terça-feira, outubro 21, 2008

Que falta ele faz!

Do site Cronópios

http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=3582

6/10/2008 17:09:00

Que falta ele faz!



Por Branca Ferrari




Há 52 anos, em outubro de 1956, nascia o Suplemento Literário do jornal “O Estado de S. Paulo”, um dos projetos mais ousados já desenvolvidos no país em prol da literatura e da arte. Entre seus criadores e realizadores estavam intelectuais do porte de Antonio Candido, Décio de Almeida Prado, Wilson Martins, Paulo Emílio Salles. Entre os colaboradores, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Netto, Mario Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Lêdo Ivo.

O resgate histórico desta experiência cultural inigualável foi feito pela jornalista Elizabeth Lorenzotti em seu livro “Suplemento Literário – Que falta ele faz!”, lançado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Com a acuidade do bom jornalista, a autora percorre a extraordinária trajetória do Suplemento Literário, desde sua concepção e desenvolvimento ao seu desaparecimento, recheando-a com entrevistas feitas com muitos dos personagens que participaram deste projeto. “O Suplemento nascia com a natureza artística”, diz Lorenzotti, mantendo absoluta independência e autonomia em relação à direção de redação do jornal diário. E durante sua existência jamais abandonaria a meta traçada por seus criadores, o de ser uma espécie de revista de cultura, livre de preconceitos literários e artísticos.

O farto material pesquisado pela autora comprova isso. O único critério exigido para aparecer no Suplemento era a qualidade literária e artística das obras. Não havia preconceito em relação ao novo, “maldito”, ou engajado politicamente. Suas páginas seriam abertas a bons poetas e escritores, consagrados ou novos no mercado. Ali seriam publicados, ao lado de Drummond, Bandeira, Vinicius, Murilo Mendes, Osman Lins, Guimarães Rosa, jovens como Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan, João Antônio, Delmiro Gonçalves, Thiago de Mello, Geir Campos, Jamil Haddad e concretistas como os irmãos Campos e Décio Pignatari numa época em que eram vistos como uma espécie de moleques irresponsáveis.

Elizabeth resgatou alguns textos surpreendentes do Suplemento para o leitor de seu livro. Entre eles, um conto inédito de Guimarães Rosa, “Fita Verde no Cabelo”; uma original ficção de Lêdo Ivo sobre Rimbaud em visita à biblioteca municipal de Charleville, “O Consulente Indesejável”; um conto inédito de 1966, “Ulisses”, de nosso grande compositor, cantor e agora escritor, Chico Buarque de Holanda.

Chama a atenção, também, para o lamento de Wilson Martins e de Edgard Cavalheiro sobre o panorama literário da época. Dizia entre outras coisas o primeiro: “... porque se há pouco papel, existem ainda menos leitores; só é leitor, pelo menos no Brasil, os que foram realmente mordidos pelo vício da leitura; a expansão do livro em públicos mais largos, além de continuar no terreno das coisas ideais, não pode ser paga pelo preço ruinoso representado por uma queda no nível das obras editadas...”. Já o segundo observava: ...“não é fácil, por exemplo, para o autor nacional ainda inédito encontrar quem lhe publique as primícias poéticas; livros de contos ou ensaios só excepcionalmente são editados...”. Cinqüenta anos passados e com todo o extraordinário progresso tecnológico assimilado, o quadro literário do país lamentavelmente não mudou muito.

“Suplemento Literário – Que falta ele faz!”, de Elizabeth Lorenzotti, é um dos livros indispensáveis para os que se preocupam com a produção cultural brasileira. Ele não só provoca reflexão sobre a ousadia deste projeto como sobre a ausência em nossa época de alguma coisa semelhante para estimular e fazer avançar a literatura e arte em nossos dias.


Suplemento Literário – Que falta ele faz
autora: Elizabeth Lorenzotti
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 208 páginas
(consulte usando a ferramenta de busca de livros
da parceria Martins Fontes - Cronópios)




Branca Ferrari é jornalista com passagens por jornais da capital como o Estado, Diário do Comércio; por revistas especializadas da Ed. Abril e da área médica; por editoras (Marco Zero, Best Seller, Azul, Canudos), onde atuou em projetos especiais, preparação de texto, tradução; por assessorias de imprensa; pela Rádio 9 de Julho na produção de programa sobre Direitos Humanos. Atualmente desenvolve projetos pessoais. E-mail: brferrari@uol.com.br

segunda-feira, outubro 13, 2008

Carta do poeta Manoel de Barros

Achei no meu baú: resposta delicadissima do poeta Manoel de Barros a uma carta minha, em 1990.

