto e João do Rio no início do século XX". Durou mais de 4 horas, com intervenções preciosas dos professores da banca. O trabalho foi orientado pela professora Terezinha Tagé, de cujo grupo de pesquisa fazemos parte, e já falei aqui: Textos da Cultura em Mídias Diferenciadas, na pós-graduação em Ciências da Comunicação.

Como cheguei atrasada, peguei a discussão interesantissima, já pelo meio. E o alentado trabalho do Gutemberg abre as considerações finais com o verso do Paulinho da Viola "A vida não cabe num samba curto".

Trata de dois mulatos cariocas: Lima Barreto, o do Memórias do Escrivão Isaias Caminha, roman à clef sobre o Correio da Manhã, pelo qual foi expurgado do jornal até depois da morte - e quem descobriu que seu nome era impublicável foi o jornalista Sergio Augusto, que trabalhou lá no suplemento de cultura nos anos 1960.

E João do Rio, o daquela Alma Encantadora das Ruas, que, esperto, resolveu sair da exclusão via um acordo com a influente colônia portuguesa no Rio: criou a revista Atlântica, patrocinada pelo DIP de Vargas e pela ditadura de Salazar.

Mas, lembra Gutemberg, tinha maravilhosos artigos de gente como Graciliano Ramos e que tais.

Quando ele morreu, os portugas, donos das frotas de táxi, abriram seus carros gratuitamente para o povo, e muitos cariocas andaram de táxi pela primeira vez.

Claro que a tese do Gutemberg é muito mais que isso, aqui dei apenas um gostinho. E quando for publicada eu aviso que não é coisa chata de ler, as teses desse grupo são preciosos aportes à comunicação e sua visão de mundo é ampla.


“O mundo é uma ilha de edição”


Disse a professora Jerusa de Carvalho Pires Ferreira, na banca, citando seu conterrâneo baiano, o poeta Wally Sailormoon, ou Salomão, sugerindo a publicação da tese, claro, com uma boa edição.

Ensaísta e professora de Literatura e Comunicação Social, Jerusa é um dos grandes nomes dessa área, atualmente na PUCSP, onde coordena há mais de 10 anos o Centro de Estudos da Oralidade e onde organizou mais de dez colóquios e seminários internacionais. Lembrou também que Odorico Mendes, tradutor maranhense de Homero, disse uma vez: “Só Deus é original”.

E lembrou de seu trabalho, uma pesquisa no que chamamos de periferia, a Cultura das Bordas, que levou mais de 20 anos-e foi publicada na França, mas aqui ainda não-, e entre elas aquela sobre os editores Fittipaldi, sim, do mesmo ramo dos automobilistas. Saverio Fittipaldi chegou ao Rio em 1913, depois voltou para a Itália na guerra, depois retornou ao Rio e foi ser vendedor de jornais. Adorava o jornal O Pais e as crônicas de João do Rio. Certo dia, aparece o próprio na sua frente. Ele o descreve vestido como “um centurião romano”- era um dândi o João. E o jornalista e escritor diz: “Há muitos anos eu precisava de um vendedor de jornais capacitado como você”. Naquele momento criou-se a Editora João do Rio (1921-1937).

Mais tarde, em São Paulo, Saverio criou a Editora das Américas, que publicou clássicos como Dante, Virgilio, Tolstoi, Victor Hugo.

A grande matriz de Saverio e de João, entretanto, era a imprensa. Uma das histórias que pessoas sérias e entusiasmadas da academia, como Jerusa, descobrem para nós.


segunda-feira, abril 13, 2009

Brasil Nação discute abusos da mídia



Trechos de recente mesa redonda do excelente programa Brasil Nação, da TV Educativa do Paraná, com os jornalistas Beto Almeida, mediador; Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo e da TV Record; Leandro Fortes, da Carta Capital; e o meu queridíssimo amigo Alípio Freire, do jornal Brasil de Fato e da editora Expressão Popular, poeta, escritor e companheiro de tantas batalhas.
Dá-lhe!

(Achei tudo interessante demais, especialmente o senador mencionado ( por exclusão entre dois de São Paulo, Aloisio Mercadante), que disse não poder denunciar coisas da imprensa porque ficaria sem mídia....que xuxuzinho (aliás, é também muito chegado aos GMO, ou seja, organismos geneticamente modificados). Ainda bem que nunca votei nesse senhor, nem votarei, e recomendo o mesmo aos amigos deste blog, seus amigos e familiares.)






Colaboração da Beth Sigoli

Cesare Pavese

“No fundo, a sabedoria do destino é a nossa própria. Porque nós o seguimos tendo consciência daquilo que no fundo nos é permitido realizar. Por mais tentações que tenhamos, nunca erramos nisso. Sempre agimos de acordo com o destino. As duas coisas são uma só.Quem erra é quem não compreende ainda seu destino. Ou seja, não compreende qual é a resultante de todo o seu passado – que indica o seu futuro. Mas, compreenda-o ou não, indica-o do mesmo modo. Toda vida é exatamente aquilo que devia ser".

31 de março de 1946