sexta-feira, setembro 01, 2006

Compay, Compay

Foto do filme Buena Vista Social Club

Compay Segundo, ou Francisco Repilado, beijado por Omara Portuondo. Compay quer dizer cumpadre, e segundo porque ele fazia segunda voz, com o outro Compay , eram o duo Los Compadres, criado em 1942 e durante 14 anos.
Essa lindissima figura, que há alguns anos partiu, aos 95, fumava "puros" desde os 5. Pois a avó pedia pra ele acender...Trabalhador do tabaco, amante das mulheres e das coisas boas da vida (e aqui não se fala de consumo, mas de bens essenciais.
É dele o Chan Chan, que abre o disco belissimo produzido pelo não menos maravilhoso guitarrista norte-americano Ry Coder. Disse numa entrevista: "Além das comidas típicas dos trovadores que já lhe disse, como provenho da costa, adoro os mariscos. Vou te revelar um segredo: use o caldo de cabeça de bode, isso lhe dará vitalidade. Quanto aos prazeres, é preciso ter medida. O bom não se deve experimentar muito, que sempre fique o desejo, que lhe anime a experimentar de novo e não o aborreça. Bebo um pouco e fumo desde menino, pois minha avó me ensinou. Aliás, esse foi um dos meus ofícios, na fábrica de Montecristo e H. Upman. Meu charuto preferido: H. Upman n.o 4."
Chan Chan tem apenas dois acordes: "Imagine que na França quando vão fazer um brinde, em lugar de tin tin, agora dizem chan chan, pois minha canção agradou demais. As pessoas até choram. Você sabe que as canções possuem seu mistério, seu encantamento, seu feitiço. Isso não é assunto de catedráticos, mas de magia. Você já pensou que a juventude de Cuba e da Europa, que já se esquecera da música tradicional, que somente gostava de rock, agora voltou à música de seus avós? Isso é um fenômeno."
E sobre o sucesso: "Passamos das montanhas à fama. Percorremos metade do mundo, apresentamo-nos nos palcos mais exigentes e fomos convidados por príncipes para suas festas faustosas. Mas eu continuo sendo simples, como se estivesse começando. Precisamente, prezam-nos por essa simplicidade e naturalidade. Eu continuo cantando para os cubanos, como faço por toda Cuba, desde quando jovem."
Contiuará cantando pra sempre, Compay.

terça-feira, agosto 29, 2006

Como é bom tocar um instrumento

Foto Bea Faleiros
Como será que se chama essa espécie de....pianola? A moça e seus companheiros se apresentavam num restaurante de La Habana.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Sob o céu que nos protege

Ilha impossível que enrola sua língua de fogo em nossos corpos
Línguas que engolem letras, como desvendar?
E de que forma não temer o que será?
Asas abertas de anjos negros, de yalorixás, devem proteger
Não pensar, só sentir, ouvir, ver
Esquecer os tempos sombrios
Melhor desfrutar esse hiato, essa memória em todos os cantos que nos conforta
(A vida segue eterna enquanto alguém se lembrar)

Retratos de antigos sonhos, molduras do nosso mundo
devastado e tão belo, tão belo!
Ilhas cercadas por atiradores de elite
enquanto mulatos y mulatas y negros y blancos y amarillos dançam a vida
Lá e cá
Somos nós!
Changô, Ochun, Yemanya y tantos que são um só
Clareai!

São Paulo, sol de verão na tarde de fim de inverno

Havana Vieja



Foto Beatriz Faleiros

terça-feira, agosto 22, 2006

Foto Beatriz Faleiros

Lugar de criança

É na escola, é no parque infantil...Lê-se num cartaz, não lembro direito o número: "esta noite, 200 milhões de crianças do mundo vão dormir na rua. Nenhuma é cubana".
Esta escolinha, Hans Christian Andersen, é um parque ecológico na Havana Vieja.As crianças estavam em férias e o porteiro nos mostrou, uma por uma, as plantinhas, as árvores, entre elas a palmeira, porque lá é o lugar, como diz a Guantanamera, onde crescem las palmas.
Se a revolução só tivesse sido feita por isso, nenhuma criança na rua, eu acho que já bastaria. Mas tem o ensino universal, público e gratuito, a saúde idem e tanta coisa boa mais.
Essa visita me emocionou muito, e ver como são tratados crianças, jovens...
A vida é difícil, mas se eles soubessem que no nosso país quem pode paga mais de R$ 1.000 por uma mensalidade de escola primária, não acreditariam.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Saltimbancos na praça da Catedral
Foto Beatriz Faleiros

domingo, agosto 20, 2006


Foto da Béa pras meninas

Terroristas



O fulano à direita é Possada Carriles, que detonou um avião cubano nos anos 70 matando todos os 73 passageiros. Está solto e continua fazendo atentados. Recentemente o governo do Panamá lhe recusou asilo.

sábado, agosto 19, 2006

Criatividade versus arrogância

Foto Beatriz Faleiros



Numa esquina do Malecon, o murinho à beira-mar, de sete quilômetros de extensão, existe o escritório de interesses dos EUA, desde o governo Jimmy Carter. Próxima ao local, a Tribuna Antiimperialista Jose Marti é sede de atos políticos e shows.Ali também fica o "Monte das Bandeiras": 138 bandeiras negras com a estrela branca içadas pelos cubanos em janeiro, em resposta a um letreiro luminoso gigantesco instalada no último andar do prédio,com mensagens de "liberdade" em que os norte-americanos atacam Cuba.
Agora , nem de perto e nem ao longe se pode ver as mensagens de Bush, que pena, mas que pena! Ali, na noite de 12 de agosto e madrugada de 13 --as bandeiras negras foram trocadas pelas bandeiras nacionais --assistimos a uma imensa Cantata pela Pátria, em homenagem ao aniversário de Fidel. Mais de cem artistas- cantores, musicos, atores- desfilaram para uma vasta platéia essencialmente jovem, entre 17 e 20 e poucos anos- esparramada pelo Malecón. Garotada com modelitos parecidos aos nossos, que certamente eles mesmo fazem- como também constróem eles mesmos as peças de reposição de seus fantásticos carrinhos e carrões dos anos 50 -- mas com caras tão mais tranqüilas, sem droga, com pouquíssima bebida e por incrível que pareça, quase ninguém fumando cigarro ou charuto, curtindo o rap, o rock, as canções da terra, as revolucionárias, e até um Roberto Carlos, quem diria "Você , meu amigo de fé, meu irmão, camarada"- que o autor nunca pensou onde, e para que aniversariante, seria entoada, num dia do século 21, no distante Caribe, na caliente Cuba.
Ficamos horas lá, misturadas com essa moçada que pedia desculpas quando esbarrava e pedia licença ao passar. Não é mesmo uma coisa rara para nosotros habitantes de urbes tresloucadas? Mais rara ainda: sem incidentes policiais, sem briga, sem assalto. Estaríamos nós em outro mundo?
Outro mundo seria possível?
Não percam os próximos capítulos!