Elizabeth Lorenzotti
Querida amiga

Recebi suas queridas palavras. Muito obrigado.
Essas falas de cangar sapo ou cangar grilos aprendi no Pantanal onde fui criado brincando com terra, debaixos das árvores, sem cuidado de babás e sem a castradora orientação das xuxas.
Mas grilo e sapo são bichos que a gente não consegue cangar. Sapos porque não têm pescoço para receber a canga. E grilo porque prisca demais e não permite canga. Creio que daí vem a expressão que seria o mesmo que dizer:
Vá ser à toa na vida.Vá enfiar gota de chuva em cordão. Essas coisas

Vá tirar leite de veado correndo. Essas coisas."

Escrevi para o poeta,que tinha conhecido via o fotógrafo Marcelo Buainain em uma reportagem lá no Mato Grosso- ele me conseguiu um exemplar onde li algo que me lembrou imediatamente minha tia Alzira, lá de Poços. Era uma figura doce e muito estranha - almoçava às 5 da manhã, extremamente magra e enrugada e segundo a família, ficou assim por desgosto, o pai não deixou que ela casasse com quem amava.
Bom a tia Alzira, quando lhe enchíamos o saco, disparava:
"Vai cangar sapo!"
E eu nunca soube o que era, até o gentil poeta me responder.
Pois é, como botar canga em sapo? Em grilo?
Cartinha preciosa.
Dessas coisas...

domingo, outubro 05, 2008

Não te amo mais

Peter Scheier-1950
Cortiço do Brás


Laisses-moi devenir

L’ombre de ton ombre

L’ombre de ta main

L’ombre de ton chien

Ne me quittes pas

Ne me quites pas

Ne me quittes pas

Jacques Brel


Quando deixei de me apaixonar pela minha cidade? Desde que andávamos a pé pelo Viaduto do Chá, estudantes de colégio estadual, para ouvir as conversas dos outros?

E para estudar na Biblioteca Municipal? E depois, um passeio pela Consolação com São Luiz, entrando no Cha Mon e pedindo cafezinho para quatro: aqui não servimos cafezinho meninas.

Mas quando, quando foi? E mais tarde, os passeios noturnos, sempre a pé, vindas de ônibus da distante zona norte para o maravilhoso, então, centro da cidade: cantinas com toalhas xadrez nas mesas, vinho, spaghetti, risos, beijos sob o viaduto, lágrimas, amores vãos.

O apartamento no bairro operário, a ex-fábrica de tijolos aparentes em frente à janela, o baú com tantos escritos, mesmo ainda tão jovem: Largo do Pari.

E antes, o Brás. Ex-italiano, já se tornando nordestino. Lar dos avós italianos e bisavós portugueses, da mãe. Rua Catumbi, rua Cavalheiro, passei ontem por lá, noite, não mais a pé... Rua Cavalheiro que imaginava vasta, como minha avó Julia dizia- mas é tão pequenina, quase um beco.

E casas ainda restam, tão velhas. Moradias em cortiços na rua Marcos Arruda, onde a tia Judith com seus 20 anos criava dois filhos sem brinquedos, enterrava uma menina e tinha de lavar, todo santo dia, privadas coletivas. Hoje ainda são as casinhas ali, não mais a farmácia da esquina, não mais as cadeiras nas calçadas.

Mas quando deixei de me apaixonar, eu que nem conhecia esse lado do Brás dos trabalhadores italianos,e espanhóis e portugueses e brasileiros todos, e tantos? Nem tinha nascido.

Que nostalgia esta, então, ao passar por essas ruas do bairro histórico e tão abandonado, numa noite de sexta? Lá onde ainda se vêem velhos pelas ruas, muitos.

Onde ainda há portões e jardins, escondidos alguns. A casa mais bela, na esquina da rua Martim Francisco, que emoção essa ao ver, sobrado grande de tijolinhos aparentes, jardim, luzes acesas, quartos com varandas. E parece, uma lareira talvez.

Numa travessa, um estreito corredor fechado por um portão. Uma espécie de vila, com casinhas ao lado direito de quem entra, algumas reformadas, outras iguais ao que eram quando foram construídas, mais de 50, 60 anos e é como uma outra cidade, não essa, tão avoada, que Deus te proteja de seus perigos, me diz a tia Judith lá das Minas Gerais.

(Quem bom que a gente pôde mudar daquele cortiços, ela me diz hoje, que sorte ter a família se mudado para a outra cidade escondida no meio das montanhas).

E de longe ouço os ecos do português italianado: que sputza, dizia minha mãe. (Que não era filha de italianos, mas de brasileiros descendentes de portugueses e de índios, na árvore distante). O sangÜE -- dizia a vô Maria --italiana, mãe do pai. A comida forTífica, mangia que fa benne).Marchejani, ela era de lá, da região de Marchi.

Mesmo hoje, mesmo sendo outro bairro, embora o mesmo, e eu sendo outra, embora a mesma, bate tanto sentimento. E se “o sentimento é tudo”, como descobre o Fausto de Goethe, é preciso ser forte o bastante para não transformá-lo num roteiro de filme de quinta categoria.

Mas do bairro onde me criei , no alto do morro - e sempre acabo morando em altos de morros, como verificou meu amigo cartunista/carteiro Eton - da zona norte, não tenho saudades. Lá, da lama que se formava durante as chuvas, das galochas que tínhamos de usar sobre os sapatos para chegar ao asfalto, de lá não há como sentir saudades.

A não ser do luminoso colégio estadual que salvou muitas de nossas pequenas cabecinhas.

Mas eu ainda amava minha cidade, mesmo assim. Fora daquele bairro, eu queria sair daquele bairro, queríamos atravessar o rio Tietê -- não como ele, o garoto filho de árabes, que desejava o glamour e a grana dos Jardins. E foi.

Queríamos o cinema, o teatro, a biblioteca, a livraria, o jornal. (E fomos ). Que estavam, sim, do outro lado do rio ( em que margem?)

Amava o Vale, o prédio dos Correios, o Largo de São Bento, a Praça do Patriarca, a loja que vendia bombons. O grande magazine em frente ao Teatro Municipal, onde entramos muitos, mas muitos anos depois.

Na Vila Maria Zélia, moradias criadas pelo industrial Jorge Street para seus operários da fábrica de tecidos, linda, devastada, entrei para escrever uma reportagem, tantos e tantos anos depois.

Cacos de uma era.

Ex-vilas operárias ainda resistem, reformadas, ruas fechadas por particulares. E sobradinhos, característicos da cidade que se verticalizava tão cedo, espaço ficando caro.

Por que tanto me tocam o coração:

--estátuas de santinhos às varandas, também chamadas de alpendres, iluminadas por uma lampadinha;

--ladrilhos com quadrinhos pendurados- Deus guarde nosso lar; Feliz foi Adão, que nunca teve sogra e nem caminhão;

--andorinhas de louça num vôo estático, pregadas;

--e a Santa Ceia.

Minha casa minha casinha, dizia a vó Julia, não troco por um palácio.

Não sei mesmo quando meu amor pela minha cidade se acabou.

Quando ela me deixou? Naquele arremedo de hospital público onde morreu minha mãe, eu sei. Quando talvez a jovem médica residente tenha “diminuído o investimento”-que é como eles chamam os aparelhos. Quando eu urrava pelas ruas saindo do Incor, e todos olhavam, lá onde minha mãe não conseguiu uma vaga na UTI, ficou num puxadinho de um pronto socorro improvisado.

E onde mais?

Nos dois semáforos onde, no mesmo dia,em horários diferentes, vieram os meninos: um me roubou, o outro acreditou que eu não tinha mais nada e se foi?

Na Avenida Brasil quando um menino com os braços escondidos nas mangas (subentendendo uma arma?) queria dinheiro, a voz se fazendo de grossa. Não tenho, eu disse, mas tenho essas balas e ele abriu as mãos desarmadas e levou as balas?

Como deixar de tremer e de chorar, sem mais paixão, apenas a dor?





quinta-feira, setembro 25, 2008

Sertão

Foto António José Ribeiro


Tudo será
esquecido


Tudo será
aprendido


Tudo terá
se fingido


Tudo sertão

quarta-feira, setembro 17, 2008

HERÓI. MORTO. NÓS.



Lourenço Diaféria nasceu no Brás e era um grande cronista da cidade. Da gente humilde, anônima, desta São Paulo de tão escondidos encantos.
Achei lindo o titulo de seu último livro
"Mesmo a noite sem luar tem lua".

Soube há pouco que ele se foi, aos 75 anos(
28 de agosto de 1933/ 16 de Setembro de 2008, sob o signo de Virgem)
Em 1 de setembro de 1977 publicou estra crônica na Folha, que lhe valeu a demissão, a prisão e um processo pela Lei de Segurança Nacional. (A estátua de Caxias fica lá, perto da Folha).
Era um homem de bem, um jornalista decente, um grande cronista. Tudo o que nos faz falta.Estes últimos meses têm nos levado muitos dos bons, insubstituíveis.
Mas mesmo a noite sem luar tem lua...

Herói. Morto. Nós


"Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.

O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.

Que nome devo dar a esse homem?

Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.

Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.

O herói redime a humanidade à deriva.

Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.

Está morto.

Um belíssimo sargento morto.

E todavia.

Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.

O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.

O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.

No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.

Esse sargento não é do grupo do cambalacho.

Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.

É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.

O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.

Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.

É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.

Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.

Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.

E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Longa é a arte



"Em homenagem ao poeta Paulo Leminski, Rubens Jardim cravou Herrar é Umano --transferência de um código verbal gasto para um código visual inovador", diz a legenda da foto no interessantíssimo site do poeta

http://www.rubensjardim.com

falando sobre os trabalhos apresentados na I Bienal Internacional de Poesia de Brasília, realizada de 3 a 7 de setembro.
Ele diz:

"Coloco aqui esta mensagem com o intuito de mostrar minha admiração pelos critérios democráticos que nortearam a realização da l Bienal Internacional de Poesia de Brasília. A minha participação é a prova mais cabal disso. Afinal, não pertenço a nenhum grupo, não me tornei celebridade em nenhuma área, não sou parente dos irmãos Campos, não tenho poesia traduzidas para o francês, não é meu hábito puxar o saco de ninguém, e nem recebi premiação em nenhum concurso. Sou apenas mais um poeta –já meio velho--mas incansável na luta honesta e diária com as palavras."

Rubens Jardim fez parte do movimento Catequese Poética, liderado pelo poeta catarinense Lindolf Bell.
http://www.lindolfbell.com.br/home.php
Belissimo site

Bell ia ao nosso colégio estadual, na zona norte de São Paulo, declamar, como declamava pelas ruas e viadutos.
Eu me lembro, eu me lembro:

"Eu sou da geração das crianças traídas"

Nós tínhamos um grupo chamado "Roda de Poesia", não sei se antes ou depois dele, e nos apresentávamos em colégios da região.
Uma roda, um violão, garotas e rapazes declamando seus poemas.
Preciso contar essa história melhor dia desses, porque tenho o roteiro de uma dessas apresentações, e poemas de uns e de outras.

Ao Rubens Jardim, que é um grande poeta, e trava sua" luta honesta e diária com as palavras", agradeço por me lembrar dessas coisas tão boas.

Não é fácil lutar com as palavras em qualquer tempo, nada fácil em tempos tão atravessados e oblíquos como estes.

Entro na página de Lindolf Bell, pontuada por poemas que faíscam e concordo:

"Nada é em vão, embora pareça o contrário".














quinta-feira, setembro 11, 2008

Qué es Bolívia?

Não nos conhecemos, povos , poetas e escritores da América Latina.

Aqui, o poeta e cineasta boliviano Alfonso Gumucio Dagron

Test

¿Qué es Bolivia?

¿Un conglomerado de cadáveres?
¿Un colectivo lleno de militares?
¿Una masa enorme de tierra silenciosa?
¿Una planicie de rostros terrosos?
(Impasibles miradas cansadas de esperar)
¿Una altitud de cartón-piedra?
¿Una caída vertical de la pobreza a la nada?
¿Un grupo de niños pijes de anchas corbatas?
¿Una cadena de resentimientos y mentiras?
¿Un puñado de crímenes detrás de la basura?
¿Un niño muerto en una caja de zapatos?
¿Un libro de poemas que arde porque sí?
(Porque invade la sangre de quien lo lee)
¿Un escritorio, dos escritorios, tres escritorios?
¿Una tienda de campaña?
¿Una lluvia pasajera?
¿Un costal de títeres quemados?
¿Un periodista que siempre cae parado?
(Como trípode con un rollo de dólares
que le alegra el ano)
¿Una página menos, siempre tan lejos
de la historia?
¿Un grupo de universitarios confundidos?
¿Un poema, dos poemas, este poema?
Escoja solamente diecinueve respuestas.

Ni una menos.



Bolívia, 11 de setembro








Santiago do Chile, março de 1973

Foto Elizabeth Lorenzotti


















Reuters/Terra Magazine -Bolivia, 11 de setembro de 2008


Em março de 1973, em Santiago do Chile, que enfrentava prolongada greve de caminhoneiros e e intervenções dos EUA nos bastidores contra o governo socialista de Salvador Allende, manifestações de rua tentavam defender o governo eleito contra as tramas do golpe.

Em 11 de setembro de 1973, o bombardeio de La Moneda, a morte de Allende , as prisões e assassinatos iniciavam o periodo de trevas regido pelo general Pinochet, que hoje o mundo todo sabe quem foi e o que fez .

No mesmo dia,35 anos depois, a Bolivia estuda decretar estado de sítio contra uma série de atentados terroristas e parece que, mais uma vez, a Historia se repete. Tomara que não.
Sabotagem de gasodutos, invasão de prédios públicos, conflitos nas ruas.

O Cônsul-geral da Bolívia em Mato Grosso - estado que faz fronteira com o departamento de Santa Cruz de La Sierra, Victor Cuba faou ao Terra Magazine que há setores descontentes com a vitória do presidente Evo Morales nas urnas, que "financiam" os protestos contra a nova proposta de Constituição:

- Há interesses. A nova Constituição não muda muitas coisas, mas toda em um problema básico: a questão das terras. E não é o pobre que tem a terra na Bolívia - afirma."

Hoje, o Terra Magazine, em matéria de Diego Salmen, entrevista o deputado Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, presidente do Parlamento do Mercosul. Que compara:

"Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo - acusa Rosinha, que também é deputado na Câmara federal pelo PT paranense."

"O presidente do Parlasul levanta, em entrevista a Terra Magazine, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos ter "um dedo" no conflito boliviano. Ele propõe que o Grupo de Amigos da Bolívia (Brasil, Colômbia e Argentina) se reúna para discutir a crise no país.

Rosinha também critica a elite boliviana, que segundo ele mantém vínculos com as ditaduras militares que já governaram o país.

- Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria (indígena) era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa."

Ouvi de um amigo uma vez o relato de entrevista com uma miss boliviana, loira tinta, que comentava com o repórter :

"Nem todos os habitantes da Bolívia são índios, como você está vendo".






quarta-feira, setembro 10, 2008

A rolinha e seu ninho

Foto blog Liperama

Minha querida amiga Maria Inez, uma pessoa de grande sensibilidade e força interior me conta essa linda historinha.
Coisas que continuam a ocorrer com harmonia na natureza, enquanto nós, os homens...


"No meu jardinzinho na frente da casa tem um arbusto de uns 3 metros de altura...sabemos que sempre há ninho de passarinho mas nunca flagramos ovos ou bebês. Eis que há 25 diasmais ou menos vimos uma rolinha sentadinha sobre um ninho arquitetonicamente construído...ela ficou todo esse tempo quieta, imóvel sobre o ninho e depois que nasceram 2 filhotes continua lá cumprindo sua missão até o "desmame". que disciplina!!!!!!!!!!já choveu, ventou, fez calor e ela lá. O macho se encarrega de alimentá-la e a família está em paz. Será que alguém ensinou o que fazer?"

sábado, setembro 06, 2008

Machado, escritor e vidente

O que o meu amigo Antonio Romane achou num livro de Lucia Miguel-Pereira sobre Machadão jornalista, aos 20 e poucos anos